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    HISTÓRIA DO MARANHÃO

    SÉCULO XX

    Ano de 1901 – 13 de março - “Massacre de Alto-Alegre”, onde morreram cerca de 200

    pessoas, entre frades, freiras, homens, mulheres e crianças, iniciando-se assim tragicamente

    o século XX.

    Ano de 1902 – 1o. de março – Assume o governo Dr. Manuel Lopes da Cunha, “posto por

    Benedito Leite”, explicita Mário Meireles, escolhidos e eleitos os vices-Governadores

    Alexandre Colares Moreira Júnior, Capitão-Tenente Oton Bulhões e Raimundo Nogueira

    da Cruz e Castro. Lembremos aqui que os antigos Presidentes de Província, no Império,

    passaram a ser chamados de Governadores, na República.

    – 1o. de novembro – Raimundo Nogueira da Cruz é o novo governador, na

    ausência dos 1o. e 2o. Vices.

    - 19 de novembro – Toma conta do governo Alexandre Colares Moreira Júnior,

    que, dos quatro, inclusive o titular Lopes da Cunha, é o que por mais tempo exerce o poder,

    criando até uma “oligarquia dos Moreira”. Deve-se-lhe a criação da Repartição de Obras

    Públicas, Viação, Indústria, Terras e Colonização e durante seu governo sofreu São Luís a

    peste bubônica (1903-1904), combatida com a ajuda do Instituto de Manguinhos através

    dos médicos do sul, Drs. Rodolfo Vacani, Souza Sanches, Toledo Dodsworth, Henrique

    Marques Lisboa, Augusto Pacheco, Adolfo Pereira, Vitor Godinho, Adolfo Lindenberg e

    Crisciuma Filho, secundados pelos nossos Drs. Joaquim Belo, Galdino Ramos, Cláudio

    Serra de Mares Rego, Rogério Coelho Júnior, Antônio Palhano e Domingos Xavier de

    Carvalho. Pela quantidade de profissionais recrutados para atender à epidemia e pelo tempo

    em que ela transcorreu vê-se a gravidade da situação, que obrigou a população em pânico a

    fugir para sítios e quintas dos arrabaldes ou para localidades do interior, os ratos

    disseminando o mal pela cidade. O próprio Dr. Henrique, que improvisara um laboratório

    de análises na rua do Ribeirão, viu-se atacado da doença, salvando-se a custo com a

    interessada assistência de seus colegas maranhenses. Igual sorte não teve o farmacêutico

    Bernardo Pedrosa Caldas, que perdeu a mulher, vítima da epidemia. “Guarda a tradição,

    diz Meireles, que a quantidade de pestosos diariamente mortos chegou a tanto, que o

    serviço funerário normal foi substituído pelo do popular Mãe da Lua, que, percorrendo

    com sua funérea carroça as ruas desertas, ia recolhendo das casas os cadáveres para levalos

    amontoadas às vezes, para o Cemitério do Gavião; e que a igreja de São Pantaleão,

    cujos sinos sempre haviam dobrado à passagem de cada féretro pela rua do Passeio ou do

    Norte, rumo ao Campo Santo, agora os mantinha calados para que, pela freqüência em

    que teria de planger, não aumentasse o desespero de toda a população ao ouvi-los.”

    Ano de 1905 – 3 de janeiro – O Presidente da República, Dr. Afonso Pena, sancionou a Lei

    no. 1.329 que autorizava a construção da Estrada de Ferro de São Luís a Caxias. Três

    empresas concorreram saindo vencedora Proença Echeverria & Cia., com orçamento de

    9.052:000$000 contra 22.560:000$000, o mais elevado. O traçado original foi mudado para

    a margem do rio, uma incongruência, pois matou a navegação do Itapecuru, e ao fim custou

    a estrada 35.928 contos de réis e ainda reclamaram judicialmente os construtores mais

    12.000$000!

    Ano de 1906 – 1o. de março - Eleito em 1905, assume o governo Benedito

    Pereira Leite

    1o. de maio – A sociedade “Festa Popular do Trabalho” inaugura sua 3a.

    Exposição.

    7 de julho – Visita o Maranhão, pela primeira vez, um Presidente da República,

    Dr. Afonso Augusto Moreira Pena.

    Ano de 1908 – 25 de maio - Adoecendo, Benedito Leite passa o governo ao 2o. Vice-

    Governador Artur Quadros Colares Moreira, que o conservaria até o dia 25/02/1909.

    - 10 de agosto – Antônio Lobo e Fran Paxeco fundam a Academia Maranhense

    de Letras, juntamente com Alfredo de Assis Castro, Astolfo Marques, Barbosa de Godóis,

    Clodoaldo Freitas, Corrêa de Araújo, Domingos Barbosa, Godofredo Viana, Ribeiro do

    Amaral, Xavier de Carvalho e Vieira da Silva.

    Ano de 1909 – 25 de fevereiro – Assume o governo o Presidente do Congresso Legislativo

    Mariano Martins Lisboa Neto.

    - 6 de março - Benedito Leite falece em Hyères, na França. “Com sua morte

    sobreveio para o Estado uma das mais graves crises políticas, conseqüente da luta

    disfarçada e muda pela chefia do partido, entre Urbano Santos e José Euzébio,

    principalmente, e Colares Moreira, em segundo plano. É o começo da chamada

    “Dualidade”. (Mário M. Meireles).

    Colares Moreira viajou para o Rio de Janeiro para viabilizar sua candidatura ao

    governo no próximo quatriênio, conforme acerto com Benedito Leite; sem resultado,

    voltou, pretendendo reassumir o cargo; Mariano Lisboa negou-se a entregá-lo, garantindose

    em palácio com a Polícia Militar e o apoio de Costa Rodrigues, chefe oposicionista. O

    impasse requereu a presença do Comandante da Região, General Rodrigues Campos.

    Afinal, após diligências e entendimentos nos altos escalões da República e atendendo a

    interesses vários, inclusive da política nacional, renunciaram os dois litigantes, assumindo o

    governo, em

    - 29 de junho - o novo Presidente do Legislativo, Américo Vespúcio dos Reis.

    Ano de 1910 – 5 de fevereiro – Assume o governo outro Presidente do Congresso, na nova

    legislatura, Frederico de Sá Filgueiras.

    De toda essa confusão política, a chamada “Dualidade”, resultou, no âmbito

    regional”, a ascenção de Urbano Santos à chefia do partido situacionista, o aumento do

    prestígio político de Costa Rodrigues, o chefe da oposição, e, por fim, a candidatura de

    Luís Domingues para o próximo quatriênio.” (Meireles).

    Não faz mal repitamos haver o governo de Benedito Leite se estendido por

    quinze anos e não os dois de seu efetivo exercício. E durante eles o Maranhão enfrentou

    grave crise econômica motivada por diversos fatores: a extinção da escravatura e o

    abandono das fazendas, perdendo a classe rural quase 90% de seu capital; os lavradores,

    desesperados, vieram perder o pouco que lhes restara na “disenteria fabriqueira” que

    tomou conta do Estado; a alta do preço da borracha desviava para os seringais da Amazônia

    nossos últimos braços válidos; a oscilações dos preços mantinha-nos em constantes

    sobressaltos. “O Maranhão empobrecia-se”, diz Viveiros. Todavia Benedito Leite

    esforçava-se: instituía prêmios para cultura do café, do cacau, da seringueira, da maniçoba,

    do arroz, do algodão; incentivada a navegação interna, a pecuária e a exploração de minas e

    criava novos serviços: biblioteca, registro civil, escolas modelo e normal e grupos escolares

    na capital e no interior, serviço de bombeiros e de imprensa oficial. “Completar a rede

    telegráfica foi uma das preocupações de Bendito Leite.” Para acudir à aflitiva situação do

    Estado sem omitir-se em relação aos deveres de governo, lançou mão de empréstimos de

    bancos locais – Comercial, Maranhão e Hipotecário, e até à firma Cunha Santos & Cia.

    Sucess., pois “a Benedito Leite repugnava ver sua terra no papel de necessitado pedinte

    aos cofres da União ou a bancos externos, afirma Viveiros.

    O Maranhão está na miséria, diz o meu correspondente. Não creio. Um

    Estado com os recursos do nosso não pode estar na miséria. A sua má situação é

    passageira (...) e tanto bastará para que o Maranhão se liberte de sua dívida, que não

    passa do rendimento de um ou dois dias de qualquer milionário americano. (...) O que é

    preciso, já eu disse e repito, é pormos de lado, nós, maranhenses, as nossas antipatias e

    contrariedades pessoais, e cercarmos o governador de toda nossa confiança, a fim de que

    ele consiga reanimar o Maranhão.. Isso é mais patriótico e mais prático do que andar por

    toda parte a badalar que a nossa terra está perdida, quando não o está.” Mas, acrescenta,

    hesitante: infelizmente duvido muito que os maranhenses nos consorciemos para essa obra

    de salvação do Estado. Somos desunidos por temperamento, por índole.” E num derradeiro

    apelo: “Unamo-nos, patrícios; a união faz a força! Palestra de Artur Azevedo, no Rio de

    Janeiro, publicada em o “O País”, de 9 de agosto de 1907.

    Quanto à sua honradez, é o próprio Azevedo quem diz: “A acusação mais grave

    que se lhe faz é de não saber somar, e querer, com uma receita de cinco pagar uma

    despesa de dez. Sim, senhor, admito que é esse o grande erro do Dr. Benedito Leite:

    confiou demais nas forças produtoras do Estado; admito mesmo que se enganasse na

    soma. Os maranhenses, em geral, sabem gramática e fazem bons versos; no tocante a

    algarismos são uma lástima (...) mas ninguém lhe pode negar a glória de sua pobreza, e as

    boas intenções e o amor que tem manifestado por nosso torrão natal. (...) Quando ele

    deixou a sua vila do Rosário para se meter na política, não era rico, mas possuía alguns

    haveres, e hoje está pobre, paupérrimo, e não tem senão dívidas. A política e o Maranhão

    absorveram-no por tal forma, que ele não aproveitou, numa rendosa banca de advogado, o

    seu talento jurídico, tantas vezes revelado na tribuna parlamentar.

    1o. de março – Assume o governo Dr. Luís Antônio Domingues da Silva,

    candidato único da conciliação promovida por Urbano Santos, tendo por Vice-

    Governadores Manuel Bernardino Costa Rodrigues, Cristino Cruz e Raul da Cunha

    Machado.

    O novo Governador, que assistia, conforme confessa angustiado, “à romaria de

    funcionários e mais credores do Estado, que desalentada saía diariamente do Tesouro e

    desalentada voltava de palácio em súplica de pagamento”, não teve outra alternativa senão

    recorrer ao empréstimo externo, tomando a Mayer Freres e Cie., por intermédio do Banco

    Argentino Francês, 20.000.000 de francos, com o que conseguiu saldar a dívida flutuante,

    restabelecendo o crédito público. Destinou recursos ao fomento à produção, à Companhia

    de Navegação a Vapor, acudindo à solução dos transportes, e à Usina Joaquim Antônio, no

    sentido da recuperação da indústria de açúcar, tratando, ao mesmo tempo, do saneamento

    da capital e da educação, criando a Inspetoria-Geral da Instrução e reorganizando o Liceu e

    a Escola Normal.

    Ano de 1912 – 4 de setembro – Luís Domingues é reeleito para novo mandato (1912-

    1914).

    – 8 de setembro – Realiza-se a 4a. Exposição, de responsabilidade da

    Comissão “Festa Popular do Trabalho” – “a maior de todas, porque conseguiu expor o

    que existia de mais moderno no Maranhão, além de contar com a visita de alguns

    estrangeiros e pessoas de alta posição social”, inclusive o escritor francês Paul Adam.

    O Governador Luís Domingues recomendou que a Exposição fosse franqueada

    gratuitamente a todos os que se apresentassem decentemente vestidos. Dessa mostra

    participou a Fábrica de Fiação e Tecidos do Rio Anil, com seus alvíssimos morins”.

    Ano de 1914 – 1o. de março – Eleito mais uma vez para o governo do Maranhão, Urbano

    Santos da Costa Araújo mais uma vez renunciou ao mandato, dando ocasião a que, como

    nenhum dos Vice-Governadores se resolvesse a assumir, fosse ele, interinamente, entregue

    ao Presidente da Câmara Municipal de São Luís, Afonso Gifwning de Matos.

    - 6 de abril – Cria-se em São Luís uma primeira Sociedade de Medicina e

    Cirurgia do Maranhão, sob a presidência do Dr. Oscar Lamagnere Galvão, que se firmaria

    enfim em 24 de abril de 1921, sob a mesma direção e contando com 40 associados, ela que

    começara com 32.

    - 26 de abril – Toma posse Dr. Herculano Nina Parga, eleito efetivamente

    Governador do Maranhão para conjuração de nova crise política ligada à disputa Artur

    Colares Moreira x Mariano Martins Lisboa. Conseguiu ele um superávit orçamentário

    graças às medidas tomadas por seu antecessor Luís Domingues e à I Guerra Mundial de

    1914, que provocou o surgimento do babaçu como a principal fonte de arrecadação do

    Estado. Segundo Meireles, Herculano Parga só se preocupou com o problema financeiro de

    fazer crescer o saldo do Tesouro, abandonando os programas de Luís Domingues. Também

    entrou em choque com a oposição na pessoa de Clodomir Cardoso, Prefeito de São Luís. “A

    dívida flutuante fora liquidada, a consolidada reduzira-se a Rs. 2.559:000$000, a externa

    já baixara para 18.000.000 francos e o Estado dispunha de um saldo, em depósitos

    bancários, de Rs. 2.467:200$000.” (Meireles). E foi Parga quem criou as pastas de

    Fazenda; e do Interior, Justiça e Segurança.

    Ano de 1917 – 23 de março - O novo Governador é o 1o. Vice-Governador, Antônio Brício

    de Araújo, irmão de Urbano, que assumiu o cargo em virtude da renúncia de Herculano

    Parga, candidato a Deputado Federal.

    Ano de 1918 – 1o. de março – Assume o 1o.Vice-Governador eleito Dr. José Joaquim

    Marques, em virtude da ausência do titular, Urbano Santos.

    - 26 de agosto – Dr. Aquiles Lisboa funda um Posto de Assistência Médica aos

    Ulcerados que perambulavam pela cidade, contando com a ajuda dedicada de alguns

    colegas, inclusive cirurgiões e um dentista.

    - 9 de outubro – O 2o. Vice, Raul da Cunha Machado, torna-se Governador, pelo

    mesmo motivo da ausência do efetivo..

    - 21 de outubro –Na ocasião Vice-Presidente do Brasil, assume o cargo de

    Governador do Maranhão Urbano Santos, eleito. pela terceira vez.

    Deve-se a ele a criação de um Serviço de Profilaxia Rural e Urbana, com a

    instalação do Instituto “Osvaldo Cruz” (filial do Instituto de Manguinhos, do Rio de

    Janeiro), sob a direção do bacteriologista Dr. Cássio Miranda, assistido pelo Dr. Luís

    Lobato Viana e o laboratorista Benedito Laurindo de Morais; o contrato com a Fundação

    Rockeffeler para o combate à malária, e o início da construção do Leprosário no sítio Sá

    Viana, fronteiro à cidade (12/2/1920).

    - 21 de novembro – Urbano Santos é nomeado Ministro de Estado para os

    Negócios e Interior e Justiça, a convite de Rodrigues Alves e mantido no cargo por Delfim

    Moreira até 3 de outubro de 1919.

    Ano de 1919 – 24 de fevereiro - Por inspiração de Urbano Santos foi feita a reforma

    constitucional, “ditada mais por interesses político-partidários, e que por isso não teve a

    assinatura dos deputados oposicionistas.” (Mário Meireles) O Governador passava a

    chamar-se Presidente, com um único Vice; o Prefeito de São Luís a ser da confiança e

    nomeação do Presidente, contra a tendência do eleitorado da Capital.

    - 9 de abril – O Governo da União cria o Serviço de Profilaxia, de caráter

    especial e com representações nos Estados para combater a terrível epidemia chamada

    Gripe Espanhola, aqui confiado ao Dr. Raul de Almeida Magalhães.

    Ano de 1920 – Surto de Febre Amarela.

    Ano de 1921 – Nova ameaça Peste Bubônica, com focos em São Bento, Penalva e São

    Vicente Ferrer.

    - março – Inicia-se o tráfego na Estrada de Ferro S. Luís-Teresina e o transporte

    de cabotagem entre os pequenos portos do Estado, com o arrendamento à Companhia

    Nacional de Navegação Costeira de dois navios do Governo Estadual. Outras obras

    importantes promoveu Urbano Santos: mananciais de abastecimento de água para a cidade;

    reconstrução do teatro (que se passou a chamar “Artur Azevedo”), do quartel da Polícia

    Militar, da Penitenciária, do Aprendizado Agrícola e da Escola Modelo.

    Junho – O governo adquire o Hospital Nina Rodrigues, da Santa casa de

    Misericórdia, no bairro do Lira, destinado aos tuberculosos, para transformá-lo em hospital

    de isolamento, instituindo um curso de enfermagem para habilitar-lhe o pessoal.

    Ano de 1922 – 25 de fevereiro – O 2o. Vice-Presidente Dr. Raul da Cunha Machado

    assume o poder em virtude, de outra vez, ser Urbano Santos candidato à Vice-Presidência

    da República.

    - 1o.de março – Godofredo Mendes Viana e Raul da Cunha Machado são eleitos

    Presidente e Vice-Presidente do Maranhão. Permanecendo, porém, Godofredo no Senado,

    guardando a vaga para Urbano Santos, a quem devia por sua vez substituir, conforme

    combinação de interesse do situacionismo (“E assim se passaram as coisas, que assim se

    faziam as eleições...”, observa Mário Meireles), Raul da Cunha Machado passou a si

    mesmo o cargo de Presidente.

    - 26 de abril – O Capitão Manuel Aurélio Nogueira, dizendo-se desautorado em

    dois inquéritos que presidira e cujos resultados contrariavam os interesses do governo,

    inspirou a revolta da Polícia militar, cuja tropa, sob o comando do Tenente Sebastião

    Corrêa, ocupou o palácio mantendo o Presidente detido. Criou-se uma Junta Governativa

    composta pelos Dr. Tarquínio Lopes Filho, Presidente, Desembargador Rodrigo Otávio

    Teixeira e Drs. Leôncio Rodrigues e Carlos Augusto de Araújo Costa.

    No mesmo dia o Comandante do 24o. B. C., Tenente-Coronel Cunha Leal,

    cumprindo ordens superiores, reempossou Cunha Machado, obrigando-o, porém, a

    comprometer-se, por escrito, a manter os revoltados nos postos que tivessem, livres de

    punição, e a garantir a segurança dos membros da Junta. Todavia, depois de reassumir o

    cargo, declarou pela imprensa que só o fizera sob coação, gerando novas inquietações, pois

    tratou de fortificar-se e iniciou tais perseguições e empastelamento de jornais que chegaram

    até a um assassinato. Muitos líderes homiziaram-se no quartel do Exército.

    - 7 de maio – Falece, repentinamente, à bordo do vapor “Minas Gerais”,

    Urbano Santos, em viagem para o Rio de Janeiro, o que daria origem a nova crise

    administrativa pela inexistência de um substituto previamente escolhido pelo morto. Logo

    se desavieram os possíveis herdeiros políticos, defrontando-se, ferozmente, de um lado

    Marcelino Machado, genro de Benedito Leite, logo eleito chefe da oposição, e de outro

    Magalhães de Almeida, genro de Urbano Santos, pelo situacionismo.

    Mas, Cunha Machado, que se acostumara a obedecer cegamente a Urbano

    Santos, desorientado com a ausência do chefe, que viajara para tratar de sua candidatura,

    passou a ser dominado pelo seu Secretário do Interior, Dr. Teodoro Rosa.

    - 2 de junho – Suicida-se o Dr. Leôncio Rodrigues, presa de incontrolável

    depressão.

    – Repercute no Maranhão a reação do Exército ao governo de Artur Bernardes,

    do que se aproveita o Presidente para ordenar a prisão dos adversários.

    - 19 de dezembro – São os implicados julgados e absolvidos pelo júri e

    aclamados pelo povo.

    Ano de 1923 – 20 de janeiro – Finalmente assume a Presidência Godofredo Mendes Viana.

    Cunha Machado renuncia à Vice-Presidência e candidata-se à Câmara Federal. Recebido

    como uma esperança de paz e progresso, Godofredo Viana deixou-se influenciar pelo

    cunhado e Secretário de Interior Juveliano Barreto, que criou para o governo a mais

    ferrenha e tumultuosa oposição.

    Ano de 1824 – Para agravar a situação o fortíssimo inverno deste ano alagou cidades e

    campos, condenando a safra e deixando multidões ao desamparo, obrigando o governo a

    conceder auxílios e dispensar tributos, além da invasão de duas dezenas de municípios pela

    Coluna Prestes e o estabelecimento do quartel-general legalista do General João Gomes em

    São Luís, perturbando ainda mais os problemas, de si graves, da administração.

    - Novo empréstimo de $ 1.500.00 foi feito agora com Ulen & Co., de New

    York, para financiamento dos serviços de água, esgoto, luz e tração elétricas em São Luís, a

    cargo da Brighton & Co. Inc.; e depois outro empréstimo de 2.500 contos de réis, elevando

    a dívida interna do Estado para Rs 9.553:800$000 e a externa para Rs 16.712:000$000.

    Procedeu a nova reforma do ensino proposta pelos professores Fran Paxeco, Osório

    Anchieta, Joaquim Santos e Cesário Veras.

    Ano de 1925 – 8 de abril – O Congresso Estadual aprovou, pela Lei no. 1.234, o laudo dos

    oficiais do Exército Nacional que dirimiu a “Questão da Barra de Tutóia”, limites entre o

    Maranhão e o Piauí, defendida pelo Dr. Benedito de Barros e Vasconcelos.

    26 de novembro – Criação de Antônio Lopes, funda-se o Instituto Histórico e

    Geográfico do Maranhão, nascido como Instituto de História e Geografia, na livraria de

    Wilson da Silva Soares e composto de, além do citado, Justo Jansen, José Domingues,

    Barros e Vasconcelos, Domingos Perdigão, José Pedro Ribeiro, José Abranches de Moura e

    Arias Cruz e acrescido depois com João Braulino de Carvalho, Raimundo Lopes, Fran

    Paxeco, Carlota de Carvalho e Antônio Dias, cabendo a presidência a José Ribeiro do

    Amaral, que já ocupava a da Academia Maranhense de Letras.

    Ano de 1926 – 27 de fevereiro – Ausentando-se Godofredo Viana, assume o governo o

    Vice-Presidente Dr. João Vieira de Souza Filho que, em

    1o. de março – passa-o ao eleito, Comandante José Maria Magalhães de

    Almeida, aliás o segundo que exerceria integralmente o mandato,visto que o último fora

    João da Costa, vinte anos atrás.

    Havia no Maranhão republicano dois partidos: o “Federalista”, chefiado por

    Benedito Leite, e o “Republicano”, sob a direção de Manuel Bernardino da Costa

    Rodrigues. No primeiro as cousas iam mal com a morte de Urbano Santos, delimitando-se

    duas alas. Afinal, “definida a situação política com a cisão provocada por Marcelino

    Machado, que foi suceder a Costa Rodrigues na chefia do Partido Republicano, o posto

    que de Benedito Leite passara a Urbano Santos, acabaria em mãos do genro deste último,

    o Comandante José Maria Magalhães de Almeida, depois de ter escorregado pelas do

    Desembargador Cunha Machado e ter escapado às de Godofredo Viana.” (Mário

    Meireles)

    Sofrendo o Estado sua incessante crise financeira, coube ao novo governante a

    obrigação de cortar gastos e suprimir cargos e serviços a fim de por em dia o pagamento do

    funcionalismo. Os serviços públicos de abastecimento, esgotos, iluminação e transportes,

    transferidos à Ulen Management Co., foram instalados; tratou-se da execução de um plano

    incipiente de estradas de rodagem, outro de urbanismo para São Luís, a cargo do Dr. Jaime

    Tavares, e ainda um terceiro de reedição das obras clássicas de História e Literatura

    maranhenses. Suportou Magalhães os ataques virulentos da oposição de Marcelino

    Machado e Tarquínio Lopes Filho, chefe do “Partido Socialista” (que, como é óbvio, nada

    tinha de socialismo e logo passou a chamar-se “Democrático”), através dos jornais “O

    Combate” e a “Folha do Povo” e que, não discrepando dos tempos passados, desciam aos

    insultos e às ofensas pessoais aos adversários e suas famílias, a que “O Imparcial”

    respondia em quase igual diapasão. É de notar que nunca houve realmente partidos no

    Maranhão (quiçá no Brasil), encarnando-se na pessoa de seus chefes as simpatias e o

    espírito da grei, daí os castristas, os maistas, os magalhãsistas, os marcelinistas, os

    vitorinistas, os sarneysistas ...

    Ano de 1930 – 1o. de março - É eleito Governador do Estado o Dr. José Pires Sexto, que

    só governaria por sete meses, seria deposto e fugiria pelos fundos do palácio.

    - 3 de outubro – Eclode no Rio Grande do Sul a revolta que ficaria conhecida

    como a “Revolução de Trinta”, com a tomada do Quartel-General de Porto Alegre por

    Osvaldo Aranha e Flores da Cunha, à frente de apenas 50 homens.

    8 de outubro – Rebenta no Maranhão o movimento revoltoso comandado pelo

    Sargento José Paz de Amorim. Tarquínio Lopes reunira em torno de si alguns jovens

    idealistas, inclusive José Maria dos Reis Perdigão, o qual, tido por comunista, estivera

    exilado na Argentina. Desde Deodoro que a insatisfação lavrava pelo país, manifesta nas

    diversas agitações da Revolta da Esquadra (1891), da Fortaleza de Santa Cruz (1892), da

    Federalista e do Levante da Armada (1893). Em 1920 toma corpo o movimento conhecido

    por “tenentismo” para combater “a mentalidade de comandita, de donos do bolo, (...) sem

    nada conceder ao povo – que continua tratado como em país invadido” (Pedro Nava) que

    provocaria as epopéias dos 18 de Copacabana e a Coluna Prestes; aqui tivéramos as

    escaramuças de 22 e a suspeita a Cunha Leal de simpático à causa dos revolucionários.

    A vitória da Aliança Liberal, representada no Maranhão pelo Partido Liberal, de

    Tarquínio Lopes Filho, e que congregara a mocidade de tendências socialistas (Lauro

    Parga, Fernando Perdigão e José Maria Perdigão, Francisco Figueiredo, Hélio e Cunha,

    Tácito Freitas, Eugênio Lima, entre outros) fez coro com o movimento armado que se

    organizava pelo país, promovido pelos oficiais do Exército Miguel Costa, Carlos Prestes,

    Juarez Távora e Siqueira Campos. José Maria Reis Perdigão fez-se seu representante entre

    nós, conseguindo influenciar o elemento civil e a o de mais baixa patente do Exército. No

    Piauí, Área Leão depusera o Governador e a revolução já se estendia a Timon e Caxias, em

    território maranhense. “Diante disso, e porque os oficiais (do Exército) não se resolvessem

    a uma atitude (o tenente Tasso Serra, comprometido, voltou atrás) o sargento Paz Amorim

    tomou a dianteira e, antes que sua companhia ficasse também desarmada, deu o brado da

    revolta, prendendo toda a oficialidade, inclusive o major Luso Torres (comandante do 24o.

    B.C.). (Meireles) Foi a sargento Amorim, um mulato simpático, de largo sorriso e decidida

    ação, sem grande preparo intelectual, mas inteligente e corajoso quem, a 8 de outubro,

    sublevou a tropa e prendeu o seu comandante Luso Torres.

    - 9 de outubro – Toma posse a Junta Governativa Revolucionária, composta

    pelos Capitão Celso Aurélio Reis de Freitas, Dr. José Maria dos Reis Perdigão e Tenente

    José Ribamar Campos. O Governador Pires Sexto fugiu pelos fundos do palácio e a Junta

    recebeu o governo... das mãos do Sargento Aprígio, o Comandante da Guarda. Inicia-se

    assim a “República Nova”.

    - 24 de outubro – Um grupo de Generais e Almirantes depõe, no Rio de Janeiro,

    o Presidente da República Washington Luís Pereira de Souza, assumindo o governo uma

    Junta Pacificadora, formada pelos Generais João de Deus Mena Barreto e Augusto Tasso

    Fragoso.

    - 3 de novembro – Vitoriosa a Revolução, o Bacharel em Ciências Jurídicas e

    Sociais, Getúlio Dornelles Vargas, ex-Ministro da Fazenda de Washington Luís, candidato

    derrotado à Presidência, e “que nunca fora revolucionário”, segundo o General Aurélio de

    Góis Monteiro, assume o governo do País.

    - 15 de novembro - Restabelecida a ordem, vai para o governo... o Major José

    Luso Torres, o mesmo que, comandando o 24o. B. C. legalista, tinha sido aprisionado pela

    revolução; secretariado pelo Dr. Reis Perdigão, um dos responsáveis maiores pelo

    movimento revoltoso!

    “Com a abolição da escravatura, já vimos, deu-se a desorganização da economia

    brasileira, baseada no latifúndio, na monocultura e no trabalho escravo, em regime

    semifeudal. Ao engenho sucedeu a usina, mas os vícios persistiram e os escravos do

    primeiro se transferiram para a segunda quase nas mesmas condições. A famigerada seca de

    77 e o malogrado sonho da borracha provocaram a fuga de milhares nordestinos para A

    Amazônia e São Paulo. A fome, o abandono, a ignorância impuseram a união e armaram o

    braço do cangaceiro e do fanático. O cangaço, antes de tudo, representa a reação, ás vezes

    inconsciente, contra o latifúndio, a violência policial, o isolamento social e cultural, o

    coronelismo. Eis que surgem os fenômenos absolutamente naturais de Canudos,

    Contestado, Juazeiro do Padre Cícero e de Lampeão, o Rei do Sertão. ( C. de Lima)

    No Maranhão houve apenas a mudança de atores e aos novos governantes

    poder-se-ia dizer o mesmo que Henrique Leal disse dos antigos, que poucos são aqueles de

    quem se pode ter gratas recordações.

    Luso Torres, porém, só governou por 12 dias, transferindo o cargo, a

    - 27 de novembro, ao Dr. José Maria dos Reis Perdigão.

    Ano de 1931 – 9 de janeiro – Toma posse no governo o padre Astolfo de Barros Serra

    como Interventor Federal e começa o desfile dos interventores.

    O Padre Serra, temperamento rebelde, em conflito com o arcebispo D. Otaviano

    de Albuquerque, que o suspendera de ordens, tribuno inflamado, jornalista, escritor, e

    também soldado do movimento revolucionário de 30, teve uma curta e nada tranqüila

    gestão. O caso é que o Arcebispo não podia ver com bons olhos um seu subordinado

    (realmente um insubordinado) sob sanções disciplinares, ocupando o lugar mais

    proeminente da administração estadual. Não demorou muito a que as relações se azedassem

    principalmente devido a provocantes manifestações da imprensa, ditadas pelos interesses

    políticos, e a que eram bastante vulneráveis tanto o Padre-Interventor, por sua maneira de

    vida, quanto Arcebispo, pela auréola de antipatia que seu gênio lhe concedera”. (Mário

    Meireles). Astolfo Serra deixou o palácio, após apenas 8 meses, nos braços do povo, o que

    não impediu um tiroteio na rua principal da cidade, felizmente sem maiores conseqüências.

    - 18 de agosto – Com essas escaramuças, ordenou o Governo Central que o

    Comandante do 24o. B.C., o Coronel Joaquim Guadie de Aquino Corrêa assumisse a

    interventoria, inaugurando a “Era dos Tenentes” no Maranhão, sendo o primeiro, em

    - 8 de setembro – o Capitão do Exército Lourival Seroa da Mota, que, apesar

    de bem intencionado, pouco pode fazer em tão curto tempo.

    Ano de 1932 – 15 de janeiro - Assume interinamente o governo o Secretário-Geral

    Amerino Warnick, na ausência transitória do Governador.

    - 14 de abril – Reassume Seroa da Mota.

    - 9 de julho - Revolução Constitucionalista, chefiada por Isidoro Dias Lopes e

    Bertoldo Klinger, que, embora dominada, provocaria o fim do governo discricionário.

    Ano de 1933 – 10 de fevereiro - Interinamente exerce o poder Amerino Warnick. Seroa da

    Mota não volta ao governo e, a

    - 30 de abril – Álvaro Jansen Serra Lima Pereira, Coronel-Comandante do 24o.

    B.C., assume o governo, interinamente, para transmiti-lo a outro militar.

    - 29 de junho – O Capitão do Exército Antônio Martins de Almeida é o

    Interventor no. 4 de nosso Estado, vindo “para colocar ordem na política e nas finanças do

    Maranhão. Para ajudá-lo, Martins de Almeida trouxe em sua companhia o pernambucano

    Vitorino de Brito Freire, que havia conhecido na Revolução Constitucionalista de São

    Paulo, para ocupar a Secretaria de Governo, órgão encarregado de conduzir a política

    estadual”. (Buzar)

    - 7 de novembro – Assume o Secretário-Geral, Capitão Onésimo Becker de

    Araújo, na ausência do titular.

    Ano de 1934 – 5 de fevereiro – Martins de Almeida reassume o cargo.

    - 10 de julho – Outra vez Onésimo Becker de Araújo substitui interinamente o

    Governador.

    - 16 de julho – Novas idéias surgiram das condições econômicas e sociais

    decorrentes da I Guerra Mundial, dando origem a dois grandes regimes políticos

    totalitários: o comunista, vitorioso em 1917, na Rússia, e o fascista, que seria seguido e

    fortalecido pelo nazismo, implantado na Itália em 1934. No Brasil naturalmente

    repercutiriam tais doutrinas que se consubstanciaram na criação dos partidos Aliança

    Nacional Libertadora (ANL) de orientação comunista, e Ação Integralista Brasileira (AIB)

    fazendo o gênero fascista.

    - Promulgação de nova Constituição do Brasil, que previa a nacionalização

    progressiva dos bancos, assegurava a pluralidade e autonomia dos sindicatos, garantindo

    aos trabalhadores salário mínimo, férias, indenização por dispensa sem justa causa, etc. e

    - Eleição indireta de Getúlio Vargas e aparecimento no cenário nacional do

    Partido Comunista, de Luís Carlos Prestes e do Partido Integralista, sob a chefia de Plínio

    Salgado.

    - 2 de agosto – Reassume Martins de Almeida.

    Martins de Almeida cedo recebeu a oposição do Partido Republicano, de

    Marcelino Machado, que, através do jornal “O Combate”, não lhe poupava violenta crítica

    e pesados ataques. Indispôs-se ainda com a Associação Comercial por questões

    orçamentárias e fiscais e, perdendo de todo a serenidade devida ao cargo, desmandou-se, de

    fato, a ordenar, ou permitir, públicas surras de adversários, sem consideração à posição

    social ou econômica dos perseguidos, aplicadas por um grupo de capangas, que o povo

    apelidou, jocosamente, de “Bando de Papai Noel”, surgido justamente pelas proximidades

    do Natal. O desentendimento exacerbou-se com a decretação de greve por parte do

    comércio e a conseqüente prisão de todos os Diretores da A. C. , “homens dos mais

    qualificados e estimados na sociedade”. Tornou-se incômoda a situação do Interventor e

    ele foi-se, despachado pelo Governo Federal.

    Ano de 1935 – 16 de outubro É promulgada a 3a. Constituição do Estado do Maranhão.

    Reorganiza-se a política, figurando então os seguintes partidos: “Partido Republicano”, do

    Dr. Marcelino Rodrigues Machado; e “União Republicana Maranhense”, do Dr. Genésio

    Euwaldo de Morais Rego.

    - 22 de julho – Toma posse no Governo o Dr. Aquiles de Faria Lisboa, eleito

    pela Assembléia Legislativa, candidato único dos dois Partidos: “Republicano” e “União”.

    Durou menos de um ano o acordo. Os genesistas acusam Aquiles do não cumprimento da

    palavra dada; desentenderam-se por causa da Prefeitura de São Luís, prometida ao Dr.

    Clodomir Cardoso, segundo uns, ao Dr. Costa Fernandes, para outros. O Governador

    defende-se dizendo não submeter-se a imposições. Aliás, logo em seu discurso de posse dá

    um soleníssimo aviso”: “Não haverá considerações de espécie alguma, estima pessoal,

    parentesco, gratidão por obséquios recebidos, apresentação por pessoas ás quais deva

    respeito e mesmo obediência, piedade ou comiseração pelo estado de pobreza, deferência

    pela posição social ou pelo valor soberanamente mais alto da cultura intelectual, nada,

    absolutamente nada haverá que me impeça de dispensar imediatamente os companheiros

    nos quais descubra que a satisfação do ganho prevalece ao devotamento ao serviço.”.

    Político amador, entregou-se à sanha dos profissionais, cruéis, impiedosos, ingratos” –

    diz Salomão Fiquene, seu colega na Medicina e seu confrade na Academia de Letras. Dá-se

    o rompimento e a “União Republicana”, obtendo maioria na Assembléia, vota moção de

    desconfiança a Aquiles Lisboa.

    - 16 de agosto – O Governador é deposto e substituído pelo Vice-Presidente

    Antônio Pires da Fonseca. O “Partido Republicano” não reconhece o ato da maioria

    oposicionista ocasional pelo que a bancada majoritária recolhe-se ao quartel do Exército e

    requer hábeas-corpus coletivo, que, denegado pelo Tribunal, obrigou a oposição a

    funcionar em um prédio particular, no largo do Quartel.

    - 16 de outubro – Esta Assembléia vota e promulga nova Constituição do Estado

    e promove, através do consagrado jurista Dr. Clodomir Cardoso, o processo de

    empeachment do Governador (de modelo americano e pela primeira vez aplicado no Brasil)

    Aquiles, no entanto, sai de palácio carregado pelo povo.

    - 23 de novembro – Estoura em Natal o movimento comunista no 21o. Batalhão

    de Caçadores;

    - 24 de novembro - Em Recife, componentes da ANL tentam sublevar o 29o.

    Batalhão;

    - 27 de novembro – No Rio de Janeiro, o Quartel do 3o. Regimento de Infantaria

    é tomado de surpresa, e se rebela a Escola de Aviação Militar. A insurreição evidentemente

    desarticulada é facilmente dominada e presos os chefes principais, entre os quais Luís

    Carlos Prestes.

    Em contraposição aos comunistas, a Ação Integralista, tendo por lema “Deus,

    Pátria e Família”, por distintivo o Sigma e como saudação – Anauê!, atraiu importantes

    personalidades da Igreja Católica, das forças armadas e das classes conservadoras.

    Ano de 1936 – 14 de junho - O Governo Federal interfere para a preservação da ordem e

    nomeia Interventor o Major Humberto Carneiro de Mendonça.

    - 15 de agosto – Getúlio Vargas faz eleger Governador, pelo voto indireto da

    Assembléia, Paulo Martins de Souza Ramos, alto funcionário do Tesouro Nacional.

    - 12 de novembro – Promulga-se nova Carta Constitucional do Maranhão,

    devidamente reformulada e corrigida.

    Ano de 1937 – 24 de março – Assume o Governo Dr. Boanerges Neto Ribeiro, na ausência

    transitória do titular.

    - 16 de setembro – Paulo Ramos funda o Partido Evolucionista Maranhense.

    Genésio Rego e Clodomir Cardoso, além de não concordarem com o desaparecimento da

    URM (União Republicana Maranhense) romperam com o governador.” (Benedito Buzar)

    – 10 de novembro – “Ao mesmo tempo em que alguns políticos preparavam a

    futura campanha presidencial que julgavam poder desenvolver-se em torno dos nomes de

    José Américo de Almeida, Armando Sales de Oliveira e Plínio Salgado, Getúlio Vargas

    planejava um “golpe de Estado”. (Souto Maior). Para isto decretou “estado de guerra” em

    plena paz, valendo-se de um misterioso “Plano Cohen” que pretendia a implantação do

    comunismo no Brasil (depois descobriu-se que tal plano fora forjado pela polícia de Felinto

    Muller.) Fechados Câmara e Senado, foi imposta à Nação uma “nova ordem”, uma

    Constituição “que estabelecia teórica e praticamente uma ditadura”, assinada por todos os

    ministros com exceção de Odilon Braga, da Agricultura, e apoiada pelas forças armadas.

    Estava instalado o famigerado “Estado Novo”. Nunca um chefe de Estado obtivera tanto

    poder e muito da popularidade de que gozou Getúlio deve-se à criação de um Departamento

    de Imprensa e Propaganda (DIP) especialmente dedicado a elogiar o ditador gaúcho.

    24 de novembro – Em virtude do golpe, passou Paulo Ramos a exercer o

    Governo como Interventor Federal.

    Seus nove anos de administração - diz Mário Meireles – foram, sem dúvida,

    dos mais profícuos e progressistas que o Maranhão tem gozado”, o que não impede de ter

    ele angariado a antipatia geral da população. Com os poderes discricionários de então pôde

    fazer bom governo, reequilibrando as finanças do Estado, dando-lhe melhor organização e

    algum progresso. Todavia, autoritário e rancoroso, adorando os bajuladores (que encontrou

    fácil e em grande número), complexado, vivia, desconfiado, a vislumbrar desrespeitosas

    alusões à sua pessoa, o que num estado policial propiciava toda sorte de vexames e prisões

    públicas e espetaculosas, para gáudio de seu Chefe de Polícia Flávio Bezerra, “célebre por

    explorar às escâncaras o lenocínio e sempre pronto a aproveitar as oportunidades para

    demonstrar sua subserviência e capachismo”. (Carlos de Lima)

    - Os partidos políticos no Brasil, ainda hoje, são apenas instrumentos de grupos

    econômicos na defesa de seus particulares interesses. Em termos ideológicos não existem e

    os que, como o “Partido Comunista” e o “Partido Integralista”, apresentaram algo

    programático (e uns pouquíssimos hoje existentes) não ficaram imunes à praga que Pedro

    Nava chamou de “complexo colonial, inseparável do retrato psicológico do Brasil”,

    oriundos da velha oligarquia agrário-coronelesca, que se diversifica mas não perde o ranço

    de superioridade de casta e cujo único objetivo é estar de cima! Com o Estado Novo a

    cousa mudou para pior. A classe operária emergente foi logo cooptada pelo Ministério do

    Trabalho através da “lei de sindicalização” que não reconhecia direitos políticos às

    Associações Sindicais. Getúlio, dúbio e misterioso, agia na sombra, a todos conquistava e

    corrompia, oferecendo cargos e vantagens, “promovendo tenentes a capitães”, como

    costumava dizer entre sorrisos, e todos traindo e enganando; permitia e incentivava a

    violência fascista contra a ascensão da classe trabalhadora e a esta engodava com a criação

    da Justiça do Trabalho, preparando o controle e a mobilização das massas para que o

    proclamassem “O Pai dos Pobres”. “Uma vela em cada altar até que os acontecimentos

    se encarregassem de situar o perfil da situação.”

    No Maranhão, “a sociedade isolada” de que nos fala o sociólogo José de

    Ribamar C. Caldeira, foi marcada profundamente pela ação de longos mandonismos

    políticos, capazes de imprimir-lhe uma estagnação social, política, econômica e cultural em

    níveis de amplitude tão profundos que se tornaram determinantes na geração de elementos

    configuradores da estabilidade dessa mesma sociedade. “Essa configuração específica

    dentro do quadro da sociedade nacional – continua – permite-lhe “não se manifestar

    autônomamente através de processos convulsivos capazes de evidenciar suas contradições

    internas, enquanto o poder político se apresenta caracterizado por crises não

    compartilhadas pela sociedade”.

    - 3 de dezembro – Paulo Ramos, agora Interventor, autoriza o Delegado de

    Polícia Flávio Bezerra a dar execução ao decreto que extinguia os partidos. “Paulo Ramos,

    com os poderes advindos do Estado Novo, passou a reinar sozinho no Maranhão, de

    dezembro de 1937 a abril de 1945.” (Buzar)

    Ano de 1938 – 27 de janeiro - Assume interinamente o Governo Dr. Boanerges Neto

    Ribeiro.

    - 8 de maio – Reassume o poder Paulo Ramos e por outras tantas vezes ausentase

    do Estado confiando a administração aos seus Secretários-Gerais Boanerges Ribeiro e

    José de Albuquerque Alencar.

    - 11 de maio – Se a princípio foram boas as relações entre Vargas e os

    integralista, ambos com idéias totalitárias, acabaram se desavindo, mesmo porque aquele

    decidira prescindir da colaboração dos partidos com a afirmação de seu poder pessoal. Na

    madrugada de 11 de maio tentaram os camisas-verdes tomar de assalto o Palácio

    Guanabara, num golpe muito mal organizado que resultou no fuzilamento de alguns

    atacantes, a prisão de muitos e o exílio do chefe Plínio Salgado. Afastados comunistas e

    integralistas, Getulio reinou absoluto no uso de todos os discricionários poderes que lhe

    dera a Constituição de 37.

    Ano de 1939 – Demolição da igreja de Nossa Senhora da Conceição.

    - No mês de Março, a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler deram começo à

    II Grande Guerra, que envolveu o mundo inteiro: Alemanha, Itália, Rússia e Japão

    formaram o bloco chamado “Eixo”; Inglaterra, França, Estados Unidos, o dos “Aliados”, ao

    qual de incorporaria o Brasil. (A Rússia, posteriormente, mudaria de lado).

    Ano de 1942 – 15 e 17 de agosto – Cinco navios brasileiros são torpedeados por

    submarinos alemães, sem qualquer declaração de guerra: Baependi, Itajubá, Araraquara,

    Aníbal Benévolo e Araras, com o sacrifício de 607 vítimas, obrigando o rompimento de

    relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a Alemanha, a Itália e o Japão.

    22 de agosto – O Brasil declara guerra aos Países do Eixo e dá-se início à

    mobilização geral e o incremento da produção agrícola e da indústria de matérias primas

    estratégicas; ao mesmo tempo, permite a utilização de seu território para instalação de bases

    aéreas e navais americanas em seu território e a Marinha brasileira passa a proteger as rotas

    mercantis do Atlântico Sul.

    Ano de 1944 – 30 de junho - Parte para a Itália o Primeiro Escalão da Força

    Expedicionária Brasileira – FEB, sob o comando do General João Batista Mascarenhas de

    Morais, que lutou na Europa de 44 a 45 e consagraria o soldado brasileiro no batismo de

    fogo de Monte Prano (25-09) e as sucessivas vitórias de Monte Castelo, Castelnuovo.

    Montese. E o Brasil ainda mandou os Segundo e Terceiro Escalões para a frente de batalha.

    Nossos objetivos – Monte Castelo, La Serra, Bela Vista, Santa Maria Villiana, Vale do

    Marano, Soprassasso, Monte Cavaloro, Pecária e, por fim, Castelnuovo – foram

    conquistados exclusivamente por tropa brasileira, sem qualquer auxílio de tropa

    estranha”, diz o Mal. Lima Brayner em suas memórias.

    Com fim da guerra cogitou-se da redemocratização do país; formaram-se os

    partidos políticos: UDN – União Democrática Nacional, PSD – Partido Social

    Democrático, PCB - Partido Comunista do Brasil), PRP – Partido de Representação

    Popular (dos integralistas remanescentes) e PTB - Partido Trabalhista Brasileiro (os

    partidários do “Queremos Getúlio”, por isto chamado “Queremista”.

    Ano de 1945 – 23 de março – Toma posse como Interventor o ex-Senador Clodomir Serra

    Serrão Cardoso, “nomeado Interventor por influência da nova situação que se criara”, ou

    seja “sob a chefia de Vitorino Freire, a cujo lado muitos dos nossos homens públicos se

    haviam posto por motivo de seu prestígio pessoal junto ao candidato Eurico Dutra, o

    favorito no páreo presidencial”, segundo Mário M. Meireles. Paulo Ramos viajara para o

    Rio de Janeiro para entregar o cargo a Getúlio certo de que a candidatura de Dutra

    importaria, sem nenhuma dúvida, em ser entregue o Maranhão ao Sr.Vitorino Freire e ao

    grupo que o acompanha”. (Manifesto de 8 de abril de 1945). “Anos depois desse episódio,

    os dois passaram a fumar o cachimbo da paz, quando Vitorino fora nomeado oficial de

    Gabinete do Ministro da Viação e Obras Públicas e, através dele, Paulo Ramos passara a ter

    acesso ao ministro João Mendonça Lima.” (B. Buzar) Dizia Millor Fernandes que a

    diferença entre a guerra e a política é que naquela o inimigo está do lado de lá.

    - 17 de julho – Convenção Nacional do PSD no Rio de Janeiro para

    homologação da candidatura Dutra. Representantes do Maranhão: Vitorino Freire e Manuel

    João de Morais Rego (irmão de Genésio).

    Com o prestígio de Vitorino junto a Mendonça Lima e, principalmente, a Dutra,

    Vitorino ressurgiu na política maranhense, articulando-se com Genésio Rego e Clodomir

    Cardoso para reorganizar o PSD. Paulo Ramos servira a ambos para neutralizar Vitorino;

    Vitorino agora ajudava a “defenestrar Paulo Ramos do Maranhão” e vingar a ursada que ele

    fizera aos dois velhos políticos quando da criação do Partido Evolucionista.

    - 29 de outubro – Getúlio Vargas é obrigado pelos militares, tendo à frente os

    generais Góis Monteiro e Eurico Dutra, a afastar-se do governo que é entregue ao

    Presidente do Supremo Tribunal Federal, Dr. José Linhares.

    - 7 de novembro – Assume interinamente o Governo do Estado o Dr. Genésio

    Euwaldo de Morais Rego, Secretário Geral.

    - 9 de novembro – Exerce o poder o Dr. Eleazar Soares Campos nomeado pelo

    Presidente José Linhares.

    - 2 de dezembro – São eleitos os deputados para preparar uma nova

    Constituição.

    Ano de 1946 – 31 de janeiro – Eleito em 2 de dezembro de 1945, assume o Governo do

    País o General Eurico Gaspar Dutra. Um dos responsáveis pela implantação do “Estado

    Novo” o foi também dos que apressaram sua queda. Dutra rompeu relações com a União

    Soviética, cassou os mandatos dos deputados comunistas e pôs na ilegalidade o PCB.

    - 6 de fevereiro – O TER diploma os senadores e deputados eleitos em 1945: o

    PSD conquista esmagadora vitória: os 2 senadores, 6 deputados federais; as Oposições

    Coligadas (UDN e PR) apenas 3 deputados. O Gal. Dutra obteve 44.750 contra os 27.030

    de Eduardo Gomes.

    - 16 de fevereiro – Assume o Governo o comerciante Saturnino Belo, da ala

    vitorinista, nomeado pelo novo Presidente da República Interventor no Maranhão..

    - 20 de março – Dr. Elizabeto Barbosa de Carvalho assume interinamente o

    governo.

    31 de março – Satu (como era conhecido o Interventor) ficou com Vitorino

    contra a candidatura de Genésio, mas na briga pelo controle do Partido ganhou Genésio e

    Vitorino foi abrigar-se no Partido Proletário Brasileiro – PPB, cedido por empréstimo, e

    lança a candidatura de Sebastião Archer ao Governo do Estado.

    - 13 de maio – Reassume o Governo Saturnino Belo.

    - 31 de julho – Novamente o Dr. Elizabeto Carvalho substitui, temporariamente,

    o Interventor.

    - 18 de setembro - É promulgada a nova Constituição do Brasil, que muitos

    juristas consideram a mais adiantada e liberal do mundo.

    - 12 de outubro – Reassume Satu Belo.

    - 14 de dezembro - Na ausência transitória do titular, exerce o Governo mais

    uma vez, o Dr. Elizabeto Carvalho.

    Ano de 1947 – 14 de abril – Assume o Governo o industrial Sebastião Archer da Silva.

    Vitorino ganhou de ponta a ponta: elegeu o Governador, os 2 Senadores (Vitorino Freire e

    José Neiva) e 20 Deputados Constituintes; o PR marcelinista, 8; a UDN, 4; e o PTB, 1. O

    PSD nenhum. E depois perdeu 1 deputado, que se transferiu para o PPB.

    – 28 de julho – O Maranhão recebe sua 4a. Carta Constitucional.

    Vitorino ambicionava mais e para isso fundou sua própria agremiação - o

    Partido Social Trabalhista – PST, com amplitude e projeção nacionais, e dar sustentação a

    Dutra no Congresso e garantir cargos e favores para seus amigos. Assentou seu reinado no

    Maranhão.

    Ano de 1948 – 28 de julho - Satu rompe com Vitorino por causa da eleição da Mesa

    Diretora da Assembléia Legislativa e recusa-se a substituir Archer como Vice-Governador,

    em uma sua ausência temporária. O Presidente da Assembléia, Alcindo Guimarães assume

    o cargo. “Esquecendo, de repente, a marca vitorinista que carregava”, os oposicionistas

    cooptaram Satu Belo para o outro lado, fazendo-o mesmo seu candidato à sucessão de

    Archer. O Senador José Neiva acompanhou-o juntamente com 1 Suplente de Senador e 5

    Deputados Estaduais. Abriu-se a dissidência e a questão voltou a girar em torno da eleição

    da Mesa Diretora da Assembléia, ameaçando a liderança de Vitorino. Ancestrais inimizades

    de famílias (comuns no interior) levaram o Deputado Theoplistes Teixeira à contradança

    com o Senador Neiva: este passara do vitorinismo para a oposição; o outro trocou o PR

    pelo PST. Depois de muita confusão, inclusive violências, com duas Assembléias em

    funcionamento, Vitorino fez o Presidente da Mesa e foi para o Rio com seu prestígio

    restaurado.

    Ano de 1950 – A 3 de outubro haveria eleições para Presidente da República, Governador e

    Deputados Federais e Estaduais. Surge o Partido Social Progressista – PSP, de Ademar de

    Barros, confiado, no Maranhão, ao médico Dr. Clodomir Teixeira Milet, e Paulo Ramos

    ressuscita o antigo PTB. Arma-se a disputa: de um lado UDN + PR + PSD + PSP + PTB;

    de outro o PST, “sem a parceria de qualquer outra agremiação partidária, numa eleição

    que seria decisiva para o vitorinismo se impor ou desaparecer do Maranhão” (Buzar)

    Vitorino apresentou um comerciante do interior, Eugênio Barros para contrapor-se a

    Saturnino Belo. No plano nacional defrontavam-se Getúlio Vargas, do PTB, Cristiano

    Machado, do PSD e Eduardo Gomes, da UDN.

    A campanha desenvolveu-se mais violenta e amarga do que de outras vezes:

    insultos pelos jornais (“Jornal do Povo”, oposicionista versus “Diário de São Luís”,

    governista). Ferido o pleito, “tanto os oposicionistas como os vitorinistas baseavam-se

    para invalidar as votações em um mesmo pretexto: a escandalosa fraude eleitoral

    deflagrada em todo o Estado, os juízes ameaçados em sua integridade física”. O TSE

    concedeu forças federais para garantir a ordem e ensejar aos juízes eleitorais condições de

    concluir os trabalhos de apuração. Vitorino consegue vencer novamente aumentando seu

    prestígio junto ao Governo Central. As Oposições passaram a defender a realização de

    eleições suplementares quando a

    Ano de 1951 – 16 de janeiro morre subitamente Saturnino Belo.

    - 31 de janeiro –Eleito a 3 de outubro de 1950, Getúlio Vargas é empossado da

    Presidência da República.

    - Assume Governo do Estado o Presidente do Superior Tribunal de Justiça,

    Desembargador Traiaú Rodrigues Moreira enquanto se resolve o impasse criado com a

    morte de Satu.

    - 28 de fevereiro – Traiaú transmite o governo ao candidato eleito e diplomado

    Eugênio Barros.

    O clima, que já era de grande agitação com o impacto emocional, atinge o

    paroxismo, estimulado pelas oposições que, montando um palanque eletrônico na praça

    João Lisboa, insuflava o povo “a evitar, ainda que como sacrifício da própria vida”, a

    posse de Eugênio. Conflitos, mortes, depredações, incêndios, a cidade paralisada pela

    intolerância recíproca. “Após um comício, por volta das 8 horas da noite (27/2/1951), o

    povo, em passeata, depredou as residências do desembargador Henrique Costa Fernandes,

    e do juiz Rui Morais”.

    - 28 de fevereiro – Eugênio Barros, diplomado, e com receio de perder o

    mandato, cujo prazo constitucional expiraria a 31 de janeiro de l952, assume o Governo,

    garantido pela Polícia Militar, postada em frente à igreja da Sé, formando o célebre

    paralelo 38”, apelido tomado à Guerra da Coréia, contemporânea dos fatos. Exacerbaramse

    os ânimos obrigando o Exército a sair às ruas para manutenção da ordem. Do Rio de

    Janeiro, o jornalista Neiva Moreira afirmava: “Iremos a tudo, à guerra civil inclusive. Não

    interessa quem vai morrer ou quem vai sobreviver”.

    1o. de março – Chega a São Luís o Comandante da 10a. RM, Coronel Inimá

    Siqueira, nomeado Comandante da Polícia no novo Governo. “Uma idéia dominava a

    cabeça dos oposicionistas: incrementar o movimento grevista até às últimas

    conseqüências, para forçar o Presidente da República a decretar a intervenção no

    Maranhão.” (Buzar) Getúlio, porém, mantinha-se decidido a não intervir na crise

    maranhense, o Ministro da Justiça opinando que o caso não era de intervenção: “O TSE é

    que decidirá se Eugênio Barros continuará ou não no Governo.”

    - 3 de março – O General Edgardino de Azevedo Pinta, novo Comandante da

    10a. Região vem ao Maranhão, restabelece a ordem pública. A disputa passa a ocorrer nos

    bastidores do Tribunal de Justiça com eleição e destituição de desembargadores na

    Presidência, eleição de um Governador oposicionista, que não tomou posse, a tropa federal

    garantindo a segurança de Eugênio Barros, “firme e inabalável no Palácio dos Leões”.

    - 12 de março – Chega a S. Luís o 25o. Batalhão de Caçadores, de Teresina, para

    patrulhar as ruas e evitar um provável ataque ao Palácio dos Leões.

    - 15 de março – Afinal, com entendimentos havidos entre as facções em litígio,

    o governo foi entregue ao Deputado César Alexandre Aboud, da bancada vitorinista,

    licenciando-se Eugênio, para aguardar no Rio de Janeiro o julgamento pelo Tribunal

    Superior Eleitoral.

    - 17 de agosto – O TSE reúne-se para julgar o caso do Maranhão. As Oposições

    Coligadas intensificaram a guerra radiofônica em seu Quartel General do Largo do Carmo.

    Lino Machado não teve dúvidas em afirmar que haveria uma terceira Balaiada no

    Maranhão e o Deputado Rui Almeida que a guerra civil seria inevitável, caso o TSE

    confirmasse o diploma de Eugênio. A vigília dos soldados da liberdade recomeçou com

    mais entusiasmo. “A impressão geral era de que nova crise eclodiria, mantendo-se ou não,

    Eugênio Barros no poder.” (B.Buzar) O Comando da 10a. Região tomou providências.

    - 28 de agosto – Repentinamente o General Edgardino Pinta desembarca em São

    Luís.

    - 3 de setembro - O Superior Tribunal Eleitoral, por unanimidade, reconheceu a

    diplomação de Eugênio Barros como um ato legítimo e perfeito.

    - 18 de setembro – Eugênio Barros assume definitivamente o Governo,

    garantido não só pela Polícia Militar, disposta no paralelo 38, como pelo Exército. Por

    precaução a comitiva de Eugênio desviou-se da praça João Lisboa, mas, inadvertidamente,

    um ônibus desgarrou-se, desceu a rua do Sol e, ao deparar-se com a força policial, foi por

    ela alvejada, supondo tratar-se de um ataque da oposição. Começou a fase dos incêndios

    nos bairros da periferia. “Enquanto oposicionistas responsabilizavam o governo pelos

    incêndios como se fosse um plano diabólico de vingança, os vitorinistas devolviam a

    acusação aos Coligados, afirmando que somente a eles interessava incendiar casas, para

    levar o povo ao desespero, gerar um clima de intranqüilidade social e mostrar ao Governo

    federal a necessidade imperiosa da intervenção.” O fato é que, apesar da proclamada

    vigília diuturna dos oposicionistas, nunca se conseguiu identificar e prender um só suspeito

    de tais atentados. E muitos dos incêndios aconteciam à luz do dia!

    - 20 de setembro – O advogado provisionado Raimundo Bastos anuncia, de São

    João dos Patos, estar à frente de 12.000 homens para atacar a Capital. O Tenente Eurípedes

    Bezerra, com 12 soldados da Polícia Militar é mandado ao seu encontro e com essa brutal

    desproporção de 1.000 revoltosos para cada 1 praça, desbarata o exército rebelde e “faz o

    líder fugir para o Piauí de maneira vexatória”. (Buzar)

    - 26 de setembro - O Ministro da Justiça Francisco Negrão de Lima passa dois

    dias em São Luís em conferência com governistas e antivitorinistas e volta ao Rio sem uma

    solução. O Comandante da Região assumiu o controle e suas tropas passaram a policiar a

    cidade. O jornal “O Combate” chegou a noticiar: “Declarada a Intervenção Federal: cai

    fragorosamente a Cidadela Vitorinista.” Respondendo a uma consulta de Amaral Peixoto,

    genro de Getúlio, Eugênio declarou: “Não preciso, não desejo e nem peço intervenção;

    posso manter a ordem; basta retirarem as tropas federais.” O sertanejo Eugênio Barros

    manteve-se no governo, disposto a morrer em defesa da lei e de sua dignidade: “Na hora da

    luta não ficarei em palácio. Sairei para as ruas e peço apenas aos instigadores da

    insurreição popular que também estejam em praça pública. Morreremos todos escrevendo

    talvez a página mais vergonhosa de nossa história.”

    A cidade dormiu nessa noite angustiada: pelas circunstâncias previa-se uma

    carnificina. Nem um tiro foi disparado; a expectativa deu lugar a uma tranqüilíssima e

    radiosa manhã. Morria a “revolução” que por duas semanas perturbara a vida do Estado.

    Eugênio telegrafou a Getúlio: “Reina absoluta calma em todo o Estado”. E governou até 31

    de janeiro de1956.

    (Por ironia da sorte José Sarney, três décadas mais tarde se encontraria em

    situação parecida: Com a morte do Presidente Tancredo Neves, criou-se o mesmo dilema:

    assume ou não assume o Vice-Presidente? “Não há substituição se não existe a quem

    substituir, alegavam. Por fim o jurista Afonso Arinos de Melo Franco sentenciou: - José

    Sarney não é vice de Tancredo Neves e, sim, vice-presidente da República! Mutatis

    mutandis Eugênio não era vice de Satu e, sim, vice-governador do Maranhão! E acabou

    assumindo)

    Ano de 1954 – 28 de junho – Vitorino Freire contabiliza mais uma vitória: o Tribunal

    Regional Eleitoral, registrando o novo Diretório Regional do PSD, devolvia-lhe o Partido

    Social Democrático no Maranhão: Presidente – Eugênio Barros; Vice-Presidente –

    Sebastião Archer da Silva; 1o. Secretário - Newton de Barros Belo; 2o. Secretário –

    Raimundo Bogéa; 1o. Tesoureiro – Alexandre Alves Costa; 2o. Tesoureiro – José de Matos

    Carvalho.

    Ano de 1955 - 1o. de julho – Assis Chateaubriand, jornalista-proprietário da “Cadeia dos

    Diários Associados”, que perdera a eleição para o Senado em sua terra natal, a Paraíba,

    toma posse como Senador pelo Maranhão, graças às articulações de Vitorino Freire.

    Resultado do pleito: Chateaubriand (PSD) – 99.995; Coronel-Aviador Armando Serra de

    Menezes (PSP, UDN, PL, PR, PTN e PDC) – 21.480 votos.

    Ano de 1956 – “Quanto ao processo de substituição do governador Eugênio Barro, vieram

    à tona as mais torpes cenas de degradação moral e política, no curso das quais

    governistas, oposicionistas e dissidentes, usando mesquinhos estratagemas, tentaram se

    apossar do poder a qualquer custo.” (Benedito Buzar)

    - 31 de janeiro – Toma posse na Presidência da República o Dr. Juscelino

    Kuitscheck de Oliveira, que mudaria a Capital para o planalto goiano e construiria Brasília.

    - Assume o Governo o Deputado Alderico Novais Machado, Vice-Presidente da

    Assembléia Legislativa, visto que o Presidente renunciara e os candidatos José de Matos

    Carvalho (Governador) e Alexandre Alves Costa (Vice) ainda não tinham sido diplomados.

    21 de março – Alexandre Costa rompe com o Vitorinismo. “As Oposições, que

    até pouco tempo o consideravam vilão, rapidamente passaram a vê-lo como herói.”

    - 23 de março – Os oposicionistas, agora majoritários, destituem a Mesa da

    Assembléia e elegem outra, presidida pelo Desembargador Henrique Costa Fernandes (o

    mesmo que tivera a casa incendiada em 1951), designando-o para assumir o Governo do

    Estado. Alderico recusa-se a entregar o poder. O Maranhão, como anteriormente várias

    vezes, tem dois governos. Costa Fernandes renuncia e é leito outro Governador – o

    desembargador Palmério Campos que não consegue melhor acolhida por parte de Alderico

    Machado. Agora são três “governadores” para uma só vaga. Vitorino mais uma vez

    desvanece o sonho das Oposições: “o eterno recurso da intervenção federal”.

    - 25 de março – Outra reviravolta e é eleita nova Mesa e novo Presidente:

    Eurico Bartolomeu Ribeiro que, desta vez, substitui Alderico Machado.

    - 3 de maio – O Capitão da Polícia Militar, Antônio Alves Gondim, com cerca

    de duas dezenas de soldados intenta atacar o Palácio; “não tendo, porém, logrado aumentar

    o número de seus simpatizantes naquela corporação, foi facilmente dominado e preso”.

    (Meireles)

    O governo de Eurico Ribeiro foi dos mais agitados em razão da disputa pelo

    cargo de Vice-Governador. O Tribunal Regional Eleitoral dava ganho de causa às

    pretensões oposicionistas o que desencadeava críticas e insultos por parte dos adversários

    (que antes elogiavam e defendiam o TRE) a ponto de o Senador Chateaubriand ofender

    Desembargadores com estas expressões: “... o cinismo de quatro tarados, de cara calçada

    e almas enzinhavradas de cobre”, obrigando o revide do Estado que lhe havia conferido o

    mandato: “O Maranhão devolve ao barganheiro, ao cínico Chatô os insultos com que

    afronta a Justiça maranhense e desafia o insultador a que venha, de corpo presente,

    repetir entre nós, o epíteto com que agride e desrespeita, da tribuna do Senado, os

    maranhense dignos, íntegros e honrados que compõem a Egrégia Corte da Justiça

    Eleitoral do Estado.” Esta situação, no entanto, se inverteria, como observa Buzar: “O

    TRE, antes acusado pelos governistas de estar a serviço das Oposições, passava, agora, a

    ser alvo da censura e da ira destas, acusado de fazer o jogo dos vitorinistas”. Assim é a

    Política!

    “E a luta continuou, estéril, inútil, intransigente, desgastando sem qualquer

    proveito as forças políticas e econômicas do Estado, até que a

    Ano de 1957 – 9 de julho, foi proclamado e empossado o Novo Governador, o Dr. José de

    Matos Carvalho, com ele o Dr. Alexandre Alves Costa, como Vice-Governador.

    - 11 de novembro – Ausenta-se do Estado Matos Carvalho sem qualquer

    comunicação a Alexandre Costa, Presidente da Assembléia Legislativa, pelo que este, de

    acordo com a Constituição, considera-se investido no cargo de Governador. Nova crise se

    instala com a mesma duplicidade de governo, antes tantas vezes experimentada: o

    Secretário de Interior, Dr. Newton Belo recusa-se a entregar o poder e é exonerado pelo

    Governador Alexandre Costa, que passa a governar da sala da Assembléia. Matos Carvalho

    volta precipitadamente e reassume, mas os projetos do Executivo têm seu trânsito

    dificultado no Legislativo. O Deputado Raimundo Bogéa, dissidente, pede informações

    sobre aplicação de recursos ainda do Governo Eugênio Barros, no qual Alexandre era

    Secretário; a luta recrudesce com agressões verbais e físicas e tiroteio dentro da

    Assembléia. Alexandre Costa é destituído da Presidência, que passa a ser exercida por um

    Deputado. De novo o Estado tinha duas Assembléias: uma na rua do Egito, outra na

    Biblioteca Benedito Leite. Ao final, esta aprovou a ata que retirava do Vice-Governador a

    atribuição de presidir a Assembléia. Insustentável a situação, que provocara praticamente a

    paralisação do Estado e fizera Matos Carvalho perder um ano e meio de mandato,

    procurou-se o indispensável entendimento: sustava-se o ato cassatório e Alexandre não

    mais poria obstáculos à tramitação dos projetos.

    Ano de 1958 – 8 de janeiro – Agora a questão é no Tribunal de Justiça: Na eleição para a

    Mesa Diretora do Judiciário são eleitos dois Presidentes – Nicolau Dino e Francisco Costa

    Fernandes Sobrinho que, ridiculamente, se sentam lado a lado na mesa da Presidência, sem

    conseguir presidir nada, um de posse do livro de atas, outro com as chaves da Secretaria. A

    Política, por vezes, toma a aparência de uma comédia diante da qual só umas boas

    gargalhadas. Essa dualidade só teve fim com a intervenção do Superior Tribunal Federal

    que decidiu por cobro a essa vergonhosa novela judiciária”, anulando a eleição,

    designando o Desembargador Traiaú Moreira para presidir outra, que elegeu Palmério

    Campos e Costa Fernandes, Presidente e Vice.

    - 5 de março – Matos Carvalho ausenta-se do Estado. Alexandre Costa, Vice-

    Governador, impetra mandato de segurança por não lhe ter o Governador passado o cargo.

    - 24 de março – Retorna Matos Carvalho para cumprir a rotina administrativa.

    Ano de 1959 – 14 de janeiro - Com as mesmas contestações de fraudes, o PSD de Vitorino

    elegeu o Senador Eugênio Barros; 6 Deputados Federais; 21 Deputados Estaduais; contra 4

    Federais e 15 Estaduais das Oposições Coligadas; e o PTB, 4 Estaduais.

    - 24 de agosto – Getúlio Vargas, pressionado pelos militares a deixar o

    Governo, suicida-se com um tiro no peito, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. –

    Assume o poder o Vice-Presidente João Café Filho.

    - Lançada a candidatura de Newton Belo ao Governo do Estado, em substituição

    a Matos Carvalho, surgiram as articulações, e a UDN deixou as Oposições, fazendo causa

    comum com o PSD. O Deputado Clodomir Milet, “munido de farto material”, denunciou

    ao Tribunal Eleitoral as fraudes que haviam beneficiado os candidatos da UDN e do PSD,

    dando ensejo a uma acre discussão pela imprensa, na qual José Sarney, udenista, chamou

    Milet de “político reacionário, sem idéias, entreguista”, recebendo de Milet a acusação de

    que “lhe falta merecimento para ao menos pensar em ser governador”.

    - 20 de novembro – José da Silva Matos, deixa a Presidência do Banco de

    Crédito da Amazônia para candidatar-se ao Governo do Maranhão pelo PTB e logo recebe

    o apoio do PSP. Aliás, “o Partido ademarista, ao empunhar a bandeira de José Matos,

    conseguiu extrair dos segmentos vitorinistas o seu candidato para enfrentar a máquina do

    PSD, como aconteceu em 1950, com Saturnino Belo, e em 1955, com Hugo da Cunha

    Machado. Repetia-se, pois, em 1960, o figurino adotado nos pleitos anteriores: à falta de

    candidato próprio, dotado de substância política relevante, valiam-se as Oposições dos

    insatisfeitos, dissidentes e contrariados com o vitorinismo, condição que os habilitava a

    disputar as eleições e partir para a tomada do poder (...) fingiam esquecer, em nome da

    causa maior, o passado e os serviços prestados pelos cristãos novos ao PSD, esforçando-se

    para mostrá-los ao eleitorado (...) como redimidos e capazes de mobilizar e aglutinar as

    forças antigovernistas”. Consultado, Alexandre Costa, “oposicionista de primeira

    grandeza”, segundo Buzar, recusou-se a ser candidato ao Governo do Estado, o mesmo

    fazendo o Diretor do “Jornal do Povo”, órgão ademarista, Neiva Moreira, (que assumiu a

    candidatura do PSD, Teixeira Lott) e Henrique de La Roque, comprometido com a

    candidatura Jânio Quadros. Foram para o pleito Newton Belo-Alfredo Dualibe versus

    Clodomir Milet-Alexandre Costa. E em raríssimas vezes como desta os adversários não

    desceram ao terreno do insulto, mantendo-se com decência e educação, “à altura das mais

    justas aspirações do povo politicamente evoluído”.

    - 13 de dezembro – O “Constellation” da Panair do Brasil é seqüestrado e pousa

    em Aragarças, onde já estavam 3 aviões DC-3, da Força Aérea Brasileira, na revolta que

    ficou conhecida como a “Rebelião de Aragarças”, movimento fracassado pela falta de

    apoio dos companheiros de farda e dos civis da UDN, adversários de Kubitschek. Dentre os

    seqüestrados estava o Suplente de Senador maranhense, Dr. Remy Archer da Silva. Foram

    os revoltosos o Coronel Luís Mendes da Silva, os Tenentes-Coroneis João Paulo Moreira

    Burnier, Haroldo Veloso e Geraldo Lebre; Majores Eber Teixeira Pinto e Washington

    Mascarenhas; Capitães Leusinger Marques Lima, Gerseh Barbosa, Próspero Barata Neto e

    Tarcísio Célio Nunes Ferreira; e os civis engenheiro Charles Herba,; advogado Luís

    Mendes de Moraes Neto; Roberto Rocha Sayão e Edmundo Fernando Wanderley.

    Ano de 1960 – 10 de setembro – O General HenriqueTeixeira Lott visita São Luís. Jânio

    Quadros, em entrevista, dissera que onde ele não pudesse ir o General iria por ele. Todo

    mundo achou que ele era mesmo maluco, como se propalava. Depois dos comícios de Lott

    viu-se porquê: ele pregava a favor de Jânio. Disse bobagens, despautérios, trocou nomes e

    profissões e afirmou, em praça pública, que todo advogado é herdeiro do defunto, nos

    inventários e nos prometeu uma Faculdade de Direito, quando a nossa era já centenária. Um

    desastre a quantidade de equívocos e gafes cometidas pelo candidato.

    - Construção do “Edifício Caiçara” de apartamentos residenciais, com 10

    andares e que demorou cerca de 3 anos, no local da antiga Igreja de Nossa Senhora da

    Conceição.

    Ano de 1961 – 31 de janeiro -Toma posse da Presidência da República o Dr. Jânio da Silva

    Quadros, eleito no ano anterior pela UDN.

    – Newton de Barros Belo é o novo Governador do Maranhão, eleito pelo PSDPTB-

    UDN em 3 de outubro de 1960. Vitorino Freire, do PSD, perdera o lugar preeminente

    junto ao governo de Jânio Quadros. Crescia o prestígio de José Sarney, destaque da cúpula

    udenista.

    - 25 de agosto – Surpreendentemente, Jânio Quadros renuncia ao Governo.

    - 7 de setembro – Com a renúncia de Jânio assume o Vice-Presidente, Dr. João

    Goulart, sob o regime Parlamentarista, para conjurar a crise criada pelos militares contra a

    posse de Goulart, acusado de esquerdista.

    Raimundo Bogéa e Henrique Costa Fernandes, desligando-se da UDN, voltam

    ao seio do PSD, formando com Newton Belo, agora chefe do Partido, enquanto o comando

    da UDN passa às mãos de José Sarney e ele se torna intermediário entre Newton Belo e o

    Palácio do Planalto. .

    Ano de 1962 – Rebelião dentro do PSD, chefiada pelo Deputado Cid Carvalho.

    Com o regime parlamentarista, chefiado por Tancredo Neves, PSD e PTB

    passam a controlar o poder e Vitorino volta a ocupar posição de mando como antes.

    Diante dessa nova realidade, a participação de José Sarney perdeu substância e o seu

    poder de barganha junto ao governador Newton Belo, gradativamente, caiu no vazio.”

    - 9 de março – Sarney declara rompido o acordo PSD-UDN. “A UDN volta ao

    seu campo de luta.” Outros Deputados federais e estaduais rompem com Newton Belo. As

    “Ligas Camponesas” de Francisco Julião surgem no Maranhão, na luta pela Reforma

    Agrária.

    - 18 de maio – Conflitos no interior entre lavradores, posseiros e policiais, com

    oito mortes, inclusive de um oficial da PM.

    Ano de 1963 – 4 de janeiro – O TRE declara eleitos Deputados Federais: 11 pelo PSD; 3

    do PSP; 2 pela coligação PR, UDN, PDC e PTN; Estaduais: PSD – 22; PSP – 6;

    PR/UDN/PDC e PTN – 6; PL – 3; PTB – 2. O Vitorinismo ainda assegurava a maioria de

    28 Deputados contra 12 das Oposições.

    - 6 de janeiro Plebiscito popular decidiu pela volta ao regime Presidencialista.

    - 3 de abril - 12 Deputados Federais assinam um manifesto “para assegurar um

    sistema de forças legislativas capaz de defender os partidos e seus representantes das

    práticas ditatoriais e antidemocráticas que têm dado ao Brasil uma visão deformadora do

    Maranhão” e com a pretensão de ingressar no PTB do Presidente João Goulart. Vitorino

    reage: da tribuna do Senado: “condenou os rebelados por terem exaltado o governador

    (Newton Belo) nos comícios e, agora, depois de eleitos, resolverem combatê-lo

    injustamente”. Os seis rebelados (Matos Carvalho desertara) assestaram as baterias contra

    Newton Belo acusando-o de déspota e prepotente e denunciando seu governo por

    descalabros administrativos, incompetência e improbidade.

    - 20 de novembro 6 Deputados deixam o PSD pelo PTB.

    - 22 de novembro – Jonh Fitsgerald Kennedy, Presidente dos Estados Unidos é

    assassinado em Dalas.

    Ano de 1964 – 31 de março – Definem-se no plano nacional as forças políticas e

    ideológicas: João Goulart e segmentos radicais de vanguarda que pretendiam a implantação

    das reformas de base, mudanças estruturais, contra a UDN, e os conservadores que se

    opunham a transformações econômicas e sociais. Estoura a Revolução dita “Redentora”: O

    Governador de Minas, Magalhães Pinto, Carlos de Lacerda, da Guanabara e Ademar de

    Barros, de São Paulo, e Unidades do Exército, sob a alegação de combater o Comunismo,

    depõem o Presidente e instalam um regime autoritário que se propunha a acabar com a

    corrupção e a subversão. Desvaneceu-se o sonho do PTB, alvo, juntamente com o PSD, da

    Revolução, que os tinha como responsáveis pela situação a que chegara o país. No

    Maranhão, o Exército recolhia material de “teor subversivo” das sedes do minúsculo

    Partido Comunista, do Sindicato dos Comerciários e da União Maranhense de Estudantes

    (inclusive “um potente rádio-trasmissor com 4 km de alcance!”); prendia os médicos Dr.

    William Moreira Lima e Dra. Maria José Aragão, dirigentes do PC; detinha o jornalista

    Bandeira Tribuzi, os líderes sindicais Newton Souza de Melo e Benedito Paiva e o

    advogado Dr. José Bento Neves; convocando para prestação de esclarecimentos o

    Presidente da UMES Edimar Santos, os jornalistas Eider Paes, Luís Vasconcelos e Ribamar

    Bogéa, e os sindicalistas Vera Cruz Marques e Renato de Vaz Figueira. No Rio de Janeiro

    Dr. Raniere Mazzili assumia a Presidência da República. Na primeira lista de cassações de

    Deputados figura Neiva Moreira, que ainda por cima é preso. Faz-se intervenção da

    Delegacia Regional da SUNAB, na Subagência do Instituto Brasileiro de Café, no

    Sindicato dos Bancários, na União dos Ferroviários, na Superintendência da Reforma

    Agrária e no Escritório Regional da SUDENE.

    - 10 de abril – O Alto Comando da Revolução – General Artur da Costa e Silva,

    Almirante Augusto Rademaker e Brigadeiro Corrêa de Melo promulga o Ato

    Constitucional que, entre outras cousas mantém a Constituição de 46 e impõe eleição

    indireta do Presidente da República e lhe dá poderes para decretação de estado de sítio e

    suspensão das garantias constitucionais.

    - 11 de abril – O Castelo Branco é eleito pelo Congresso.

    - 15 de abril – Humberto de Alencar Castelo Branco é empossado Presidente da

    República dos Estados Unidos do Brasil. “Arremeda-se o regime democrático. Castelo

    apresenta a intervenção militar como corretiva e transitória. Mas não consegue evitar que

    a ditadura se imponha e perdure.” (Ronaldo Costa Couto, in “Sarney, o outro lado da

    História”)

    - 25 de abril – A Assembléia Legislativa do Maranhão, com maioria governista,

    cassou os Deputados Sálvio Dino e Benedito Buzar, e os Suplentes Joaquim Mochel, José

    Tribuzi Pinheiro Gomes, Manuel Vera Cruz Marques e William Moreira Lima, por

    atividades comunistas e José Bento Neves, por subversão. Foram também cassados e presos

    os Vereadores José Mário Santos, de S.Luís e Edson Vidigal, de Caxias.

    “O regime é ditatorial. Suspende garantias constitucionais, extingue os partidos

    políticos, acaba com as eleições diretas para presidente, espicha em um ano a duração do

    governo, intervém em sindicatos. Mesmo assim o clima ainda não é o de uma ditadura

    radical. Há relativa liberdade de imprensa, o Judiciário opera regularmente, apesar de

    encarcerado na legislação autoritária. O Parlamento funciona, ainda que com pouco ou

    nenhum poder. As oposições estão desfiguradas, sem força.” (Costa Couto).

    Era a UDN a fonte inspiradora da quartelada”, diz Buzar. Aproveitaram a

    situação o PR, a UDN, o PSP e o PDC para apresentar denúncias contra o Governador,

    contando com a simpatia dos militares para conseguir um impeachment. Inutilmente.

    Mas, por pressão das Oposições, foi realizada ampla revisão eleitoral que,

    constatando inúmeras irregularidades, reduziu o colégio eleitoral de 192.129 eleitores para

    59.975! (Jornal do Dia, 19/9/1965).

    Cumprida a primeira etapa de um plano concebido pela Justiça Eleitoral e

    executado com a chancela do governo revolucionário que tinha como objetivo conduzir as

    Oposições ao poder, restava, para completá-lo, deflagrar a segunda parte, também em

    harmonia com o Palácio do Planalto” que era, segundo Buzar, “minar as bases

    pessedistas”, sendo o alvo principal Newton Belo, para que ele não fizesse seu sucessor

    Renato Archer, “um nome de valor, dotado de significativa força eleitoral” e a quem “o

    presidente Castelo Branco não perdoava por sua conduta anti-revolucionária no

    Congresso Nacional”.

    Ano de 1965 – 1o. de maio – O Deputado Adail Carneiro (PSD), eleito para a Presidência

    da Assembléia Legislativa, é vetado pelo Exército. Afinal é eleito Aldenir Silva (PSD), de

    comum acordo.

    - 28 de junho – Renato, em carta a Vitorino, diz “não aceitar, sob qualquer

    hipótese, veto ao seu nome, porque não reconhece o presidente Castelo Branco como

    membro do PSD” acrescentando: “Se há resistência ao meu nome, que seja declarada

    publicamente” afirmando que “resistirá às manobras para desestabilizá-lo e denunciará a

    farsa eleitoral que se prepara no país”. (“Imparcial” de 28/6/1965, S. Luís). Castelo

    mantém-se irredutível; nem o Vice-Presidente José Maria Alkmim, nem o ex-Presidente

    Dutra conseguem demovê-lo. Newton Belo ainda tenta manter a candidatura do

    Comandante Renato, mas Castelo Branco ameaça Newton de intervenção no Estado e

    adverte-o sobre as conseqüências de qualquer atitude em discordância com suas ordens.

    Não restam dúvidas sobre o verdadeiro, senão único, responsável pelo fracasso da

    candidatura Archer. Castelo, então, comunica a Vitorino, como Presidente do PSD, o veto e

    a concordância forçada de Newton Belo.

    Vitorino vem ao Maranhão e, em sessão tumultuada no Palácio, posiciona-se

    contra a candidatura do Prefeito de S. Luís, Dr. Antônio Euzébio da Costa Rodrigues, da

    preferência do Governador. “O calor da discussão entre os dois comandantes do PSD

    elevou-se a uma temperatura acima do suportável, a ponto de Vitorino abandonar o

    Palácio dos Leões, onde estava hospedado, e mudar-se para a residência do vicegovernador

    Alfredo Duailibe, na Rua dos Remédios. Ali, instalou o seu quartel-general,

    àquela altura integrado por Renato Archer e membros da bancada federal”. (Buzar) É

    oportuno observar que Renato Archer, vetado por Vitorino (segundo o noticiário), viesse

    integrar o quartel-general do mesmo Vitorino, acusado de fomentar e incentivar a

    “queimação” de sua candidatura... Não houve mais entendimento e Vitorino rompeu com

    Newton Belo. “A Revolução conseguia o impossível no Maranhão: dividir e enfraquecer,

    definitivamente, o imbatível PSD, que assim partiria para a eleição de outubro de 1965

    literalmente esfacelado.”

    Vitorino ainda tentou neutralizar Newton Belo junto ao Presidente e poderes

    militares e, com a ajuda de Renato Archer, tornado seu aliado, arrebatar o Partido das mãos

    de Newton, através da direção Nacional e de 15 Presidentes de Diretórios Regionais. Até

    foi decretada a intervenção no Diretório Regional do Maranhão, outras soluções para o

    impasse foram propostas, outros nomes apresentados para a conciliação, mas “o presidente

    da República não tinha o menor interesse de ver essa sugestão viabilizada, até porque,

    graças ao seu empenho pessoal, estava em pleno andamento o projeto de marginalizar o

    PSD e de viabilizar a eleição do deputado José Sarney para o Governo do Maranhão.”

    (Buzar) Costa Rodrigues foi candidato pelo PDC (que sempre integrou as Oposições

    Coligadas) com Antenor Bogéa de Vice.

    Vitorino, “embora viesse recebendo afagos de oposicionistas” (...) tinha

    consciência de que não poderia, naquela altura da vida política, aderir às Oposições. Não

    porque elas o repudiassem no passado, mas certamente porque desfiguraria o sentido de

    sua luta partidária, ao longo de duas décadas”.

    A candidatura de Renato Archer escapou das intrigas do governador, segundo

    Vitorino, ou a tolerância dos militares e se deveu a “porque o SNI sabia que, com a revisão

    eleitoral e o PSD cindido, não havia nenhuma força política capaz de operar o milagre de

    Renato Archer subir em triunfo as escadas do palácio dos Leões”, segundo Buzar.

    Concorreram Costa Rodrigues, pelo PDC, Renato Archer, pelo PTB e perderam

    para José Ribamar Ferreira de Araújo Costa (José Sarney), candidato das Oposições, o

    segundo Deputado Federal mais votado no Estado em 62 e favorecido também pelo

    movimento revolucionário de 1964 que, de índole udenista, se propunha a banir do poder o

    PSD, este, no Maranhão, representado pelo vitorinismo.

    Com grande aparato militar, as visitas do Subchefe da Presidência da República,

    Coronel Dilermando Monteiro, do Ministro de Viação e Obras Públicas, General Juarez

    Távora, e do Comandante da 10a. Região Militar, General Itiberê do Amaral, e reforço às

    tropas do 24o. B.C. com contingentes do Exército de Teresina e Fortaleza, o que emprestava

    prestígio às Oposições, José Sarney foi eleito Governador com uma diferença de 17.000

    votos da soma dos dados aos seus opositores. Outras mais vezes, pela vida afora, os deuses,

    os astros, as circunstâncias e o destino fariam brilhar com iridescente intensidade a boa

    estrela do moço maranhense até elevá-lo à Presidência da República.

    - 16 de outubro – Depois de renhida batalha jurídica envolvendo os Vereadores

    Luís Regino de Carvalho, Walter Fontoura e o prefeito de então, Costa Rodrigues, toma

    posse como Prefeito eleito de São Luís, de acordo com a emenda no. 16, da Assembléia

    Legislativa, que concedeu autonomia à capital maranhense, Epitácio Cafeteira.

    - 27 de outubro – O Ato Institucional no. 2 extingue os Partidos Políticos e,

    posteriormente, estabelece-se o bipartidarismo: Aliança Renovadora Nacional – ARENA e

    PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro e, por um bambúrrio, reúne no

    mesmo Partido José Sarney e Vitorino Freire. Diz Buzar que “esse fato contribuiu para que

    Sarney desenvolvesse sua ação política com grande desembaraço, pois Vitorino mantevese

    afastado do Maranhão, evitando o constrangimento de um confronto com um membro

    do mesmo partido”.

    Ano de 1966 – 31 de janeiro – Com a posse de José Sarney no Governo do Estado, e a

    malquerença do Regime Militar aos antigos integrantes do PSD, Vitorino foi obrigado a

    hibernar para só ressurgir em 1974, no governo do General Ernesto Geisel.

    “Desenvolvendo um estilo próprio de governo – popular, dinâmico e

    modernizador -, Sarney promoveu uma revolução na administração maranhense. Em quatro

    anos, o Maranhão deu um salto: pulou de zero para quinhentos quilômetros de estradas de

    terra. Criou-se, além disso, uma rede de telecomunicações, cobrindo 85municípios; elevouse

    de 1 para 54 o número de ginásios estaduais (Bandeirantes) e ampliaram-se de 100.000

    para 450.000 as matrículas escolares. Também foram inauguradas as pontes de São

    Francisco, sobre a foz do rio Anil, ligando a ilha de São Luís, a usina hidrelétrica de Boa

    Esperança, na divisa entre o Maranhão e o Piauí, a barragem do rio Bacanga, o Centro

    Maranhense de Televisão Educativa, o Centro de Processamento de Dados, as Faculdades

    de Administração, Engenharia e Agronomia e de Educação em Caxias, a rodovia São Luís-

    Teresina.” (Benedito Buzar)

    Este assunto já se torna por demais longo e enfadonho, mas não se pode

    esquecer que a Era Vitorino durou 30 anos. Pois, apesar de tudo, muita, muita cousa

    deixou de ser dita destes tumultuados tempos em que a paz frouxa e indecisa durava menos

    que as rosas de Malherbe. Como diz Buzar, “não se podia imaginar concórdia entre atores

    até bem pouco tempo empenhados (diríamos nós: sempre) numa luta em que ambições

    pessoais e interesses oligárquicos se sobrepunham às aspirações da sociedade”; ao que

    completa Sarney: “... um tempo em que a política fazia com que os homens fossem

    escravos da paixão e do ódio, (com) a ausência de uma visão maior da função do estado e

    do exercício do poder. Essa era a trama que envolvia todos.”

     


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  • Jose de Ribamar "Eu tenho muita saudade desta ilha magnética ... "
  • Davi Ribeiro "Um dia ainda volto para ai ..."
  • Aroldo  "Muito bom este site sobre o maranhão, é bastante completo ..."

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