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    HISTÓRIA DO MARANHÃO 2a parte

    SÉCULO XIX

    Ano de 1801 – Epidemia de cólera morbo faz centenas de vítimas, inclusive o bispo D.

    Joaquim Ferreira de Carvalho (1796-1801).

    Ano de 1804 – 1o de junho - Toma posse do governo do Estado do Maranhão e Piauí

    Antônio de Saldanha da Gama, em lugar de Aires Pinto de Souza, que não aceitou sua

    nomeação. Saldanha da Gama disse ao Rei que D. Diogo de Souza havia “reduzido ao

    estado de tranqüilidade e sossego a Capitania, por muito tempo assolada por faccões e

    intrigas” (Fie-se nos testemunhos!) e de sua curta administração consta a construção do

    Cemitério da Misericórdia e as “Barracas da Praça”, ou “Terreiro Público”na Praia Grande,

    confiada a obra ao arrematante da cachaça , José da Costa Oliveira.

    Ano de 1805 – Finalmente é inaugurado o “Barracão”, “Celeiro Público” ou “Casa das

    Tulhas”, que, a partir de 1820, passou a existir como órgão público e erguida a “nova”

    Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, na Ponta do Romeu, substituída pela atual.

    Ano de 1806 – 7 de janeiro – D. Francisco de Melo Manuel da Câmara, por apelido “O

    Cabrinha”.(note-se quão antigo é o preconceito na sociedade maranhense, o termo “cabra”

    significando mestiço, mulato, a que o diminutivo não ameniza, antes reforça) foi mais um

    governante atrabiliário, despótico e desonesto, associado ao comércio de carne através do

    arrendatário José da Costa Oliveira, nada mais fazendo que “dar ouvidos a intrigas e

    maledicências que ele próprio alimentava”, de comum acordo com a Câmara, conforme

    provado pela devassa feita, que “excluiu da governança da capitania por inábeis para mais

    servirem de vereadores ou alguns cargos dela”, Sebastião Gomes da Silva Belfort, José

    Pereira da Silva, Joaquim Antônio de Lemos Velho e Eugênio Frazão Castelin.

    D. Francisco mantinha um soldado para chicotear todo aquele que não se

    descobrisse ao passar em frente do palácio e foi acusado de ser partidário de Napoleão, pois

    seu sogro, o General João Forbes era amigo de Junot (que invadira Portugal obrigando a

    fuga da Corte para o Brasil) pelo que desarmara os fortes e espalhara a artilharia pelo

    interior, apesar de advertido para estar alerta contra possíveis incursões de franceses,

    espanhóis e holandeses, agora inimigos. Além do mais, entretinha íntima amizade com

    Dionísio Rodrigues Franco (“O Filosofia”) e Antônio José da Silva Pereira (“O Físico”)

    tidos como simpatizantes da causa francesa, “sem nenhum rebuço”, diz Marques,

    acrescentando que “ameaçava com prisão, ferros e extermínios e tinha por sistema político

    enredar e inimizar a todos, e assanhá-los reciprocamente para poder aproveitar de uns,

    quando queria perseguir os outros”. Por último intimou o Ouvidor José Patrício Diniz da

    Silva e Seixas a embarcar para São Bernardo do Parnaíba, um lugar inóspito sem mesmo

    dar-lhe tempo de prover-se do necessário a viagem tão longa. Registre-se, porém, que

    autorizou a abertura de uma estrada de Mirador (MA) a Porto-Real (Goiás); a fundação do

    Arraial do Príncipe Regente, na confluência do rio Alpercatas, pelo Tenente Francisco de

    Paula Ribeiro; e ter sido o primeiro a promover a navegação no rio Itapecuru.

    Ano de 1807 – 18 de novembro – Tropas francesas invadem Portugal.

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    - 29 de novembro - Toda a Corte foge para o Brasil, chegando o General Junot,

    de Lisboa, a atirar ainda sobre o último navio português. A mudança da Família Real teve

    pouca repercussão em nosso Estado, estranhando D. Francisco de Paula e Silva, nos seus

    Apontamentos para a História Eclesiástica do Maranhão” nem uma só nota haver

    encontrado no arquivo da Diocese, com referência a tão grande acontecimento!

    Ano de 1808 – D. João VI declara abertos os portos brasileiros às nações amigas, o que

    encobria os interesses da Inglaterra, então dominando completamente Portugal através do

    General inglês Guilherme Beresford.

    Ano de 1809 – 17 de outubro Assume o governo do Estado do Maranhão D. José Tomaz

    de Menezes, “outro déspota”, na opinião de Ribeiro do Amaral, que mal aconselhado pelo

    padre Leonardo, seu capelão, suspendeu e aprisionou o Governador do Piauí Carlos César

    Burlamarque e tantas fez que acabou demitido em 24 de novembro de 1810, com ordem de

    regressar à Lisboa.

    – Chega ao Maranhão, não se sabe porquê, Joaquim Silvério dos Reis, o delator

    da Inconfidência Mineira, que virá a falecer nesta cidade, em 17 de fevereiro de 1819,

    sendo sepultado na igreja de São João. Reforma realizada por religiosos alheios à nossa

    História destruiu o túmulo que ficava no ossuário, à esquerda de quem adentra o templo.

    Ano de 1811 –24 de maio – Assume o governo uma Junta Provisória composta pelo Bispo

    D. Luís de Brito Homem; Bernardo José da Gama, Juiz de Fora; e Felipe de Barros e

    Vasconcelos, Intendente da Marinha, “a qual nada fez que mereça menção, a não ser a

    muita moderação que sempre mostrou em todos os seus atos”.

    - 10 de outubro – O Piauí separa-se do Maranhão, passando a constituir um

    estado independente. Em contrapartida o Maranhão volta a ser apenas o “Estado do

    Maranhão”, limitado ao território mais ou menos atual, sem a antiga ligação com o Pará.

    Perde ainda o forte e velho vínculo com Lisboa, pois com a vinda da Família Real para o

    Rio de Janeiro e elevação do Brasil a Reino Unido de Portugal, ficou submetido ao novo

    Governo. Segundo estatísticas da época, a população era de cerca de 160.000 pessoas,

    30.000 residentes na capital.

    - 2 de dezembro – Paulo José da Silva Gama, “O General Lentilhas” ou “O

    Curuba” (Permanece até hoje o costume, muito peculiar ao povo do Maranhão, de botar

    apelido em todo mundo.) Este governador passou a ser assim chamado por sofrer de sarna

    (escabiose). Advirta-se aqui que seria ele, no Império, o primeiro Barão de Bagé; o

    segundo, seu filho, de mesmo nome, casado com Maria Luísa do Espírito Santo, filha de

    José Gonçalves da Silva, “O Barateiro”, que para ela instituiu o Morgado das Laranjeiras,

    depois conhecida como “A Quinta do Barão

    Escrevendo ao Ministro, disse serem os maranhenses bons vassalos, sem

    espírito de insubordinação e orgulho, e “residirem a maldade, o orgulho e a intriga

    unicamente nas autoridades, principalmente os magistrados, que são quem formam os

    partidos, unindo-se a alguma das principais pessoas do país, que por terem pleitos e

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    demandas precisam da amizade dos magistrados”, insistindo na criação urgente da

    Relação para administração da justiça e suspeitamente eximindo de culpa os Governadores,

    ao mesmo tempo em que acoimava de “gênio incapaz de estar quieto, sempre propenso às

    revoluções” o Ouvidor Dr. José da Mota; e “louco, imprudente e malcriado” Dr. Bernardo

    José da Gama.

    Foi em seu governo que o Capitão Francisco de Paula Ribeiro concluiu a

    demarcação de limites com a Capitania de Goiás.

    - Neste ano visitou o Maranhão o viajante inglês Henry Koster que, no livro que

    publicou, “Viagens no Brasil”, escreveu: “As principais riquezas da região estão nas mãos

    de poucos homens., possuidores de propriedades próprias, com extensões notáveis,grupos

    de escravos e ainda são comerciantes. Fui apresentado a muitos dos mais prestigiosos

    negociantes e plantadores, particularmente aos coronéis José Gonçalves da Silva e

    Simplício Dias da Silva. São homens de grande riqueza e de espírito independente. O

    primeiro é pessoa idosa e realizou imensa fortuna no comércio, ultimamente acrescida

    pelo plantio de algodão. Possui 1.000 a 1.500 escravos.” Hóspede de respeitável família

    de São Luís, ficou numa “tolerável sala, ornada com grande leito e três bonitas redes

    armadas em várias direções, uma cômoda e diversas cadeiras.” E acrescenta: “O amor

    pelo jogo pode ser facilmente explicado no pequeno ou nenhum gosto pela leitura e

    grandes somas de dinheiro reunidas e os raros meios de despendê-las.”

    Ano de 1812 – 24 de janeiro – Aldeias Altas é elevada à categoria de vila com o nome de

    Caxias e verifica-se um grande levante de índios em Pastos Bons.

    Ano de 1813 – 4 de novembro – É instalado, provisoriamente na Casa da Câmara, o

    Tribunal da Relação, criado pela Carta Régia de 23 de agosto de 1811, em substituição à

    antiga Junta de Justiça.

    - Com a mudança da Corte para o Brasil, foi revogada a legislação que dava

    aos brasileiros o privilégio de integrarem o Senado da Câmara.

    Ano de 1814 O Papa Pio VII restaura a Companhia de Jesus em todos seus direitos e

    privilégios.

    - Porto das Chapadas, no rio Grajaú, é completamente destruído pelos índios

    piocobojé.

    Ano de 1815 Elevação da América Portuguesa a Reino Unido ao de Portugal e Algarves.

    O Maranhão deixa de ser Estado Colonial e passa a ser Província, e só então passa a receber

    ordens do Rio de Janeiro e não mais da Europa, conforme Varnhagem.

    Ano de 1817 – Inaugurada a igreja de São José da Cidade, depois igreja de São Pantaleão,

    no bairro do Gavião.

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    Ano de 1818 – 6 de fevereiro – Falecendo a Raínha D. Maria I, D. João VI deixa de ser

    Príncipe Regente e, no Rio de Janeiro, é coroado Rei de Portugal e do Brasil.

    - Piratas espanhóis assaltam a ilha de Santana e a Ponte de Itacolomi.

    Ano de 1819 –24 de agosto – Em virtude do falecimento do Marechal-de-Campo Francisco

    Homem de Magalhães Quevedo Pizarro, nomeado Governador do Estado do Maranhão,

    toma posse Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca, que seria nosso último Governador e

    Capitão-General. Conforme a praxe, foi apelidado de “O Dente de Alho”, por ter um dente

    incisivo saliente.

    Não foi nada auspiciosa a chegada do novo governante: a corveta que o trouxe,

    apesar de chamar-se “Voador”, encalhou nos baixios da Coroa Grande, perdeu o leme, as

    amarras, a artilharia, as munições de guerra e os mantimentos, navegando ao léu por três

    dias e obrigando-o a desembarcar nas praias de Ribamar e entrar por terra na cidade.

    Este general distinguiu-se pela sua ilustração e tino prudencial; e se em

    alguma época empregou a severidade, parecendo talvez apaixonado, parcial e caprichoso,

    deve-se atender às suas intenções, e à responsabilidade que pesava sobre seus ombros em

    uma época difícil e longe como se achava do governo central. Não deixou de ter

    detratores, como todos os homens de merecimento, e que se encarregam na difícil tarefa de

    governar povos e empreendem reforma de abusos.” Em que pese esta opinião do

    historiador Luís Antônio Vieira da Silva, os fatos não autorizam de todo o juízo, conforme

    veremos a seguir.

    O Governador, em Relatório que enviou ao Ministro, dizendo temer passar por

    exagerado, descreve o estado em que encontrou a Capitania: as fortificações exóticas e

    defeituosíssimas, nenhuma peça em estado de fazer fogo; o Regimento de Infantaria de

    Linha e a Companhia de Cavalaria sem disciplina e os Corpos de Milícia, desorganizados;

    os oficiais eram só nominais, pois pertenciam a corpos distantes 50, 100 e mais léguas

    das residências deles e Capitães-mores com títulos apenas honoríficos”; toda a Capitania à

    beira de “um incêndio espantoso” dada a existência de dois mil escravos armados com

    espingardas, peças de artilharia e munição de guerra, que os proprietários do sertão

    mantinham para sua defesa da invasão de cem mil índios que incomodavam; na Secretaria

    não havia carta ou notícia topográfica; faltavam párocos, subalternos e polícia, na própria

    Capital; o Hospital Regimental em estado deplorável, o armazém de pólvora arruinado, as

    ruas sem calçamento, “a barra obstruindo-se em progressão espantosa”. Diz César

    Marques que não receou tais embaraços e com a ajuda de particulares calçou ruas,

    aformoseou a praça de Palácio, construiu e reparou vários edifícios, inclusive o Armazém

    da Pólvora, aumentou o hospital, criou o Celeiro Público e deu outras providências.

    - João Batista von Spix e Carlos Frederico Filipe von Martius, naturalistas

    bávaros, visitaram o Maranhão em 1819, dizendo o segundo, no livro “Viagem ao Brasil”,

    referindo-se aos dois grupos existentes na sociedade dominante: portugueses natos,

    comerciantes ou ocupantes dos altos cargos administrativos, e nacionais, “nascidos na

    fartura das necessidades físicas, criados entre escravos domésticos de pouca educação, e

    na segunda posse dos bens herdados, mais inclinados ao gozo do que à atividade,

    reconhecem a supremacia do imigrado, e abandonam-se com certa timidez, à atividade

    41

    comercial que enriquece, preferindo retirar-se para as suas fazendas e gozar sua

    prosperidade.” Aduz ainda: “Já desde muito é costume mandar educar em Portugal os

    jovens das famílias opulentas; os rapazes não raro vão também formar-se na Inglaterra e

    em França.” E estendem-se em largas considerações sobre a agricultura (algodão, arroz,

    milho, mandioca, feijão, cana de açúcar; métodos de cultivo; técnicas de fabricação,

    beneficiamento e prensagem; pecuária; indústria; artesanato; profissões; escravos; e

    importação e exportação.

    Ano de 1820 – 24 de agosto – Revolução Liberal do Porto. D. João, obrigado pelas

    circunstâncias, aceita e jura a nova Constituição.

    “A província do Maranhão, que Mendonça Furtado achou “reduzida à extrema

    miséria e cujo povo era o mais pobre de toda a América, onde todos estavam devendo os

    olhos da cara, passou a desfrutar de um período de felicidade e magnífico esplendor. A

    capital era cidade bem situada, com boas ruas a rumo de corda, a maior parte calçada”,

    elogia o pe. José de Moraes; a Praia Grande e adjacências cheia de edifícios nobres e

    povoadas de mercadores opulentos. De urbe totalmente pervertida de costumes e sem uma

    pessoa que possuísse ou usasse de estado algum dos que se praticam em terras civilizadas,

    transformou-se com a abertura de ruas e urbanização de praças, por onde circulavam

    cadeirinhas e seges, conduzindo damas educadas nos colégios de Lisboa e do Porto, numa

    sociedade de costumes requintados à moda européia, onde era hábito mandar os filhos

    graduarem-se nas universidades do velho mundo.” (Carlos de Lima)

    - Spix e Martius, em visita ao Maranhão, dizem que São Luís “merece, à vista

    de sua população e riqueza, o quarto lugar entre as cidades brasileiras.

    Ano de 1821 - 26 de abril - Regresso de D. João VI a Portugal. – Restaurada

    graças à ajuda dos ingleses a soberania de Portugal, com a expulsão dos franceses, regressa

    D. João VI e toda a Corte à Europa, aqui deixando o príncipe D. Pedro como Regente.

    Apesar da ocupação do Rio de Janeiro, quando os moradores foram obrigados a desocupar

    suas casas sob o império do PR (Príncipe Regente, que o povo traduziu como Ponha-se na

    rua) a permanência da Corte durante 14 anos trouxe, como não podia deixar de ser, muitos

    melhoramentos ao Brasil:

    - 9 de maio – É constituída em São Luís a Junta Consultiva composta de

    Lourenço de Arrouchela Vieira de Almeida Malheiros e Joaquim Antônio Vieira Belfort,

    Desembargadores; Agostinho Antônio de Faria, Marechal-de-Campo; Antônio Rodrigues

    dos Santos, Coronel; Manuel de Souza Pinto de Magalhães, Tenente-Coronel; José

    Demétrio de Abreu, Major; Manuel José Ribeiro da Cunha, Capitão; Patrício José de

    Almeida e Silva, bacharel; e Antônio José Saturnino das Mercês, sob a presidência do

    Bispo D. Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré.

    - 13 de maio – Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca é reeleito Governador,

    após haver mandado prender o Comendador Honório José Teixeira, o Major José Inácio de

    Mesquita, o Brigadeiro Manuel José Xavier Palmeirim e o Capitão José Antônio dos Santos

    42

    Monteiro, e exilar para Guimarães o Cônego José Constantino Gomes de Castro, que se

    opuseram ao seu novo mandato.

    - 17 de maio – Dividido em duas Comarcas (São Luís e Caxias) foram eleitos os

    Deputados do Maranhão às Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação

    Portuguesa, o Desembargador Joaquim Antônio Vieira Belfort e Dr. Raimundo de Brito

    Magalhães e Cunha, substituído pelo suplente Cônego José João Beckmam Caldas.

    - 19 de agosto – Juramento, na Catedral, em São Luís, da Constituição

    Portuguesa, ainda a ser promulgada.

    - 29 de setembro – Decreto Legislativo manda criar em todas as Províncias

    Juntas Provisórias para o governo administrativo e civil.

    - 31 de outubro – Chega ao Maranhão a primeira tipografia, instalada, a 1o. de

    novembro, no prédio da rua do Norte, depois ocupado pela Santa Casa de Misericórdia.

    O IMPÉRIO

    Ano de 1820 – Pastos Bons é elevada à categoria de vila.

    Ano de 1822 – 15 de fevereiro – Eleita a Junta Provisória integrada por: Brigadeiro

    Sebastião Gomes da Silva Belfort, Chefe-de-Esquadra; Felipe de Barros e Vasconcelos,

    Desembargador; João Francisco Leal, Coronel-de-Milícias; Antônio Rodrigues dos Santos,

    Tenente-de-Milícias; Caetano José de Souza; e o Tesoureiro da Fazenda aposentado,

    Tomaz Tavares da Silva.

    - 7 de setembro – O Grito do Ipiranga! A Independência do Brasil! Podese

    dizer que o sentimento nativista teve origem no momento em que o primeiro índio, a

    princípio prestativo e dócil, compreendeu que desejavam sujeitá-lo ao trabalho por

    obrigação. Nascia também aí a perseguição das entradas e descimentos, gerando,

    conseqüentemente, a reação indígena dos ataques aos acampamentos e povoados do

    estrangeiro intruso. À vida primitiva natural e comunitária sucede o trabalho forçado, o

    silvícola “mãos e braços da colônia”, ao qual ele só se submete depois de corrompido pelos

    vícios e doenças com que o contaminam os “civilizados”. Graças à miscigenação (e a

    mulher índia teve aí preponderante papel) a que veio juntar-se o elemento negro,

    reconheceu-se a nova raça diferente dos perós, gauleses e batavos, fundando um sentimento

    nativista que explodirá na Revolução de Bequimão, de 1684 e na Inconfidência Mineira, de

    1789, síntese dos muitos levantes de índios, de quilombolas e de caboclos brasileiros.

    A retirada de D. João VI provocou um retrocesso no País: o comércio quase

    paralisado, o Banco do Brasil na iminência de fechar, algumas Províncias recusando-se a

    reconhecer a Regência do Príncipe D. Pedro, agravada a situação com o manifesto de

    descontentamento das Cortes Portuguesas pela permanência de D. Pedro no Brasil, a quem

    procuravam humilhar e que respondia com a desobediência às ordens reais. Em 3 de junho

    43

    de 1821 foi convocada uma Constituinte Brasileira o que provocou pronta reação da Coroa,

    declarando nulo o decreto e intimando o imediato regresso do Príncipe a Portugal. No dia 7

    de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga, D.Pedro, que regressava de viagem a

    São Paulo, recebeu a notícia do ultimato e os apelos de José Bonifácio ao gesto definitivo

    de independência. Irritado, o Príncipe, desembainhando a espada e a arrancando o laço com

    as cores portuguesas da manga da túnica, gesto imitado pelos acompanhantes, com o grito

    Independência ou Morte! proclamou a Independência do Brasil. Inusitadamente na História

    o colonizador dava de mão beijada a liberdade ao colonizado; aliás, D. João ao retirar-se

    aconselhara o filho a que pusesse a coroa antes que outro aventureiro o fizesse... A

    Província Maranhense, umbilicamente ligada à antiga Metrópole durante séculos, e

    governada política e economicamente pelos portugueses, custaria a aderir ao novo regime.

    Todavia, o grito de liberdade ecoara por todo o País e a onda de subversão chegava até nós,

    vinda do Ceará através do Piauí.

    - 18 de outubro – A vila de São João da Parnaíba torna-se independente. A

    rebelião se estende por todo o interior obrigando a Junta a urgentes providências, ora em

    exaltadas proclamações prevenindo os maranhenses contra a enganosa demagogia dos que

    desejavam arrastar-nos à ruína, e enaltecendo a vantagem de continuarmos na comunhão

    lusitana; ora pedindo à Lisboa soldados e recursos para a defesa; ora enviando tropas para

    Carnaubeira (defronte de Parnaíba) e para o Brejo e nomeando o Tenente-Coronel Manuel

    e Souza Pinto de Magalhães Comandante-em-Chefe das forças reais, com quartel-general

    em Caxias. Nem a prisão do chefe rebelde, Leonardo de Carvalho Branco, nem a vitória do

    Governador-das-Armas, Major José da Cunha Fidié, no Jenipapo, a 13 de fevereiro de

    1823, conseguiram tranqüilizar a Junta, pois a todo momento chegavam-lhe notícias más:

    os independentes do Piauí uniam-se aos maranhenses e todo o Itapecuru levantara-se em

    guerrilhas aos gritos de mata marinheiro! Sucessivamente S. Bernardo, Brejo, Pastos Bons,

    São José dos Matões, Manga do Iguará, Caxias e Rosário caíam em poder dos

    independentes sob as ordens de Fernando Mendes de Almeida, Domingos da Silva, o

    Matruá”, Francisco Gonçalves Meireles, João Ferreira do Couto, José Dias de Matos,

    Sisnando José de Magalhães, Joaquim de Carvalho, João Ferreira do Couto, Domingos da

    Silva, todos ao comando geral de Salvador Cardoso de Oliveira, o verdadeiro herói de

    nossa emancipação. No entanto, tanto na organização da Junta Expedicionária no Itapecuru

    (20 de Julho), como na constituição do novo governo não houve lugar para Salvador de

    Oliveira! Formaram na primeira: o Brigadeiro José Pereira Filgueiras, Comandante do

    Exército Auxiliador; Manuel de Souza Martins, Presidente da Junta do Piauí, Coronel

    Joaquim de Martins, Governador-das-Armas do Piauí, Tristão Gonçalves Pereira de

    Alencar, da Junta do Ceará e Luís Pedro de Melo; participaram do segundo: o Governadordas-

    Armas João Felix Pereira de Burgos, Padre Pedro Antônio Pereira Pinto do Lago,

    Antônio Joaquim Lamagnere Galvão, Fábio Gomes da Silva Belfort e Antônio Raimundo

    Belfort Pereira de Burgos. Mas, Salvador de Oliveira era esquecido! ele que, modesto

    negociante de gado no interior de Caxias, tivera sob suas ordens 2.000 sertanejos,

    voluntários armados de lazarinas, facões, chuços e lanças, e de vitória em vitória chegara às

    portas da Capital, sem patente de Milícias, Ordenanças ou Pedestres, ele que”conquistara

    seus galões de Alferes por sua bravura e por seu patriotismo”!

    Na capital, já tinham sido presos e deportados o Comendador Honório José

    Teixeira, os Brigadeiros Paulo José da Silva Gama e Manuel José Xavier Palmerim, o

    44

    Capitão Bernardo Pereira de Berredo, o Cônego José Constantino Gomes de Castro,

    Manuel José de Medeiros, Provedor da Câmara, e o Alferes Alberto José Dourado,

    simpatizantes da causa independente. O Brigadeiro Manuel Antônio Falcão, permanecendo

    preso, não foi deportado em virtude de seu grave estado de saúde. Porém somente São Luís

    e Alcântara teimavam em continuar fiéis a Portugal, à intransigência da Junta alimentada

    pelo feroz sentimento de lealdade do Bispo D. Joaquim de Nazaré. Toda a Província se

    tornara independente. “Mas a despeito da influência própria do poder, da dedicação e dos

    esforços, da energia e da atividade de seus membros (da Junta) todas as vilas, cidades e

    aldeias do Maranhão iam aderindo à causa nacional e só a capital era discorde dessa

    união ge.” (César Marques)

    Ano de 1923 – 20 de Julho - Instala-se a nova Junta Governativa e Provisória

    Constitucional composta de: Presidente: Advogado Provisionado Miguel Inácio dos Santos

    Freire e Bruce; Membros: Lourenço de Castro Belfort, Coronel José Joaquim Vieira

    Belfort, eleitos pela Capital, e o Padre Pedro Antônio Pereira Pinto do Lago, secretário;

    Antônio Joaquim Lamagnere Galvão, Antônio Raimundo Belfort Pereira de Burgos, Fábio

    Gomes da Silva Belfort, e José Felix Pereira de Burgos, eleitos pelo Itapecuru. Para

    Salvador de Oliveira não houve lugar!

    - 25 de julho – Ultimato do Brigadeiro Filgueiras provoca a renúncia do Major

    Fidié e a queda de Caxias.

    26 de julho - Para mal de nossos pecados, surge na barra a nau “Pedro I” e a

    fragata “Piranga”. Chegava o famigerado marinheiro mercenário inglês Lord Alexander

    Thomas Cohcrane, Primeiro Almirante da Armada Imperial, “incumbido pelo Senhor D.

    Pedro I de proclamar a Independência nas províncias ao Norte do Rio de Janeiro”, e que,

    segundo Hélio Viana “nenhuma participação tendo nas lutas que então se travaram no

    interior da provícia”, nos cobraria CENTO E SEIS CONTOS DE RÉIS “pelos seus

    serviços”. Bloqueando a cidade, fez ciente à Câmara de suas intenções, ao que a mesma

    açodadamente respondeu que os fins que haviam trazido o Almirante estavam em perfeita

    sintonia com os sentimentos do Governo e do Povo! Ao mercenário marujo caberia a glória

    de Libertador do Maranhão, “que a ingenuidade de historiógrafos lhe tem atribuído

    segundo Antônio Lopes.

    - 28 de julho – às 11 horas procedeu-se à solenidade da proclamação da adesão

    do Maranhão à Independência do Brasil à qual o todo poderoso Cochrane não se dignou a

    comparecer, deixando-se ficar no navio. A cobrança, porém ele a faria pessoalmente

    depois.

    - 7 de agosto – Tem lugar, na Câmara, o “Auto de Juramento da Independência

    do Brasil e obediência ao Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil Senhor

    Dom Pedro I.

    - 13 de agosto – Eleição da primeira Câmara Independente de São Luís,

    constituída de: Capitão-mor Rodrigo Salgado de Sá e Moscoso, presidente; Capitão Manuel

    Bernardes Lamagnere, José Tavares da Silva, Dr. Joaquim Vieira da Silva e Souza, Dr,

    45

    Francisco Corrêa Leal, Tenente-Coronel Raimundo Ferreira de Assunção Parga e Antônio

    José Guilhon, vereadores, e Manuel Raimundo Corrêa de Faria, procurador.

    Duas vezes esteve Cochrane no Maranhão: de 25/07 a 20/08/1823 e de

    09/11/1824 a 18/05/1825. Considerando haver conquistado a cidade, declarou presa de

    guerra as propriedades dos lusitanos, a dívida pública ativa, 2.970 arrobas de pólvora

    pertencentes à Fazenda Nacional “e o que mais houvesse ao alcance de sua mão e que o

    dono legítimo não pudesse reclamar ante a voz convincente de seus canhões...” (Mário M.

    Meireles), E nomeou uma comissão para fazer o levantamento do acervo considerado

    butim. “Insaciável, seu único ídolo era o dinheiro, diz dele Varnhagem. Pois foi

    homenageado com um banquete que lhe ofereceram as senhoras maranhenses, e chamado -

    o de “Anjo da Paz”! além de Pedro I dar-lhe ainda o título de Marquês do Maranhão! Sua

    história pregressa, no entanto, nada o recomendava: acusado de velhacaria (knavery) na

    Bolsa de Londres, foi condenado ao pagamento de multa e prisão; expulso do Parlamento e

    da Ordem do Banho; teve o nome riscado da Armada Real e obrigado a deixar o País.

    (Rubem Almeida).

    - Decretada a expulsão dos portugueses Comendador Antônio José Meireles,

    Marechal Agostinho Antônio de Faria, Cônego Francisco da Mãe dos Homens Carvalho,

    jornalista Antônio Marques da Costa Soares, Capitão João Manuel, João e Bernardo Pereira

    Gomes, Manuel Antônio dos Santos Leal, Manuel Duarte Godinho, Manuel Domingues

    Dias e Manuel Joaquim Gonçalves Bastos. Quanto a Frei Joaquim, a Junta comunicou que

    cessara sua jurisdição na Diocese, e para evitar que o Cabido declarasse a sede vacante,

    ameaçou com excomunhão os Cônegos e todos os que obedecessem.

    Durante o período colonial, como vimos, “brigavam governadores, bispos,

    capitães-mores, priores, carmelitas, mercedários, jesuítas, ouvidores, provedores da

    fazenda e o povo, que tomava partido e se inflamava, contra ou a favor deste e daquele

    contendor. Várias vezes interferiu o rei, como quando recomendou expressamente ao

    comissário dos frades das Mercês que pusesse cobro ao excesso com que tratavam do

    púlpito os seus funcionários, fazendo sátiras às autoridades , contra as quais “proferem os

    missionários palavras escandalosas.” (C. de Lima) e César Marques confirma neste trecho

    das lamentações do Desembargador Dr. Joaquim José Sabino: “Numa terra pequena, de

    inveterada intriga e inimizades, assopradas pelo chefe de Estado, que neste fatal jogo

    esgota toda a sua sutileza, quem poderá eximir-se dos raios no centro de um círculo tão

    pequeno?” A Câmara por sua vez “excitava contendas, provocava questões e alimentava

    discórdias, julgando-se superior à lei, mandando fazer prisões e soltar à sua vontade,

    exagerando-se na sua jurisdição criminal e contenciosa, processava, passava executivos,

    fazia penhoras, julgava todos os feito até final sentença, dissipava em proveito próprio os

    rendimentos do Conselho, estabelecia ordenados, fazia obras em que gastava

    avultadíssimas quantias sem proceder à necessária licença régia”, conclui Marques.

    No Império não seria diferente e tudo tendo continuação com a chamada

    Guerra dos Três Bês”, as três famílias que disputavam o poder: Burgos, Bruce e Belfort.

    - 14 de setembro - O Comandante-das-Armas, Tenente-Coronel José Felix

    Pereira de Burgos manda prender o Presidente da Câmara, Capitão-mor Rodrigo Luís

    46

    Salgado de Sá Moscoso. Este consegue evadir-se e amotina a tropa; enfrenta-o Burgos, com

    seus correligionários e amigos portugueses; segue-se um tiroteio, com alguns feridos, mas

    Moscoso sai vitorioso e Burgos é deposto do cargo.

    - 25 de dezembro – Eleito novo Governo: Miguel Inácio dos Santos Freire

    Bruce, presidente; José Joaquim Vieira Belfort, Antônio Joaquim Lamagnere Galvão,

    Capitão Rodrigo Luís Salgado de Sá Moscoso, Cônego Luís Maria da Luz e Sá, Capitão

    Cisnando José de Magalhães e José Lopes de Lemos, secretários; eleição contestada pelos

    43 eleitores de Caxias, nem sequer consultados. Note-se que os primeiros atos da nova

    Junta foi mandar invadir as casas dos portugueses, à procura de armas e – Pasme-se! –

    cortar as árvores do largo de Palácio por terem sido plantadas pelo ex-Governador

    Bernardo da Silveira! Prática aliás que, anos mais tarde, seria seguida por outro governante.

    Ano de 1824 – 22 de janeiro – Sermão do “Padre Cascavel”, apelido de Domingos

    Cadávila Veloso, considerado subversivo, o que o condenou à prisão, só libertado por

    interferência do Comandante-das-Armas, Sá Moscoso.

    - 13 de fevereiro – Decretada a prisão do Coronel Joaquim Antônio da Cunha

    por se opor à execução de um mandato judicial. Novamente tomou as dores do preso Sá

    Moscoso, já espicaçado por denûncia do Padre Cascavel contra os filhos do Presidente

    Bruce, que estariam tramando um levante republicano para afastar do governo dois

    membros da Junta e o próprio Sá Moscoso, que teria seu cargo extinto. Convocando os

    chefes militares conseguiu Moscoso unanimidade para mandar prender todos os suspeitos e

    mais os desafetos, e o próprio Presidente Bruce. Todavia, a detenção de figuras as mais

    ricas e expressivas da cidade fez com que a tropa retirasse o apoio a Moscoso, e o

    depusesse do comando. Reunida a Junta, desclassificou a denúncia, reintegrando os presos

    nos respectivos cargos e extinguindo o cargo de Governador-das-Armas, conseqüentemente

    demitindo Sá Moscoso e deportando-o do País. Nova expulsão dos portugueses causou tal

    comoção na cidade que a Junta voltou atrás e resolveu organizar uma Guarda Cívica,

    responsável pela paz pública.

    Não vamos relatar aqui todas as peripécias da briga Bruce X Burgos X Belfort;

    basta arrolar cronologicamente o sobe-desce destes personagens:

    - 19 de abril – Retorna a São Luís o Tenente-Coronel José Felix Pereira de

    Burgos, agora nomeado Comandande-das-Armas por decreto imperial, disposto a tomar

    desforra dos que participaram de sua deposição. Com o decorrer do tempo e as

    arbitrariedades de Burgos, formaram-se os partidos: Bruces e Belforts contra Burgos, este

    acusando os outros de articular com os pernambucanos a implantação da República;

    aqueles de que Burgos, juntamente com o Bispo e o Arcippreste Luz e Sá, patrocinavam a

    causa portuguesa, sonhando com a restauração do domínio lusitano. O interior revolta-se

    com a anarquia reinante na capital, na chamada “Revolução de 1824”: Salvador de Oliveira,

    em Rosário, intitula-se “Comandante da Força Armada contra o Despotismo”, e manda

    ocupar o forte de Vera Cruz (Calvário); o Comandante de Peris estabelece-se na Estiva e o

    Icatu é ocupado pelo Sargento Valério de Souza; em Caxias o Capitão Clemente José da

    Costa manda de volta a São Luís o novo comandante da Tropa de Linha, o capitão

    47

    Francisco Antônio da Costa Barradas, objetivando o movimento tirar de vez do governo

    Burgos, Bruces e Belforts.

    - 1o. de Junho - A Junta Geral, convocada por Burgos, dissolve a segunda Junta

    Provisória e prende o Presidente Bruce, os Vogais José Belfort e Sisnando Magalhães e o

    Secretário José Lemos, contra um único voto, o do Desembargador Joaquim Antônio Vieira

    Belfort, o governo confiado interinamente ao Presidente da Câmara, José de Araújo

    Cantanhede.

    - 2 de junho – A Junta Geral, enumeradas as razões de sua decisão anterior,

    configuradas em sete itens de ciúmes a intrigas, resolveu deportar os presos para o Rio de

    Janeiro.

    - 4 de junho – Contra-revolução chefiada por José Francisco da Silva e o

    Tenente-Coronel José da Silva Raposo e na qual é sacrificado o Capitão Carlos Pereira de

    Burgos, obriga o Comandante-das-Armas José Felix a refugiar-se em Alcântara.

    - 5 de junho – Livres da prisão, são os membros da Junta reintegrados nos seus

    cargos e agora os deportados são o Tenente-Coronel José Felix Pereira de Burgos; o Major

    Antônio Raimundo Pereira de Burgos, seu irmão; e o Cônego Arcipreste Luís Maria da Luz

    e Sá; presos José de Araújo Cantanhede, Presidente da Câmara; e expulsos da cidade o

    Coronel Antônio Nunes de Sales Belfort, Presidente do Conselho da Província; o

    Brigadeiro Sebastião Gomes da Silva Belfort e Lourenço da Silva Belfort; além de Honório

    e José Joaquim Burgos. “Deposto e deportado Burgos, e porque também à terra não mais

    houvesse regressado o Capitão-mor Sá Moscoso, ficou Bruce praticamente dono da

    situação, já que igualmente derribados de suas posições, a um só golpe os Belfort. Não

    obstante apenas aguardasse sua patente para tomar posse do cargo de Presidente da

    Província, para que o nomeara o Imperador, teria ele de enfrentar oposição cada vez mais

    forte, acusado agora de ter idéias liberais e manter entendimentos com os revolucionários

    da Confederação do Equador”, diz Mário M. Meireles. “Ninguém brigava pela república e

    sim pela ambição de governar”, sentenciava com razão Cochrane, forçoso é admitir.

    - 9 de julho – Renuncia a Junta e Bruce assume o poder, com a assistência de

    um Conselho Provincial.

    - 14 de julho – O forte da Ponta d’Areia adere ao movimento, fazendo causa

    comum com muitos oficiais e graduados e civis que haviam desertado para Rosário. O fogo

    cruzado dos fortes de São Luís e São Marcos, no entanto, obrigam o Comandante rebelde a

    fugir. Conflagra-se a Província; Bruce reforça a segurança, fortificando o Alto da Carneira

    (imediações da atual Vila Passos), abre as cadeias e transforma assassinos em soldados.

    Como não poderia deixar de acontecer, tropelias, crimes e saques se sucedem, ficando

    famosos o Ajudante José Alexandre da Silva Lindoso pela pilhagem e mortes praticadas em

    Alcântara; o Alferes Feliciano Antônio de Sá Cordeiro, em Icatu; Alferes Norberto João

    Dourado, em Guimarães; e Joaquim da Costa Curvelo, em Cajapió.

    - 3 de agosto – Depois de terem acudido Alcântara e chegado a acampar no

    Areal (Monte Castelo) 1.200 homens retornaram a Rosário, cercando a capital e decididos a

    rendê-la pela fome.

    48

    - 9 de novembro – Continuava a luta no interior, os revolucionários lutando

    contra os desmandos das autoridades da capital, mas não contra o Império, ou a favor da

    República, quando retorna a São Luís o célebre Lord Cochrane. Recebe um memorial de 78

    senhoras, acusando o Presidente Bruce como o causador de todas as infelicidades da

    Província.

    - 25 de dezembro – Cochrane depõe Bruce, nomeando interinamente para a

    Presidência Manuel Teles da Silva Lobo, que expulsou o ex-governador e grande número

    dos que advogavam sua causa.

    Com essas providências restabeleceu-se a paz”, diz Meireles, o que, porém, de

    todo não se confirma, haja vista os futuros conflitos entre os poderes que, aliás, passariam

    aos tempos da República, chegando até nós. Enfim, no frigir dos ovos, vale acentuar, tanto

    uns quanto outros, inocentados das acusações, mereceriam: os Burgos: José, a Presidência

    da Província do Pará, o título de Barão de Itapecuru-Mirim e o cargo de Ministro da Guerra

    e Raimundo, Oficial da Ordem do Cruzeiro; Sá Moscoso, Comendador da Ordem de Cristo;

    Antônio Sales Belfort, a Presidência do Ceará; Luz e Sá, a absolvição pela Relação do Rio

    de Janeiro; e Miguel Inácio dos Santos Freire e Bruce, já Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro,

    a Presidência da Província do Maranhão!

    Devemos a Silva Lobo a primeira iluminação pública de São Luís.

    Ano de 1825 – Nomeado pela Coroa, José da Costa Barros, apesar de chegado em 5 de

    fevereiro, foi impedido por Cochrane de assumir o governo e obrigado a embarcar para o

    Pará, a fim de que o corsário inglês recebesse de seu preposto a tal indenização com que

    assaltava os cofres públicos.

    - 18 de maio – Devidamente embolsado, Cochrane viajou para o Rio de Janeiro,

    considerando pacificada a Província.

    - 2 de setembro – Depois das muitas transferências do governo interino,

    primeiro para o Presidente da Câmara, Joaquim José Sabino, depois para o Presidente do

    Conselho, Patrício José de Almeida e Silva, finalmente toma posse o Tenente-Coronel

    Pedro José da Costa Barros, sete meses após a nomeação, passando a praticar “toda sorte

    de arbítrios, sem o menor decoro de si e do cargo, atos degradantes e inconcebíveis”, tal o

    juízo que dele fez Henrique Leal.

    Ano de 1827 – 1o. de março - Eleito Senador, Costa Barros passou o governo ao Vice-

    Presidente Romualdo Antônio Franco de Sá, que, “pelo acerto e moderação de seu

    comportamento,” conseguiu a pacificação, e pelo menos provisoriamente, amenizar o

    clima que se criara com a luta dos Três Bês.

    Ano de 1828 – 28 de fevereiro – Dissemos provisoriamente porque o Marechal de Campo

    Manuel da Costa Pinto, o novo Presidente da Província, recomeçaria a agitação prendendo

    e compulsoriamente assentando praça a ninguém menos que José Cândido de Morais e

    Silva, o redator de “O Farol”. E como protestasse Odorico Mendes, fechou a Tipografia

    Oficial, que publicava o “Despertador Constitucional” deste eminente jornalista.

    49

    Deu-se no seu governo o episódio grotesco da “República de Pastos Bons”, que

    se limitou à divulgação de uns panfletos, conclamando a população, que não passava de

    500 pessoas, a proclamar a República!

    Ano de 1829 –14 de janeiro - O Desembargador da Relação de Pernambuco, Dr. Cândido

    José de Araújo Viana, é o novo chefe de governo, conseguindo apaziguar os ânimos com a

    libertação de José Cândido, até que...

    Ano de 1831 – A situação do País afigurava-se turbulenta com a luta entre o Trono e o

    Parlamento; D. Pedro abdicara em 7 de abril.

    - 12 de setembro – Povo e tropa amotinaram-se no Quartel do Campo de

    Ourique (Deodoro), apoiados pelo Coronel José Demétrio de Abreu, e exigiram, através de

    José Cândido e Frederico Magno de Abranches, a expulsão de todos os oficiais

    portugueses; a suspensão do Chanceler da Relação, de seis Desembargadores e do Ouvidor;

    a demissão de todos os funcionários não brasileiros natos; a expulsão dos religiosos de

    Santo Antônio, e dois padres e oito civis, todos considerados inimigos da Independência; e

    que se não julgasse criminosa a rebeldia presente. Sem outra saída Araújo Viana cedeu,

    contentando os amotinados da chamada “Setembrada”.

    - 19 de novembro - Outra vez povo e tropa reunidos no Campo de Ourique em

    nova rebelião. Desta vez, porém, prevenido, Araújo Viana, tomou a desforra: o Capitão

    Feliciano Antônio Falcão facilmente dominou os revoltosos, chefiados por José Cândido e

    Egídio Launé, que lograram fugir à prisão, sendo, posteriormente, escondidos por Odorico

    Mendes, em sua própria casa. Os demais reuniram-se sob a chefia de Antônio João

    Damasceno, marcharam sobre o Itapecuru-Mirim, onde foram mal sucedidos, e chegando a

    Rosário sofreram nova derrota. Antônio João, apesar disso, marchou para São Luís, tomou

    o Armazém de Pólvora, mas cercado, rendeu-se. Recompondo suas hostes, atacou Caxias,

    acampou em Estanhado, no Piauí, marchou contra o Brejo, mas foi vencido e morto no

    Boqueirão, em julho de 1832.

    Creditemos ainda ao Presidente Araújo Viana a criação da Biblioteca Pública.

    - O Regime da Regência durou, no Brasil, de 1831 a 1840, em conseqüência da

    abdicação de D.Pedro, em 7 de abril: Regência Provisória Trina, composta pelos Marquês

    de Caravelas, José Joaquim Carneiro Campos; Brigadeiro Francisco de Lima e Silva; e

    Senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro; Regência Permanente Trina (17 de junho):

    Brigadeiro Lima e Silva; José da Costa Carvalho, Marquês de Monte Alegre; e o Deputado

    João Bráulio Muniz, maranhense; Regência Una (12 de outubro de 1835) Padre Antônio

    Diogo Feijó. Todo o período regencial foi marcado por grande agitação no País: motins e

    levantes no Rio de Janeiro provocados pelos Restauradores (que advogavam a volta de

    Pedro I); os Exaltados, defensores de idéias republicanas; e os Moderados, que apoiavam a

    Regência; no Ceará, Joaquim Pinto Madeira declarou nula a abdicação de D. Pedro e

    rebelou-se, sendo derrotado pelas forças de Labatut; em Pernambuco houve a Setembrada,

    a Novembrada (ambas em 81) e a Abrilada (1882); na Bahia, Miguel Guanais Mineiro

    estabeleceu a “Federação dos Guanais” (fevereiro/1832) derrotado pelo Visconde de Pirajá;

    a Cabanagem, no Pará, chefiada por Batista de Campos, Antônio Malcher e Francisco

    50

    Pedro Vinagre (1835/40); a Sabinada, com a “República Bahiense”, de Sabino Álvares da

    Rocha Vieira; a Balaiada, no Maranhão (1838-1841) (da qual trataremos a seguir); e a

    Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul (1835-1845).

    Ano de 1832 – 13 de outubro (César Marques) - 20 de novembro (Mário Meireles) -

    Governo do Dr. Joaquim Vieira da Silva e Souza, nascido em Rosário que, por pouco que

    tenha feito, muito fez – a paz, tão necessária após os acontecimentos de setembro e

    novembro de 1831.

    - Alcides Dessalines d’Orbigny, neste ano visitando o Maranhão, achou-o “um

    dos lugares do Brasil onde é mais agradável a permanência; as maranhenses notáveis pela

    elegância de seus modos e educação esmerada. Não só a riqueza da região, o desejo de

    imitar os costumes europeus, mas também, e principalmente, a liberdade, a boa educação,

    a polidez e a doçura das maranhenses, com gosto pelo trabalho e pela ordem e hábitos de

    reserva e discrição; quanto aos jovens são quase todos mandados a bons colégios da

    França e Inglaterra.” Quanto à economia “suas descrições são mais ou menos sucintas e se

    referem a apenas alguns aspectos: a produção salineira de Alcântara, a feira de gado de

    Itapicuru-Mirim, curtumes que conheceu e a confecção de sabões na região, de que dá

    notícias.” (Caldeira)

    Ano de 1834 – 30 de outubro – Dr. Raimundo Felipe Lobo -Eleito deputado, Silva e Souza

    passou o bastão a Manuel Pereira da Cunha, 1o. Vice-Presidente (17 de fevereiro); que o

    transmitiu ao 2o., Antônio José Quim, (3 de março); que também entregou-o ao 3o.,

    Raimundo Felipe Lobato (5 de março); e que o devolveu ao 2o., o dito Quim (30 de

    outubro).

    Ano de 1835 – 21 de janeiro – Toma posse Dr. Antônio Pedro da Costa Ferreira,

    alcantarense. Criou a Tesouraria da Província, um Corpo de Polícia, a Polícia Rural e

    organizou a Secretaria. Pela primeira vez na nossa História, diz Meireles, o Presidente não

    interferiu na eleição e por isso foi derrotado o seu Partido Conservador.

    Francisco Sales Nunes Cascais, amanuense da Secretaria de Governo e

    Bentivi” (Liberal) pôs entre os papéis que iriam à apreciação do Presidente esta quadra:

    Costa Barros foi ladrão.

    Costa Pinto foi pachá,

    Costa Ferreira é tirano;

    Que mais Costa nos virá?

    Ao que o Presidente completou, demitindo-o:

    Na dúvida deve o poeta

    Sair daqui desde já.

    51

    Ano de 1836 – 5 de julho –A vila de Caxias é elevada à cidade.

    Ano de 1837 – 25 de janeiro - Costa Ferreira elegendo-se Senador, entrega o governo ao

    seu conterrâneo Joaquim Franco de Sá, 1o. Vice.

    - 3 de maio – Assume o governo o Capitão-de-Mar-e-Guerra Francisco Bibiano de

    Castro.

    Ano de 1838 – 3 de março -Vicente Tomaz Pires de Figueiredo Camargo é empossado no

    governo e funda o Liceu Maranhense, que coloca sob a direção de Francisco Sotero dos

    Reis.

    - 26 de julho – Vicente Camargo sanciona a Lei dos Prefeitos, um dos fortes

    motivos que desencadeariam a “Balaiada”.

    - 13 de dezembro – Costuma-se situar o começo do movimento popular da

    “Balaiada” neste dia em que o boiadeiro piauiense Raimundo Gomes Vieira, empregado do

    fazendeiro Padre Inácio Mendes de Morais e Silva, “Bentivi”, invadiu a cadeia da vila da

    Manga, no Iguará, para libertar seus homens, presos para recrutamento militar pelo

    Subprefeito José do Egito, “Cabano” (Conservador).

    Necessário, porém, é que se faça um balanço retrospectivo de todas as causas

    que concorreram para o movimento: a instabilidade política, a luta dos partidos pelo poder,

    as constantes mudanças de orientação expressas nas diversas Regências, gerando o clima de

    insegurança no plano geral, e os muitos Presidentes, no particular, desde a abdicação de D.

    Pedro, em 1831, ofereceram terreno fértil à propagação das idéias liberais que se

    espalharam pelo mundo, alimentadas pela Maçonaria, e que viriam a assanhar os

    sentimentos nativistas no Brasil.

    Feita a Independência, chegou-se à constatação de que nada havia mudado, a

    mesma luta política pelo poder (“ninguém brigava pela república, e sim por ambição de

    governar”, já diagnosticara Cochrane), as massas em igual situação de pobreza, os

    escravos sujeitos aos eternos maus tratos, os fazendeiros senhores de baraço e cutelo,

    absolutos, tendo ao seu dispor homens armados com espingardas, peças de artilharia e

    munição de guerra (“elementos combustíveis para a mais terrível explosão, cem mil índios

    e dois mil escravos que podiam atear um incêndio espantoso” (advertira Pinto da Fonseca

    pelos idos de 1819) e os políticos assentados em seus mesmos privilégios, em tricas e

    futricas de campanário. Se na capital os partidos se desavinham e trocavam insultos pela

    imprensa, chegando mesmo às escaramuças das armas e dos desforços pessoais, no interior

    os elementos egressos do Exército Auxiliador e das hostes que se haviam batido pela

    Independência, vagavam à toa, embriagados do ideal de liberdade mal assimilado, escravos

    que não mais admitiam o regime anterior, sitiantes que abandonaram seus afazeres

    habituais para se tornarem “soldados da fortuna”, sem disciplina e sem comando, e que

    agora não sabiam o que fazer, e, naturalmente, os aproveitadores de todas as ocasiões e

    todos os que, tendo desfrutado de uma situação provisória voltavam à dura realidade da

    vida comum. Como ficarem indiferentes aos acontecimentos os que participaram, com

    efetivo entusiasmo, os que pegaram em armas para emancipar o Estado do jugo português?

    E que viam agora como resultado de todo o seu sacrifício? A Guerra dos Três Bês, a dança

    52

    de Presidentes e Partidos, “o Brasil inteiro estrebuchando nas convulsões de um delírio

    popular, do Marajó ao Chuí rugiu uma onda de anarquia, que tudo alagou”, no dizer de

    Capistrano de Abreu. “O Maranhão era um campo aberto a todos os surtos libertários”,

    aduz Astolfo Serra. Pois foi neste clima que se instituiu a famigerada Lei dos Prefeitos

    (26-7-1838), ou seja, a colocação em cada município de um preposto da Presidência da

    Província, em contraposição à autoridade do Juíz de Paz (que bem ou mal era a autoridade

    moderadora nos conflitos), o Prefeito dócil executor das ordens e arbitrariedades do

    Governo. Para complicar mais o já delicado problema ordenou-se o Recrutamento Militar

    Compulsório, logo aproveitado para mesquinhas vinganças pessoais e perseguição aos

    adversários políticos. Todos estes desencantos, humilhações, dores e injustiças encontraram

    seu escoadouro natural na “Balaiada”.

    Façamos, embora a largos traços, o perfil de cada chefe desses bandos que

    constituíram o exército rebelde: Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o “O Balaio”, senão

    o mais importante, o mais em evidência, tanto que deu nome à revolta: artesão fabricante de

    balaios no lugar Pau de Estopa, entre Itapecuru-Mirim e Coroatá. Vivia com mulher e duas

    filhas, dedicadas às encomendas de costura dos fazendeiros vizinhos. De crassa ignorância

    política, mal sabendo ler, justifica Belarmino de Matos sua aparição na luta como vingança

    legítima da desonra que lhe trouxe ao teto hospitaleiro o Capitão do Exército Raimundo

    Guimarães, abusando das moças. Raimundo Gomes, piauiense, mestiço, analfabeto e pobre,

    tangerino empregado de um padre “Bentevi”, contrário ao governo; “mal se pode

    compreender que um homem ignorante, saído das últimas classes sociedade, tivesse força

    precisa para levantá-las e assolar o território de grande parte de uma província durante o

    longo tempo de mais de dois anos!” admira-se o historiador. Lívio Lopes Castelo Branco e

    Silva, natural de Campo Maior (PI), “homem abastado e bastante popular, mas de um

    espírito inquieto”. Rico, não é acoimado de bandido, mas acusado de ter um espírito

    inquieto, a mesma inquietação apontada nos irmãos Bequimão: Manuel e Tomaz; à testa de

    600 homens, “quase diariamente recebia tantos e copiosos auxílios, como o que lhe trouxe

    Milhomem com 700 combatentes de Pastos Bons”. Dom Cosme Bento das Chagas, “Tutor e

    Imperador das Liberdades Bentivis”. Preto, gozando de grande ascendência entre os de sua

    raça, tinha sob seu comando 3.000 escravos. Pois este homem, tido como feiticeiro,

    analfabeto e rude, estabeleceu no seu quilombo, na fazenda Lagoa Amarela, no Brejo...

    uma escola de ler e escrever! (Quem o afirma é Domingos de Magalhães, o Secretário do

    futuro governo do Duque de Caxias!) Afora estes outros houve, como Relâmpago, Trovão,

    Corisco, Raio, Caninana, Sete Estrelas, Tetéu, Andorinha, Tigre, Jitirana, Ruivo, Coque,

    Mulungueta, e Matruá (este que pertencera com destaque ao exército de Salvador de

    Oliveira) conhecidos apenas pelos apelidos. São 11.000, onze mil homens em armas! sem

    um comando único, mas unidos, não há como obscurecer, por um contágio de sentimentos

    outros além do roubo e do crime, como quer fazer crer a historiografia oficial! 11.000

    bandidos? Impossível! “O que faltou aos Balaios foi a orientação dos responsáveis morais

    que a predicaram. Isso sim, é que deu origem a aparecerem no cenário da luta apenas

    afoitos matutos, os sertanejos rudes, porque escondidos ficaram os autores intelectuais do

    levante”, escreve Carlota Carvalho. Os que seriam de fato seus chefes naturais, os que a

    motivaram com suas pregações, os oposicionistas “Bentevis”, jornalistas José Cândido de

    Morais e Silva, João Francisco Lisboa e Estevão Rafael de Carvalho, falecido o primeiro e

    receosos os outros, deixaram-na entregue à própria sorte, “um turbilhão popular... violento,

    indiferente a leis e a princípios” tal como chamou Joaquim Nabuco a revolução liberal

    mineira de 1842. “É uma injustiça perante à História dar-se à Balaiada uma expressão

    53

    essencialmente de banditismo. Foi uma revolta até hoje caluniada. Há cem anos atrás,

    uma revolta de negros, mulatos, de índios e mestiços não poderia ser entendida pelo

    espírito da época”, reclama Astolfo Serra. Esta foi sim, sem sombra de dúvida, nossa maior

    e mais autêntica REVOLTA POPULAR!

    Ano de 1839 – 3 de março – O novo Presidente da Província é o Tenente-Coronel Manuel

    Felizardo de Souza e Melo que, apesar do nome não foi nada feliz com o movimento dos

    Balaios”, perdido no emaranhado de intrigas, sacudido pelos ódios partidários e iludido

    com as desencontradas informações que lhe vinham do interior.

    - 1o. de agosto – Capitulação da cidade de Caxias. Os “Balaios” instituem uma

    Junta Provisória com elementos idôneos e qualificados: Dr. Francisco de Melo Coutinho

    Vilhena, Tenente-Coronel Hermenegildo da Costa Nunes, Severino de Oliveira e Costa,

    Domingos Antônio de Mesquita e João Batista Viana, e fazem suas exigências para

    deposição das armas: revogação da Lei dos Prefeitos e da Guarda Nacional; anistia

    decretada pela Assembléia Provincial; 80 contos de réis para pagamento da tropa e

    processo regular para os presos de cadeias públicas; expulsão dos portugueses e restrição

    aos nacionalizados; e confirmação dos oficiais revoltosos nos seus postos, de acordo com a

    idoneidade de cada um. “Era, não há dúvida, a oposição a querer aproveitar-se das

    circunstâncias”, comenta Mário M. Meireles.

    - 27 de setembro – O jornal “Despertador” classificava o Comandante-das-

    Armas Coronel Sérgio de Oliveira como uma “forte azêmola e uma nulidade na sua

    profissão”, atribuindo-lhe a culpa das seguidas vitórias dos “Balaios”.

    - 27 de dezembro – O Governo Central nomeia Presidente da Província,

    acumulando o Comando-das-Armas, o Coronel Luís Alves de Lima, futuramente o Duque

    de Caxias.

    Ano de 1840 – 7 de fevereiro – Toma posse Caxias para por ordem na casa, mas já chega

    envenenado pelos informes tendenciosos, tanto que na primeira proclamação chama os

    revoltosos de “um punhado de facciosos ávidos de pilhagem”, o que não condiz com o

    “pacificador” que pretendia encarnar, tão diferente da mensagem dirigida aos gaúchos, dois

    anos depois: “Abracemo-nos e unamo-nos, não peito a peito, mas ombro a ombro, em

    defesa da pátria, que é nossa mãe comum!, ordenando ao vigário da freguesia que, ao

    invés do Te-déum à vitória, rezasse uma missa pelos defuntos, “pois devera-se o triunfo a

    derramamento de sangue brasileiro!” A Revolta ultrapassava um ano e dava

    demonstrações de enfraquecimento e exaustão. “No primeiro impulso da revolta, quando a

    centelha da rebeldia se manifestou, o incêndio foi rápido, à feição do fogo nas caatingas...

    Passada essa fase de interpenetração de desejos e vontades comuns, vêm o recuo, a

    indecisão e logo em seguida o desmoronamento das forças em plenitude de ação.” (A.

    Serra). Caxias encontrou o movimento dividido, ou melhor, ele nunca teve unidade de

    chefia, e por todos os meios passou a usar “balaios” contra “balaios”. Alguns se ofereciam

    à rendição, como Francisco Ferreira Pedrosa, a quem Caxias, numa exdrúxula interpretação

    de anistia, condicionou-a a que ele fosse atacar outros revoltosos. As Províncias de

    54

    Pernambuco, Bahia, Alagoas, Paraíba e Piauí acorreram a ajudar Luís Alves, 8.000

    soldados fortemente armados foram apoiados pela escuna “Legalidade”, a charrua

    “Cibelle”, a corveta “Dois de Julho” e o vapor “Maranhense”. Também do lado legalista

    houve “crimes e violências inomináveis que mancharam os lauréis de suas vitórias”, pois

    como dizia Mao Tse-tung, “uma revolução não é um banquete, uma cousa requintada,

    agradável e cortês”. E Caxias também exorbitou: ordenou ao juiz José Furtado, “de ilibada

    conduta e incontestável moral” que não recebesse os que desejavam render-se. Respondeulhe

    o magistrado: “Como empregado público e respeitador das leis do meu país cumpro o

    Decreto de 22 de agosto de 1840 que me autoriza a receber os rebeldes que se me

    apresentem porque ainda não aprendi a substituí-las pela minha vontade.” Resultado? Sua

    demissão sumária! “A última fase da guerra é um banho de sangue, onde pereceram talvez

    10.000 pessoas entre crianças e adultos”, diz Mathias Assunção Röhrig. E o historiador

    Milson Coutinho: “Causa-me notável escândalo, ainda hoje, o tratamento dado aos três

    cabeças da Balaiada – Ferreira dos Anjos, Raimundo Gomes e o preto Cosme – já que só a

    este último, ex-escravo, a justiça provincial deu morte pela forca. Não me consta que o

    Código Criminal do Império premiasse o criminosos pela cor branca se era igual o seu

    crime pela ação ou omissão”. Aqui está mais uma razão do porquê, sendo a “Balaiada

    uma rebelião igual às que se feriram no regime regencial, e que já relacionamos, somente

    ela é acoimada de bando de assassinos,bandidos, ladrões e sicários sedentos de sangue!

    Ano de 1841 – janeiro – Findara-se a “Balaiada”. Luís Alves de Lima, que Henriques Leal

    preferia chamar “dominador” ao invés de “pacificador”, poderia parafrasear o dito

    histórico: Reina a paz em Varsóvia! - Reina a paz no Maranhão!

    - 13 de maio – Luís Alves, deixando o Maranhão, passa o Governo ao

    Desembargador João Antônio de Miranda. Em 17 anos tivéramos 19 Presidentes! “Que se

    poderia esperar, no campo administrativo, de um executivo assim tão precariamente

    suprido? – Nada!” Todavia, deste Dr. Miranda ainda podemos citar a seu favor a Casa dos

    Educandos Artífices e o início da construção do Cais da Sagração, pelo Capitão do Corpo

    de Engenheiros José Joaquim Rodrigues Lopes.

    - 23 de agosto – A Lei Provincial nº 105 cria a “Casa dos Educandos Artífices”,

    inaugurada a 25 de novembro, com 28 alunos, e que durante trinta anos ministrou ensino

    profissionalizante à mocidade desvalida através de oficinas de alfaiate, sapateiro, carpina,

    marceneiro e pedreiro, além de coronheiro, espingardeiro e curtidor de couro, aulas de

    primeiras letras, aritmética, álgebra, geometria, desenho, escultura, geografia, francês,

    música, sob regime de disciplina militar.

    - Jorge Gardner, autor de “Viagens pelo interior do Brasil”, de 1846, disse a

    respeito do Maranhão de 1841: “As pessoas mais ricas que aqui residem são plantadores

    de algodão, ao passo que as pobres ganham a vida pescando e fazendo redes.” Em Oeiras

    (PI), impedido de continuar viagem por motivo da rebelião da “Balaiada”, Garder, acordo

    com as notícias que lhe chegavam, descreve mais ou menos a origem da revolução na

    bravata de um tal Raimundo Gomes, mestiço, e mais um bando de nove homens, que

    desarmaram os soldados mandados para combatê-lo. “Em pouco tempo este bando cresceu

    55

    grandemente com escravos foragidos, índios e outros elementos. (...) O tenente-coronel que

    os comandava (300 soldados) e um capitão foram mortos à espada, aos demais foi poupada

    a vida sob a condição de se unirem aos insurretos; e diz-se que a maioria o fez de bom

    grado. Raimundo, assim fortalecido, organizou então regularmente seu bando, nomeando

    seus secretários os oficiais capturados, pois nem ele nem nenhum dos seus partidários sabia

    ler e escrever. É bem certo que, por este tempo, entrou em correspondência com um partido

    da cidade do Maranhão que, oposto à forma de governo monárquico, desejava depô-lo.

    Desta fonte, dizem, que procediam secretamente as armas e munições para as tropas de

    Raimundo”. Também Daniel Parish Kider, um pastor protestante americano, disse dos

    maranhenses que “alegam possuir, e não sem razão, um grau de desenvolvimento

    intelectual e moral comparável ao de seus patrícios das maiores cidades do Império.

    Compare-se com a observação de Koster, de 30 anos antes, “o pouco ou nenhum gosto

    pela leitura”. Deve-se naturalmente a mudança não só aos estudos a que se submetiam os

    jovens, no estrangeiro, como à existência em São Luís de “numerosas firmas comerciais

    inglesas e francesas” que, concorriam para nos por em contato direto com a “Europa

    civilizada”, além do período de franca riqueza com o aumento das exportações de algodão e

    arroz. Kider, que chegara ao Maranhão ao final da “Balaiada”, já atribui a rebelião a “uma

    lei promulgada, havia pouco, segundo a qual os juízes de direito seriam substituídos por

    prefeitos e subprefeitos dotados de poderes mais amplos” e opina: “Alguns desesperados

    sem escrúpulos, nada mais visando que o assassínio, o saque e o roubo, conseguiram

    insuflar o espírito revolucionário entre ignorantes e malfeitores – dos quais a província

    deveria estar repleta – e começaram a atacar indivíduos e famílias sem defesa, justamente

    quando nada fazia suspeitar de tais acontecimentos.” Valem a pena os depoimentos, pois

    se trata de contemporâneos dos fatos e, ademais, estrangeiros.

    Ano de 1842 – 3 de abril – Desembargador Francisco de Paula Pereira Duarte, Vice-

    Presidente exerce o Governo até

    - 25 de junho – passando-o ao Bacharel Venâncio José Lisboa.

    Ano de 1843 – 23 de janeiro - Torna-se Governador o Juiz de Direito Jerônimo Martiniano

    Figueira de Melo.

    Ano de 1844 – 21 de março - Assume o Vice-Presidente, Desembargador Manuel

    Bernardino de Souza Figueiredo.

    - 17 de maio – Desembargador João José de Moura Magalhães é o novo

    Presidente.

    - 4 de outubro – O cidadão Ângelo Carlos Muniz é empossado no cargo maior

    da Província.

    - 23 de outubro – Volta o Desembargador João José de Moura Magalhães a

    exercer o Governo.

    56

    - 14 de dezembro - Outra vez Ângelo Carlos Muniz.

    Ano de 1845 – 17 de novembro – Pela terceira vez o Desembargador João José de Moura

    Magalhães.

    Ano de 1846 – 4 de abril - Mais uma vez o cidadão Ângelo Carlos Muniz.

    - 27 de outubro – Muda-se de Presidente com a assunção do Desembargador

    Joaquim Franco de Sá. Por sugestão sua fundou-se a “Liga Progressista Maranhense”,

    com liberais e conservadores dissidentes e sob a direção de Fábio Alexandrino de Carvalho

    Reis, Antônio Rego e Teófilo Alexandre de Carvalho Leal. Para fazer face à crise do

    comércio de algodão incentivou a indústria do açúcar com a expansão da lavoura

    canavieira. Concluiu o Canal do Carvalho em Alcântara e deu prosseguimento às obras do

    Furo de Arapapaí. Meireles salienta ter sido ele o primeiro a consignar em orçamento verba

    para obras públicas. Em 1836 fundou o hebdomadário “O Americano”, de vida efêmera e

    idéias liberais. “Um dos melhores administradores que já teve o Maranhão”, segundo

    Ribeiro do Amaral.

    Ano de 1847 – 17 de dezembro – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Vice-Presidente, exerceu o

    Governo durante exatos 44 dias, suficientes para demitir à bem do serviço público, o

    Promotor Dr. Celso da Cunha Magalhães, que denunciara e levara ao banco dos réus sua

    esposa, D. Ana Rosa Viana Ribeiro, acusada da prática de vários crimes contra seus

    escravos, inclusive o de homicídio comprovado. Pois a ilustre dama ganhou a absolvição e,

    mais tarde, o título de Baronesa de Grajaú!

    Ano de 1848 – 21 de janeiro – Desembargador Joaquim Franco de Sá, governador pela

    segunda vez.

    - 7 de abril – Assume o Governo o cidadão Antônio Joaquim Álvares do

    Amaral. Deu a São Luís sua primeira arborização urbana.

    Neste ano ocorreu o seguinte fato: um advogado provisionado de Pastos Bons,

    cujo nome a História não guardou, enviou a um seu amigo resenha dos jornais da capital

    que davam conta da queda de Luís Filipe, com a proclamação da Segunda República

    francesa. O oficial de justiça portador do recado, tomando uma bebedeira, afixou pelos

    muros da cidade as tais resenhas como uma conclamação ao povo para que fizesse a

    República, episódio que ficou conhecido como “A República de Pastos Bons”. Esta, mais

    ou menos, a história.

    Ano de 1849 – 7 de janeiro – O cidadão Herculano Pereira Pena é o novo Governador.

    - 7 de novembro – Outro cidadão é instalado na curul governamental: Honório

    Pereira de Azeredo Coutinho.

    57

    - 3 de dezembro – A Lei Provincial no. 255 contratou a navegação do rio

    Itapecuru.

    Ano de 1851 – 5 de junho – Dr. Eduardo Olímpio Machado vem quebrar a monotonia dos

    governos inexpressivos, pois, entre outras ações meritórias, preocupou-se com o babaçu, (o

    primeiro a vislumbrar o valor que teria na economia maranhense); tratou do cobre do

    Grajaú e do ouro do Maracassumé, para o que organizou a Companhia de Mineração

    Maranhense e constituiu uma comissão para fundar uma Caixa Econômica.

    Ano de 1852 – 9 de julho – Assume o Tenente-General Manuel de Souza Pinto de

    Magalhães.

    - 28 de setembro – Volta o Dr. Eduardo Olímpio Machado.

    Ano de 1854 – 18 de maio – Outra vez o Tenente-General Manuel de Souza Pinto de

    Magalhães.

    - 15 de julho – Reassume o Dr.Eduardo Olímpio Machado, que vem a falecer

    em pleno exercício do mandato, a 10 de agosto de 1855.

    - Criada a Companhia Confiança Maranhense, que se propunha, entre outras

    cousas, a construir “um vasto edifício, com o fim de alugá-lo para lojas comerciais, no

    lugar ocupado pela “Casa das Tulhas”, velho aglomerado de casebres que enfeava o bairro

    comercial”.

    Ano de 1855 – janeiro – Funda-se o Asilo de Santa Teresa, para educação de crianças órfãs

    e expostas.

    - 12 de agosto – Vice-Presidente, assume o Governo o Comendador José

    Joaquim Teixeira Vieira Belfort.

    - 10 de dezembro – Novo Governador: o Advogado Provisionado Antônio

    Cândido da Cruz Machado, que contratou com a Companhia do Anil, do Tenente-Coronel

    Raimundo Brito Gomes de Souza e do Engenheiro Raimundo Teixeira Mendes, o serviço

    de abastecimento de água da Capital, até então explorado, em lombo de burro, pela

    poderosa matrona D. Ana Jansen Pereira, associada ao comerciante Santos José da Cunha.

    Ano de 1857 – 24 de fevereiro – Governadores: Manoel Gomes da Silva Belfort, Barão de

    Coroatá.

    - 29 de abril – Bacharel Benevenuto Augusto de Magalhães Taques.

    58

    - 29 de setembro – Bacharel Frâncico Xavier Pais Barreto.

    Ano de 1858 – 19 de abril – Bacharel João Pedro Dias Vieira, Vice-Presidente, assume o

    Governo. “Administrou-a escrupulosamente e protegeu e incentivou a navegação fluvial a

    vapor”, diz um seu biógrafo; conseguiu do Governo Central uma subvenção para a

    Companhia de Navegação a Vapor do Maranhão, que chegou a contar com nove navios

    fazendo viagens para Itapecuru, Mearim e Pindaré.

    - 19 de outubro – Bacharel João Lustosa da Cunha Paranaguá é seu substituto.

    Ano de 1859 – 7 de abril – É criada a “Escola Agronômica do Cutim”, a primeira do Brasil,

    segundo César Marques.

    - 12 de maio – Dr. José Maria Barreto Junior, Comandante Superior da Guarda

    Nacional é o novo Presidente.

    - 26 de setembro – Dr. João Silveira de Souza assume o Governo.

    - Robert Ave-Lallemant, que visitou São Luís neste ano de 59 foi recebido por

    uma família inglesa, em cuja casa reinava o encanto da fina educação européia, realçada

    pela rara beleza e graça da dona da casa.

    Ano de 1861 – 24 de março – Agora é o Bacharel Pedro Leão Veloso, e logo a

    - 25 de abril – Major de Engenheiros Francisco Primo de Souza Aguiar.

    Ano de 1862 – 23 de janeiro – O novo Governador é o Conselheiro Antônio Manuel de

    Campos Melo.

    - Inaugurada a “Casa da Praça”, incorporada à Companhia Confiança

    Maranhense (iniciada em 1854), “um edifício retangular, de risco elegante”, no lugar das

    antigas “barracas”, com jardim interno e chafariz, e quatro portões, um em cada fachada,

    ostentando as armas do Império, a atual “Freira da Praia Grande”, já modificada, inclusive

    com um despropositado segundo andar, em alguns trechos.

    - Campos Melo mandou construir, no fim da rua do Trapiche (Portugal) uma

    segunda rampa, que lhe tomou o nome.

    59

    Ano de 1863 – 5 de junho – Novamente Governador o, agora Senador, João Pedro Dias

    Vieira, “comprovando mais uma vez seu tino político-administrativo e patriótico”.

    - 13 de junho – Bacharel Ambrósio Leitão da Cunha, assume a Província.

    - 30 de junho – Os frades do Convento de Nossa Senhora do Carmo, em São

    Luís, depõem o Provincial da Ordem, Frei José de Santo Alberto Cardoso, ausente da

    cidade. Sabedor do fato, regressa pressurosamente o frade, batendo à porta fechada do

    Convento, a dirigir insultos aos seus irmãos de hábito, que lhe respondiam, das janelas, no

    mesmo tom. Foi de tal ordem o conflito que obrigou à presença da Polícia. Com a

    intervenção do Bispo, D. Manuel Joaquim da Silveira, foi o caso solucionado com a

    eleição, pelo Capítulo, do frei Caetano de Santa Rita Serejo.

    - 23 de novembro – Desembargador Miguel Joaquim Aires do Nascimento é

    eleito Governador.

    - Inaugurado o serviço de iluminação a gás da Capital, contratado no governo de

    João Silveira de Souza (1959), com os ingleses Silvestre Battin e Marcus William.

    Ano de 1864 – 3 de outubro – Retorna ao Governo Ambrósio Leitão da Cunha.

    Foi no segundo reinado, mais precisamente, no fim do ano de 1864, que teve

    início a Guerra do Paraguai, um dos fatos mais celebrados de nossa história, citada

    comumente como exemplo de ação humanitária de homens livres na guerra santa de

    libertação dos oprimidos pelo tirano Francisco Solano Lopez. Hoje se sabe que a opressão

    foi econômica, e não de Lopez, mas da Inglaterra, contra um pequeno país rebelde ao seu

    domínio – o Paraguai, luta na qual foram empenhadas as nações a ela sujeitas: o Brasil

    um país de escravos (31% da população;, a Argentina, com “voluntários” agrilhoado; e o

    Uruguai, “um feudo dos rio-grandenses. Desse modo o Brasil foi, com esses países

    igualmente submetidos ao capital inglês, o útil instrumento da Inglaterra para iniciar a

    guerra, adredemente preparada por uma diplomacia “pirata”, contra o Paraguai, cuja

    economia teimava em fugir ao controle ânglico. (Carlos de Lima) Não cabe aqui maior

    análise desta campanha, infeliz como todas as guerras; baste-nos o testemunho do Visconde

    do Rio Branco, depois da viagem que fez ao Paraguai, em 1870, para regularizar as relações

    com aquele país), citado por Júlio José Chiavenato: “Estamos persuadidos de que o

    ditador Lopez não se armava para fazer guerra ao Brasil”. Por todo o País (e o Maranhão

    não podia eximir-se) o recrutamento se fazia “no laço”, entre as classes mais pobres,

    fugindo a burguesia ao chamamento, de vez que se lhe permitia mandar escravos negros em

    seu lugar. Muitos desses “Voluntários da Pátria” se consagraram no heroísmo de oferecer

    até dez negros à sua vaga.

    Ano de 1865 – 23 de abril – Presidente: o cidadão José Caetano Vaz Júnior.

    60

    - 14 de junho – Bacharel Lafaiete Rodrigues Pereira assume a direção da

    Província.

    Ano de 1866 – Presidentes: 19 de julho – Desembargador Miguel Joaquim Aires do

    Nascimento, pela segunda vez.

    - 6 de agosto – Bacharel Frederico José Corrêa.

    - 10 de agosto – Juiz de Direito Manuel Jansen Ferreira.

    - 1o. de outubro – Bacharel Antônio Alves de Souza Carvalho.

    Ano de 1867 – 4 de abril – Retorna Manuel Jansen Ferreira, Juiz de Direito da Comarca de

    Carolina.

    Assumem o Governo:

    - 29 de maio – Bacharel Franklin Américo de Menezes Dória.

    - 27 de outubro – Bacharel Antônio Epaminondas de Melo.

    Ano de 1868 – 5 de maio – Manuel Jansen Ferreira, pela terceira vez.

    - 1o. de agosto – Desembargador Manuel de Cerqueira Pinto.

    - 4 de setembro – Desembargador Ambrósio Leitão da Cunha, também pela

    terceira vez.

    “Por falecimento de um parente seu tomou nojo e passou a administração ao 1o.

    Vice-Presidente”, diz César Marques.

    - 18 de outubro – Vice Presidente Manuel de Cerqueira Pinto.

    - 23 de outubro – Volta Ambrósio Leitão da Cunha.

    Ano de 1869 – 4 de abril – Assume o Governo o Dr. José da Silva Maia, chefe do “Partido

    Conservador”, órgão dos monarquistas, que fundara, em 1862, com Gomes de Castro, em

    oposição à “Liga Progressista Maranhense”, de Franco de Sá.

    61

    - 16 de junho – Dr. Brás Florentino Henrique de Souza, um dos mais eruditos

    lentes da Faculdade de Direito de Recife”, segundo Marques, é Governador.

    Ano de 1870 – 1o. de março - Após uma luta encarniçada, que durou cinco anos e custou

    ao Brasil 90.000 homens, além de grandes despesas, nada tendo lucrado, pois nem a dívida

    de guerra o Paraguai pagou, Francisco Solano Lopes, alcançado em Cerro-Corá, morreu

    lanceado pelo soldado brasileiro Chico Diabo, exclamando, segundo seus biógrafos: -

    Muero com mi pátria! Na verdade a guerra foi desastrosa para a nação vizinha;

    demonstrou o heroísmo dos paraguaios, mas arruinou-lhe a economia que fora tão

    florescente a ponto de despertar a cobiça da toda poderosa Inglaterra.

    - 29 de março – Volta Dr. José da Silva Maia, na qualidade de 1o. Vice-

    Presidente.

    - 28 de outubro – Governador o Bacharel e Deputado-Geral Augusto Olímpio

    Gomes de Castro, que inaugurou o primeiro serviço de transportes urbanos de São Luís,

    com os bondes de tração animal. Deve-se-lhe também a construção do prédio do Tesouro

    Provincial, ex-Secretaria da Fazenda. Convidado muitas vezes para Ministro, recusava

    sempre, alegando: “Sou homem tão cheio de ambições como quem as tiver, mas entendo

    que serve bem ao país quem recusa empregos para os quais não se julga com habilitações.

    Se o convite lisonjeava a minha vaidade, não podia calar a minha consciência, nem

    emudecer o meu patriotismo”... nem Ministro da Marinha quis ser.

    - Funda-se no Rio de Janeiro o “Clube Republicano”, que editou o jornal “A

    República”, que circulou até 1874.

    Ano de 1871 - 18 de maio – Dr. José da Silva Maia, novamente no Governo; substituído

    em

    - 29 de agosto – pelo Dr. José Pereira da Graça.

    - 28 de setembro – Não só moralmente mas, economicamente, o regime

    escravocrata estava condenado; grande parte dos proprietários compreendiam que não mais

    se justificava a imobilização de capital na compra de escravos; um compatível salário seria

    suficiente para mantê-los no trabalho sem necessidade do grande investimento inicial.

    Nesta data a Princesa Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela

    Gonzaga de Bragança, filha de D. Pedro II, exercendo o governo na ausência do pai,

    sancionou a chamada Lei do Ventre Livre, que declarava libertos todos os filhos de

    escravas, nascidos a partir daquela data.

    - 14 de outubro – Retorna o Dr. Augusto Olímpio Gomes de Castro ao poder.

    62

    - Realiza-se em São Paulo um Congresso Republicano, que desenvolve um

    programa de aliciamento de propaganda republicana, no qual aparecem os nomes de

    Campos Sales, Prudente de Morais, Rangel Pestana, Quintino Bocaiúva, Saldanha Marinho,

    Aristides Lobo, Silva Jardim, Lopes Trovão, Alberto Torres, Nilo Peçanha, Assis Brasil,

    Júlio de Castilhos, Martins Júnior e Cesário Alvim. “A Monarquia, velha herança

    portuguesa, era estranha à nossa índole. A Regência constituiu um regime republicano

    disfarçado que, não fora o golpe da maioridade de D. Pedro II, se teria, pouco depois,

    transformado em República à semelhança de outras nações latino-americanas”, afirma

    Souto Maior.

    - Por iniciativa de uma instituição denominada “Festa Popular do Trabalho” é

    realizada a primeira “Exposição do Maranhão”, na qual, “como não havia invenções de

    máquinas de primeira linha a serem expostas” apresentou, “com o objetivo de expor

    produtos de agricultura, indústria e artes, produtos de mercearia, bordados , esculturas em

    gesso e sementes agrícolas”.

    Ano de 1872 – 29 de abril – Novamente o Dr. José Pereira da Graça está no Governo.

    - 29 de junho – Dr. José Bento da Cunha Figueiredo Júnior substitui-o.

    - 6 de novembro – Outra vez é Governador o Vice-Presidente Dr. José Pereira

    da Graça.

    - Realiza-se a segunda Exposição. Dr. Almeida Oliveira, Presidente da “Festa

    Popular do Trabalho” declara: “É preciso trabalhar sempre porque o trabalho regenera o

    homem.” O “Publicador Maranhense” lamenta “a indiferença dos mais interessados” e

    incentiva “a digna comissão a empregar esforços pois há de por fim ver coroados os seus

    desejos de um resultado tão útil ao País; cheios de patriotismo os membros desta comissão

    não almejam outra recompensa senão a uitilidade geral que possa provir da combinação

    de seus esforços e essa hão de tê-la”. É de notar a inovação, combatida pelo “Publicador”,

    de exigir dos visitantes entrarem no recinto de chapéu na mão!

    Ano de 1873 – 4 de março – Dr. Silvino Elvídio Carneiro da Cunha assume e é seguido

    pelo

    - 4 de outubro – Dr. Augusto Olímpio Gomes de Castro, mais uma vez.

    Ano de 1874 – 18 de abril – Dr. José Francisco de Viveiros, Vice-Presidente, assume a

    direção da Província.

    63

    Ano de 1875 - 22 de fevereiro – Dr. José Pereira da Graça, mais uma vez no Governo; e

    - 14 de junho - Dr. José Francisco de Viveiros, novamente.

    - 23 de junho – Dr. Frederico José Cardoso de Araújo Abranches assume.

    Ano de 1876 – 2 de fevereiro -Frederico de Almeida Albuquerque é o novo Presidente.

    - 7 de dezembro – Eleito Jacinto da Silva Gomes, Barão de Monção. Este

    surpreendia-se de como era fácil governar: bastava tão somente escrever abaixo dos

    despachos, preparados pelo Secretário, - B. de Monção. Ficou-nos a expressão: fulano não

    entende nada do assunto; só põe o B. de Monção!

    -18 de dezembro – Dr. Francisco Maria Corrêa de Sá e Benevide substitui o

    Barão de Monção..

    Ano de 1878 – 28 de março – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Barão de Grajaú, mais uma vez

    toma as rédeas da administração provincial.

    - 17 de maio – Dr. Graciliano Aristides do Prado Pimentel. Presidente.

    - 11 de novembro – Presidentes: Dr. Francisco de Melo Coutinho Vilhena.

    - 21 de novembro José Caetano Vaz Júnior.

    Ano de 1879 – 24 de julho – Dr. Luís Oliveira Lins de Vasconcelos.

    Ano de 1880 – 27 de maio – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Barão de Grajaú.

    - 24 de julho – Dr. Cincinato Pinto da Silva.

    Ano de 1881 – 19 de novembro – Dr. João Paulo Monteiro de Andrade.

    Ano de 1882 – 7 de março – Dr. José Manuel de Freitas.

    - 6 de junho – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Vice-Presidente, mais uma vez.

    64

    Ano de 1883 – 25 de setembro – Dr. João Paulo Monteiro de Andrade, de novo.

    - 2 de março – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Vice, novamente.

    Ano de 1884 – 10 de setembro - Dr. José Leandro de Godoi Vasconcelos, em cujo governo

    foi inaugurado o serviço de Telégrafo Nacional.

    Ano de 1885 - 16 de maio – Outra vez o Vice-Presidente Carlos Fernando Ribeiro.

    - 23 de junho – Dr. Antônio Tibuúrcio Figueira.

    - 14 de setembro – Dr. Cipriano José Veloso Viana, Vice.

    - 28 de setembro – A Princesa Isabel, substituindo o Imperador, sanciona a Lei

    dos Sexagenários, que dá liberdade aos escravos que atingissem a idade de 60 anos.

    Acontece que um escravo, sujeito a jornadas diárias de 15 e mais horas de trabalho, tinha

    em média uma vida produtiva de 10 anos; aos 60 era geralmente incapaz de exercer

    qualquer atividade lucrativa para sua própria manutenção. A lei libertava não o escravo,

    mas o senhor, da responsabilidade de alimentá-lo... Sexagenário, cansado, doente e sofrido,

    só lhe restava o caminho da indigência e da marginalidade.

    - 14 de outubro – Dr. João Capistrano Bandeira de Melo assume o Governo.

    Ano de 1886 – 29 de abril. Dr. José Francisco de Viveiros é Governador pela terceira vez.

    Acusado de exercer vingança política, seu jornal, defendendo-o, disse que ele se limitara a

    dez demissões de adversários apenas, porque seu partido não era a favor da “demissão em

    massa como se pratica na grande nação americana, mas entendemos que, por mais larga

    que seja a tolerância, não pode o governo permitir que o empregado público se torne

    censor injusto de seus atos, arauto da oposição sistemática”, acrescentando que o

    adversário, Dr. Carlos Fernando Ribeiro, havia, em dois dias, assinado 74 demissões!

    - 25 de agosto – Novo Governador: Dr. José Bento de Araújo.

    Ano de 1888 – 18 de abril - Dr. José Mariano da Costa, Vice-Presidente, assume o

    Governo.

    - 28 de abril – Dr. José Moreira Alves da Silva substitui-o.

    - 13 de maio – D. Isabel, no exercício interino do Governo, assina a Lei Áurea,

    de no. 3.355, que continha apenas dois artigos: 1o.) - É declarada extinta a escravidão no

    Brasil; 2o.) - Revogam-se as disposições em contrário.

    65

    No Maranhão, e em todo o Nordeste, o ex-escravos não estavam preparados

    para a liberdade; naturalmente condicionados, pelo exemplo de seus senhores, de que o

    ócio era o maior privilégio da liberdade, não se aventuravam a lançar-se em novos

    empreendimentos, grande maioria deixando-se ficar onde haviam nascido, ou

    perambulando de fazenda para engenho, e vice-versa, mesmo porque o sertão já estava

    ocupado e a cidade oferecia o sonho de uma vida melhor. Toda a vida econômica da

    Província desarticulou-se à falta do braço assalariado. Desde 1846 a escravatura escoava-se

    para as outras províncias, a exportação de escravos um novo ramo de negócio no

    Maranhão; e em 1853, o Presidente Eduardo Olímpio Machado reclamava: “Introduzam-se

    os braços que vão faltando, pela aquisição de colonos estrangeiros; pela civilização das

    tribos de índios selvagens; pelo melhoramento da raça escrava, que bem precisa de leis

    que lhe aperfeiçoem a condição; abram-se novas vias de comunicação e melhorem-se as

    existentes; regularize-se o sistema de imposição, que deve recair com igualdade sobre

    todos os ramos da produção; dê-se maior desenvolvimento à navegação por vapor; e

    procure-se transformar os hábitos ociosos do trabalhador rural, isentando-o do serviço da

    Guarda Nacional e do recrutamento, e dando-lhe datas e terras de 5.000 braças, com

    casas, ferramentas e sementes, e não demoraria muito que se visse a agricultura da

    Província, cuja sorte não considero ainda desesperada, reconquistando a posição que

    perdeu.” Apesar das belas intenções nada foi feito e “a liberdade dos escravos e o advento

    da República, uma desorganizando o trabalho agrícola e outro criando novas obrigações

    para o Estado, determinaram no Maranhão uma tremenda crise econômica, que se

    prolongou por um lapso de tempo de cerca de um quarto de século. (Jerônimo Viveiros)

    Ano de 1889 – 30 de junho – Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Vice, assume pela sétima vez!

    seguindo-se

    - 3 de agosto – Dr. Pedro da Cunha Beltrão.

    - 28 de setembro – Dr. José Jansen Ferreira Júnior, Vice-Presidente.

    - 12 de novembro – Dr. Tito Augusto Pereira de Matos.

    Nessa dança foram 112 Presidentes entre titulares e interinos, em 65 anos de

    Maranhão – Província do Brasil Independente! alguns cujo governo não durava mais de 4

    dias, como sucedeu a Frederico José Corrêa!! “Isso não poderia garantir, é claro, uma

    continuidade administrativa que assegurasse a execução de algo planejado no trato das

    coisas públicas”, comenta Mário Meireles.

    A REPÚBLICA

    66

    - 9 de novembro – Realiza-se na Ilha Fiscal o grande baile com que o Brasil

    homenageava a oficialidade do navio chileno “Almirante Cochrane”, que ficou na crônica

    como o Último baile do Império, significativo da queda da Monarquia.

    - 15 de novembro - Aos arroubos republicanos de que já tratamos juntaram-se

    os descontentamentos dos militares, que culminaram em 1887 com um manifesto redigido

    por Rui Barbosa e assinado pelo Marechal-de-Campo Manuel Deodoro da Fonseca, em

    defesa da honra militar. “A oficialidade mais jovem recebera na Escola Militar influência

    de um professor encarniçadamente republicano, Benjamim Constant Botelho de

    Magalhães”. Ademais, a própria invalidez de Pedro II, doente de diabetes e impaludismo

    (com a ameaça de passar a Coroa à Princesa Isabel e ela vir parar nas mãos do Conde d’Eu,

    estrangeiro) viria reunir os diversos grupos de republicanos históricos: a juventude civil

    exaltada, alimentada pelo Positivismo e pela Maçonaria; os militares jovens e idosos

    descontentes, contando com a prática da convivência com as forças argentinas e uruguaias,

    na Guerra do Paraguai; os antigos monarquistas escravocratas, agastados com a Abolição

    da Escravatura, e algum clero ressentido pela Questão Religiosa.

    Espalhou-se o boato da prisão de Deodoro e Benjamim Constant; aproveitaramse

    os republicanos, e na madrugada de 15 de novembro, levaram à rua a tropa, prenderam o

    Barão de Ladário, Ministro da Marinha. Deodoro da Fonseca vai ao Palácio, onde está

    reunido o Gabinete Ouro Preto e, diante da precipitação dos acontecimentos (das janelas do

    Quartel-General militares dão vivas è República)... proclama a República! “O povo assistiu

    bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava” – diz Aristides Lobo – e

    acrescenta: “O fato foi deles só (dos militares) porque a colaboração do elemento civil foi

    quase nula”. Autores põem mesmo em dúvida as intenções de Deodoro de mudar o regime,

    destacando sua íntima ligação com a família imperial e “muito sintomáticas as referências

    que fez naquele momento de sua amizade que o unia ao Imperador”. D. Pedro, chamado de

    Petrópolis, quando chegou ao paço, a República era fato consumado!

    Se no Rio de Janeiro, teatro dos acontecimentos, assim foi, em São Luís limitouse

    a uma arruaça de alguns ex-escravos, à porta do jornal “O Globo”, de Casemiro Júnior e

    Paula Duarte, mal informados de que o novo regime traria de volta a escravatura.

    - 18 de novembro – No Quartel do Campo de Ourique a tropa aclamou a adesão

    à República enquanto em palácio tomava posse a Junta Provisória composta do Tenente-

    Coronel João Luís Tavares, Presidente; Capitão-Tenente Cândido Floriano da Costa

    Barreto (Capitão dos Portos); Primeiro-Tenente Augusto Frutuoso Monteiro da Silva

    (Comandante da Escola de Aprendizes Marinheiros); Capitão João Lourenço da Silva

    Milanez, Tenente-Coronel Francisco Xavier de Carvalho, Dr. José Francisco de Viveiros e

    Dr. Francisco de Paula Belfort Duarte.

    - 19 de novembro – É criada a Bandeira da República: conservava-se o

    retângulo verde e o losango amarelo do antigo pavilhão, substituindo o escudo imperial por

    uma esfera azul constelada atravessada por uma faixa branca com o lema Ordem e

    Progresso.

    - 22 de novembro – Estudantes do Liceu fazem passeatas num regozijo tardio.

    - 30 de novembro – O poeta Sousândrade promove um desfile alegórico.

    67

    É interessante notar que no Maranhão o governo continuou em poder do Partido

    Conservador, agora transmudado em “republicano” com o nome de “Partido Federalista”.

    Era a antiga burguesia escravocrata ressentida com o trono, nem tanto pela alforria dos

    escravos, que lhe tirava os braços das lavouras e engenhos, mas com a perspectiva que se

    esboçava de não receber a indenização pretendida pela perda deles. Acima de toda a

    lealdade ao Imperador sobrepunha-se o interesse particular, daí a manifesta indiferença dos

    Conservadores à derrocada do Império. Tão falaz era o “republicanismo” da Junta (na qual

    um membro apenas era Republicano – Paula Duarte (e que “entre a espada a ignorância

    limitara-se a salvar a gramática na redação dos atos oficiais”, conforme suas próprias

    palavras)) a qual, para mostrar serviço passou a decretar prisões e perseguir adversários,

    ameaçados até de fuzilamento. Além disso criou muitos empregos que preencheu com

    gente que se incompatibilizara com a lei, com a moral e com a sociedade”. Ressalte-se

    neste passo que José Francisco de Viveiros e João Lourenço Milanez recusaram-se a

    receber os desproporcionados proventos que a Junta, pressurosamente, votou a cada um de

    seus membros. “Começava mal a República para nós”, comenta Meireles.

    - 17 de dezembro – Toma posse o Dr. Pedro Augusto Tavares Júnior, primeiro

    Presidente Republicano (provisório) que, no dia seguinte, tornou nulos todos os atos da

    Junta (decreto no. 1), mandando regressar aos seus postos os funcionários demitidos

    injustamente, perdendo com isto a simpatia do Coronel João Luís Tavares, praticamente o

    representante de Deodoro entre nós, e, conseqüentemente, o apoio da tropa.

    - 21 de dezembro – O Decreto no. 6 institui a Bandeira do Maranhão, criada por

    Souzândrade, conforme o modelo oficial feito pelo desenhista Antônio Frazão Cantanhede,

    constando de três listas horizontais vermelhas, simbolizando os índios; quatro brancas, os

    europeus; duas pretas, os africanos, que, na proporção do poeta, compuseram a raça

    brasileira; e uma estrela de cinco pontas representando o Estado, sobre o quadrado azul da

    Federação.

    - 23 de dezembro – Decreto do Governador declarou a liberdade de cultos,

    suspendeu quaisquer pagamentos às instituições religiosas e dispensou capelães e

    confessores servindo a órgãos públicos, o que foi desaprovado pelo Governo Central,

    temeroso do grande poder da Igreja. Reprovou-lhe o ato o Ministério e Deodoro, ordenando

    sua revogação, considerou-o “medida extemporânea e inconveniente”. O próprio Coronel

    João Luís teve o prazer de anunciar pelos jornais que, cumprindo determinação do

    Presidente da República, tornava nulo o ato do Governador, visto ele recusar-se a cumprir o

    ordenado.

    Nesses primeiros tempos de Regime Republicano existiam no Maranhão quatro

    agremiações políticas: o “Clube Republicano”, sem expressão eleitoral, mas contando em

    suas hostes com Paula Duarte e Casemiro Dias Vieira (este duas vezes deputado pelo

    Partido Conservador!); o “Partido Liberal”, chefiado pelo Dr. Manuel Bernardino da Costa

    Rodrigues; a “Facção Conservadora Maista”, dirigida pelo Dr. José da Silva Maia; outra

    Ala do Partido Conservador”, que obedecia ao Dr. Augusto Olímpio Gomes de Castro, e

    que, muito embora fosse o que mais se afastava dos ideais republicanos, era o mais

    credenciado junto ao Governo Provisório Central, afirma Viveiros. (Entenda-se tal

    68

    paradoxo!) e acrescenta: “O Conservador Castrista passou a ser o “Nacional”; o

    Conservador Maísta, o “Constitucional”; e o Liberal, o “Republicano”. Viriam depois o

    “Partido Católico” e a fusão do “Nacional”, com “Católico” e com “Constitucional”, no

    Federalista”.

    Ano de 1890 – 3 de janeiro – Pedro Augusto Tavares Júnior, fazendo ver a Deodoro que

    não era essa a República que sonhara, pediu demissão e passou o Governo ao Chefe de

    Polícia Eleutério Frazão Muniz Varela, e, de volta do Rio de Janeiro, deu uma entrevista

    que lhe valeu a prisão.

    - 22 de janeiro – Assume o também provisório Governador Dr. José Tomaz da

    Porciúncula, que criou o Conselho de Intendência e contratou com o Banco Nacional do

    Brasil nosso primeiro empréstimo de 300 contos de réis. Veio com a recomendação de

    apoiar Gomes de Castro (a quem deu logo uma das três Vice-Governadorias criadas) para

    conquistar a simpatia do antigo Partido Conservador. Criou uma Escola Normal, cuja

    primeira turma formada foi de 5 professoras.

    - 24 de fevereiro – A Assembléia Nacional Constituinte promulga a primeira

    Constituição do Brasil Republicano e confirma como Presidente, Deodoro e Vice-

    Presidente, Floriano.

    - 5 de julho – Demitindo-se Porciúncula, toma conta do Governo o Vice

    (também provisório) Dr. Augusto Olímpio Gomes de Castro, passando-o, em

    - 25 de julho – ao novo dirigente nomeado pelo Governo Central, Capitão-

    Tenente Manuel Inácio Belfort Vieira. É oportuno que se diga haver o Governo Central

    resolvido dividir o País em zonas de influência, ganhando o Maranhão o Ministro da

    Marinha Almirante Wandenkolk, que mandou para cá seu subordinado Belfort Vieira.

    - 28 de dezembro – O Vice-Governador provisório, Dr. José Viana Vaz,

    substitui Belfort Vieira, eleito deputado pelo Amazonas.

    Ano de 1891 – 4 de março – Segue-se a Viana Vaz o Dr. Tarquínio Brasileiro Lopes,

    também provisório.

    - 14 de março – Nomeado pelo Governo Central, assume o Dr. Lourenço

    Augusto de Sá e Albuquerque, indicado por José Mariano, chefe da situação pernambucana

    e figura de prol no novo Governo da República e que liderava o projeto de um Bloco do

    Norte. Manuel Bernardino da Costa Rodrigues, chefe do Partido Republicano, afastado do

    poder pela preferência dada aos ex-Conservadores, foi o elemento de ligação de Mariano no

    Estado, ganhando em recompensa as Vice-Governadorias.

    Para o Maranhão, pois, a República se iniciava com a mesma instabilidade

    governamental com que sempre lutara na Monarquia”, observa Mário Meireles.

    69

    - 4 de julho – O Congresso Constituinte, formado pela Câmara (20 membros) e

    o Senado (15) e com Manuel Bernardino da Costa Rodrigues, Presidente; Isaac Martins

    Reis, 1o. Secretário; e José Ribeiro da Cruz Filho, 2o. Secretário, criou os cargos de

    Governador, 1o., 2o., e 3o. Vice-Governadores, para os quais elegeu Lourenço de Sá

    (reconduzido); Carlos Emílio de Andrade Peixoto (cunhado de Gomes de Castro); Agripino

    Azevedo; e Salustiano Ferreira de Morais Rego, respectivamente.

    - 7 de setembro – Licenciando-se por motivo de saúde Lourenço de Sá, assumiu

    o governo Dr. Carlos Emílio de Andrade Peixoto, Vice-Presidente.

    - 3 de novembro – Deodoro da Fonseca dissolve o Congresso Nacional.

    - 23 de novembro – Renûncia de Deodoro e assunção de Floriano Peixoto.

    - 25 de novembro – O Coronel Comandante do 5o. Batalhão, Coronel Joaquim

    Manuel de Medeiros, depôs o Governador em exercício, Carlos Peixoto, e organizou sob

    sua Presidência uma Junta Governativa, com o Capitão-Tenente Óton de Carvalho Bulhão e

    os Drs. Benedito Pereira Leite, Raimundo Joaquim Ewerton Maia e Francisco Cunha

    Machado.

    - 27 de novembro – Em virtude de expediente chegado do Rio de Janeiro,

    Medeiros considerou precipitado seu gesto e tratou da recondução de Carlos Peixoto ao

    Governo.

    - 29 de novembro – Regressando às pressas de Pernambuco, reassume Lourenço

    de Sá.

    - Chega a São Luís o Tenente Manuel Joaquim Machado, emissário de Deodoro,

    que não consegue convencer o Governador a renunciar, pois, ao contrário, havia este

    convocado os destacamentos policiais do interior, abrira o voluntariado para a Força Militar

    do Estado, disposto a resistir. O 5o batalhão de Infantaria é posto de prontidão. A situação

    se agrava. Afinal, por interferência de amigos, no dia

    - 18 de dezembro - passou o Governo ao 2o. Vice, Dr. Agripino Azevedo,

    também este forçado a deixar o poder. É constituída nova Junta Provisória, composta por

    Francisco da Cunha Machado, Presidente (Partido Constitucional), Raimundo Joaquim

    Ewerton Maia (Católico) e Benedito Pereira Leite (Constitucional), que declarou nula a

    Constituição de 4 de julho. Assinale-se que estes três partidos se fundiriam no “Partido

    Federalista”, passando Benedito Leite a ser o dono da política do Maranhão.

    Ano de 1892 – 8 de janeiro – O Capitão-Tenente Manuel Inácio Belfort Vieira faz-se

    aclamar Governador pela nova Constituinte convocada, em vista da anulação da primeira

    Constituição.

    - 28 de julho – É promulgada a segunda Constituição, que estabeleceu a

    condição sine qua non para ser Governador o ter nascido no Maranhão. Belfort Vieira,

    70

    confirmado no cargo, tratou de organizar os municípios e a Força Policial, instituiu o

    imposto do selo e a taxa de expediente. São eleitos Vice-Governadores Casemiro Dias

    Vieira Júnior, Alfredo da Cunha Martins e Luís Antônio de Oliveira Júnior.

    - 30 de junho – Assume interinamente o 2o. Vice, Dr. Alfredo da Cunha

    Martins, que instituiu um Conselho Superior de Instrução Pública, criou um Fundo Escolar

    e equiparou o currículo do Liceu ao do Ginásio Nacional.

    Ano de 1893 - 3 de março – Revolta da Polícia, que depôs o Governador, aclamando o

    Coronel Francisco Joaquim de Souza. Interveio a Força Federal e Cunha Martins foi

    reempossado.

    – 27 de outubro - Dr. Casemiro Dias Vieira Júnior, ocupa, também

    interinamente, o governo, por motivo de doença de Cunha Martins.

    Ano de 1895 – 2 de fevereiro – Assume o Comandante Manuel Inácio Belfort Vieira, para

    novo período e em

    - 13 de agosto - devolve o cargo a Casemiro Dias Vieira Júnior.

    - 16 de dezembro – Retorna Manoel Inácio Belfort Vieira ao Governo.

    - O Parque Industrial Maranhense apresentava-se com “17 fábricas pertencentes

    a sociedades anônimas e 10 eram particulares, sendo 10 de fiação de tecidos de algodão, 1

    de fiar algodão, 1 de tecidos de cânhamo, 1 de tecidos de lã, 1 de malha, 1 de fósforos, 1 de

    chumbo e pregos, 1 de calçados, 1 de produtos cerâmicos, 4 de pilar arroz, 2 de pilar arroz e

    fazer sabão, 1 de sabão e 2 de açúcar e aguardente”. (Viveiros). Grande parte do operariado

    das fábricas era do sexo feminino e os empregadores incentivavam os operários a residir o

    mais próximo do local de trabalho, dando origem aos primeiros bairros proletários de São

    Luís, como Anil, Madre-de-Deus e Camboa.

    Ano de 1896 – 16 de abril - Reassume o Dr. Alfredo da Cunha Martins.

    - 29 de abril – Mais uma vez, o Tenente Manoel Inácio Belfort Vieira senta-se

    da cadeira governamental.

    Ano de 1897 – 26 de março - Alfredo da Cunha Martins, de novo! para criar uma

    Inspetoria de Higiene e uma Escola Modelo anexa à Escola Normal.

    Ano de 1898 – 1o. de março – Dr. Sebastião José Magalhães Braga é o Governador.

    71

    - 11 de agosto – Dr. João Gualberto Torreão da Costa – “Foi, de fato, o terceiro

    Governador Constitucional do Maranhão nesta fase; de direito, o quarto. É que, procedidas

    as eleições para o segundo quadriênio, a escolha recaiu em Urbano Santos que, entretanto,

    depois de reconhecido, renunciou e entregou o cargo ao 1o. Vice-Governador José de

    Magalhães Braga.” (Mário M. Meireles). Segundo Artur Moreira, João Gualberto limitouse

    a obedecer, sem discrepância, à orientação, quer política, quer administrativa que lhe

    dava Benedito Leite”, cujo “domínio absoluto na administração e na política do Estado

    estendeu-se por quinze anos, de 1893 a 1908, período que se deve entender por seu

    governo”. (Jerônimo Viveiros).

    - Deve-se assinalar que no Governo de João Costa houve a “Guerra do Leda”,

    em Grajaú - conflito entre Jeferson Nunes (governista) e Leão Leda (oposicionista) e que

    exigiu a presença da Polícia e do Exército.

    Assim, com o Governo deste João Costa que, significativamente, tinha o apelido

    de “João Banana”, encerramos o século 19, repetindo com Mário Meireles:

    Conseqüentemente, teremos que concluir que o pouco que fez João Costa, foi Benedito

    Leite quem o fez.

    - Além dos já citados, recebeu o Maranhão as visitas de Johann Emanuel Pohl

    (1811), Príncipe Alberto da Prússia (1843) Auguste François Biard (1858), e Elizabeth e

    Louis Agassiz (1865), cujas narrativas muito pouco acrescentaram ao registrado pelos

    demais.

    E para arrematar digamos que, entre 1889 e 1900, em uma década, tivemos nada

    menos do que 4 Presidentes Efetivos (contando-se o renunciante Urbano Santos), 3 Juntas

    Provisórias e 17 Interinidades!!

     


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  • Jose de Ribamar "Eu tenho muita saudade desta ilha magnética ... "
  • Davi Ribeiro "Um dia ainda volto para ai ..."
  • Aroldo  "Muito bom este site sobre o maranhão, é bastante completo ..."

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