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    Arte e Cultura

    2.00 - Escritores e Poetas

    José de Sousa Montello nasceu em São Luís, a 21 de agosto de 1917. Romancista, poeta, teatrólogo, ensaísta, polígrafo enfim, de invejáveis recursos e larga erudição, é sem dúvida, dentre os de sua geração na família intelectual maranhense, o que há alcançado maior renome. Foi Inspetor do Ensino Comercial, Técnico de Educação, Diretor dos Cursos da Biblioteca Nacional, Secretário Geral do Estado do Maranhão, Diretor Geral da Biblioteca Nacional e subchefe da Casa Civil do Presidente da República; regeu, na Universidade de San Marcos ( Lima, Peru ), de que foi feito professor "honoris causa ", a cátedra de estudos brasileiros, é membro do Instituto de Estudo Brasileiro de Lisboa e do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, e sócio efetivo das Academias Brasileiras de Letras ( cadeira n.29 , de Martins Pena ) e Maranhense de Letras ( Cadeira n.31 de Raimundo Lopes ). As numerosas bibliografia de J.M inclui - a par de ensaios literários, peças teatrais, Literatura Infantil, obras de pedagogia e biblioteconomia, e estudos históricos - coletâneas de contos, novelas e romances. Nestes, demonstra ele seu apego aos esquemas tradicionais da arte de narrar não apenas pela linguagem direta, nítida, fluente, como sobretudo pela preeminência dada à tessitura do enredo, à caracterização psicológica das personagens ( amiúde em termos de análise psicanalítica ) e à descrição dos costumes sociais de São Luís do MA, onde se ambienta a ação de tais romances.

    Paulo Melo de Souza, nasceu em São Luís, a 6 de maio de 1960. Graduado em Desenho Industrial e Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) pela Universidade Federal do Maranhão, de cujo Curso de Comunicação Social é, atualmente, professor.

    Um dos criadores do grupo Poeme-se, de marcante atuação como promotor de recitais, leituras de poesia, debates literários, além de haver montado, na Praia Grande, sebo e locadora de livros que tem prestado assinalados serviços à difusão cultural.

    Paulo Melo Souza publicou diversos poemas em revistas de São Luís e Brasília. Enfeixou parte de sua produção poética no livro Oráculo de Lúcifer.

    Parto
    a poesia dispensa guarda-costas
    ela é medula
    habita a flora da linguagem
    constrói sua febre
    das cinzas do céu e do inferno
    fênix da palavra
    basta a si mesma para explicar sua g6enese.
    (Oráculo de Lúcifer).


    Lucy de Jesus Teixeira, nasceu em Caxias-MA, a 11 de julho de 1922. Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, teve, durante seus estudos na capital mineira, relevante atuação literária, que continuaria quando a São Luís, participando de movimentos literários e mantendo constante colaboração literária na imprensa, sob pseudônimo de Maria Karla.

    Funcionária do Ministério das Relações Exteriores, serviu, por muitos anos, em representações diplomáticas do Brasil na Bélgica, Espanha e Itália.

    Aposentada (1990), reside atualmente em Limeira-SP e visita periodicamente São Luís e cidades do interior maranhense. Parte de sua produção poética reunida nos livros Elegia fundamental (1962) e Primeiro palimpesto (1978).

    TAPEÇARIA
    Lucy Teixeira

    Os assírios do dia
    brincam com tua cabeça
    pelas escadarias rútilas da manhã.
    Assim começa a ruína. Tempo
    com seus pavões espectrais
    passeia no Jardim soleníssimo. Os olhos
    das aves vigiam. Para onde fugir?
    A memória é uma velha bêbada e suja vomitando a acidez de antigas manhãs.
    Os assírios vão à caça
    abrindo veredas no teu corpo
    onde tudo se assusta procurando abrigo.
    Tua pele é o servo imbele
    do alto da rocha
    precipitado no golfo mais sombrio.

    Brilham ao sol das trompas de caça.
    Alegra-se porque estás ferido.
    A glória de ser presa existe.

    O festim, o festim. A noite
    é uma varanda a oscilar com estrelas.
    Os assírios, cansados,
    jogam tua cabeça para o alto,
    uma, duas, três vezes. E desmaiam.

    José Francisco das Chagas, nasceu em Piancó-PB, a 29 de outubro de 1924, achando-se radicado no Maranhão desde 1948. Jornalista, cronista e poeta, pertence à Academia Maranhense de Letras.

    Além de livros de prosa, publicou os seguintes, de poesia: Canção da expectativa (1955), O discurso da ponte (1958), O caso da ponte São Francisco (1964), Os telhados (1965), Maré / memória (1973), Lavoura azul (1974), Colégio do vento (1974), Maré de moça (1977), Pão e água (1978), Os canhões do silêncio (1979), todos reeditados em Poesia reunida (1980),e ainda: De lavrae de palavra ou campoemas (1980), Maré de aço (onda de alumínio), ou o naufrágio da Ilha (1983), A cor do puro (1983), Cem anos de infância ou o poeta e o rio (1985), Águas de silêncio (1987), A arcada do tempo (1988), Antropoema ou o signo da humana dor (1988), Alcântara; negociação do azul ou a castração dos anjos (1994) e Tabuada de memória (1994).

    A ROSA
    José Chagas

    Desço a colher rosa. Não a rosa
    desnecessária que colheis. Mas uma
    que não vos queima o olhar nem nos vos perfuma
    e que por isso a achais vazia e odiosa.

    Coelho a rosa nascida em misteriosa
    planta a vos ofereço, porque, em suma,
    na manhã clara, não, mas nesta bruma
    só a rosa ofertada é a que se goza.
    Cuidais que a rosa do jardim é pura?
    Não é. Nunca será. Já foi talvez.
    (E a rosa é a terra que se transfigura)

    Eu colho a intacta rosa dos caminhos, a rosa eterna em si, que não se fez
    de efêmeros aromas nem de espinhos.
    ( do livro Canção da expectativa)

     

    Bandeira Tribuzi, nome literário de José Tribuzi Pinheiro Gomes, nasceu em São Luís, a 2 de fevereiro de 1927, e faleceu na mesma cidade, a 8 de setembro de 1977. Professor, economista. Jornalista, ensaísta, poeta. Após estudos superiores na Universidade de Coimbra, retornou a São Luís, em 1945. Seus livros Alguma existência (1948), Rosa da esperança (1950), Safra (1961), Sonetos (1962), Pele e osso (1970) e Breve memorial do longo tempo (1977) foram, acrescido de poemas inéditos, reunidos no Livro Poesias completas (1979), do qual apareceu uma reedição em 1986, sob o título Poesia reunida.

    PROPOSTA
    Dai-me uma pequena
    semente de sonho
    e vereis a Pátria
    que dele componho

    Levarei seus campos
    com suor de cantigas,
    regarei de lágrimas
    rosas e espigas:
    brotarão pomares
    do amargo caminho
    e se farão rosas
    no anterior espinho;
    brotarão pomares
    do amargo caminho
    e se farão rosas
    no anterior espinho

    barcos de quimeras
    no mar feito amigo
    colherão as safras
    do oceano antigo

    hão de florescer
    usinas de Amor
    nos olhos, nas mãos
    da ternura em flor;

    uma infra-estrutura
    de humana verdade
    penderá seus frutos
    para a liberdade,

    recônditas minas
    de el-rei Salomão
    hão de dar aço
    d doce paixão,

    solo e subsolo
    de um humano ser
    serão a antepátria
    por amanhecer.

    Dai-me uma pequena
    semente a sonhar:
    crio-vos serena
    Nação exemplar

    pois ao Homem basta
    um sol como história
    para que floresça
    seu pão de vitória!
    (do livro pele e osso)

    Joaquim de Sousa Andrade, que por iniciativa própria, aglutinou seu nome literário para Sousândrade, nasceu na fazenda Nossa Senhora da Vitória, então município de Guimarães-Ma, a 9 de julho de 1832, e faleceu em São Luís, a 21 de abril de 1902. De família abastada, cedo perdeu os pais. Após os estudos preparatórios em São Luís, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou seus estudos de Medicina, logo abandonados. Viajou, em seguida para a França, matriculando-se na Sorbonne, para estudar Letras e Engenharia de Minas. Esteve em outros países europeus, voltou ao Maranhão, visitou o Amazonas e morou por mais de dez anos nos Estados Unidos, acompanhando a educação de sua filha Maria Bárbara. Depois de muito viajar, regressou definitivamente a São Luís, em 1885, de onde raramente saiu, em curtas temporadas.

    Republicano histórico e abolicionista, Sousândrade foi o primeiro prefeito de São Luís, após a Proclamação da República. É idealizador da Bandeira do Maranhão.

    Poeta de grande força expressional, escreveu uma obra inovadora e personalíssima, sendo considerado um precursor da moderna poesia brasileira.

    Autor de um poema épico pan-americano, O Guesa, em que trabalhou durante toda a vida, publicou, também, Harpas selvagens (1857), Novo éden (1893) e diversos volumes com poesias diversas e cantos de O Guesa, sua obra maior. Os livros Harpa de ouro e Liras perdidas, deixados inéditos, foram publicados em 1970.

    Harpa XXXII

    Dos rubros flancos de redondo oceano
    Com suas asas de luz prendendo a terra
    O sol eu vi nascer, jovem formoso
    Desordenando pelos ombros de ouro
    A perfumada luminosa coma,
    Nas faces de um calor que amor acende
    Sorriso de coral deixava errante.
    Em torno de mim não tragas os teus raios,
    Suspende, sol de fogo! Tu, que outrora
    Em cândidas canções eu te saudava
    Nesta hora d'esperança, ergue-te e passa
    Sem ouvir minha lira. Quando infante
    Nos pés do laranjal adormecido,
    Orvalhado das flores que choviam
    Cheirosos dentre o ramo e a bela fruta,
    Na terra de meus pais eu despertava,
    Minhas irmãs sorrindo, e o canto e aromas,
    E o sussurrar da rúbida mangueira -
    Eram teus raios que primeiro vinham
    Roçar-me as cordas do alaúde brando
    Nos meus joelhos tímidos vagindo.
    ( Harpas Selvagens/1857)

    Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823, no interior de Caxias-Ma, e faleceu a 3 de novembro de 1864, já na costa maranhense, no naufrágio do Ville de Boulogne, navio em que viajava da França, com destino ao Maranhão

    Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, Gonçalves Dias retornou de Portugal em 1845, vindo para São Luís e daqui para Caxias. No ano seguinte viajou para o Rio de Janeiro, onde deu início à carreira literária que logo o elevaria ao reconhecimento de maior poeta brasileiro de seu tempo.

    Além da obra de ciência que o consagrou como importante etnógrafo, ao lado do Dicionário da língua tupi, da memória Brasil e Oceania, dos dramas, Beatriz Cenci, Leonor de Mendonça e Boabdil, Gonçalves Dias produziu uma das mais importantes obras da poesia brasileira, enfeixada no volume Cantos (1857 ), que reúne os livros Primeiros cantos ( 1846 ), Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão ( 1848 ) e Últimos cantos (1851). Ficou incompleto o poema americano Os Timbiras, que seria composto de 16 cantos, dos quais foram publicados os quatro primeiros, em 1857.

    CANÇÃO DO EXÍLIO

    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o sabiá;
    As aves que aqui gorjeiam,
    Não gorjeiam como lá.

    Nosso céu tem mais estrelas,
    Nossas várzeas têm mais flores,
    Nossos bosques têm mais vida,
    Nossa vida mais amores.

    Em cismar, sozinho, à noite,
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o sabiá;

    Minha terra tem primores,
    Que tais não encontro eu cá;
    Em cismar - sozinho, à noite -
    Mais prazer encontro eu lá;
    Minha terra tem palmeiras,
    Onde canta o sabiá.

    Não permita Deus que eu morra,
    Sem que eu volte para lá;
    Sem que desfrute os primores
    Que não encontro por cá;
    Sem qu'inda aviste as palmeiras
    Onde canta o sabiá.

    Coimbra - julho de 1841.

    O CANTO DO PIAGA

    Ó Guerreiros da Taba sagrada
    Ó Guerreiros da Tribo Tupi,
    Falam Deuses nos cantos do Piaga,
    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.

    Esta noite - era a lua já morta -
    Anhangá me vedava sonhar;
    Eis na horrível caverna, que habito,
    Rouca voz começou-me a chamar.

    Abro os olhos, inquieto, medroso,
    Manitôs! Que prodígios que vi!
    Arde o pau de resina fumosa,
    Não fui eu, que o acendi!

    Eis rebenta a meus pés um fantasma,
    Um fantasma d'imensa extensão;
    Liso crânio repousa a meu lado,
    Feia cobra se enrosca no chão.

    O meu sangue gelou-se nas veias,
    Todo inteiro - ossos, carnes - tremi,
    Frio horror me coou pelos membros,
    Frio vento no rosto senti.

    Era feio, medonho, tremendo,
    Ó Guerreiros, o espectro que eu vi.
    Falam deuses nos cantos do Piaga,
    Ó Guerreiros, meus cantos ouvi!

    José Américo Olímpio Augusto Cavalcante dos Albuquerques Maranhão Sobrinho nasceu em Barra do Corda - MA, a 30 de dezembro de 1879, e faleceu em Manaus, a 25 de Dezembro de 1915. Membro fundador da Academia Maranhense de Letras, tornou-se, depois, patrono de sua Cadeira n.º 21.

    Um dos mais importantes simbolistas brasileiros, deixou vasta produção esparsa em jornais de São Luís, Belém e Manaus. Publicou os livros de versos Papéis velhos (1908), Estatuetas (1909) e Vitórias régias (1911).

    INTERLUNAR
    Maranhão Sobrinho

    Entre nuvens cruéis de púrpura e gerânio,
    rubro como, de sangue, um hoplita messênio
    o Sol, vencido, desce o planalto de urânio
    do ocaso, na mudez de recolhido essênio...

    Veloz como um corcel, voando num mito hircânio,
    tremente, esvai-se a luz no leve oxigênio
    da tarde, que me evoca os olhos de Estefânio
    Mallarmé, sob o unção da tristeza e do gênio!

    O ônix das sombras cresce ao trágico declínio
    do dia em que, a lembrar piratas do mar Jônio,
    põe, no ocaso, clarões vermelhos de assassínio...

    Vem a noite, e, lembrando os Montes do Infortúnio,
    vara o estranho solar da morte e do demônio
    com as torres medievais as sombras do Interlúnio...
    (Do livro Papéis velhos)

    Francisco de Assis Garrido nasceu em São Luís, a 14 de setembro de 1899, e faleceu na mesma cidade, a 1º de dezembro de 1969. Pertencia à Academia Maranhense de Letras, onde ocupava a Cadeira n.º 4. Publicou entre outros, os livros Sol glorioso (1922), O meu livro de mágoa e de ternura (1923), O livro da minha loucura (1923), A divina mentira (1944) e Crepúsculo (1969).

    Vênus

    Deusa, a teus pés a flor das minhas crenças, ponho !
    Mulher, eu te procuro, eu te amo, eu te desejo !
    Para a tua nudez, - a gaze do meu Sonho,
    Para a tua volúpia, o fogo do meu beijo.

    Divina humana, impura e casta, o olhar tristonho,
    Cabelos soltos, corpo nu, como eu te vejo,
    Dás-me todo o calor dos versos que componho
    E enches-me de alegria a vida que pelejo.

    Glória a ti, que, do Amor, cantaste, aos evos, o hino,
    Que surgiste do mar, branca leve, radiante,
    Para a herança pagã do meu sangue latino!

    Glória a ti, que ficaste, à alma dos homens, presa,
    Para a celebração rubra da carne estuante
    E a régia orquestração da Forma e Beleza!
    (In Antologia da Academia Maranhense de Letras / 1958)

    Odylo Costa Filho nasceu em São Luís, a 14 de dezembro de 1914, e faleceu no Rio de Janeiro, a 19 de Agosto de 1979. Ensaísta, novelista, jornalista e poeta. Foi, em seu tempo, uma das mais expressivas figuras da imprensa brasileira. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

    Autor da consagrada novela (1965), publicou estes livros de poema: Tempo de Lisboa e outros poemas (1967), Cantiga Incompleta (1971), Notícias de amor (1974) e Boca da noite (1979).

    O sobrado

    O sobrado vazio que me espera
    tem paredes eternas como a chama
    que da praça exterior se transverbera,
    e no fundo das almas se derrama..

    Mas saberei fazê-lo benfazejo
    e de mãos estendidas para o mundo.
    A seus painéis contidos de azulejos
    andorinhas virão do céu profundo
    .
    Terei meu coração neste sobrado,
    nosso amor andará nesse arruado
    e há de deitar-se em meio ao capim alto

    que dorme nas barreiras de basalto,
    e pelas praias, na meiguice quente
    das águas, descansar perdidamente.
    (Notícias de Amor/1977)


    Manoel Caetano Bandeira de Mello, maranhense de Caxias, onde nasceu a 30 de julho de 1916, reside no Rio de Janeiro. Jornalista, professor, tradutor e poeta, pertence à Academia Maranhense de Letras.
    Autor de diversos livros em prosa, tem publicados estes, de poesia: A viagem humana (1960), O mergulhador (1963), Canções da morte e do amor (1968), Da humana promessa (1976), Uma canção à beira-mar (1977), Durante o canto (1978), A estrada das estrelas (1981), Da constante canção (1983), e Outono estação do amor.
    Dos 15 sonetos de O mergulhador, este soneto que deu título ao volume:

    O mergulhador
    Manoel Caetano Bandeira de Mello.

    Sobre ti te susténs e sobre o arame
    em distância que imagens emudece
    O mar, o imenso apelo que te chame
    não apaga o corpo que desaparece

    Porque ressurge úmido e o reclame
    o oceano do ar onde se tece
    a nova trama para o olhar que ame
    o salto que em si mesmo permanece

    Embebido nos próprios movimentos
    a dançar sobre as linhas paralelas
    formadas pelos fictícios traços

    passam as vagas levadas pelos ventos
    mas fica sobre a cinza de outras telas
    o corte do teu corpo nos espaços.

    Roberto Kenard Fernandes Rios nasceu em São Luís, a 18 de outubro de 1958. Jornalista, é autor de penetrantes textos ensaísticos publicados na imprensa. Distinguido com diversos prêmios conferidos por concurso literários promovidos em São Luís e em outras capitais brasileiras.
    Além de figurar em antologias poéticas, publicou os livros de poemas No meio da vida, Do lado esquerdo do corpo e O camaleão no espelho.

    Câmera indiscreta
    O poeta lírico - barbado
    babuja
    no bar
    seus poemas

    boa tarde
    elegante bardo
    cuidado com o vento
    suas folhas íntimas
    não resistem ao menor sopro

    o coração sobre a mesa
    breve o garçom virá removê-lo

    um barco atraca no cais

    lugar de coração é no peito
    teimoso bardo
    curió exposto aos turistas

    a mulher burguesa
    batom e ruge
    ergue o braço
    garça o garçom passa

    o poeta velho brada:
    liturgia do inútil

    tudo desaba
    asa do vento navalhada
    na tarde provinciana
    e cinza.
    ( O camaleão no espelho/1990)

    Bernardo Coelho de Almeida nasceu em São Bernardo-MA, a 13 de junho de 1927, e faleceu em São Paulo, a 4 de agosto de 1996. Foi sepultado em sua cidade natal. Pertenceu à Academia Maranhense de Letras. Jornalista, orador, romancista e poeta. Autor dos romances A última promessa (1968) e O Bequimão (1973), reuniu parte de suas numerosas crônicas no livro Galeria (1961).
    Publicou, ainda, Éramos felizes e não sabíamos (1989) e os livros de poemas Luz! Mais luz!...(1954) e A gênese do azul (1955).

    Soneto do reencontro

    A ausência que há em mim se transfigura
    em mãos e em olhos súbitos no poço,
    onde venho saciar, mais com ternura
    a sede do cismar outrora moço.

    No fundo espelho a virgem prematura
    desnuda-se e reveste-se em colosso;
    e ao eco milenar que me tortura,
    responde cada voz que já não ouço.
    Oculta face pousa em minha face.
    Não sei de onde ela vem, de que distância:
    - se das raízes líquidas da pedra

    ou se de mim, se do silêncio medra,
    como a canção com que ressuscitasse
    os sepultados ídolos da infância.
    ( Do livro A gênese do azul )

    José Carlos Lago Burnett nasceu em São Luís, a 15 de agosto de 1929, e faleceu no Rio de Janeiro, a 2 de janeiro de 1995. Jornalista de grandes e admiráveis recursos, exerceu, praticamente, todas as funções de sua profissão, em que se fez mestre, escrevendo livros que se tornaram clássicos em seu gênero, além de proferir, a convite de cursos de Comunicação Social, palestras que eram verdadeiras aulas magnas sobre como escrever na imprensa.
    A par de numerosa bibliografia em prosa, na qual se destacam dois livros de crônicas, publicou os livros de poesia Estrela do céu perdido (1949), O ballet das palavras (1951), Os elementos do mito (1953) e O amor e seus derivados (1984).

    Adeus
    Lago Burnett

    Quando partiste, qualquer cousa havia
    de estranho em mim... não sei que força aquela
    à minha alma corria paralela
    e os meus olhos de pranto, umedecia.

    Toda a rua chorou naquele dia:
    - as árvores, as pedras, a janela...
    o poste, ao canto, como negra vela,
    se derreteu em luz só de agonia...

    Tinhas calmo o semblante. Vi, no entanto,
    que bem no fundo de tua alma uma asa
    de dor revoava sobre um mar de pranto...

    Quando sumiste, à esquina da saudade,
    a rua toda, como a tua casa,
    fechou as portas à felicidade...

    ( Do livro Estrela do céu perdido )

    Manuel de Jesus Lopes nasceu em Dom Pedro -MA., a 2 de outubro de 1929. Bacharel em Letras Clássicas pela Universidade Federal do Maranhão. Professor, Jornalista, técnico em desenvolvimento, função que exerceu na SUDENE, até aposentar-se. Membro da Academia Maranhense de Letras.
    Além de trabalhos técnicos, Manuel Lopes é autor destes livros de poesia, com alguns dos quais conquistou prêmios literários: Voz no silêncio (1953), Poemas de agosto (1955), Um homem à beira do rio (1961), Campo-ilha-urbs ou canto puro, com muito amor, para São Luís do Maranhão (1977) e Canção itinerária (1989).

    Canção itinerária

    era curto o caminho e ias depressa,
    como se longo fosse, e não sabias.
    Eu te surpreendi constante nessa
    viagem sobre o amargo dos teus dias.

    Teu olhar era forte, a mão espessa.
    Não sei da tua dor porque sorrias
    e te vi de esperanças e promessas
    cobrir a estrada em que, sorrindo, ias.

    Ah! O tempo mais ágil na corrida
    quão pouco te deixou colher da vida
    e as mãos, como a esperança, estão vazias.

    Agora te contemplo: a marcha estanca,
    vergado o corpo sobre a barba branca.
    Era curto o caminho e não sabias.
    (Canção itinerária/1989)

    José Sarney nasceu em Pinheiro-MA., a 24 de abril de 1930. Bacharel pela faculdade de Direito do Maranhão, participou de diversos movimentos estudantis e literários ali nascidos.
    Muito cedo iniciou-se no jornalismo e na literatura. Membro da Academia Maranhense de Letras, da qual foi presidente, e da Academia Brasileira de Letras, entre outras instituições culturais, inclusive estrangeiras. Deputado Federal, Governador do Maranhão, senador, Presidente da República, após o que, retornou ao Senado Federal e o presidiu.
    Além de muitos outros livros, publicou Norte das águas, contos (1970), o romance O dono do mar (1995) ( Foto ep 03 ) e os volumes de poemas Canção inicial (1954) e Os maribondos de fogo (s. d. ). Deste último livro é o poema

    Sinos de S. Pantaleão

    De S. Pantaleão a Praça
    tinha a vida
    do princípio de tudo,
    com os carrilhões
    dobrando nos defuntos
    e repicando nas aleluias.

    Na Rua da Madre Deus
    não se ouviam sinos
    nem torre, nem sacristão
    subindo as escadas
    onde os anjos
    como as nuvens da noite,
    e eu morava.

    O tempo era cru como a carne
    e havia em mim
    a fome dessa
    Praça de S. Pantaleão
    e o comum da Rua
    da Madre Deus.

    Esse vazio permaneceu
    com o meu desejo de ser marinheiro
    montando as montanhas do mar,
    uma mistura
    de tudo que me faltava na boca
    e dúvidas que me sobravam nas mãos.

    Os anos passearam comigo as marés.
    E o sempre sol, a chuva, o pequeno pé de laranja
    e os alecrins que dormiam
    dentro dos meus olhos fechados
    fizeram-me esquecer o mar,
    o sino, as madrugadas e as missas.

    Eu voltei onde havia começado:
    era a Praça de S. Pantaleão eterna
    e Madre Deus que sangrava.

    Ferreira Gullar, nome literário de José Ribamar Ferreira, nasceu em São Luís, a 10 de setembro de 1930. Jornalista, teatrólogo, ensaísta, crítico de arte e, principalmente poeta. Um dos maiores poetas brasileiros da atualidade.
    Sua obra poética, reunida em Toda poesia (1980), compreende os livros A luta corporal (1954), O vil metal (1954-60), Poemas concretos/Neoconcretos (1957-8), Romances de cordel (1962-5), Dentro da noite veloz (1962-75), Poema sujo (1975), Na vertigem do dia (1975-80) e Barulhos (1980-7). Desse conjunto o autor excluiu Um pouco acima do chão (1949), livro de estréia, publicado quando ainda residia em São Luís.

    De Sete Poemas Portugueses
    Ferreira Gullar
    Prometi-me possuí-la muito embora
    ela me redimisse ou me cegasse.
    Busquei-a na catástrofe da aurora,
    e na fonte e no muro onde sua face,
    entre alucinação e a paz sonora
    da água e do musgo, solitária nasce.
    Mas sempre que me acerco vai-se embora
    como se me temesse ou me odiasse
    Assim, persigo-a, lúcido e demente.
    Se por detrás da tarde transparente
    seus pés vislumbro, logo nos desvãos
    das nuvens fogem, luminosos e ágeis!
    Vocabulário e corpo - deuses frágeis -
    eu colho a ausência que me queima as mãos.
    ( Do livro A luta corporal )

    Nauro Diniz Machado nasceu em São Luís, a 2 de agosto de 1935. Ensaísta, articulista e, sobretudo, poeta. Dono de uma bibliografia já próxima dos 30 títulos, estreou em 1958, com o livro Campo sem base, com certeza um grande acontecimento para a poesia brasileira, e que abriria caminho à consagração do autor, sempre confirmada e alargada pela sucessiva publicação de seus livros, a seguir mencionados: O exercício do caos b (1961), Do frustado órfico (1963), Segunda comunhão (1964), Ouro noturno (1965), Zoologia da alma (1966), Necessidade do divino (1967), Noite ambulatória (1969), Do eterno indeferido (1971), Décimo divisor comum (1972), Testamento provincial (1973), A vigésima aula (1974), Os parreirais de Deus (1975), Os órgãos apocalípticos (1976), A antibiótica nomenclatura do inferno (1977), As órbitas da água (1978), Masmorra didática (1979), O calcanhar do humano (1981), O cavalo de Tróia (1982), O signo das tetas (1984), Apicerum da clausura (1985), Opus da agonia (1986), O anafilático desespero da esperança (1987), A rosa blindada (1989), Mar abstêmio (1991), Lamparina da aurora (1992) e Funil do ser (1995).

    O parto

    Meu corpo está completo, o homem - não poeta.
    Mas eu quero é necessário
    que me sofra e me solidifique em poeta,
    que destrua desde já o supérfluo e o ilusório
    e me alucine na essência de mim e das coisas,
    para depois, feliz e sofrido, mas verdadeiro,
    trazer-me à tona do poema
    como um grito de alarma e de alarde:
    ser poeta é duro e dura
    e consome toda
    uma existência.
    (Campo sem base /1958)

    Fernando Braga dos Santos Gamellas nasceu em São Luís, a 29 de maio de 1944. Bacharel em Direito, reside, há alguns anos, em Brasília, onde continua a escrever poemas e trabalhos em prosa, muitos dos quais, estudos literários.
    Estreou em 1967, com o livro de poemas Silêncio branco, a que outros se seguiram, a exemplo de Ofício do medo (1977), O exílio do viajante (1982) e Campo memória (1991).

    Longe noturno
    Meus olhos emigram para São Luís
    Minha cidade pavorosamente triste,
    onde um meio de céu esconde o rosto
    de Deus das vidraças da planície.

    Vim aqui tornar-me em arbusto
    onde sou argonauta deste verde.

    Morto pão esquecido sobre a mesa
    foi minha ceia incrivelmente tarda.

    Noturno vinho em resto abandonado
    ferve-me o corpo hipertencialmente
    reto, nesta noite sem data dalguma
    safra onde me disponho não mais sentir-me
    (Ofício do medo /1977)

    Laura Amélia Damous Duailibe nasceu em Turiaçu-MA, a 10 de abril de 1945. Tem extensa folha de serviços prestados em atividades ligadas à vida cultural de São Luís,. De assessora cultural da Secretaria de Estado da Cultura, continuou seu trabalho junto à Biblioteca Pública Benedito Leite, cujo anexo, para estudantes, ajudou a criar, e na qualidade de diretora do centro de Criatividade Odylo Costa, filho, do Teatro Artur Azevedo. Atualmente é subsecretária da Secretaria de Estado da Cultura, pasta da qual já foi titular.
    Publicou os livros Bravíssima canção do amor constante(1985), Arco de tempo (1987) e Traje de luzes (1993).

    Guarnicê da memória

    Não importa que as matracas
    se dispersem
    desce aos pés
    na marcação exata
    Não importa que as vozes
    se percam
    As toadas se eternizam
    Na ressonância das noites
    Não importa que esse boi
    se canse
    Ficará brincando nos teus olhos
    sempre
    (Brevíssima canção do amor constante)

    Viriato Santos Gaspar nasceu em São Luís, a 7 de março de 1952. Um dos integrantes do Movimento Antroponáutica, participou, depois, da antologia Hora de guarnicê (1975), que reuniu os então jovens poetas mais representativos de sua geração.
    Atualmente radicado em Brasília, Viriato Gaspar é autor, entre outros, dos livros de poemas Manhã portátil (1984), Onipresença (1986), e A lâmina do grito (1988).

    Índice
    O homem é a matéria do meu canto
    qualquer que seja a cor do que ele sente,
    e não importa o motivo de seu pranto
    é um homem, meu irmão, e estou doente

    de sua dor, e é meu espanto
    do mundo e desta hora incongruente
    na trincheira do verbo me levanto
    contra o que contra o homem se intente.

    O homem é o objeto e o objetivo
    de quanto sei cantar, e o canto é tudo
    que pode me explicar por que estou vivo.

    Às vezes sou ateu, noutras sou crente,
    em outras sou rebelde, em algumas mudo,
    sou homem, e canto o homem no presente.
    (Manhã portátil)

    Mário Martins Meireles, nasceu em São Luís, Maranhão, a 8/3/1925. Iniciou seus estudos primários em Santos-SP, em 1920, prosseguiu neles em Manaus-AM e no Rio de Janeiro-RJ e os concluiu em São Luís-MA, em 1926, na Escola Modelo Benedito Leite. Fez o curso secundário em São Luís, concluído-o em 1931, no Instituto Viveiros. A seguir, principiou o Curso de Direito na Faculdade do Maranhão, mas o interrompeu, em 1934, na da Bahia. Em 1966 fez o Ciclo de Estudos da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, em São Luís.


    Possui diversos trabalhos inéditos e já publicou os seguintes:


    O imortal Marabá. São Luís, 1949. ( Co-autoria com Achilles Lisboa )
    Gonçalves Dias e Ana Amélia. São Luís, 1959.
    José do Patrocínio. São Luís, 1954.
    Panorama da literatura maranhense. São Luís, Sioge,1955.
    Veritas liberabit nos. São Luís,1957. Co-autoria com José Maria Ramos Martins
    Antologia da Academia Maranhense de Letras. Rio,1958. Co-autoria com Arnaldo Ferreira e Domingos Vieira Filho
    Pequena história do Maranhão. Rio,Senac,1959.
    O 5o Centenário do Infante D. Henrique no Maranhão. São Luís, Federação do Comércio do Maranhão, 1960.
    História do Maranhão. Rio, DASP, 1960. 2a. Edição, São Luís, Fundação Cultural do Maranhão,1980.
    França Equinocial. São Luís, Departamento Universitário de Rádio, Imprensa e Livro, 1962. 2a. Edição, 1982.
    Guia Turístico, São Luís do Maranhão. Rio, Bloch, 1962.
    Glorificação de Gonçalves Dias. São Luís, Departamento de Cultura do Estado, 1962
    Catulo, seresteiro e poeta. São Luís, Tip. São José, 1963.
    São Luís - cidade dos azulejos. Rio, Graf. Tupy, 1964.
    História da Independência no Maranhão. Rio, Artenova, 1972.
    Símbolos nacionais do Brasil e estaduais do Maranhão. São Luís/Rio, FUNC/CEA, 1972, 2a. impres.,m/ano.

    Luís Augusto Cassas de Araújo maranhense de São Luís, onde nasceu a 2 de março de 1953, é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Maranhão. Tem vasta colaboração em prosa publicada na imprensa de São Luís. E é um dos poetas fundamentais de sua geração.
    Embora escreva intensamente, e desde muito jovem, impõe grande rigor seletivo a seus poemas. Por isso, ao contrário do que geralmente acontece com os jovens poetas, não teve pressa na publicação do primeiro livro, fato que lhe permitiu estrear com uma obra que permanece à altura de sua produção posterior.
    Publicou os livros República dos becos (1981), A paixão segundo Alcântara (1985), Rosebud (1990) e O retorno da aura (1994).
    Roleta Paulista
    I
    A estrada que interliga
    a terra ao céu
    já foi inaugurada
    (confidenciou-me esta semana
    um anjo de guarda)
    destina-se a acelerar a circulação das almas
    almas penadas arrependidas desgarradas
    todas penitenciadas
    que querem voar pra Deus
    e por descuido do Eterno
    quase iam parar no inferno
    II
    É via preferencial
    construída com cuidado
    pra bloquear o pecado
    (risco de contaminar o céu)
    Por isso, caros amigos,
    pra prevenir todo mal
    em todo o percurso da estrada
    anjos arcanjos
    serafins e querubins
    montam guarda
    III
    Quando eu morrer
    também quero que a minha alma
    - assim como todas as outras almas
    siga por essa estrada
    Mas como não sei pedir perdão
    esqueci o ato de contrição
    e não quero jogar palitos
    como um exército de aflitos
    arrisco uma louca penitência:
    acelero o carro a toda velocidade
    e vou desrespeitando os silvos
    todos os sinais vermelhos
    todas as placas de advertência
    IV
    É a única probabilidade
    de chegar à Eternidade
    (República dos Becos/1981) Jomar Moraes

    Jomar Moraes, autor de 15 livros, foi diretor da Biblioteca Pública Benedito Leite, do Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado, do Departamento de Cultura do Estado, do Departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão e secretário de Estado da Cultura.
    Membro da Academia Maranhense de Letras, é seu atual presidente.

    Mais numerosa, em que temos, no passado e no presente, grandes nomes, é a poesia maranhense. E de tal modo que, mesmo adotando severo rigor seletivo, é possível apresentar dezenas de poetas maranhenses. Não sendo, entretanto, citá-los todos, aqui vão, com sumárias indicações bibliográficas, vinte poetas, com breve amostra do muito que escreveram.


    2.01 - Artesanato:

    Da fusão das três raças componentes do povo maranhense resulta um rico artesanato: são as armas, os utensílios e os adornos dos índios Canela, Guajajara, Urubus e Krikatís; as delicadas rendas de Bilro, em padrões açorianos; os artigos tecidos com fibra do buriti; as redes-de-dormir, em fio de algodão ou linha mercerizada, largamente usadas nas varandas e nas alcovas das residências.
    Notáveis são as miniaturas, em escala e com minuciosos detalhes, dos barcos típicos do litoral deste Estado, onde a arte naval é tradição, passada de pais a filhos, desde tempos imemoriais.
    Esses produtos da criatividade do maranhense, inclusive réplicas miniaturas do Bumba-Meu-Boi, com seus vaqueiros, cazumbás, amos, índios e tocadores, podem ser encontrados em lojas especializadas pelo centro histórico da cidade.

    2.02 - Folclore:

    O Povo de São Luís é alegre e festeiro. Principalmente no Carnaval e durante os festejos juninos, a cidade toda é festa. Se é Carnaval, sobem dos bairros milhares de foliões, organizados em blocos de fantasia uniforme, cantando os sambas que compõem, auto-acompanhados por variados instrumentos de percussão.

    Milhares, porém, iniciados nos folguedos desde a meninice, brincam isoladamente ou em pequenos grupos, vestido de "fofões" de chita colorida, com máscaras as mais estranhas, fantásticas, produtos artesanais do rico imaginário popular, não raro reproduzindo animais da fauna ou das lendas maranhenses. Quem não se diverte nas ruas, esbalda-se, noites seguidas, nos animadíssimos bailes carnavalescos, oferecidos pelos clubes burgueses, pela sociedade organizada, podendo a folia terminar na orla marítima de São Luís. Mal termina o carnaval, começam os ensaios dos cordões de bumba-meu-boi e das quadrilhas que se apresentarão durante as festas juninas. Chegado o mês de Junho, São Luís transforma-se em imenso arraial. Em todos os bairros e nas Vilas dos arredores, armam-se barracas nos largos e nas praças enfeitadas de coloridas bandeirinhas. Muitos deles têm sua própria quadrilha ou seu próprio cordão de bumba-meu-boi. Nesses lugares o povo canta, dança, bebe, come iguarias de milho, mingaus, cocadas, pés-de-moleque, pastilhas e toda sorte da culinária maranhense

    Então, é quando se pode apreciar a riqueza e o colorido dos chapéus, dos peitilhos e dos aventais dos brincantes do boi, cheios de fitas, penas, canutilhos, paetês, vidrinhos e lantejoulas, artísticas e caprichosamente bordados, quase sempre em padrões florais ou reproduzindo imagem de santos do culto católico-romano. Existem, em São Luís, quase 100 grupos de bumba-meu-boi, que guardam e reproduzem as características básicas desse ato popular, oriundo de Portugal, aqui impregnado, de modo sincrético, de valores culturais africanos e indígenas.

    Mas não é só no São João e Carnaval. Festa tem o ano inteiro. Tem Tambor de Crioula, dança de origem africana; Tambor de Mina, variação maranhense para o candomblé; Festa do Divino; São Pedro; Cacuriá; Dança do Caroço... E o Reggae, ritmo jamaicano que se popularizou nas últimas décadas e já se tornou atração turística.

    - Bumba-Meu-Boi -
    - Tambor de Crioula -
    - Tambor de Mina -
    - Dança do Coco -
    - Cacuriá -
    - Bicho Terra -
    - Boi Barrica -
    - Catirina -

    2.03 - Teatros:

    São Luís foi ganhando ares modernos em projetos de urbanização, mas há uma parte antiga da cidade, de sobrados majestosos cuidadosamente lapidados. O centro antigo preserva a historia da cidade em cada detalhe dos mirantes, das sacadas com grades de ferro. Três teatros fazem parte do conjunto arquitetônico que seduz e fascina quem passeia pela ruas praças e avenidas. O mais imponente e hoje o mais moderno da América latina é o Teatro Artur Azevedo vestida de seda e linho donos de escravos e agora está aberto a todos. Com arquitetura e fachadas antigas, mais numa homenagem a dois artistas contemporâneos que levam a cultura maranhense para o resto do país, os Teatros Alcione Nazaré e João do Vale. Valem apena serem vistos a qualquer hora do dia.

    2.03.01 - Arthur Azevedo
    2.03.02 - Alcione Nazaré
    2.03.03 - João do Vale

    2.04 - Calendário de Eventos Regionais:

    E agora as festas

    Desde os tempos mais remotos da colonizaçào, temos uma historia de muitas festas. Mas em função de cada época, variaram bastante os modos de faze-las e também as reações diante delas.

    Havia, no passado, muito preconceitos em relação às festas populares, que durante longos anos estiveram submetidas as severas censuras das autoridades.

    O passar dos anos foi determinando mudanças na forma de brincar o carnaval.

    De um tempo em que se podia falar do carnaval caracteristicamente maranhense, passamos a repetir o modo carioca de viver as alegrias de Momo. E ai tivemos um período de escolas de samba que tanto cresceram de ano a ano, em São luís, quanto começaram a surgir em numerosos cidades do interior.

    Atualmente há claros sinais de declínio das escolas de samba em São luis, ao mesmo tempo em que se vai impondo uma volta ás tradições carnavalescas da terra, que compre-endem blocos, tribos e outros grupos que associam ao carnaval, manifestações populares locais.

    Em compensação, porém São Luís aderiu á moda nacional do carnaval fora de época. É a Marafolia, que se realiza durante três dias da segunda quinzena de outubro, reunindo milhares de foliões na Avenida Litorânea, em extenso espaço dotado de amplos estacionamentos, segurança eficiente e facilidade de movimentação.

    Hoje são outras as celebrações alusivas á época natalina. Pois a cultura, expres-são dinâmica da vida e espelho tridimensional do que, no povo, corresponde às exteriorizações de sua vitalidade, recicla-se permanentemente, ajustando-se ao fluir do tempo, em sua marcha recria-dora. Entretanto permanece a mesma a alma lúdica do nosso povo, representada por suas danças, seus festejos, suas inúmeras "brincadeiras".

    No carnaval, já não existem cordões, cursos, entrudos, assaltos, baralhos, batalhas de flores e de confetes. E quase se extinguiram as figuras do cruz-diabo, do urso, do dominó, da colombina, do pierrô e do fofão, embora caiba aqui registrar o auspicioso movimento que, sob a liderança da Associação Maranhense de Blocos Carnavalescos, e com o entusiástico apoio da Fundação de Cultura, Desporto e Turismo da prefeitura, presentemente (l994-5) busca reviver os antigos carnavais maranhenses, com ênfase especial para as manifestações de rua.

    A casinha da Roça vive seus últimos e agonizantes dias. Os clubes populares , onde as mulheres só dançavam mascaradas, são coisas do passado, embora recente. Gozaram de grande popularidade e são lembranças pela qual muitos suspiram, os nossos bailes de máscara.

    Na última passagem do século havia, em São Luís, numerosas agremiações carna-valescas. E muitas eram organizadas com base em vínculos familiares ou em relações de amizade de seus principais dirigentes.

    Cavalhadas, congadas, fandangos, cheganças e mascaradas, tivemo-los durante o período colonial, mas todas essas manifestações populares se foram esmaecendo, com o passar do tempo, até desapareceram completamente ou perderam suas características, por força de profunda transmutação. Do carimbó, que se firmou no Pará, diz-se que primeiramente surgiu no Maranhão; a capoeira, hoje marca registrada da Bahia, aqui floresceu, mas sem viço bastante para consolidar-se

    De época mais recentes, apesar de virtualmente desaparecidas, são tambor-de-taboca, lindô, caminha-verde, guará, cabeça-de-bagre e as festas do pujante ciclo natalino: filhas de Belém, de jerusalém ou de judá, pastorinhas, pastores, reis, lapinhas, presépios, queimação de palhinhas.

    Mas o cacuriá, que durante anos hibernou, como se morto estivesse, voltou para ficar, estuante de graça e de vigor.

    O tambor-de-crioula e o tambor-de-mina sempre tiveram presença afirmativa com símbolo e núcleo de resistência, ao ritmo propiciatório de pulgas e saracoteios.

    A um grupo longa e frutuosamente gestado no ventre das mais legítimas tradições da cultura popular maranhense, e definitivamente nascido para o mundo no ano da graça de 1985, deve-se considerável parcela da revitalização de nosso folclore, que de então até hoje se processa, através de grupos parafolclóricos organizados por estabelecimentos educacionais, por associação de moradores e também por pessoas que se relacionam em função de trabalho, amizade ou vizinhança, cabendo registrar quanto, para tal florescimento e porfias motivadas por dissidências

    Essa apropriação " Letrada " da temática popular tem operado a crescente ascen-são social de nossas " brincadeiras ", tanto no plano dos que as apreciam e aplaudem, quanto no que respeita aos que as promovem ou delas diretamente participam. A temática popular é fonte generosa e inesgotável para as artes plásticas, o teatro, a dança e a música. Esta, das mais pu-jantes e vigorosas, entre as representativas das diversas regiões brasileiras.

    O grupo surgido em 1985 é o reunido em torno do Boizinho Barrica, depois consoli-dado na Companhia Barrica Teatro de Rua, responsável por muitas pesquisas das raízes de nossa cultura popular, e ainda pelo aparecimento de outros grupos, a exemplo do Bicho-Terra.

    O Barrica deveria chamar-se Boizinho Tonel, homenagem evocativa da "brincadei-ra" que Sapinho, em tempos idos, fazia incorporar, no carnaval, como apêndice faceto do Bloco Cruzeiro, da Madre Deus. Mas terminou batizado por boizinho Barrica, em razão de seu tamanho e de seu feitio. Fato que, no campo semântico, não fez diferença.

    Oportuno advertir que o Barrica, sendo boizinho, não é bumba-meu-boi, no sentido que este possui, nos terreiros de su lúdico reinado. O Barrica, embora vinculado ás mais autênticas raízes, conta, canta e encanta com o requinte da poesia elaborada, da melodia artisticamente composta e das vozes educadas e bonitas. Suas contagiantes apresentações estilizam os quatros sotaques do boi, o Divino Espirito santo, o coco, a chegança, o lelê, o tambor de crioula e por ai vai. E viajam de Tainahakã, a estrela-bailarina já ás vésperas de tornar-se o centro de uma constela-ção, pois o nascimento da estrela-Menina é disso prenúncio. E aqui na terra começou a constituir progênie, como bem o atestam o bicho-terra, das entranhas e do barrica nascido, e as crianças que, no Reino Lúcido da Madre Deus, organizaram o Barriquinhas, que muito já de belezas sabe, e ainda bem mais promete.

    Indispensável dizer que o Boizinho Barrica é do mundo, do Maranhão, de São Luís e, sobretudo, da Madre Deus.

    Este panorama ficaria injustificavelmente incompleto se não fizesse breves, mas indispensáveis referências.
    Aos grupos de jovens que, com o apoio do departamento de Assuntos Culturais da Universidade Federal do Maranhão, pesquisaram e reconstituíram diversas manifestações de nossa cultura popular, trabalho de que resultaram numerosas estudos monográficos (alguns deles publicados em livros), espetáculos de teatro e de dança, produção de filmes, documentários foto-gráficos e folhetos de divulgação.

    O mesmo se diga do Laborarte-laboratório de Expressões Artísticas, surgindo nos anos 70, sob licença de Tácito Borralho, e ainda hoje em plena e positiva atividade, dirigido por Nelson Brito.
    Américo Azevedo Neto, homem de letras, profundo conhecedor de nossa cultura popular; autor do melhor livro sobre bumba-meu-boi e operoso promotor cultural, responde pela criação de um belíssimo espetáculo denominado Cazumbá.
    Não seria justo esquecer que D. Zelinda Lima é, neste vastíssimo campo, figura da maior importância, pela extensa folha de beneméritos serviços prestados.
    E que José Sarney, sendo governador do Estado (1966-70), mandou abrir o Palácio dos Leões para que lá dançasse o boi, que não fez cerimônia em gingas e faceirices, qual se estivesse no mais conhecido e familiar de seus terreiros.


    O reggae, de procedência jamaicana, aportou em São Luís munido de potentes âncoras e clara decisão de permanência. Por motivos geográficos e também etnográficos, são grandes as semelhanças e aproximações culturais entre a Ilha de São Luís e as do Caribe. Por isso, não é de hoje aqui têm ou tiveram grande aceitação os ritmos tipicamente caribenhos, de marcante influência, a exemplo do mambo, da salsa, do merengue e da lambada. Tendência acen-tuada crescentemente com o advento da radiola, uma central de som cada vez, mais potente, e em torno da qual passaram a ser realizados os grandes bailes populares.

    No final dos 70 começaram a ser tocados aqui os primeiros discos de reggae. Mas data da década seguinte a definitiva incorporação desse ritmo ao universo festivo da Cidade. Por enquanto o reggae reina na periferia e tem por adeptos principais os negros. São, porém, plenas as possibilidades de ele fazer o percurso de outras manifestações da cultura popular. Já conquistou espaços cativos nas programações radiofônicas, domina corações e mentes, conta com facções e torcidas fiéis. E assumiu seu quê de maranhensidade, graças aos ares bons da terra, que nele crescem.

    E se aprofundam, na mesma proporção em que ocorre progressivo distanciamento da matriz jamaicana. Em face disso, passou a ser correto falar em reggae jamaicano e reggae são-luisense.

    Porque enquanto na jamaica a evolução já está para lá do reggae pop, que deixou para trás o período de que são expoentes máximos Bob Marley, Jimmy Cliff e Peter Tosh, em São Luís predomina o reggae root, o reggae de raiz.
    Aqui a numerosa massa regueira tem preferências radicais por determinadas "pedradas", e as curte simplesmente ouvindo ou dançando agarradinho.
    "Pedradas" ou "tijoladas" que se tornaram patrimônio dos donos de clube que as lançam no ar com exclusividade vidicativa, que compram todo o estoque de suas raras gravações, para que aventureiros delas não lancem mão, e que, segundo as semelhanças fonéticas de seus títulos em inglês ou a "feição"melódica, rebatizam-nas com nomes muito nossos, que podem ser Melô da Maioba ou Maracanã; Melô do Arrastão ou do Negão.

    Promovem-se anualmente em São Luís festivais de Poesia, de Corais, de Música Popular Maranhense e do Curió, feiras de plantas e de livros, exposições agropecuárias, festas grandes em centenas de terreiros, nas Casas de Nagô e das Minas, semanas do negro, do índio, do folclore e de quanto mais se imagine.

    Havendo disposição e coincidência de calendário, vai-se daqui para os festejos de São Benedito e do Divino Espirito Santo, em Alcântara para os bailes de São Gonçalo, nas cidades da Baixada, para o festival da Melancia em Arari, para as festas natalinas de Guimarães e para os festivais de peixe de Viana e Penalva.

    Festas religiosas ou de largo, ainda temos por principais as de São Benedito, de Santo Antônio, da Conceição, de Santa Severa e dos Remédios. As três primeiras dão procissões, a que devem ser somadas as da Quaresma: do Encontro e do Senhor Morto. Nada, porém, que de longe se compare com a animação do século XIX, época de procissões concorridas, enchendo as ruas de músicas, foguetes e paramentos vistosos, e de largos enbandeirados, repletos de tabulei-ros, barracas, novidades oferecidas por vendedores ambulantes, jogos de sorte ou de azar, arros-séis, leilões, enfim uma extensa lista de tentações e apelos ao mar de gente que lotava as igrejas para novenas, ladainhas e sermões, e que, por ser demais da conta ou de menos na contrição, espraiava-se, numerosíssima, em toda a vastidão a vastidão do "sereno" animado por bandas de música, e alegremente colorido de luminárias, fogos de artifício e balões subindo aos céus.
    O primeiro almanaque que circulou em São Luís, para o ano de 1848, relaciona 20 procissões e 47 festas de igreja na Cidade. Uma delas, a dos Remédios, certamente das concorri-das e bonitas, inspirou diversos cronistas, a exemplo de César Marques, Trajano Galvão, Graça Aranha, Aluísio Azevedo e João Francisco Lisboa. Este último publicou um folhetim em que descre-ve com muita graça a festa de 1851.

    Do bairro dos Remédios, a antiga do Ponta do Romeu, banhado pelo Rio Anil, passemos ao extremo oposto da Cidade de então, onde, alçada a miradouro do Rio Bacanga, ficava a Ponta de Santo Amaro, que originou o núcleo da Madre de Deus (topônimo de que o povo tirou a preposição dissonante), nascido nobre por suas funções de centro educacional, convento dos jesuítas e palácio de governadores de vilegiatura, e que nobreza de muito maior monta conti-nua, pela insuperável legitimação popular que lhe confere privilégios de república das nossas mais fortes tradições culturais, a república de que muito nos orgulhamos.

    O capítulo merecido que, por não vir aqui, é dívida contraída para eventual paga-mento futuro, diz respeito a esse território lúdico vasto e autônomo, a cuja ufania por fatos e feitos notáveis, assiste inteira razão.
    Com seus poetas, compositores, cantadores, repentistas, artesãos, artistas, anima-dores e figurantes, a Madre Deus alegra São João, pela força de um dos melhores bois da Ilha, e agita o carnaval, através da Turma do Quinto, useira e vezeira em brilhos muito particulares, sam-bas-enredo inesquecíveis, grandes vitórias morais e inevitáveis supercampeonatos.
    Pode-se traçar a delimitação física da madre deus, hoje com área bem superior à da primitiva Ponta de Santo Amaro, mas é tarefa baldada intentá-lo no plano de sua vastidão senti-mental, espraiada por tudo quanto é conjunto habitacional, bairro novo, palafita, invasão e o que mais sirva, nesta cidade, para seres humanos morarem ou vegetarem.
    Nos dias festivos, descem, isolados ou em grupos, as gentes de endereços muito vários, uns curiosos, inusitados outros, porém com destino comum: a Madre Deus, sublime Mãe Senhora, hoje exaltada por seus poetas, ontem reverenciada por Silva Serrão e Constantino de Sá, como esplendor e aurora da vida.

    É entendimento muito acertado o de que o gasto maranhense pelas festas e sua contagiante vocação lúdica estão vivos. E podem ser comprovados através do largo painel que, ao longo do ano, retrata nossa alma alegre, que removeu lindes e estinguiu balizamentos entre sagra-do e profano, por entendê-los distinções descabidas e limitadoras.

    O tempo forte, de entusiasmo coletivo, que toma a Cidade inteira, é junho, do princípio ao fim: das festas de Santo Antônio, o casamenteiro, até São Pedro, em cuja honra faz-se grande e colorida procissão marítima.

    São João, com seu carneirinho, domina, absoluto, como patrono de largos, arraiais, quadrilhas, cocos, tambor-de-crioula e de-mina, mas principalmente do bumba-meu-boi, que após meses de ensaios e logo em seguida ao ensaio-redondo, é benzido em ladainha de latim estropia-do, diante de inquieta platéia, presentes o santo e a cachaça, os padrinhos, a rezadeira e seu raminho de arruda ou galho de vassourinha, na noite de 23.

    Essa noite mágica, de muitos fogos e emocionantes brilhos, transforma a Cidade em território livre de centenas de fogueiras, e alarga seus limites até onde o mar consente.

    Então já não se há de falar em São Luis, mas na Ilha, que de todas as suas estra-das, veredas e caminhos desce o boi, venha de São José de Ribamar, da maioba, da Mata ou de maracanã.

    De outras cidades e povoações do interior do Estado também chegam bois para brincar, mas geralmente depois de 23, que a primeira obrigação é com os lugares de origem, pá-trias de suas existências, onde nascem e obrigatoriamente morrem.

    Segundo seja o sotaque do boi, varia tudo quanto a ele diz respeito: o ritmo, os instrumentos, a indumentária, a linha melódica, os figurantes e até o porte e a feição dos novilhos. Quem conhece boi, sabe, de longe, qual é o seu sotaque, o seu estilo - se de matraca ou da Ilha, se de zabumba, se de orquestra, se de Pindaré.

    Beleza dos sons de zabumbas, pandeiros, pandeirões, dos maracás e matracas, beleza da poesia das toadas, beleza das gingas do boi - pois também elas diferem conforme o sotaque - e de sua guarnição policrômica, os brincantes trajados a caráter, com seus chapéus coloridos e seus peitorais reluzentes, mas a nação dos paisanos e mutucas, gente de grande importância e serventia.

    Em junho, largos, ruas, travessas, becos e avenidas viram terreiros. Enfeitam-se de bandeirinhas, palmeiras de ariri, barracas e fogueiras. E reservam o espaço necessário e cativo para que o boi venha dançar. Para que instaure a alegria contagiante com sua chegada, ao som do Lá Vai, e a todos castigue de saudade, na partida, cantando o Adeus:
    Lá vai,
    lá vai,
    dona da casa
    foi quem mandou me chamá;
    apaga a luz,

    que a madeira dele
    é soficiente
    pro terreiro alumiá.

    Siá, dona, varra o terceiro
    com gai' de manjericão,
    que a barra do boi é branca
    e vai arrastá no chão.

    Adeus é palavra triste,
    mais eu não tenho outra pra dizê;
    agora não deixo de lembrá pra ti
    minha toada que será gravada
    no teu coração.

    Deixo lembrança pra minha jardineira,
    rosa marela e flor de manjericão.
    Eu vou atender outro convite
    que rosa branca mandou pra meu batalhão.

    Bois de verdade, que brincam a sério, têm obrigações muito suas, porque ins-transferíveis. E que são cumpridas com a alegria de quem não as distingue da devoção. Obras da ação miraculosa de São João, nascidos de promessas a ele ou do expresso desejo de homenageá-lo, os bois também se reconhecem devotos de São Pedro e São Marçal, a quem são particular-mente obrigados.

    Por isso, na data do santo pescador, e desde bem antes que o novo dia acenda, no horizonte sua crescente fogueira de luzes e cores, dezenas de policrômicos batalhões demandam o terreiro de São Pedro, em volta de sua capelinha, na Madre Deus. É um espetáculo de beleza indescritível, esse dos bois chegando para dançar em honra de São Pedro. E do qual uma assis-tência que se conta por milhares participa, lotando o anfiteatro natural constituido pelo promontório de onde se mira e admira o boi lá embaixo e o povão que o segue, também dançando.

    Ao amanhecer do dia seguinte, consagrado a São Marçal, um desfile que muda a rota dos veículos e se matém até perto do anoitecer, faz do bairro do João Paulo a maior concen-tração dos bois de matraca. Que bricam, mas entre si porfiam, como se revivessem, agora em termos amistosos, os antigos e violentos confrontos dos " contrários ".

    Um dia que não vai longe, o boi se encanta, vira saudade, lágrimas rolam, nasce a esperança; no ano seguinte, em prazo certo, com novos brilhos e a mesma ginga, volta ao terreiro, encanta e dança, que seu destino assim se cumpre, por mandamento de São João.

    2.05 - Museus:

    O que acontece, foi registrado e está guardado. A fundação de São Luís as batalhas entre portugueses, holandeses, franceses pela colonização da Ilha Grande - Upaon Açu no dialeto dos índios. A influencia da Igreja no período colonial. A herança dos negros. Toda a historia está guardada nos museus e não somente na memória do povo que sabe manter viva as tradições. O que ficou do passado, dos séculos, pode ser visitado nos museus históricos, de artes sacras e de bens culturais. A historia recente da republica brasileira é preservada em acervos de livros, peças raras e documentos de valor histórico e político incontestáveis.

    O museu da memória republicana está instalado no convento das mercês uma construção do período colonial que abriga importantes eventos que vão desde congressos e seminários até exposições artísticas, como a Coletivas de Maio, uma importante mostra da atual produção das artes plásticas do Maranhão e do nordeste.

    - Histórico
    - Memória Republicana
    - Artes Sacras
    - Artes visuais

    2.06 - Monumentos Históricos:

    2.06.01- Fontes:
    Muitos são os que louvaram sem reservas a pureza e abundância de nossas águas. Entre eles Claude d'Abbeville, admirado de quanto eram saudáveis e boas, e Simão Estácio da Silveira, que além de achá-las puras e claras, atestou-lhes propriedades medicinais de grande eficácia contra febres, "destemperamentos e outras doenças".

    A existência de fontes na Cidade está ligada ao abastecimento da população. Muitas casas tinham poços particulares. Alguns se prestavam a serventia de dois ou mais vizinhos. Mesmo assim havia necessidade de outros meios de suprimento. Precisava-se de água para abastecer as embarcações, para construir e para atender a inúmeras necessidades públicas e particulares. Onde havia boas nascentes foram surgindo as fontes públicas.

    Muitas fontes já não existem, como a do Mamoim, construída em 1796, no Campo de Ourique, a do Açougue, perto do Mercado Velho e da Fonte das Pedras, e a do Apicum, antiga da Quinta, por ficar nos fundos da Quinta das Laranjeiras. Mas São Luís ainda conserva algumas fontes, como as seguintes:

    2.06.01.01 - Fonte do Bispo
    Data do século XVII. Localiza-se no fim da Rua das Crioulas, e se resume hoje, a um poço arruinado, sem proteção nem, ao que conste, plano algum de oferecê-la a essa nascente de considerável importância histórica, pelo que lembra de nossos costumes coloniais.

    Tem a ver tal fonte com o bispo Dom Frei Timóteo do Sacramento, terceiro titular da Diocese do Maranhão, a cuja frente esteve de 1691 a 1700. De gênio desabusado e intolerante, D. Fr. Timóteo iniciou, em 1697, uma visita geral a seu rebanho, de que resultaram muitos processos seguidos de multas, prisões e deportações, pois seu inflexível zelo não deixava sem penas severíssimas a lassidão dos costumes, notadamente a lascívia e o concubinato.
    A tanto foi aqui conturbado o sossego dos povos, por essa geral reprimenda, que D. Fr. Timóteo, em acerba luta com as autoridades civis e eclesiásticas envolvidas no desarmamento dos espíritos, acabou excomungando o Ouvidor-Geral Mateus Dias da Costa, o Capitão-Mor João Duarte, o Comissário da Província de Santo Antônio, o Prior do Carmo, os Ministros do Juízo da Coroa e, por fim, a própria Cidade, sobre a qual lançou excomunhão geral e local. Excomungou também Frei Manuel de São Boaventura, embora este, com a autoridade de conservador apostólico - portanto, delegado do papa - ,já houvesse, com bastante senso de oportunidade, feito o mesmo ao bispo.

    Posto sob temporalidades, D. Fr. Timóteo teve seu palácio (que era no Largo de São Tiago) cercado de soldados, com ordens expressas para não lhe permitirem sair e também receber visitas. Ao cabo de poucos dias, já não se poderia dizer que estivesse o prelado a pão e água, pois ambos lhe faltavam absolutamente. Deu-se então que, cedendo a seus rogos e à sua força moral, os soldados não tiveram ânimo para impedir que o bispo fosse, com duas quartinhas às mãos, enchê-las de água na fonte, onde se desdentou, e à qual deu o nome que até hoje perdura, evocativo desse turbulento governo episcopal.

    2.06.01.02 - Fonte das Pedras
    A 31 de outubro de 1615 Jerônimo de Albuquerque, na memorável luta pela expulsão dos franceses, acampou com suas tropas - cumprindo ordens de Alexandre de Moura - junto à nascente que também iria servir de suprimento aos holandeses, quando injustamente possuíram a Cidade (1641 -43), no dizer do Padre José de Moraes. Ainda conforme esse cronista, coube aos prepostos de Nassau a primeira construção da fonte, obra "excelente e bem fundada".

    De frente para a Rua de São João e ladeada pelos aclives que iniciam as ruas do Mocambo e da Inveja, a Fonte das Pedras é um quadrilátero murado, cujos fundos confrontam com os da antiga Fábrica Santa Amélia. Aí estão suas nascentes, canalizadas para vertedouros sob a forma de carrancas.

    A Fonte das Pedras é um espaço amplo, arborizado e com alguns bancos simples, mas aprazíveis. Não tem recebido o tratamento que merece do Poder Público, embora alguns de seus mandatários hajam timbrado em atulhá-la com placas de bronze, comemorativas de qualquer criação ou pequeno reparo que lhe mandam fazer, mais como pretexto para ali deixarem seus nomes, que por zelo e empenho na preservação de nossos monumentos históricos.

    Nenhuma placa, entretanto, alude aos nomes do Governador Silveira e do Coronel-Engenheiro Pereira do Lago, o ordenador e o executor das obras que deram à Fonte das Pedras as características que ainda hoje tem: frontão de alvenaria, calçamento, galerias subterrâneas, bicas e carrancas. Tudo no melhor estilo colonial português, como indicado logo no portão de entrada, por um escudo de bronze com as lusitaníssimas cinco quinas.

    2.06.01.03 - Fonte do Ribeirão
    Entre as ruas do Ribeirão, das Barrocas e dos Afogados, está a Fonte do Ribeirão, mandada construir em 1796, por D. Fernando Antônio de Noronha (1792-8), governador e capitão-general que deixou, na crônica administrativa do período colonial, a má fama de "néscio, estúpido e pedante", como o classificou César Marques.

    Parece que desde sua construção, essa fonte foi concebida com as dimensões e acabamento de hoje. Um expediente do Capitão José Luís da Rocha, datado de 13/08/1796, informa que a obra estava adiantada, sendo necessários cerca de um conto e duzentos mil réis para concluí-la, tendo em vista o pagamento de operários e a compra de cal, tijolos, canos, pedras de cantaria, carrancas, etc.

    Situada num pequeno largo, a Fonte do Ribeirão é protegida por murada quadrangular. Seu frontispício, ladeado por duas pilastras encimadas por coruchéus e ornadas com frisos, tem apoio no entablamento em que se vêem símbolos pagãos e cristãos. No topo uma estátua de Netuno, que após criminosas mutilações, foi totalmente destruída na noite de 9 de abril de 1995. Abaixo, três janelas com grades de ferro, que dão acesso às galerias. Um pouco acima do piso revestido de pedras de cantaria, cinco carrancas esculpidas em pedra, com biqueiras de bronze, de onde jorram as águas no tanque lajeado, em forma de T, e que escoam através de galerias subterrâneas, no sentido da antiga Praia do Caju.

    Ligam-se à Fonte do Ribeirão várias lendas e crendices populares, entre as quais a de uma serpente formidável, cuja cauda vai ter à altura da Igreja de São Pantaleão, e a da existência de subterrâneos com pontos terminais junto aos púlpitos de diversas igrejas, o que permitiria, por exemplo, que os padres terminassem no Carmo um sermão iniciado em Santo Antônio ou no Desterro, ou ainda que, com a proteção clerical, prosperassem contrabandos, tráfico negreiro e outros negócios escusos.

    2.06.02 - Habitação:

    Nosso jeito de morar

    Entre fins do século XVIII e inícios do século XIX, São Luís faz notáveis progressos urbanísticos. As ruas são pavimentadas, ajardinam-se e arborizam-se os largos, e as fontes recebem cuidados que não se restringem à função utilitária, porque igualmente compreendem objetivos ornamentais.

    O empresariado rural enriquecido e o comércio urbano florescente permitem que o gosto de bem morar combine comodidade com beleza e requinte. Usa-se aqui a última moda dos grandes centros europeus. Pratica-se no decorrer do século XIX, um estilo de vida faustosa e opulenta, que só entraria em franco declínio a contar da década de 70, encerrando-se definitivamente com a abolição da escravatura.

    Nesse período de esplendor da vida são-luisense, as lojas de moda crescem em número, variedade e sofisticação de seus sortimentos, conforme se verifica pelos anúncios de jornal. Em 1863, uma propaganda da firma Cunha Machado & Braga, instalada na Rua de Nazaré, além de extensa seção de perfumaria, anunciava os seguintes artigos: anáguas com bonitos bordados; ditas à balão, com 30 arcos; cortes de lã e seda com bonitas barras e lindas cores; ditos de gaze matizados, com 20 côvados; cintos de seda elásticos; ditos dourados com bonitas fivelas; enfeites de froco e de seda para cabeça; ditos para dentro de chapéus; luvas de pelica branca para homens e senhoras; ditas de seda lisa branca e de cores; botinas para senhoras e para homens; borzeguim para meninos; chapéus de palha da Itália - à Maria Pia - para senhora; ditos de pêlo preto finos para homem; ditos do Chile; bengalas de unicorne.

    Também era comum trazerem os jornais anúncios de modistas, retratistas, cabeleireiros, relojoeiros, arquitetos e ourives, geralmente de nacionalidade francesa, italiana ou portuguesa.

    É natural que nesse ambiente de refinamento São Luís haja conhecido uma fase de grande expansão física e de marcante melhoria de suas construções. Em menos de meio século - de 1808 a 1856 - o número de habitações cresceu de 1.553 para 2.764, ao mesmo tempo em que as casas de palha diminuíram de 300 para 144. A esse período correspondem volumosas importações de azulejos, de soleiras e portais de cantaria, assim como o florescimento de mercado de trabalho para profissionais especializados em construção civil, cujas tarefas mais árduas cabiam aos escravos.

    Basta observar atentamente a parte antiga da Cidade, para avaliar a grandeza de seu passado. Sobrados majestosos e amplas mansões que hoje nem sempre se mantêm concordes com a destinação que lhes traçaram seus primitivos proprietários, são um testemunho vivo e às vezes pungente da São Luís de nossos avós.

    Vejam-se, a propósito, os sobrados das ruas da Palma, do Giz e das respectivas travessas, no trecho próximo ao Desterro. Vejam-se também, aqui e ali, vastos cortiços identificáveis pelo aspecto externo: vasos de flores na janela, roupas e outras peças estendidas ao sol, além da carência de pintura e de outros cuidados.

    Mas nem tudo, aqui, são sobrados de azulejos, com beirais de faiança, mirantes graciosos e elegantes balcões rendilhados, nos quais se lêem monogramas bonitos e datas já bastante recuadas no tempo, aqueles e estas, gravados em pedra de cantaria ou moldados a ferro batido.

    Os habitantes menos abastados, que não podiam dar-se a esses luxos, encontraram outras soluções para o gosto da boa moradia, que é, sem dúvida, uma característica são-luisense de que jamais houve abdicação.

    Têm, certamente, relação direta com o poder aquisitivo de seus moradores (proprietários ou inquilinos) os diversos padrões de casas com apenas um pavimento - não raro acrescido de um subsolo que aproveita o desnível do terreno - que se foram agrupando, segundo a fachada, a área construída e a divisão interna, nestes quatro padrões básicos: porta-e-janela, meia-morada, morada-inteira e morada-e-meia.

    Por gentileza especial de Dora Alcântara, seguem-se as representações paradigmáticas de tais modelos, com as respectivas legendas, originalmente reproduzidas em seu primoroso Azulejos portugueses em São Luís do Maranhão, (Rio, Fontana, 1980), livro de consulta obrigatória para quem deseja conhecer melhor a arquitetura civil da Cidade.

    Mas se nem tudo, em São Luís, são sobrados e azulejos, nossa, muito nossa, é a forte preferência por esse elemento ornamental e utilitário que se ergue nas fachadas, como inexorável marca registrada do jeito maranhense de morar: com bom-gosto e comodidade.
    Vem daí que as ampliações e reformas de casas populares dos conjuntos habitacionais, a construção de mansões em núcleos residenciais elegantes e os melhoramentos de casas nos bairros pobres, sempre incluem o revestimento total ou parcial com azulejo - painel rútilo e colorido que reverbera ao sol, e oferece proteção contra infiltrações pluviais e estragos do salitre que sobrepaira nos ares desta ilha oceânica. O azulejo é, portanto, um traço característico de nosso jeito de morar.

    Numerosos conjuntos habitacionais, porque expressivamente populosos, são, econômica e socialmente, bem mais importantes que a grande maioria das cidades do interior maranhense. Têm, praticamente, vida própria e reúnem, em suas diversas gradações, a mais numerosa parcela de nossa classe média.

    Quem percorre São Luís, a subir e descer ladeiras, tem uma boa idéia do que seja a topografia da Cidade, apesar das inúmeras intervenções profundamente modificadoras que nela se operam, por iniciativa pública ou privada.

    Às margens do Anil e do Bacanga, na seqüência de um semicírculo irregular que se configura no sentido de norte a sul, muradas e aterros em plano inferior ao das elevações do centro urbano indicam que essas obras aumentaram significativamente a área útil, tanto pelo avanço em faixas primitivamente banhadas pelo mar, quanto pelo aterro de extensas porções de terras alagadas ou sujeitas à invasão das marés.

    Tal planta inclui, quanto ao perímetro urbano de então, os seguintes logradouros públicos: Largos de Palácio, de João do Vale (atual Praça Benedito Leite), do Carmo, de Santo Antônio, de São João, do Açougue (ficava do mesmo lado e logo depois da atual sede do IPEM - Avenida Magalhães de Almeida), do Quartel (Praça Deodoro), das Mercês (posteriormente ocupado pelo muro erguido em frente), Praia Grande e Praça da Alegria. Entre as 18 igrejas e capelas que menciona, desapareceram as de S'Antaninha, Mercês, Conceição, Barraquinhas, São Tiago, Madre de Deus e a capela da Cadeia.

    A expansão urbana de São Luís tem sido realizada, em grande parte, sob a forma de ocupação de terras firmes e manguezais. A princípio ocorria um crescimento vegetativo, que comportava posteriores providências de arruamento e de pavimentação.

    Com fins de urbanização e embelezamento, o Governo estimulou, em diversas ocasiões, a conquista de terrenos ao mar, com os aterros que iam abrindo perspectivas de crescimento à Cidade.

    2.06.03 - Igrejas e Capelas:

    Quem observa o conjunto arquitetônico do centro histórico da São Luís tradicional e isola, para fins comparativos, a construção civil da religiosa, a primeira coisa que descobre é, com certeza, a situação de evidente desvantagem das igrejas, em face das construções residenciais.

    Trata-se de constatação inusitada, pois serão raros os casos de cidades brasileiras que nos possibilitem a mesma conclusão.

    Fala-se que, entre os maranhenses, o sentimento de religiosidade nunca foi generalizado e ardente. É possível que a observação do nosso patrimônio edificado reforce tal avaliação.

    Em São Luís, outras são as emoções: a pirâmide que indica o provável local (Praia do Armazém, posteriormente chamada da Trindade) do enforcamento, a 10 de novembro de 1685, de Manoel Beckman, o Bequimão, e de seu companheiro de insurreição, Jorge de Sampaio de Carvalho; o modesto monumento do Outeiro da Cruz, evocativo da batalha final em que derrotamos os invasores holandeses; as igrejas onde pregou o Padre Antônio Vieira; as nascentes perto das quais Jerônimo de Albuquerque acampou com suas tropas; o sobrado de azulejos brancos e azuis (Rua do Sol, 567), em cujo mirante Aluísio de Azevedo escreveu O mulato; o sobrado (Rua da Paz, 107), então sediando nos baixos a Casa Trasmontana, onde Humberto de Campos trabalhou como caixeiro. Ali, o futuro escritor conheceu Sousândrade, que, já no acaso da vida, empobrecido e abandonado pela mulher e filha, ia fazer compras: "uma lata de aspargo, um pouco de queijo, sardinhas de Nantes, e tâmaras ou ameixas", pequeno, mas requintado farnel que um empregado levava à casa do poeta d´Guesa, na Quinta Vitória. E que ele, "semanas depois, vinha pagar, com as cédulas miúdas e os níqueis rigorosamente contados" (Memórias inacabadas), produto da venda de mais alguns metros cúbicos de pedras dos muros de sua vivenda, com o que ia destruindo-a. Mas também com o que ia escapando de morrer à míngua, e ainda respondia de maneira irônico-figurada às perguntas sobre como estava passando: - Muito bem, obrigado; comendo pedras. Finalmente, por impossibilidade de exaurir o assunto, a Igreja de São João, construída em 1665, a expensas do governador Rui Vaz de Siqueira (1662-7), como penitência pelo pecado aqui cometido com uma bela " socialite" de então.

    Admira, nesse templo, não a imponência nem a beleza arquitetônica, mas seu curioso destino. Erigido para perdão de pecados, século e meio depois iria cobrir-se deles e de opróbrio, ao conceder sepultura ao Coronel de Milícias Joaquim Silvério dos Reis Montenegro, o delator da Inconfidência Mineira, aqui chegado em 11 de outubro de 1809, e falecido a 17 de fevereiro de 1819.

    2.06.03.01 - Igreja da Sé
    A atual Igreja da Sé, na Avenida Pedro II, começou a ser construída pelo Padre Bettendorff, em 8 de setembro de 1690. Concluída quase dez anos depois, foi benzida a 30 de julho de 1699, por D. Timóteo do Sacramento, terceiro bispo diocesano do Maranhão. Era orago desse templo Nossa Senhora da Luz, e não ascendera ele ainda a catedral, dignidade que lhe foi conferida somente em 1762, ano em que deixou de tê-la a vizinha Igreja de Nossa Senhora da Vitória, localizada onde está o Palácio do Comércio, sede da Associação Comercial do Maranhão.

    Em 1760, quando da terceira e última expulsão dos jesuítas do Maranhão, todos os bens da Companhia de Jesus foram incorporados ao patrimônio da Coroa. Por essa época, a Igreja dos jesuítas já tinha nova padroeira: Nossa Senhora da Boa Morte.

    A Carta Régia de 11 de junho de 1761 destinou colégio, convento e Igreja dos jesuítas para residência do bispo, seminário, biblioteca e Sé Catedral. A medida vinha em momento oportuno, pois a Sé estava totalmente arruinada. A 17 de janeiro de 1762 o templo de Nossa Senhora da Boa Morte foi erigido em Sé Catedral, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória, orago da antiga Sé, mandada arrasar em 1763.

    A Igreja da Sé, depois das numerosíssimas transformações internas e externas que recebeu ao longo de três séculos, apresenta, exteriormente, o aspecto que lhe deu a reforma realizada em 1922, pelo bispo D. Helvécio Gomes de Oliveira: completa remodelação da antiga fachada, de estilo colonial primitivo, assimétrica e de frontão curvilíneo.

    Fê-la esse prelado mais alta, simétrica, neoclássica, ostentando uma imagem de Nossa Senhora da Vitória sobre o frontão clássico. Acrescentou-lhe uma torre - a do lado norte - fazendas ambas quadrangulares, cobertas por cúpulas truncadas, divididas em três seções, acima das quais estão as pirâmides octogonais com cruzes de ferro.

    Nos extremos do transepto acham-se os altares do Sagrado Coração de Jesus, de ornamentação neoclássica (em cuja mesa uma urna envidraçada guarda a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte ), e o do Santíssimo Sacramento, onde convivem elementos dos estilos rococó e neoclássico.

    O altar-mor é um belíssimo exemplar da arte portuguesa seiscentista. Ostenta excessiva ornamentação com predominância de dourado superposto a fundo azul, apoia-se em colunas salomônicas e é coroado por arcos concêntricos que se interligam através de elementos radiais.

    Além de várias figuras eminentes da sociedade maranhense, estão sepultados na Sé, entre outros, os bispos D. Gregório dos Anjos, nosso primeiro prelado, D. Luís de Brito Homem, D. Frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, D. Marcos Antônio de Sousa e o suave e queridíssimo pastor que foi D. Francisco de Paula e Silva, de marcante presença na história da Igreja Católica Maranhense.

    2.06.03.02 - Igreja de São José do Desterro
    Além de outros percursos menos cômodos chega-se à Igreja de São José do Desterro, no bairro do mesmo nome, descendo pela Rua da Palma. Nos primeiros anos da colonização, houve, nesse local, uma pequena ermida de frente para o mar, dedicada à Nossa Senhora do Desterro, e que os holandeses teriam profanado, ao tomarem de assalto a Cidade, pelo Porto do Bacanga, em 25 de novembro de 1641.

    Ainda sob a invocação de Nossa Senhora do Desterro, foi a ermida reconstruída, provavelmente já de frente para o pequeno largo em que termina a Rua da Palma, e de onde nascem os becos do Precipício, do Desterro e do Caela.

    Em 1832 essa segunda edificação caiu por terra, mas logo se lançou com ardoroso empenho, na tarefa de reerguê-la, o preto José Lé, residente nas proximidades. Pessoalmente e também contando com a ajuda de uns poucos amigos, José Lé transportou para a obra pedra, barro, cal, madeira e outros materiais necessários.

    O poeta José Chagas cantou, em Os canhões do silêncio, a edificante história desse homem obstinado, que cultuou Deus em suor:

    Passou-se o tempo e José
    foi desterrado da vida,
    e sua Igreja hoje é
    toda de azul construída,

    uma Igreja que está fora
    do bairro e do nosso alcance
    a irradiar uma aurora
    vista por trás da distância.

    Mas a Igreja que no bairro
    ele não pôde acabar
    é esta a que o vento vai,
    romeiro do próprio ar,

    anunciar pela voz
    dos sinos a José Lé,
    que a Igreja veio até nós
    por força de sua fé.


    A obra inacabada de José Lé, continuou-a outro morador do bairro, o escrivão José Antônio Furtado de Queixo. Com esmolas dos fiéis, conseguiu concluir o templo, que foi benzido em 1839, já sob a invocação de São José do Desterro, talvez pela correspondência onomástica entre o novo orago e esses dois benfeitores da Igreja.

    Falecendo José Antônio Furtado de Queixo, novamente a Igreja entrou em abandono, por descaso da irmandade nela ereta, o que permitiu a venda, o extravio e o furto de imagens, alfaias, candelabros e ornamentos. O templo começou a deteriorar-se progressivamente, de modo que, em 1865, a Câmara Municipal dirigiu ofício ao bispo, solicitando permissão para arrasar as paredes ainda de pé, que ameaçavam iminente desabamento. Pretendia a Municipalidade construir, no local, uma praça arborizada, onde seria instalado um mercado de peixes.

    Serviu esse projeto da Câmara para despertar os zelos da população quanto ao valor histórico da Igreja.

    Uma circular do bispo D. Luís da Conceição Saraiva, de 8 de agosto de 1867, convocou os trinta membros nomeados para a comissão que, "por sua religiosidade e amor à Igreja", recebeu o encargo de reconstruí-la. Os trabalhos tiveram início e foram presididos pela diretoria eleita, composta do Cônego Maurício Fernandes Alves, presidente, César Marques, secretário, e Manoel de Freitas Bicas, tesoureiro.

    A data 1868, inscrita no gradil fronteiro da torre, assinala o término dessa parte da construção, custeada pelas senhoras maranhenses. Uma lousa existente no coro indica que também "Francisco Gonçalves dos Reis, em 1868, mandou fazer por esmola este coro e as três janelas em frente".

    A nova Igreja foi solenemente inaugurada a 21 de novembro de 1869, sob a presidência do bispo D. Luís da Conceição Saraiva. Ao ouvir-se a Gloria in excelsis Deo, repicaram pela primeira vez os quatro sinos, benzidos com os nomes de São José, São Luís, Santa Bárbara e São Jerônimo.

    2.06.03.03 - Igreja dos Remédios
    Apreciável exemplar de gótico estilizado, a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios é, com certeza, a de linhas mais harmoniosas e feição exterior mais imponente de quantas a cidade possui.

    De frente para o Largo dos Remédios, em cujo centro se ergue, majestosa, a estátua de Gonçalves Dias, a Igreja deu o nome de sua padroeira ao bairro, que nos tempos coloniais foi um matagal desabitado e conhecido como Ponta do Romeu.

    Em 1719, a pedido do Capitão Manoel Monteiro de Carvalho, os religiosos do Convento de Santo Antônio doaram-lhe o terreno com área de 50 braças em quadra, onde esse devoto construiu a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios.

    Distante, à época, do centro urbano de São Luís, a igrejinha era visitada somente pelos fiéis que ali iam fazer ou pagar promessas. Mas tais visitas praticamente se interromperam, depois que um escravo homiziado nas cercanias matou o senhor que buscava capturá-lo.

    Abandonada, a ermida entrou em franco processo de desmoronamento. Em 1775, o Governador Joaquim de Melo e Póvoas mandou abrir uma larga estrada que, no sentido Norte/Sul, ia da Ponta do Romeu até a Estrada-Real (Rua Grande).

    Com tal iniciativa, criaram-se condições para que a ermida passasse a ser freqüentada regularmente. Ao mesmo tempo, a atual Rua dos Remédios recebia seu traçado definitivo.

    As esmolas recolhidas graças ao zelo do ermitão Francisco Xavier, possibilitaram a reconstrução do templo. No primeiro quartel do século XIX, Gaioso afirmava que a Igreja dos Remédios se achava "grandiosamente enriquecida pelos negociantes do Maranhão, que tomaram a Senhora por protetora do comércio".

    A inscrição circundada por belos ornatos em alto-relevo, hoje vista no interior, à esquerda do arco da capela-mor, foi originalmente afixada na parte externa, sobre a porta principal da antiga ermida.

    Entre diversas reconstruções, reformas, ampliações e melhorias que tem recebido a Igreja dos Remédios, citam-se as verificadas em 1860, 1892, 1906, 1907, 1910, 1913 e 1929-30.

    A festa de Nossa Senhora dos Remédios, realizada em outubro, foi das mais importantes e movimentadas que houve em São Luís, desde o século passado até a primeira metade deste. Sobre ela muito se escreveu, merecendo referência as páginas evocativas de Trajano Galvão, Graça Aranha, Aluísio Azevedo, César Marques e, especialmente, o folhetim de João Francisco Lisboa, aparecido no Publicador Maranhense de 15 de outubro de 185l e posteriormente recolhido às suas Obras.

    2.06.03.04 - Igreja de São Pantaleão
    Apesar de pequena e arquitetonicamente simples, a Igreja de São Pantaleão (na rua do mesmo nome, entre Cotovia e Cajazeiras) levou quase 40 anos para ser concluída. A 15 de junho de 1780, Pantaleão Rodrigues de Castro e Pedro da Cunha lançaram-lhe a pedra fundamental. O padroeiro seria São José da Cidade. Nove anos depois, falecia Pedro da Cunha, aos 80 anos de idade. Em 1793, Pantaleão e seu filho Manoel Rodrigues de Castro doaram a Igreja em construção à Santa Casa de Misericórdia, oferecendo, na oportunidade, uma imagem de São José da Misericórdia, o novo orago da Igreja. Mas também Pantaleão faleceu sem ver a obra concluída, o que só aconteceu em 1817, ano em que, a 19 de março foi benzida e solenemente inaugurada.

    Em homenagem a um de seus piedosos instituidores, a Igreja foi consagrada a São Pantaleão. Os restos mortais de Pantaleão Rodrigues de Castro, sepultados na Capela de Nossa Senhora da Piedade, do Convento do Carmo, foram trasladados para a capela-mor da Igreja de São Pantaleão, em novembro de 1830.

    Na lateral esquerda (parte dos fundos), de frente para a Rua da Cotovia, funcionou a Casa da Roda ou Roda dos Enjeitados ou Casa dos Expostos "estabelecimento destinado a receber e educar os recém-nascidos de mães solteiras que não se dispunham a criá-los". A Casa dos Expostos e a Igreja pertenceram à Santa Casa de Misericórdia até 1946, ano em que foram transferidos para a Casa das Missões de São José e o Arcebispado de São Luís, respectivamente.

    À direita de quem entra na Igreja, estão numa urna envidraçada, as relíquias de Santa Severa, chegadas a São Luís a 05/12/1852, na companhia de Frei Doroteu de Dronero.
    Internamente, a Igreja de São Pantaleão acha-se descaracterizada e tristemente empobrecida pela desastrosa reforma que ali se operou em 1976, sob a direção do Padre André Koning.

    2.06.03.05 - Igreja de São João
    A Igreja de São João Batista, como já ficou dito, foi construída em 1665, por iniciativa e a expensas do Governador e Capitão-General Rui Vaz de Siqueira, que esteve à frente dos destinos do Maranhão no período de 1662 a 1667.

    Instaurado um processo de devassa da gestão desse governante, esteve ele algum tempo fora da Cidade, obtendo, a seguir, autorização para morar na Igreja de São João Batista, "que pouco antes tinha mandado edificar à sua custa para os soldados, para com isso pagar o que tinha feito com uma mulher nobre casada, da qual lhe nasceu uma filha", segundo a informação do padre João Felipe Bettendorff, cronista contemporâneo do fato.

    Edificada no cruzamento das ruas da Paz e de São João, a Igreja de São João Batista tem à frente um pequeno largo onde a Companhia das Águas de São Luís instalou um chafariz (hoje removido). Em 1938 aí foi colocado o busto de Antônio Henriques Leal, cognominado o Plutarco Maranhense, monumento removido, em 1967, para a Praça do Panteon.

    Entre as reformas por que passou a Igreja de São João Batista, é particularmente importante a de 1934, que resultou em sua completa reconstrução, conforme assinalado na fachada: 1665 SANCTI JOANNIS BAPTISTAE ECCLESIA 1934.

    Em 1958 sofreu diversas reformas, constantes de pintura, retirada do altar-mor e reparos no telhado. Data dessa época a remoção do ossuário, no qual se incluíam os restos mortais de Silvério dos Reis.

    2.06.03.06 - Igreja do Rosário
    A 17 de maio de 1717, os frades carmelitas considerando que "os pretinhos irmãos da Virgem Nossa Senhora do Rosário estavam unidos e conformes para fundar aqui uma ermida dedicada à mesma santa e por não terem sítio onde a fundassem", doaram à irmandade um terreno sito no Carmo Velho.

    A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cujo rei era, então, José Luís da Fonseca, teria contado, para a construção da Igreja (na Rua do Egito, canto com a de Santo Antônio), com a ajuda de devotos brancos. Vistoriada em 1772, em 1776 foi batizada pelo Vigário Antônio Cordeiro Roxas, dando-se a trasladação da santa para o altar-mor do templo. A 1º de novembro de 1814, saiu dessa Igreja a primeira Procissão da Caridade. Mas tudo indica que ainda em 1864 as obras não se encontravam concluídas, já que é desse ano uma circular em que a irmandade pedia a colaboração dos devotos, para "continuar as obras de sua capela".

    Segundo parecer especializado, são primitivos, no interior do templo, apenas o revestimento parcial das paredes laterais da capela-mor, constituído por azulejos que formam painéis, e os altares laterais, principalmente o da esquerda, composto de talhas rústicas e sustentado por duas colunas salomônicas adornadas de frutos e folhas de parreiras que os recobrem e lhes acompanham o movimento.

    Durante o bispado de D. Manuel Joaquim da Silveira (1852-6l), a Igreja da Sé foi atingida por um raio que lhe causou grandes avarias, fato que obrigou o prelado a pontificar na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

    D. Luís da Conceição Saraiva (1862-78), sucessor de D. Manuel, tomando a ombros, logo no início de sua proveitosa ação pastoral, as obras de restauração da Sé e do palácio Episcopal, deu aos fiéis maranhenses o exemplo de seu trabalho e zelo pelas coisas do culto católico. Assim estimuladas, diversas irmandades reconstruíram as igrejas de Santo Antônio e do Desterro, e restauraram as do Carmo, de São Pantaleão e do Rosário, além das capelas do Senhor dos Passos e do Senhor Bom Jesus dos Navegantes.

    Em 1970, a Irmandade de São Benedito, sob a presidência de Eduardo da Silva Sampaio, promoveu a última restauração notável dessa Igreja, que também já franqueou um de seus corredores para as aulas públicas regidas, até 182l, pelo Padre Domingos Cadávila Veloso, proeminente figura das lutas em prol da Adesão do Maranhão à Independência.

    2.06.03.07 - Igreja de Santana
    A publicação Monumentos históricos do Maranhão (1979), ao tratar da Igreja de Santana (na artéria do mesmo nome, entre as ruas da Cruz e de São João), incide em erro, confundindo-a com a hoje demolida Capela de Santana da Sagrada Família, popularmente conhecida como Igreja de Santaninha. Esta observação tem o propósito de prevenir do engano eventuais consulentes, e também porque ele em grande parte cabe ao autor, que figura, no mencionado livro, como responsável pelo estabelecimento do texto e pela revisão.

    César Marques, cujo Dicionário é dadivosa fonte a que invariavelmente recorrem todos quanto escrevem sobre a história do Maranhão, trata de muitas igrejas de São Luís, mas curiosamente, silencia acerca de algumas. Entre elas, a de Santana. Informa Gaioso que a construção dessa Igreja data de 1790, e se deve a iniciativa do Cônego João Maria da Leu Costa.

    São notáveis, por seu valor, os painéis de azulejos portugueses que barram as paredes. Pena que se encontrem em péssimo estado de conservação, e que se haja procurado compensar os exemplares danificados pelo recurso à emenda imprópria, com a aplicação de azulejos modernos e destoantes dos primitivos.

    Apesar dos motivos neoclássicos predominantes, esse templo ostenta diversos elementos barrocos. Ao final do corredor, à esquerda de quem entra na Igreja, há um painel de inspiração sacra, admirável por sua beleza e relativo bom estado de conservação.

    2.06.03.08 - Capela da Anunciação e Remédios
    Apegada ao Colégio Santa Teresa, das Irmãs Dorotéias (Rua do Egito, canto coma Igreja do Rosário), está a Capela de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, cuja construção original data do século XVIII e se deve à piedosa determinação do bem-aventurado Gabriel Malagrida, o Apóstolo do Maranhão.

    Essa capela foi construída como casa de oração do Asilo de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, fundada pelo incansável missionário, em 1752. Enquanto se realizavam as obras do recolhimento e da capela, concluídas ambas em agosto de 1753, o asilo funcionou em casa do Padre José Teles Vidigal, no então Largo de João do Vale ( atual Praça Benedito Leite), onde hoje está a Escola Técnica do Centro Caixeiral do Maranhão.

    Vinculadas por Malagrida às Ursulinas do Coração de Jesus, as recolhidas, cedendo a pressões para que se estabelecessem a maior distância possível da memória ultrajada de seu benfeitor e pai espiritual, tiveram, em 1768, deferimento do pedido para que trocassem o seu instituto pelo das Agostinianas de Santa Mônica, livrando-se, assim, da antiga "vestimenta e hábitos para não conservarem em si o menor indício dos ditos jesuítas".

    Em sucessão às Agostinianas, chegaram, a 19 de janeiro de 1894, as Irmãs Dorotéias Virgínia Janozzi, provincial, Dorotéia Moraes, superiora, Maria Carolina Beltrão e Francisca Cunha. A 6 de janeiro, após cerimônia religiosa oficiada na Capela do Recolhimento, foram solenemente, empossadas na direção do estabelecimento pelo bispo D. Antônio Alvarenga.

    Além de painéis de azulejos antigos, de bela pia de pedra lioz e das lápides existentes na sala mortuária, merece referência, na Capela de Nossa Senhora da Anunciação e Remédios, um banco tosco em que, reza a tradição, o Padre Malagrida "costumava dormir e descansar das fadigas de seu apostolado".

    2.06.03.09 - Capela das Laranjeiras
    A Capela de José das Laranjeiras, fica no final da Rua Grande, teve sua construção autorizada a 17 de abril de 1811 e foi concluída em 1816. Erigiu-a o capitalista português José Gonçalves da Silva, cognominado o Barateiro, e que ao falecer, a 22;11/1821, com a idade de 72 anos, era alcaide-mor da vila de Itapecuru-Mirim, governador da Fortaleza de São Marcos, brigadeiro dos Reais Exércitos portugueses e titular do Morgado das Laranjeiras.

    Dono de imensa fortuna, avaliada entre 6 a 7 milhões de cruzados, o Barateiro deixou memória que muito o recomenda como pessoa humanitária e generosa. Aos flagelados da seca do Ceará, mandou distribuir farinha; emprestou ao Real Erário 20 contos, e estabeleceu uma doação anual de 1.080 sacas de arroz, enquanto durasse a guerra de Portugal com a França. E destinou cerca de 300 contos a legados pios, dos quais, 50 mil cruzados para a Santa Casa de Misericórdia.

    A Quinta das Laranjeiras, cabeça do Morgado, era também chamada Quinta do Barateiro, por associação à antonomásia de seu titular. E, depois, Quinta do Barão, nome alusivo ao título nobiliárquico - Barão de Bajé - do genro do Barateiro.

    Apesar de pertencer aos Irmãos Maristas e de ser um anexo do Colégio Maranhense, por eles dirigido, essa capela esteve tão arruinada e abandonada, que ameaçava ruir a qualquer momento.
    Por iniciativa da Empresa Maranhense de Turismo Ltda. - Maratur, passou por total restauração, sendo aberta à visitação pública em dezembro de 1981. No interior desse pequeno templo tem sepultura seu instituidor, cujo brasão de armas lhe serve de lápide. Aberta à visitação pública, é, presentemente, ligada à Secretaria da Cultura, através do Museu Histórico e Artístico do Maranhão.

    2.06.04 - Passos da Quaresma
    Dos sete Passos da Quaresma, em frente aos quais eram representados, na Semana Santa, os quatorze principais quadros da Via Sacra, apenas dois oferecem boas condições para um programa de recuperação e conservação: o da Rua João Victal e o da Rua Formosa (canto com a Rua Direita), por constituírem construções isoladas e não descaracterizadas irreversivelmente.

    De três outros Passos há notícia, sendo o único de construção própria, o da Rua Grande, N.º 87, sede da firma comercial Ribeiro Carvalho & Cia. Ltda. Esse pequeno imóvel encontra-se grandemente prejudicado pela platibanda, pintura a óleo e porta sanfonada que lhe acrescentaram, além de haverem modificado completamente o seu interior.

    Dos dois restantes há vestígios na parede lateral da Igreja da Sé (de frente para a Praça Benedito Leite) e no canto chanfrado da Loja Maçônica Grande Oriente (voltado para a Rua de São João).

    2.06.05 - Conventos

    2.06.05.01 - Convento, Igreja e Seminário de Santo Antônio
    Em 5 de agosto de 1624, chegou a São Luís, na qualidade de custódio visitador e comissário do Santo Ofício, Frei Cristóvão de Lisboa. Trouxe em sua companhia 13 outros franciscanos, e logo deu início, no local em que até hoje se encontra (Largo de Santo Antônio), à construção do Convento de Santo Antônio e da contígua igrejinha de Santa Margarida, posteriormente desaparecida.

    Sobre o convento, inaugurado a 1º de fevereiro de 1625, e do qual foi nomeado guardião Frei Antônio da Trindade, informava Frei Cristóvão, por essa época, a seu irmão Manuel Severim de Faria: "Nesta terra tenho já feito um mosteiro com dois dormitórios e todas as oficinas necessárias, telhado e sobrado, paredes, porém de taipa feitas entre esteios de pau, porém rebocadas e caiadas".
    Dizem respeito ao Convento de Santo Antônio diversos episódios de nossa história, sendo o primeiro deles e sublevação conhecida como Revolta de Bequimão, cujas reuniões preparatórias ali tiveram lugar, culminando com a concentração dos conjurados que de lá partiram, à noite de 23 de fevereiro de 1684, e depuseram o Capitão-Mor Baltasar Fernandes, já que o Governador e Capitão-General do Estado, Francisco de Sá de Meneses, achava-se em Belém.

    Em muitas ocasiões os frades de Santo Antônio ofereceram o abrigo de seus claustros a pessoas ameaçadas, como aconteceu com os ouvidores Vicente Leite Ripado (1720) e João Francisco Leal (1792), atingidos pelo arbítrio de governadores coloniais.

    É do início do século XVIII o célebre processo que os franciscanos moveram contra as formigas, por lhes desfalcarem a despensa e ameaçarem a segurança do convento.

    Em 1836, quando se deu a criação da atual Polícia Militar do Estado, com a denominação de Corpo de Polícia da Província do Maranhão, serviu o Convento de Santo Antônio de seu primeiro quartel. Mas logo se encontrou para o local ocupação mais condizente, a saber - O Seminário Episcopal de Santo Antônio, criado pelo bispo D. Marcos Antônio de Sousa, e inaugurado a 17 de abril de 1838.
    * Seminário prosperou, recebendo muitos alunos, o que tornou necessária a ampliação do espaço físico e a criação de novas cadeiras de Humanidades, Teologia e Canto Gregoriano. O convento, porém, entrou em franco declínio, de modo que, em 1856, não tinha nem frades nem recursos financeiros, achando-se em quase completo abandono.

    Nesse ano veio do Pará, como guardião, Frei Vicente de Jesus, a cujos entusiasmo e zelo devemos a revitalização do convento e o início da construção da Igreja de Santo Antônio. Frei Vicente, entretanto, morreu em 1862, não conseguindo ver concluída a Igreja por que tanto trabalhou, pedindo a ajuda dos fiéis e do Poder Público.
    * Novo guardião do convento, Frei Ricardo do Sepulcro, deu continuidade ao trabalho de seu antecessor. Conseguiu que a partir de 1864 o Governo da Província destinasse às obras a subvenção anual de 12 contos de réis, e que o engenheiro Francisco César da Silva Amaral se encarregasse delas, por determinação governamental.

    A Igreja de Santo Antônio foi solene e pomposamente aberta aos fiéis em 20 de janeiro de 1867, que nessa data ali entronizaram a imagem de seu padroeiro.

    À direita de quem entra nesse templo estão, como seu prolongamento no sentido transversal, as Capelas do Senhor Bom Jesus dos Navegantes e do Senhor Bom Jesus da Coluna, ambas de construção muito anterior, e cujas primitivas fachadas se incorporaram à parede da Igreja. A Capela do Senhor Bom Jesus dos Navegantes tem piso de lousa e teto em abóboda-berço. O altar-mor, neoclássico, é todo branco, ornado com motivos florais de cor verde, o que lhe dá muita graça.

    Reza a tradição que aí pregou o Padre Antônio Vieira, em 1654, um Sermão de Santo Antônio, que ficou célebre como o Sermão aos Peixes, visto que a eles alegoricamente se dirige. Vieira, na verdade, usou tal recurso para vergastar conhecidas figuras da terra (inclusive religiosos), comprometidas com a exploração dos índios e com maus procedimentos que ele combateu.

    Se Vieira pregou na capela ou no convento, não há suficientes elementos para precisar. O que se pode assegurar com certeza, e até para combater um injustificável anacronismo em voga, é que o Sermão aos Peixes não foi proferido na atual Igreja de Santo Antônio, que, conforme se sabe, data da segunda metade do século XIX.

    2.06.05.02 - Convento e Igreja do Carmo
    À Igreja e ao convento de Nossa Senhora do Carmo ligam-se diversos episódios da história maranhense, sendo o principal deles, o da expulsão dos holandeses, em 1643. Batidos no interior, os prepostos de Nassau pretenderam organizar a resistência em São Luís, mas tiveram no Convento do Carmo a inexpugnável fortaleza de que partiram os decisivos bombardeios contra o Forte de São Filipe, e onde os combatentes portugueses e os nativos encontraram abrigo, sustento, armas e munições. Ferido em combate, aí faleceu o bravo Antônio Muniz Barreiros Filho, ex-capitão-mor do Maranhão. Mas a firmeza dos carmelitas, sua assistência aos feridos, seu conforto espiritual e suas palavras de encorajamento muito contribuíram para que o líder morto tivesse no sargento-mor Antônio Teixeira de Melo o indispensável sucessor no comando de uma campanha em que houve muita determinação e bravura, e na qual se distinguiram, entre outros, o Capitão Paulo Soares de Avelar e os chefes indígenas Joacaba Mitagaí e Henrique de Albuquerque.

    Terreno do primitivo Convento do Carmo, localizado no Sítio de Monsieur Pinau, onde está hoje a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, foi doado aos carmelitas Frei Cosme da Anunciação e Frei André da Natividade, por Alexandre de Moura, em 12/12/1615. Mas em 1623 a Ordem já tratava da edificação de novos convento e Igreja, no lugar em que atualmente se acham, e que era conhecido como Colina de Santa Bárbara, por causa da igrejinha que aí existiu, sob tal invocação.

    Os atuais Convento e Igreja do Carmo têm muito pouco da construção original, a começar da fachada, que tudo indica não seja a primitiva, e que revestiram de azulejos em 1866.O convento, principalmente, sofreu modificações descaracterizadoras que lhe impuseram seus novos ocupantes e proprietários, os capuchinhos.

    Em conseqüência de dissensões internas e da nova situação político-institucional criada com a Proclamação da República, as ordens religiosas tiveram seu patrimônio incorporado à Fazenda Nacional. E seus conventos e igrejas caíram em progressivo abandono. Era essa a situação do Carmo, quando chegou a Missão dos capuchinhos Lombardos a São Luís, em 1894. Nesse mesmo ano tiveram deferido, pelo inspetor da Alfândega desta Capital, o requerimento para serem depositários da Igreja e convento, mediante o compromisso de restaurá-los. No ano seguinte ocuparam-nos efetivamente. Em 1911 arremataram-nos em hasta pública, por 16 contos e 500 mil réis.

    Por exigências do plano urbanístico em execução, a Igreja e o Convento do Carmo sofreram diversas modificações, como o corte das sapatas e do calçadão saliente que davam para a Rua da Paz (operação em que desapareceram três janelas). Essa demolição, prevista desde 1902, foi realizada em 1932. De data posterior é a redução do adro, cuja escadaria fronteira foi substituída pelas laterais.

    Pertencem à memória da Igreja do Carmo as festas de Santa Filomena, que eram das mais importantes da Cidade, e a eloquência de grandes oradores sacros e políticos que dali falaram ao povo, a exemplo de Frei Marcelino de Milão; de Cônego Ribamar Carvalho, o inesquecível orador das procissões do Encontro; de Astolfo Serra, que, padre, colocou sua admirável oratória a serviço da política; de José do Patrocínio, em sua passagem para o injusto confinamento amazônico, e do Conde D'Eu. Este, repelido em sua pregação monarquista com uma ruidosa vaia dos estudantes do Liceu Maranhense. Presentemente, algumas dependências do Convento servem aos fins mais diversos: à frente, na ala sul, há consultórios e cursos oferecidos preferentemente a pessoas de baixa renda. No século passado, entre funções estranhas a suas finalidades, lembre-se que o Convento do Carmo serviu de quartel da Polícia Provincial, de primeira sede da Biblioteca Pública (inaugurada a 3 de maio de 1831), do Instituto Literário Maranhense (1865) e do Liceu Maranhense, conforme se lê na fachada, em seguida à torre do lado norte, e que, segundo Antônio Lopes, é a "mais luminosa inscrição de São Luís".

    2.06.05.03 - Convento e Igreja das Mercês
    Houve em São Luís um convento - o da Real e Militar Ordem de Nossa Senhora das Mercês - que, por seus bens materiais, descaminhos administrativos e crises político-institucionais, superou as organizações congêneres.

    Em 1654 chegaram à Cidade, procedentes de Belém, os mercedários João Cerveira (maranhense de Alcântara) e Marcos da Natividade, aos quais se vieram juntar, pouco depois, os frades Manoel de Assunção e Antônio Nolasco, além do irmão leigo João das Mercês.

    Nesse mesmo ano levantaram convento e Igreja, modestas construções de taipas, cobertas de palha. Mas já em 1655 requeriam terreno adicional para a capela-mor, e sem tardança providenciaram a edificação de convento e Igreja mais amplos, de pedra e cal.

    A par de atividades evangélicas e educacionais, os mercedários desenvolveram, com redobrado empenho, empreendimentos industriais e agropastoris de que tiravam o sustento e muito ainda lhes sobrava para se irem enriquecendo. Tempos houve em que chegaram a possuir mais de 200 escravos a serviço de extensas plantações, olarias, salinas e fazendas de gado.

    Criado pelo Convento do Pará, o Convento das Mercês de São Luís e o de Alcântara formavam, com o primeiro, uma vicária dependente de provincial sediado na Espanha. É provável que aí esteja um dos motivos das diversas medidas restritivas que a Ordem sofreu, inclusive a de absoluta submissão ao arbítrio episcopal, que abrangia ilimitada ingerência no destino de seus bens.

    Com o advento da Independência, iniciou-se, pelo regresso a Lisboa, troca de hábito ou secularização, um processo de esvaziamento que culminaria com o completo abandono do convento pelos seus frades.

    Depois das ampliações e recuperações necessárias às suas novas finalidades, o Convento das Mercês foi destinado, por D. Luís da Conceição Saraiva (1862-78), a sede do Seminário Menor ali inaugurado a 3 de fevereiro de 1863, e que viria a ser um importante instituto de humanidades.
    Sob o bispado de D. Xisto Albano (1901-7), os prédios do Convento e da Igreja das Mercês, totalizando 1.062 m2 de área construída em terreno de 5.605m2, foram vendidos ao Governo do Estado por quatro contos de réis.

    De posse do imóvel em 5 de maio de 1905, o Governo realizou adaptações e reformas, inclusive a que inverteu as frentes do convento e da Igreja anexa (que davam para o mar) e lhes conferiu a unidade de fachada única, a fim de servirem de quartel para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros Militares do Estado. Posteriormente esse imóvel passou por completa restauração, com a finalidade de sediar a Fundação da Memória Republicana, que ali mantém importante acervo de livros, documentos, iconografia, condecorações, filmoteca, obras de arte e numerosos outros objetos doados pelo Senador e ex-Presidente José Sarney.

    Ao Convento e à Igreja das Mercês (cuja edificação precedeu a daquele) associa-se uma notável crônica de que são pontos altos os banquetes para muitos convidados, as esmolas aos pobres, as aulas de primeiras letras, de gramática latina, de filosofia e de música, ministradas por "frades ilustrados e talentosos", uma notável biblioteca e as festas de Natal, da Páscoa, de Nossa Senhora das Mercês e de São Pedro Nolasco, o padroeiro da Ordem. No dia anomástico deste santo, em que foi inaugurada a Igreja, pregou o Padre Antônio Vieira o célebre Sermão de São Pedro Nolasco, do qual vai transcrito o trecho seguinte:

    "Note o Maranhão de caminho, e preze muito, e preze-se muito desta prerrogativa, que tem entre todas as conquistas do nosso reino. Todos os estados de nossas conquistas, na África, na Ásia, e na América, receberam de Portugal as religiões com que se honram, e se sustentam: só o estado do Maranhão pode dar nova religião a Portugal, porque lhe deu a das Mercês. Cá começou e de cá foi, e já lá começa a ter casa, e quererá a mesma Senhora, que cedo tenha casas e províncias."

     

    2.06.06 -MONUMENTOS E INSTITUIÇÕES NOTÁVEIS

    A depender dos parâmetros utilizados para a observação de nossos monumentos e de nossas instituições, pode-se concluir que eles e elas são notáveis ou desimportantes . De fato, São Luís não tem monumentos que, medidos por uma escala mais geral, mereçam a classificação de notáveis. E talvez porque disso a Cidade não precisa, já que ela própria, em alma e azulejo, em ladeiras e beirais, é o maior e mais importante momento que aqui se pode admirar.

    É com tal compreensão que a seguir se faz a sumária apresentação de bustos, estátuas e marcos da cidade, assim também, de algumas instituições. Uns outros, notáveis e muito importantes, pelo que representam e sintetizam de nossa história, de nossas tradições, lutas e vitórias, de nossa vida, afinal.

    2.06.05.04 - Convento de São Francisco
    O primeiro de nossos conventos - o de São Francisco, situado nas proximidades da Igreja da Sé - teve duração pouco maior que a da permanência, aqui, dos capuchinhos franceses, seus instituidores.

    2.06.6 - Monumentos e Instituições Notáveis:

    2.06.06.01 - Outeiro da Cruz
    Monumento evocativo da expulsão dos holandeses, onde uma inscrição relembra:
    A TRADIÇÃO POPULAR CONSAGROU ESTE/ MONUMENTO À MEMÓRIA DOS BRAVOS QUE, / AO MANDO DE MONIZ BARREIROS E / TEIXEIRA DE MELLO EXPULSARAM / OS HOLANDEZES DA CAPITANIA. 30-IX-1642 / 21-IX-1642 / 26-I-1643 / 28-II-1644.

    2.06.06.02 - Pedra da Memória
    Monumento erguido no campo de Ourique, em 1841, comemorativo da Coroação D. Pedro II. Tem , abertas em relevo, numa das faces da pirâmide de que o encima, as armas do império. E, no pedestal, esta inscrições: Á MEMORIA DA / COROAÇÃO DE S.M.I. / O S. D. P.2º I . C. E. P. D. DO B. / ERIGEM ESTE MONUMENTO / OS MENBROS DO EXERCITO/ QUE NA PROVINCIA ESTÃO / SENDO PRESIDENTE / O ILL.MO S. R DOUTOR JOÃO ANTONIO DE MIRANDA / 18 E 41 / COM. ME DAS ARMAS O ILL.MO S. R CORONEL FRANCISCO JOZE MARTINS. / 1841. Na face oposta do pedestal, uma placa de bronze diz: RESTAURADOR A 10-4-50 / GOVERNADOR SEBASTIÃO ARCHER / DA SILVA / PREFEITO / ANTÔNIO E. DA COSTA RODRIGUES.

    Depois da demolição do quartel e do completo abandono em que ficou o campo de ourique, esse monumento, hoje numas das meias-laranjas, do cais da sagração, foi desmontado e quase tomava descaminho não fosse a diligência do escritor Joaquim Luz (Matões-MA, 17/12/1893 - Rio de Janeiro, 1º/07/1950), em que se empenhou por sua instalação local em que atualmente se encontra.

    Obs.: As armas do império e a inscrição aberta a cinzel, estão de frente para o mar. Ainda sob a inscrição original: o registro duplo do ano - 1841 - indica que o nome do comandante das Armas foi incluído posteriormente. Sobretudo porque a primeira data, que deveria encerrar a inscrição, foi desajeitadamente introduzida e aditiva. E.

    2.06.06.03 - Pirâmide de Bequimão
    Obelisco evocativo do sacrifício de Manoel Beckman o Bequimão, líder principal da revolta de 1684. Inaugurado a 28/07/1910, no parque Urbano Santos, antigamente chamado Praia do Armazém e depois Praia da Trindade, e provável local em que Bequimão e seu companheiro Jorge de Sampaio foram enforcados a 10/11/1685.

    2.06.06.04 - Memorial Bandeira Tribuzzi
    Na praia da Ponta d´Areia, construído no Governo Luís Rocha, deveria reunir acervo do poeta, servir de espaço para cursos, seminários e exposições temporárias. Abandonado, até hoje não teve utilização alguma.

    Pelo quatro cantos da cidade há estátuas e pirâmides feitas e mandadas fazer de alma em festa, mas todas de funestos resultados estéticos. As primeiras representam a Mãe d'Água, São Francisco, São Cristóvão, Bequimão, Jerônimo de Albuquerque, o pescador, o trabalhador urbano, enfim - deuses, santos, guerreiros e heróis do cotidiano. As segundas não se sabe bem o que representa. À frente do conjunto Newton Bello, no bairro Alemanha, havia uma estátua do ex-governante maranhense, aberração que não mais ali se encontra no momento deste registro. Que jamais retorne, enquanto empenhadamente recomenda o serviço de profilaxia estética da cidade. E para dar um feixo bonito a estas notas, sejam lembrados painéis e murais admiráveis que Antônio Almeida espalhou por espaços externos e internos de São Luís, entre eles, no Posto Atlântico, do Sítio Veneza no Parque do Bom Menino, na Assembléia Legislativa do Estado, na faixada de o Estado do Maranhão na residência do casal Cléa Alberto Salim Dualibe, na associação Comercial e no Edifício BEM. Alguns, nem por maltratados ou pintados espalhafatosamente, perderam, de todo, a beleza que Almeida lhes deu. Vale a pena admirá-los. Ás vezes causam pena. Mas sempre, também , dão muito gosto.

    2.06.06.05 - Cafua das Mercês
    Rua Jacinto Maia (início), entre as ruas da Estrela e da Palma.

    Pequena construção que teria sido um entreposto do comércio negreiro. Possui uma réplica do pelourinho que havia no Largo do Carmo, além de peças relacionadas com a escravidão e com a cultura negra.

    2.06.07 - Bustos da Cidade

    2.06.07.01- Almirante Tamandaré
    Na pequena praça do mesmo nome, perto da vila militar e do quartel do 24º B.C. À frente, uma âncora e um canhão. Afixada ao pedestal, esta placa: AO ALMIRANTE TAMANDARÉ HOMENAGEM DA CIDADE DE SÃO LUÍS/ INAUGURADO EM 31.01.1970.

    2.06.07.02 - Antônio Francisco Leal Lobo (São Luís, 04/07/1870 - 24/06/1916 )
    No antigo largo de Santo Antônio , oficialmente denominado praça Antônio Lobo (resolução de 20/04/1917, da ( Câmara Municipal), em homenagem a esse grande líder intelectual, que residiu no sobrado 33, desse logradouro, em seus últimos dias de vida . Trabalho do escultor maranhense Celso Antônio de Meneses, ali colocado por iniciativa da União Estudantil Sílvio Romero.

    2.06.07.03 - Apolônio Pinto (São Luís, 1854 - Rio de Janeiro, 1937)
    O busto dessa que foi uma das maiores atrizes brasileiras de seu tempo, e que nasceu no camarim n.º 1, do teatro Artur Azevedo, achava-se, primitivamente, no início da Av. Magalhães de Almeida.

    Depois foi removido para a área lateral do teatro Artur Azevedo , onde houve a galeria Eney Santana, com o monumento à entrada. Está agora na mesma área, em espaço interior do teatro.

    2.06.07.04 - Barão de Pindaré, Antônio Pedro da Costa Ferreira (Alcântara - MA, 26/12/1778 - Rio de Janeiro, 18/07/1860)
    Na entrada da biblioteca pública Benedito Leite por ter sido o idealizador dessa instituição, quando membro do Conselho Geral da Província. Costa Ferreira foi deputado geral, presidente da Província do Maranhão e Senador do Império, cargo que exerceu por 25 anos, e em cujo exercício veio a falecer.

    2.06.07.05 - D. Francisco de Paula e Silva (Douradinho - MG, 21/10/1866 - Parnaíba -PI, 1º/06/1918)
    Vigésimo terceiro bispo de São Luís e o penúltimo titular da Diocese, elevada a Arquidiocese pela Bula Rationi Congruit, de 10/02/1922, do papa Pio XI. Acha-se o busto (de Newton Sá, fundido em São Luís, por A. Vidal) em frente à Igreja da Sé, onde foi sepultado o prelado. Protegido por gradil de cimento e madeira, o busto descansa sobre plinto de mármore branco e tem apenas está inscrição: D. Francisco. Atualmente rodo envolvido pela vasta vegetação que o circunda e que praticamente o esconde.

    2.06.07.06 - Marcílio Dias
    No pequeno espaço ao lado da Capitania dos Portos, em plano inferior ao desta, e descendente no sentido de quem se dirige ao cais. Placa afixada no pedestal do monumento diz: PRAÇA MARINHEIRO / "MARCÍLIO DIAS" / INAUGURADA EM 11-06-94 / 129º ANIVERSÁRIO DA BATALHA / NAVAL DO RIACHUELO.

    2.06.08 - Bustos da Praça do Panteon
    Na Praça do Panteon, espaço fronteiro à Biblioteca Pública Benedito Leite, e onde se erguia o quartel do Exército, construído no final do século XVIII e demolido nos anos quarenta deste século, acham-se, no sentido horário, a contar da esquerda de quem esteja de frente para a biblioteca, os bustos de 16 maranhenses notáveis, a seguir resumidamente biografados:

    2.06.08.01- Augusto Olímpio Gomes de Castro (Alcântara-MA, 07/11/1836 - Rio de Janeiro, 31/01/1909).
    Bacharel em direito pela Faculdade do Recife, colou grau em 1861. Ingressando na política, filiou-se ao Partido Conservador, do qual veio a ser chefe no Maranhão. Após o primeiro mandato, de deputado provincial, exerceu, em sucessivas legislaturas, o de deputado geral. Jornalista, dirigiu em São Luís A Situação (1864-8), O Tempo (1878-81) e O País (1882-8). Era grande tribuno parlamentar e advogado de nomeada. Presidiu as províncias do Piauí e do Maranhão. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, da Cadeira 39.

    BUSTO: esculpido em Paris, por M. Sain; fundido por Montagutelle Frères - Paris, 1918. No próprio bronze, o nome do homenageado.

    2.06.08.02 - Urbano Santos da Costa Araújo (Guimarães-MA, 03/02/1859 -07/05/1922, a bordo do navio Minas Gerais, em viagem para o Rio de Janeiro).
    Bacharel da Faculdade de Direito do Recife (1822), foi promotor público e juiz no Maranhão. Deputado Federal (1897-1906), senador (1906-14), Ministro da Justiça (1918); eleito governador do Maranhão em 1898, 1913 e 1918, renunciou aos dois primeiros mandatos, somente assumindo o cargo em 1918. Vice-presidente da República, exerceu a Presidência em 1917. Novamente eleito para esse cargo em 1922, não chegou a assumi-lo. Urbano Santos é nome de município maranhense.

    BUSTO: há dois, um ao lado do outro. Do primeiro arrancaram a placa indicativa do homenageado. Lê-se no segundo: URBANO SANTOS / 03/02/1869 - 06/05/1922. Obs.: estão errados o ano do nascimento e o dia do falecimento.

    2.06.08.03 - Maria Firmina dos Reis (São Luís, 11/10/1825 - Guimarães - MA, 11/11/1917). Professora de primeiras letras, exerceu o magistério com dedicação e competência, em Guimarães, interior do Estado. Colaborou na imprensa de São Luís; era abolucionista. A primeira romancista maranhense e entre as mulheres que pioneiramente fizeram literatura no Brasil. Autora do volume de versos Cantos à beira-mar (1871) e dos romances Úrsula (1859) e Gupeva. Este, com subtítulo "Romance brasiliense" , e publicado no periódico literário Echo da Juventude (São Luís, 1864-5).

    BUSTO: sobre pedestal revestido de mármore, e o mais elevado do conjunto. Inscrições no bronze: MARIA FIRMINA DOS REIS / 1ª ROMANCISTA DO BRASIL. No pedestal, a placa : À (sic) MARIA FIRMINA DOS REIS / 11.10.1825 - 11.11.1917 / LITERARATA E MESTRA BRASILEIRA / FUNDOU A 1ª ESCOLA MISTA DO Maranhão / HOMENAGEM DO POVO / 1975 ANO INTERNACIONAL DA MULHER / ESCULTURA DE FLORY GAMA.
    Obs.: o busto é uma idealização da homenageada, de quem não são conhecidas fotografias. Mas que, mulata, provavelmente não teria as finas e clássicas feições de República alegorizada que lhe deu o talentoso escultor maranhense.

    2.06.08.04 - Bandeira Tribuzi, nome literário de José Tribuzi Pinheiro Gomes (São Luís, 02/02/1927 - 08/09/1977).
    Fez a parte fundamental de sua formação humanística em Portugal, de onde regressou a São Luís no ano de 1945. Figura de importância marcante no processo de renovação estética do Maranhão, BT, professor, economista, técnico em planejamento governamental, compositor, jornalista, foi principalmente, poeta. Sua obra nesse gênero, constante de 10 livros, foi reunida ao volume Poesias completas (1979), reeditado em 1896 com o título Poesia reunida, 1° v. BT é autor (letra e música) do atual Hino de São Luís.

    BUSTO: sem indicação visível de autoria. Não mantém perfeita semelhança como o homenageado, que ali não figura com os seus inseparáveis óculos. Placa: OH! MINHA CIDADE, DEIXA-ME VIVER. / POETA BANDEIRA TRIBUZI / JOSÉ TRIBUZI PINHEIRO GOMES / 02.02.27 - 08.09.77.
    Obs.: a primeira frase é o verso inicial do Hino de São Luís.

    2.06.08.05 - Arnaldo de Jesus Ferreira (São Luís, 12/10/1904 - 13/10/1958).
    Empresário do ramo comercial, foi importante líder de sua classe. Presidente, em sucessivos mandatos, da Associação Comercial do Maranhão; delegado regional do SENAC; gerente do Banco do Maranhão; secretário de Estado da Fazenda; consultor técnico do Diretório Regional de Geografia. Autor de diversos estudos históricos sobre assuntos maranhenses. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e Academia Maranhense de Letras.

    BUSTO: Placa onde se lê: " AQUEM HONRA, HONRA" / A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO MARANHÃO / AGRADECIDA, REVERÊNCIA A MEMÓRIA / DO SEU EX-PRESIDENTE / ARNALDO DE JESUS FERREIRA / 1904 - 1958 / SÃO LUÍS - MARÇO DE 1979.

    2.06.08.06 - José da Silva Maia (Alcântara - MA, 26/02/1811 - São Luís, 24/04/1893). Educado na França desde os 10 anos de idade, formou-se, em 1838, pela Escola de Medicina de Paris, sendo condecorado pelo rei Luís Felipe, em reconhecimento à distinção com que se houve no curso. De volta à cidade natal, ali começa sua extraordinária carreira de clínico geral que aliava saber a admirável intuição, graças ao que conquistou grande fama no Maranhão e no Rio de Janeiro. Político, pertenceu ao partido Conservador, do qual posteriormente se desligou, fundando o chamado Partido Estrela que congregou o Grupo Maísta. Deputado provincial, deputado geral e Vice-presidente da Província, condição em que a governou por duas vezes (1869 e 1870).

    BUSTO: inscrição SILVA MAIA, no bronze. Escultor, M. Sain; Paris, 1918.

    2.06.08.07 - Henrique Maximiano Coelho Neto (Caxias - MA, 21/02/1864 - Rio de Janeiro, 28/11/1934).
    Escritor de largos recursos expressionais, produziu uma obra de mais de 100 livros que vão da crônica, ao discurso e à conferência; do romance, à novela e ao conto; do teatro, ao episódio lírico e aos perfis. Gozou, em seu tempo de grande renome, e foi um dos autores mais lidos. O orador eloqüente, encantava platéias. Deputado federal pelo Maranhão. Um dos fundadores de Academia Brasileira. É nome de município no Maranhão. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, da cadeira 24.
    BUSTO: com placa: COELHO NETO / PRINCÍPE DOS PROSADORES / BRASILEIROS / 21.2.1864 - 28.11.1934.
    Escultura de Correia Lima, 1945 - Fundição Cavina, Rio.

    2.06.08.08 - Joaquim Gomes de Sousa (Itapecuru-Mirim - MA, 15/02/1829 - Londres, 1º/06/1863).
    Precoce e de inteligência fulgurante que lhe deu a reputação de gênio e sábio, Gomes de Sousa, o Sousinha, tornou-se, aos 17 anos de idade, bacharel em Ciências Matemáticas e Físicas e, quatro meses depois, mediante defesa de tese, doutor pela Academia Militar do Rio de Janeiro, da qual se tornou catedrático, após memorável concurso. Doutor em medicina pela Universidade de Paris, foi distinguido por Universidades e Academias Científicas de Viena, Londres e Paris. Capitão-engenheiro do Exército; deputado geral pelo Maranhão. Autor de diversos trabalhos de Matemática, de Astronomia e de memórias científicas, publicou a Anthologie Universelle (Leipzig, Brockhaus, 1859), onde reúne cerca de uma centena e meia de poetas de 16 línguas. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, na cadeira 8.

    BUSTO: Escultor, A. Matos (?), 1829. Fundição Cavina, Rio. Com placa: JOAQUIM GOMES DE SOUSA / O GÊNIO DA MATEMÁTICA / 15.2.1829 - 1.6.1863.

    2.06.08.09 - Clodoaldo Cardoso (Barra do Corda - MA, 07/08/1894 - São Luís , 05/05/1970). Bacharel em direito pela Faculdade de Teresina. Professor e diretor da Faculdade de direito do Maranhão; consultor jurídico, membro da Procuradoria Geral do Estado; prefeito de São Luís; advogado militante, especializado em assuntos financeiros e tributários; secretário de Estado da Fazenda. Poeta, publicou Florões (1926). Também autor da importante monografia Pastos Bons (1947). Pertenceu ao Instituto Histórico e geográfico do Maranhão e à Academia Maranhense de Letras, que reorganizou e dinamizou, na condição de seu presidente em sucessivos mandatos.

    BUSTO: com placa: HONRA AO MÉRITO / À MEMÓRIA DO EX-CONSULTOR JURÍDICO / DR. CLODOALDO CARDOSO DA / ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO Maranhão / SÃO LUÍS, MARÇO - 1979.

    2.06.08.10 - Antônio Henriques Leal (Cantanhede-MA, 24/07/1828 - Rio de Janeiro, 29/09/1885).
    Médico, jornalista, polígrafo e pesquisador de nomeada, exerceu esta última função também em Portugal, comissionado pelo Governo do Império. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e dirigiu a Imprensa nacional. Fundador, redator e/ou colaborador de jornais de São Luís, também colaborou na imprensa do Rio de Janeiro e de Portugal. Autor de diversos livros, entre eles o célebre Panteon maranhense (4 t., c/19 biografias), que conferiu a AHL o justo cognome de Plutarco Maranhense. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, da Cadeira 10.

    BUSTO: Escultor, A. Matos (?), 1929. tem placa onde se lê: ANTÔNIO HENRIQUES LEAL / O PLUTARCO MARANHENSE / 24.7.1828 - 29.9.1885.

    2.06.08.11 - Artur Nabatino Gonçalves de Azevedo (São Luís, 07/06/1855 - MA, - Rio de Janeiro. 22/10/1908).
    Jornalista, poeta, contista e sobretudo, teatrólogo, realizou, como tal, umas das mais importantes obras do Brasil. Autor de mais de 100 títulos, AA era, também, um grande colecionador de arte. O principal do acervo que reuniu (pintura, escultura, gravura etc.) foi, após a morte do escritor, adquirido pelo Governo do Estado do Maranhão, e compreende mais de 20 mil peças. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, da cadeira 3.

    BUSTO: com placa onde se lê: ARTUR AZEVEDO / CONTISTA E TEATRÓLOGO / 7.7.1855 - 22.10.1908.

    2.06.08.12 - Humberto de Campos Veras (Miritiba-MA, atual Humberto de Campos, 25/10/1886 - Rio de Janeiro, 05/12/1934).
    Cronista, ficcionista, crítico, memorialista, poeta, Humberto de Campos gozou de grande prestígio literário em seu tempo, chegando a ser um dos autores mais lidos e apreciados. Foi deputado federal pelo Maranhão. Pertenceu a Academia Brasileira de Letras. Sua obra está reunida em 39 volumes, sendo 10 da série Conselho XX. Humberto de Campos é patrono, na Academia Maranhense de Letras, da cadeira 22.

    BUSTO: Escultor, C. Lima, 1945. Fundição Cavina, Rio. Duas placas em que se lê: na 1ª HUMBERTO DE CAMPOS / ERUDITO ESCRITOR E PRESTÍGIO- / SÓ POLÍTICO / 25.10.1886 - 5.12.1934. / INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO Maranhão. Na 2ª HOMENAGEM DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO Maranhão / AO INSIGNE ESCRITOR MARANHENSE / HUMBERTO DE CAMPOS AO ENSEJO / DO TRANSCURSO DO PRIMEIRO CEN- / TENÁRIO DO SEU NASCIMENTO / SÃO LUÍS, 25.10.1986.

    2.06.08.13 - Raimundo Corrêa de Araújo (Pedreiras-MA, 29/05/1885 - São Luís, 24/08/1951).
    Bacharel em Direito; professor, jornalista, poeta. Diretor por muitos anos, da Biblioteca Pública do Estado, cargo em que se aposentou. Autor de diversos livros de poemas. Entre eles, Harpas de fogo (1903), sua estréia, e Acrópole (1960), publicação póstuma. Um dos fundadores da Academia Maranhense de Letras.

    BUSTO: de Flory Gama. Com o nome do homenageado gravado no bronze e placa onde se lê:
    A / CORRÊA DE ARAÚJO, / O ÚLTIMO SABIÁ DE ATENAS -, / HOMENAGEM DO GRÊMIO CULTURAL CATULIO DA PAIXÃO CEARENSE. / DA GUANABARA, DO MOVIMENTO MARANHENSE DOS TROVADORES / - MOMATRO - E DA PREFEITURA DE SÃO LUÍS, SENDO PREFEITO O DR. / HAROLDO TAVARES / POR INICIATIVA DE GUIMARÃES MARTINS. / ESCULTURA DE FLORY GAMA.

    Mais abaixo:

    AO GUIMARÃES MARTINS

    Ó! GUIMARÃES MARTINS, OS NOSSOS POETAS,
    - MAVIOSOS SABIÁS, ÁUREOS VINS-VINS,
    DOCES CORRUPIÕES - ALMAS SELETAS,
    NAS QUAIS A ARTE ATINGIU TODAS AS METAS,
    MORRER JÁ PODEM, GUIMARÃES MARTINS!
    SIM, JÁ PODEM MORRER! PORQUE DO OLVIDO
    EM QUE OS SEPULTA A NOSSA INGRATIDÃO,
    HÁ DE OS TRAZER, DE NOVO, PARA O RUÍDO
    E O TUMULTO DA VIDA - TÃO RENHIDO,
    TÃO BRUTAL E MORTAL - A TUA MÃO!
    E ARRANCANDO, POR TI, DA MORTE, O BANDO
    DE SABIÁS - ALMA DA NOSSA GENTE,
    E ENCARNAÇÃO DOS PÁSSAROS MAIS TERNOS -
    A ALMA INTEIRA NO CÂNTICO DOLENTE
    HÁ DE FICAR NOS MÁRMORES ETERNOS,
    NAS PALMEIRAS DE MÁRMORE - CANTANDO,
    CANTANDO ETERNAMENTE.

    CORRÊA DE ARAÚJO
    PEDREIRAS: 29.5.1885 - SÃO LUÍS; 24.8.1957.
    (DA ACADEMIA MARANHENSE DE LETRAS)
    SÃO LUÍS, 24.8.1974

    Obs.: ao contrário do que diz a placa, o ano de falecimento do poeta é 1951.

    2.06.08.14 - Raimundo da Mota de Azevedo (Baía de Mangunça, águas do município maranhense de Turiaçu, a bordo do vapor São Luís, 13/05/1859 - Paris, 03/09/1911). Bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo (1882). Promotor público e, a seguir, magistrado, cargo que alterna com os postos no Poder executivo. Nomeado para funções diplomáticos em Paris e Lisboa, não chegou a assumi-las. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e entre os mais importantes poetas parnasianos do Brasil. Autor dos Livros Primeiros Sonhos (1878), Sinfonias (1882), Versos e versões (1887), aleluias (1891), todos de poesia, e de trabalhos em prosa. Célebres seus sonetos As Pombas, Mal secreto, Vinho de Hebe etc. patrono, na Academia Maranhense de Letras, da Cadeira 16.

    BUSTO: ilegível a assinatura do escultor. Com placa: RAIMUNDO CORRÊA (sic) / POETA / 13.5.1859 - 13.9.1911.

    2.06.08.15 - João Dushere Abranches (São Luís 02/09/1867 - Petrópolis, 11/03/1841).
    Doutor em Ciências Políticas e Sociais, professor honorário da Universidade de Heidelberg Alemanha, chefiou, em 1929 a delegação brasileira à solenidade de lançamento da pedra fundamental da Basílica de santa Terezinha do Menino Jesus, em Lisieux, onde, o Cardeal Charost, representante do papa Pio XI, e com George Goyau, da Academia Francesa, figurou entre os oradores. Dusshee de Abranches dedicou-se também ao magistério e, principalmente, ao jornalismo. Polígrafo, deixou obra numerosa e variada, que soma 165 volumes. Patrono, na Academia Maranhense de Letras, da Cadeira 40.

    BUSTO: Escultor, C. Lima, 1954.Placa diz: DUSHERE DE ABRANCHES / JORNALISTA E POLÍGRAFO / 2.9.1867 - 13.3.1941.

    2.06.08.16 - José do Nascimento Moraes (São Luís 19/03/1882 -21/02/1958).
    Professor, poeta, romancista e, principalmente, jornalista, condição em que conquistou e reconhecimento de seus concidadãos. Dotado de admirável capacidade de argumentação, sustentou memoráveis polêmicas na imprensa de São Luís. Autor, entre outros livros, de Puxos e repuxos (1910), vencidos e degenerados (1915) e Neurose do medo (1930). Membro Academia Maranhense de Letras, instituição de que foi presidente em duas ocasiões.

    BUSTO: Escultor, Aug. Romano - Rio, 1954. Gravado em bronze: Prof. / Nascimento Moraes. Placa: NASCIMENTO MORAES / " EU SOU LUTADOR" / 19.3.1882 - 21.2.1958.

    2.06.09 - Escultor Sereno
    Ignora-se que lei deu tal nome a essa praçinha anteriormente denominada Almirante Belfor Vieira em homenagem a um ilustre político e militar maranhense. Também se ignora que destino tomou o monumento que ali havia, comemorativo da viagem área Nova York - Rio de Janeiro (1922) e popularmente conhecido como A Águia que pousa. Tinha a data 14.12.22. A Águia era escultora de Newton Sá.

    2.06.09.01 - Netto Guterres
    Homenagem ao médico maranhense Luís Alfredo Netto Guterres (Alcântara, 04/04/1880 - São Luís, 20/06/1934), cognominado o Médico dos Pobres, por sua exemplar caridade e dedicação aos desvalidos, aos quais atendia onde morava e, se necessário, ajudava na aquisição dos medicamentos. Esse busto está no Largo do Hospital Geral (oficialmente denominado Praça Netto Guterres - Lei n.º 308, de 3.nov.1951, mas com placa de praça da Madre Deus), e é trabalho do escultor Mauro Lima. Lê-se em placa afixada no pedestal: A NETTO GUTERRES GRANDE MÉDICO MARANHENSE, SÍMBOLO DA GENEROSIDADE DE SEU POVO, HOMENAGEM DA COLÔNIA LIBANESA DO MARANHÃO - 20-6-1948.

    2.06.09.02 - Odorico Mendes
    Na pequena praça construída em terreno adquirido ao Major Freitas, entre as ruas das Hortas e dos Remédios. O busto, do escultor Rodolfo Bernardelli, foi inaugurado a 18.ago.1905, e sob seu pedestal estão os restos mortais do homenageado, transladados do cemitério de Kensel-Green, Londres, em 1913. Lamentavelmente foram lamentavelmente foram de lá retiradas. Numa desastrada reforma do logradouro, duas lápides de mármore trazidas do sepulcro londrino, e que tinham, em português e inglês, esta inscrição : "Manoel (sic) Odorico Mendes. Exímio poeta brasileiro. Político e patriota extreme. Nasceu no Maranhão ( Brasil ) a 24 de janeiro de 1799. Morreu em Londres, a 17 de agosto de 1864".

    2.06.09.03 - Santos Dumont
    Na praça do mesmo nome, defronte do Aeroporto do Tirirical. Inaugurado pela Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de nascimento do homenageado. Diz, ali, uma placa afixada no pedestal: HOMENAGEM DA COMUNIDADE ALBERTO SANTOS DUMONT / (PAI DA AVIAÇÃO) PATRONO DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA. A praça e o busto foram inaugurados em abril de 1973.

    2.06.10 - Estátuas

    2.06.10.01 - Almirante Tamandaré
    Erguida na primeira meia laranja da avenida Beira-mar, nas proximidades da Praça Maria Aragão. Sobre pedestal de mármore, onde se lê: MONUMENTO AO ALMIRANTE JOAQUIM MARQUES LISBOA " MARQUÊS DE TAMANDARÁ" PATRONO DA MARINHA DO BRASIL INAUGURADO EM 10 DE DEZ DE 1994 SEMANA DA MARINHA.

    Obs.: A descabida preposição DE, entre os nomes MARQUES E LISBOA, foi cunhada e submetida, posteriormente, a rebaixamento, na tentativa de apaga-la. Consigna-se a incorreta da execução da obra, o que resultou em parecer o homenageado escoliótico, de membros desproporcionados e em posição nada cômoda.

    2.06.10.02 - Benedito Pereira Leite (Rosário-MA, 04/10/1857 - Hères - França - 06/03/1909). Na praça do mesmo nome anteriormente chamada, pela ordem: Largo do João do Vale ou Duval, Praça da Assembléia e Jardim Público 13 de Maio.
    Inaugurada em 1911, essa estátua é obra do escultor francês Émile Décorchement. Repousa sobre imponente plinto de mármore branco, onde se lê: 1857 - 1909 A BENEDICTO LEITE O MARANHÃO. Abaixo, num livro aberto sobre ramos de louro, a fazer a frase proferida quando, Governador do Estado, repeliu a idéia de fazer economia fechando escolas: "prefiro cortar a mão à assinar a supressão da Escola Normal ou da Modelo". Além de Governador, Benedito Leite foi deputado federal, senador e grande líder político do Maranhão.

    2.06.10.03 - Catulo da Paixão Cearense (São Luís, 08/10/1863 - Rio de Janeiro, 10/05/1946). No espaço fronteiro ao Estádio Nhozinho Santos. Estátua de Edgard Corrêa Lima, inaugurada a 26.set.1961, por iniciativa do maranhense Guimarães Martins, grande amigo de Catulo e Negatário de seus Direitos Autorais.

    2.06.10.04 - João Francisco Lisboa (Pirapemas-MA, 22/03/1812 - Lisboa, 26/04/1863).
    Uma das mais importantes figuras de geração maranhense que pontificou na cultura brasileira, entre os anos 40 a 60 do século passado e que passou à história literária com o codnome de Grupo Maranhense. Crítico de costumes, jornalista e historiador, JFL é considerado um dos fundadores da prosa brasileira. Sua obra foi editada em sucessivos fascículos do jornal do Timon, e representa um dos testemunhos fundamentais sobre o Brasil colonial, com ênfase especial para o Maranhão.

    A estátua sedestre João Francisco Lisboa, hoje fronteando os prédios da Secretaria do Meio ambiente e da DR- ECT, esteve primitivamente localizada defronte do Convento do Carmo, onde foi inaugurada em 1°.jan.1918, por iniciativa da Academia Maranhense de Letras. Obra do escultor francês Jean Magrou, descansava sobre imponente plinto de mármore, que cujo paradeiro não notícia.

    2.06.10.05 - Duque de Caxias
    Na praça do mesmo nome, defronte ao Quartel do 24º BC. (Bairro do João Paulo), logradouro construído e, planos ascendentes. Inaugurada em 1945, juntamente com a praça. Essa estátua, eqüestre do Patrono do Exército e Presidente da Província do Maranhão. (7.fev.1840 a 13.maio.1841) é trabalho do escultor Edgar Corrêa Lima.

    2.06.10.06 - Gonçalves Dias
    O monumento eregido a Gonçalves Dias domina a bela praça a que o poeta da nome, embora mande a tradição revigorar a segunda das antigas e populares denominações (Largos dos Remédios, Largo dos Amores), por bonita e consetânia com o enamorado de Ana Amélia. É, com certeza o mais, artístico e imponente, de quantos a em São Luís. Teve sua pedra fundamental lançada a 10.ago.1872 e foi solenemente inaugurada a 7.set.1873. Todo de mármore branco, mede, da base ao ápice, 15,5m , nos quais 2,8m são dá estátua, cujo pedestal é um estipe estilizado. Da mão direita, estendida para baixo, tende uma coroa de louros; a esquerda, à altura do peito, segura um rolo de papéis; ao pés do poeta, a lira é a máscara. Na base pedestal, as efígies destes luminares: Odorico Mendes, Sotero dos Reis, João Lisboa e Gomes de Sousa,. Já hoje não tem o monumento o elegante grádio que o protegia. É muito e muito e se deplora que vândalos hajam danificado, com fúria bestial, essas efígies, que tão alto evocam o Humanismo Maranhense. Trabalho do escultor português Pedro Carlos Quadril, executado em Lisboa, nas oficinas de Germano José Sales.

    2.06.10.07 - Miguel Vieira Ferreira
    Estátua a margem do anel viário quase defronte do mercado do peixe com essa inscrição: DOUTOR MIGUEL VIEIRA PEREIRA , NASCIDO A FONTE DAS PEDRAS NESTA CIDADE DE SÃO LUÍZ, ESTADO DO MARANHÃO AOS 10 DE DEZEMBRO DE 1837, DOUTOR EM CIÊNCIAS FÍSICAS E MATEMÁTICAS, ENGENHEIRO ABOLUCIONISTA, IDEALIZADOR E FUNDADOR DO PRIMEIRO CLUBE REPUBLICANO DO BRASIL NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO, SIGNINATÁRIO DO CÉLEBRE MANIFESTO REPUBLICANA DE 1870. FUNDADOR E PRIMEIRO PASTOR DA IGREJA EVANGÉLICA BRASILEIRA, PRIMEIRA IGREJA EVANGÉLICA FUNDADA NO BRASIL EM 11.SET.1879. - SEUS DISCÍPLOS RESIDENTES NO BRASIL, DE EREÇÃO DESTE MONUMENTO A TÃO ALTA PERSONALIDADE DA NOSSA PÁTRIA. Aí temos, sem dúvida, a mais longa inscrição existente no monumento público de São Luís. Lamenta-se a errônea grafia da capital maranhense.

    2.06.11 - Instituições

    2.06.11.01 - Academia Maranhense de Letras
    Rua da paz, 84 - Centro

    Fundada a 10 .ago. 1908, no salão nobre da biblioteca pública do estado. Compunha-se primitivamente de 20 membros, e só em 1946 organizou-se com o quatro clássico: 40 cadeiras. Chamada Casa de Antônio Lobo, teve por fundadores, além desse líder e agitador de idéias: Alfredo de Assis Castro, Astolfo Marques, Barbosa de Godois, Corrêa de Araújo, Clodoado de Freitas, Domingos Barbosa, Fran Pacheco, Godofredo Viana, I. Xavier de Carvalho, Ribeiro do Amaral ( o primeiro presidente) e Armando Vieira da Silva. A Academia pública livros e uma revista; realiza conferências, exposições e lançamentos. Mantém, em caracter permanente, o Concurso Literário Ribeiro do Amaral, com os prêmios Domingos Barbosa (contos) e César marques (pesquisa, ensaio, memória ou história, sobre qualquer aspecto da vida maranhense), que asseguram a publicação dos trabalhos premiados, e confere o Prêmio Antônio Lobo ao melhor livro publicado no ano. Também preste outros serviços, a exemplo da Livraria Maranhense Ltda. ( no prédio-sede, com entrada pelo Beco do teatro) e a da pousada do mordomo Régio, em Alcântara.

    2.06.11.02 - Arquivo Público do Estado
    Rua de Nazaré, 218 - Centro

    Órgão da Secretaria da Cultura. Criado pelo Dec. 5.266, de 21. Jan. 1974, começou a funcionar na rua da Savedra. Acha-se no belo sobradão de sua sede própria desde 1978, após a cuidadosa restauração que ali se operou, sob o governo Nunes Freire. Tem acervo que data a parir do período colonial, porém mais representativo quanto ao império e a república. Conta com laboratório e conservação e restauração de papéis, onde trabalha um grupo muito competente.

    2.06.11.03 - Biblioteca Pública Benedito Leite
    Praça do Panteon

    Assim denominada pelo Dec. 1316, de 8.arb.1958. A criação biblioteca foi proposta pelo doutor Antônio Pedro da Costa Ferreira, futuro Barão de Pindaré, ao Conselho Geral da Província em 8.jul.1826, o qual o aprovou. Mas somente em 1829 procurou-se executar tal projeto. O então Presidente da Província, Cândido José de Araújo Viana, futuro Marquês de Sapucaí, pediu recursos financeiros ao imperador, que os negou alegando limitações orçamentarias. Araújo Viana recorreu, em tão, à subscrição, popular, com o que pode ver a Biblioteca aberta ao público a 3.mai.1831. Era sediada no pavimento superior do Convento do Carmo, de onde saiu em 1872, para voltar cerca de dez anos depois, cumprindo a desastrosa peregrinação que já levara à rua do Egito (atual prédio da Assembléia Legislativa, então Escola Popular 11 de agosto) e aos fundos da Igreja da Sé. Desde sua fundação até 1951 quando ganhou sua sede ampla e definitiva a Biblioteca por "seca e meca", como trambolho indesejado, com seus livros atirados em carroças e mal tratados, senão extraviados nas sucessivas mudanças a que submetida. Possui a Biblioteca um preciso acervo o qual se destacam a seção de obras raras e a seção de jornais.

    2.06.11.04 - Casa de Cultura Josué Montello
    Rua das Hortas, 327

    Órgão da Secretaria da Cultura. Criado pela lei 4.351, de 31.out.1981. Inaugurado a 23.jan.1983, no sobrado da Fonte do Ribeirão que hoje sedia o Conselho Estadual de Cultura. Tem uma importante biblioteca maranhense e geral, que atende a estudiosos e pesquisadores, para consultas no local. Suas atividades programáticas compreendem cursos, exposições, simpósios, debates, consultas bibliográficas, auxílio à pesquisa, editoração, estágio profissional e etc. Estão sendo incorporados ao acervo da CCJM permanentes doações do escritor que lhe dá nome, e que constam de material bibliográfico, originais dos seus livros, fortuna crítica, diplomas, condecorações, correspondência e iconografia.


    2.06.11.05 - Centro de Criatividade Odylo Costa, Filho
    Praia Grande (atrás do mercado)

    Órgão da Secretaria da Cultura, tem sua origem no Centro de Artes Visuais - Cenarte, criado pela Lei n.º 4.102, de 6.nov.1979. Sua bela e ampla sede, totalmente recuperada e adapta, é um conjunto que abrigou diversas comerciais, entre as quais se destacavam as firmas Lima Faria e Moreira Sobrinho. Inaugurada a 26.dez.1988, dispõe de teatro, sala de dança, cinema, livraria, loja de artesanato, refeitório e diversas oficinas.

    2.06.11.06 - Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho
    Rua do Giz, 221.

    Órgão da Secretaria da Cultura, criado pela Lei 3.225, de 6.dez.1971. O dec. 8.293, de 2.out.81, deu-lhe a atual denominação. Dispõe de importante acervo relativo à cultura popular maranhense, e de uma biblioteca especializa em cultura popular. Matem exposições permanentes e promove temporárias. Realizou, por algum tempo, a contar de 1987, o Projeto Sexta às 6 da tarde, que destacavam no aspecto da cultura popular em torno do qual girava com corrida reunião na última sexta-feira de cada mês.

    2.06.11.07 - CEUMA - Centro de Ensino Unificado do Maranhão

    Iniciou suas atividades em 1990, sediada no Colégio Meng, transferida em janeiro de 1992, para sua sede própria no bairro renascença II - rua arapurus. Ministra os cursos de Ciências Econômicas, Ciências Contábeis, Administração, Pedagogia, Letras e Direito.

    2.06.11.08 - Fundação da Memória Republicana
    Rua da Palma, 502 - Centro.

    Entidade cultural filantrópica e sem fins lucrativos, instituída pelo senador e ex-presidente da República José Sarney.

    Realiza cursos, congressos, simpósios, seminários, treinamentos, exposições temporárias, uma das quais, o Salão de Maio, é, hoje, um dos mais importantes eventos nacionais no campo das artes plásticas, sediada no antigo e imponente Convento das Mercês, tem 10.284, 41 m2, de terreno, com 5.217,50m2 de área construída. Possui riquíssimo acervo constituído por 40 mil livros, 500 mil documentos impressos e 80 mil manuscritos, além de 70 mil recortes de jornais, 1.500 filmes de 16 mm, 4.000 horas de fita VHS e UMATIC, 2.500 peças de arte sacra, medalhas, diplomas, decorações e cerca de 70 mil cartas recebidas pelo Patrono da Instituição.

    Mantém um coral e uma bandinha musical que representam louvável trabalho de educação realizado com as comunidades de Madre Deus e adjacências.
    Aberta diariamente à visitação pública.

    2.06.11.09 - Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão
    Rua de Santa Rita, 230 (altos).

    Fundado em dezembro de 1925, sob a denominação do Instituto de História e Geografia, que mudou pela atual na reforma estatuária de 22.abr.1951. Chamado de casa de Antônio Lopes, tem, atualmente, 60 membros. Edita uma revista e, pela ação institucional e de seus integrantes, dedica-se aos estudos geográficos e históricos do Maranhão.

    2.06.11.10 - Museu Histórico e Artístico do Maranhão
    Rua do Sol, 302

    Criado pela Lei n.º 2.923, de 8.nov.1968, foi inaugurado a 28.jul.1973. Contou, para sua organização, com o desvelo da museóloga Jenny Dreyfus e do Intelectual maranhense José Jansen, ambos motivados pelo incentivo de Josué Montello. O MHAM acha-se instalado num belo sobradão construído no século XIX e teve, entre seus proprietários, a família do genial maranhense Gomes de Sousa, o Sousinha. Seu acervo é de cerca de 7.000 peças, entre objetos e documentos. Órgão da Secretaria da Cultura. Aberto a visitação pública, das 14 às 18 horas dos sábados, domingos e feriados; nos demais dias, das 12:45 min às 18:45 min.

    Obs.: Há mais de cinco anos a visitação ao MHAM foi interrompida, para obras de restauração que até hoje não se acham concluídas.

    Funcionam como seções do MHAM as seguintes casas, abertas de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas, e aos sábados e domingos das 14 às 18 horas:

    2.06.11.11 - Galeria Nagy Lajos
    Rua da Estrela, 124

    Destinada a exposições temporárias de artes plásticas. Sua denominação é homenagem ao pintor húngaro Nagy Lajos Endre, um erudito que se erradicou em são Luís, aqui constituiu família e veio a falecer.


    2.07 - Musicalidade

    2.07.01 - Carlinhos Veloz
    Chegou pra Balançar
    Nascido em 03 de Dezembro de 1965 às margens do Rio Capibaribe, no Recife é caçula de uma família de músicos, iniciou sua carreira aos 9 anos de idade em sua cidade natal como crooner. Fez-se Carlinhos Veloz, em Maio de 1985, na beira de sua maior fonte de inspiração: Rio Tocantins. Carlinhos Veloz, diz que biologicamente é pernambucano, mais artisticamente, sua vida começou em uma ribanceira tocantina, embora jamais esqueça suas verdadeiras raízes como o maracatu, o frevo e a ciranda que fez questão de colocar no seu primeiro disco como uma emocionada homenagem a Ilha de Itamaracá, berço da ciranda em nosso país. É considerado um dos cantores de maior ligação com o público maranhense, fazendo com que seja bastante concorrida as suas apresentações, seja no teatro ou em casas de shows da cidade.
    Contatos para Show: (098) 971-6737

    2.07.02 - César Nascimento
    Nasceu em Teresina-PI, foi criado na cidade de Caxias-MA. Em 1973 foi para o Rio de Janeiro, onde em 1978, aos dezesseis anos, formou a banda de Rock Vale do Som. Em 1981, de volta a São Luís, César faz seu primeiro Show: Canto Sereno, no Teatro Artur Azevedo, em dupla com o cantor e compositor Sérgio Brenha.
    Contatos para Show: (098) 235-2264 / 971-5408

    2.07.03 - Erasmo Dibel
    Erasmo Dibel, natural de Carolina-MA, engajado no movimento musical brasileiro desde 1982, integrando os grupos Natureza e Roda Viva. A partir de 1986 iniciou a carreira solo, firmando seu trabalho em vários festivais pelo país com destaque para todas as edições do FABER -Imperatriz/MA), Femucic( Maringa-PR), Canta Nordeste (São Luís-MA, Fortaleza-CE,Recife-PE). Em 1982 participou do projeto segunda de arte com a música Vidente sendo esta a mais executada pelas rádios da capital. Em 1993 laça seu primeiro trabalho em LP, denominado Sarará, no mesmo ano foi eleito por jornalistas e pessoas ligadas ao movimento cultural do Maranhão como o artista do ano. Em 1996 lançou seu segundo disco " O amor é azul "recebendo da critica a consolidação de melhor compositor maranhense desta nova safra a partir de 1992.
    Contatos para Show: (098) 723-2895

    2.07.04 - Mano Borges - Bangladesh
    Cresceu escutando os tambores da Ilha de São Luís e adquiriu seu primeiro instrumento musical aos 17 anos. Foi como percussionista que começou a produzir música. Mano Borges é sangue bom, sangue nosso, sangue novo. Cantor que reflete a possibilidade das formas e conteúdo caminharem juntos e ainda mais, o coloca definitivamente em merecido lugar de destaque da Música Popular Brasileira.
    Contatos para Show: (098) 235-1098 / 971-6542

    2.07.05 - Beto Pereira

    Na trilha do sucesso de terecô (Cedro Music), o cantor e compositor Beto Pereira lança um novo trabalho: Asas da Canção, também pela Cedro Music. Misturando sempre seu coquetel de ritmos, Beto, brinda seu crescente público com reggae e salsa, tambor-de-crioula, merengue... e também solta seu boi na rua. A faixa Asas da Canção traz participação especialíssima de Amelinha, numa canção romântica, delicada. Entre novos hits dançantes e doce canções apaixonadas, Beto Pereira saúda seu ídolo com uma reverente regravação: Tempo Rei - Gilberto Gil.
    Asas da Canção confirma o talento criado e a garra de Beto Pereira. Mostra um grande artista popular do norte decolando rapidamente no cenário musical brasileiro. De asas abertas para seu vôo maior rumo ao sucesso nacional de norte a sul. Muito merecido e natural para que conta com a bênção de padrinho Gil e madrinha Alcione. Dá-lhe Beto !
    Contatos para Show: (098)-246-6622 / 971-3017
    (011)-239-1431

    2.07.06 - Papete - Bandeira de Aço
    Nascido em São José de Ribamar Viana, na Cidade de Bacabal, interior do Estado do Maranhão, foi na capital, São Luís, que começou a conviver com os sons e os ritmos que compõe a magia e o mistério da cultura popular e ali começou a dar os seus primeiros passos em direção a uma vida profissional que se iniciou na cidade de São Paulo, para onde se transferiu aos vinte anos de idade. Artista eclético, possui o dom de ser produtor, arranjador, percussionista, interprete e autor de algumas músicas consagradas pelos maranhenses, é bastante aplaudido na nossa festa regional de São João.

    Contatos para Show: (098) 235-1599

    2.07.07 - Gerude - Jamaica São Luís
    O cantor e compositor Gerude, iniciou sua carreira artística fazendo uma temporada no Hotel Sofitel Quatro Rodas de 4 (quatro) meses, apresentado-se em seguida em vários bares da cidade. Em Fortaleza fez show no extinto Bar Flor da Pele, aplaudido pela crítica e público. Em 1984 realizou seu primeiro grande show no Teatro Artur Azevedo, em São Luís, show intitulado "Nossa Vez"
    Contatos para Show: (098) 226-4624

    2.07.08 - Tribo de Jah

    2.07.09 - Banda Daphine

    2.08 - Artes Plásticas:

    2.08.01- A. Garcês
    Inicia-se na pintura estudando com os artistas Espírito Santo, Luís Lola e Newton Martins, em São Luís. Nascido nesta cidade, 1944.

    Artista vigoroso , de cores fortes, trabalha em grossas camadas de tinta sobre a tela, explora fatos do cotidiano e usa a arquitetura da cidade como cenário.

    2.08.02- Aírton Marinho Macedo
    Gravador
    (xilogravador), é formado em desenho industrial pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA. Inicia sua carreira na década de 70 como professor do Centro de Artes e Comunicações Visuais do Maranhão - CENARTE,006 onde expõe suas primeiras gravuras.
    Posteriormente, desenvolve um processo próprio de impressão em policromia, com características sem similar em todo Nordeste. Suas coleções de xilogravura, como Brincadeiras infantis, Ao trabalho, Lendas e Mitos, Casarios, Festas Populares, denunciam sua forte identidade com o meio rural, do qual é conhecedor com profunda vivência.
    Expõe em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Bahia e, em 1993, em mostra individual na Galeria Gentil Homem de Almeida Braga, 066 da Universidade Federal do Maranhão - UFMA, além de ilustrar vários livros e autores maranhenses.

    Cada um dos temas de Aírton Marinho é pesquisado antes da execução de uma série, exemplo típico de um artista que, recolhendo prévia e cuidadosamente as informações necessárias ao desenvolvimento do seu trabalho, explora-as em sua plenitude.

    " Aírton é dessas pessoas primordialmente obreiras. Tem uma capacidade de trabalho invejável, uma teimosia maníaca, uma constância inabalável e um redescobrir impressionante". ( A lenda segundo Aírton Marinho - jornal O Estado do Maranhão, 19/09/1988 - Jesus Santos041 - São Luís -MA).

    2.08.03 - Almir Tirelli
    Inicia sua carreira como artista plástico em 1945, executando desenhos e pinturas. Em 1970 dedica-se à tapeçaria, onde se fixa.
    De espírito nômade, reside em vários Estados do Brasil, fixando-se finalmente na Lagoa da Conceição, ilha de Santa Catarina.
    Percorre, em viagem de estudo, os Estados Unidos, a América Central, parte da América do Sul e vários países da Europa.

    É detentor de vários prêmios, tendo trabalhos na França, Estados Unidos, Israel, Alemanha, Holanda, Nicarágua, Argentina, Paraguai, Uruguai, Inglaterra, Japão, África do Sul, Malásia e Costa do Marfim.

    Seu tema predileto: a arquitetura brasileira.

    " Sua tapeçaria atesta o seu espírito inquieto que busca a linguagem plástica mas adequada, carregada de brasileiro. Autodidata, procura resolver problemas técnicos deixando entrever sua capacidade criadora na reprodução de ambientes históricos." (Opinião Mostra o Valor da Arte - Helena Lapa Maranhão, professora de História da Arte - Escola nacional de Belas Artes).

    2.08.04 - Ambrósio Amorim
    Artista da paisagem urbana de São Luís, dedica-se a retratá-la em seus recantos e tradições.
    Expões pela primeira vez em 1946.
    Foi aluno de Newton Pavão e Telésforo de Moraes Rêgo.
    Em 1947 participa do II Salão Artur Marinho, alcançando o 2º lugar em 1950, é distinguido com Menção Honrosa no 1º Salão da Sociedade de Cultura Artística do Maranhão - SCAM.
    Figura como um dos freqüentadores da Movelaria Guanabara no início de 1950, juntamente com outros artistas e intelectuais que se propunham a renovar o panorama cultural do Estado. Posteriormente, viaja para o rio de Janeiro, e aí reside por vários anos. Nesse período freqüenta o ateliê de Fernando P., a escola Nacional Belas Artes, e é, ainda, aluno de Bustamante Sá.

    Retornando a São Luís, dá continuidade a seu trabalho, expõe e leciona, integrando-se outra vez aos movimentos locais. Participa, com outros artistas, do Núcleo de Tapeçaria Maranhense.

    No final da década de 70 integra o corpo docente do Centro de Artes e Comunicações Visuais do Estado - CENARTE, lecionando pintura a óleo. Há vários anos mantém coluna de informação sobre artes plásticas, aos domingos, no jornal O Imparcial.

    Ë artista ligado aos temas sociais e à paisagem da cidade, pintando becos e ruas com personagens de um cotidiano pobre e angustiado, vivido pelas pessoas da periferia.

    "A sua visão artística mostra um compromisso inarredável com os problemas sociais, denunciando as contradições de uma sociedade dilacerada por antagonismos de classe". ( Ambrósio Amorim - Jornal de Hoje, 16/08/1987 - Carlos Cunha - São Luís, MA).

    "Vendo o desenho e a pintura do jovem talentoso Ambrósio Amorim, não tenho dúvidas em afirmar que em futuro próximo o Maranhão e o Brasil, portanto, terão de novo um Estêvão Silva, e com ele, mais uma vez mostrarão ao mundo que a cor da pele não embota a inteligência nem o sentimento da Arte". (Um artista Maranhense no Rio - jornal Pacotilha, 22/10/1952, p. 04 - Raul Deveza - São Luís - MA. - transcrito do jornal Voz Trabalhista, de 15/10/1952,.

    2.08.05 - Ana Maria Félix
    Escritora, fotógrafa, artista plástica, pianista e assistente social, é maranhense nascida na cidade de Caxias-MA. Sua composição artística cromática é abstrata e figurativa a partir de uma visão mística, revelando cidades, gestos, sentidos e pessoas do mundo, que capta com sensibilidade. Participou de várias exposições coletivas e individuais em São Luís, em várias cidades brasileiras, e ainda em Munique e Puccheim, na Alemanha. Pinta telas e desenvolve trabalhos plásticos tridimensionais revelando técnicas clássicas e experimentais, com vários pigmentos cromáticos, materiais diversos de alumínio e outros metais. Seus desenhos e estudos transformam-se em arte contemporânea de várias formas e dimensões.

    A música, o cosmo e a natureza dão sentido a sua arte. E acredita que os artistas do mundo inteiro contribuirão para que o novo Século XXI e o Terceiro Milênio sejam portas para grandes sonhos, esperanças e realizações para todos os povos do mundo.

    2.08.06 - Antônio Almeida

    Filho de lavradores nordestinos - o pai cearense e a mãe natural do Piauí - Antônio Almeida nasceu num centro de lavoura sem nome, no interior do município maranhense de Barra do Corda, onde, em 1932, sua família funda o povoado Lagoa do Jacaré.
    Pintor, escultor, muralista, gravador, ilustrador, ceramista entalhador, inspira-se no concretismo de Max Bill, quando executa trabalhos em colagens.

    2.08.07 - Cosme Martins
    Suas primeiras pinturas datam de 1979.
    Em 1980 destaca-se no Salão Maranhense de Artes Plásticas.
    Já em plena atividade artística, entre 1981 e 1983, participa do Salão Municipal de São João do Meriti, Rio de Janeiro, e da "Pintura Jovem", do Museu de Arte de São Paulo - MASP.

    Muda-se para o Rio de Janeiro, onde estuda no Museu de Arte Moderna - MAM, e é membro integrante dos movimentos modernistas de vanguarda. Seu trabalho alcança reconhecimento nacional, destacando-se como ponto alto na pintura nacional contemporânea.

    Entre outras exposições, em 1992 participa, no Museu Nacional de Belas Artes, de coletiva promovida pelo Centro Cultural Cândido Mendes.
    Senhor de uma pintura densa e silenciosa, aos poucos abandona o figurativo, assumindo uma arte gestual, sóbria e inteligente.

    "A arte de Cosme, que o maranhense vai ver a partir do dia 03, é surpreendente, por vários aspectos: a evolução do artista num tempo tão estreito, a aquisição de uma linguagem própria e sintaticamente contundente e a humanidade que permanece e lhe dá oxigênio para investir neste rasgos de ousadia". (Cosme Volta Bem Adulto - jornal O Estado do Maranhão, 29/05/1988, p.19 - Marc Berkowitz - São Luís, MA).

    "...trata-se de uma vocação autêntica, de um talento comprovado. Nem sei bem se Cosme Martins é ou não é um autodidata, nada disso importa em vista deste talento..."(Cosme Martins: Um pintor que surge - Marc Berkowitz).

    2.08.08 - Dila
    Autodidata, em 1968 inicia sua participação em exposições, com boa aceitação da crítica e do mercado. È artista apaixonada pelo trabalho e pela vida no campo, retratando sua religiosidade e seus hábitos em estilo naif, com litografias aquareladas e óleos cheios de vigor e sensibilidade.

    2.08.09 - Donato
    Formado em Educação Artísticas, com habilitação em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA, funcionário público por sobrevivência, Donato inicia seus estudos de Arte em 1982, no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, com o pintor e professor Ambrósio Amorim.

    2.08.10 - Edimar Santos
    Iniciou-se nas artes plásticas em São Luís, estudando pintura com Ambrósio Amorim em 1974, tornado-se um continuador do seu trabalho. È um artista que convive com o dia-a-dia do maranhense, retratando a arquitetura colonial de São Luís, cenário vivo de cotidiano da cidade, com seus personagens típicos, seus costumes e suas lendas

    2.08.11- Espírito Santo
    Professor de Artes Plásticas e pintor, Espírito santo inicia-se, desde cedo, na pintura, expondo pela primeira vez na Guiana Francesa.

    Licenciado em filosofia pela Universidade Federal do Maranhão - UFMA e em Educação Artística pela Universidade da Guanabara - Rio de Janeiro, leciona em Macapá, capital do Estado do Amapá, onde reside, tendo sido sempre líder ativista e incansável defensor das causas sociais.

    Paisagista esmerado, assume vários estilos e tendências para assegurar o universo retratado.
    Atualmente, aposentado do Serviço Público, dedica-se inteiramente à pintura.

    2.08.12 - Fernando Mendonça
    É Pintor da novíssima geração, ingressa em 1978 no Laborarte, e aí permanece até 1982, quando funda com Marçal Athaíde o grupo Mirarte, dando início a estudo autodidatas de Desenho e Pintura. O Homem urbano e a violência do cotidiano são temas de seus quadros impregnados de forte ilusão de movimento, onde a figura quase se decompõe na paisagem urbana, na pressa que o ritmo do cotidiano exige.

    2.08.13 - Fernando P.
    Inicia seus estudos na Escola de Aprendizes e artífices, hoje Centro Federal de Educação Tecnológica, em São Luís. Hoje, artista de uma obra definitiva e reconhecida no Brasil e fora dele, Fernando P. tem painéis no Banco do Estado do Rio de Janeiro - BANERJ/RJ , e no Instituto Nacional do Câncer, além de estar incluído nas coleções de Arte do Banco do Brasil, da fundação Álvares Penteado e da Pinacoteca do Museu Nacional de Belas Artes. È citado em todos os dicionários de artes editadas no país.

    2.08.14 - Floriano Teixeira
    Pintor, desenhista gravador e escultor.
    Em 1935 recebe as primeiras aulas de Desenho com o professor Rubens Damasceno, em São Luís. Datam desta época suas primeiras aquarelas e, exatamente aí, inicia sua participação nos movimentos artísticos locais.

    2.08.15 - Flory Gama
    Iniciou-se no estudo das artes com o escultor Newton Sá, em São Luís (MA), sob o incentivo do tio, o médico sanitarista Filogônio Lisboa.

    2.08.16 - Geraldo Reis
    Freqüenta, em 1981, os cursos de Desenho, Pintura, Perspectiva e História da Arte no Centro de Artes e Comunicações Visuais do Estado - CENARTE, em São Luís.

    É artista de vanguarda, afeito a pesquisas e experimentos. Tem ultimamente explorado grandes espaços que colore com pigmentos e aglutinantes. Objetos tridimensionais e abstrações compõem sua fase mais recente.

    2.08.17- Jesus Santos
    Pintor e gravador, expõe pela primeira vez no Salão Nobre da Academia Maranhense de Letras, em 1967.

    2.08.18 - Jõao de Deus
    Jõao de Deus é retratista, paisagista e pintor sacro. Em 1925 classifica-se em 1o. lugar em Desenho Anatômico, recebendo Medalha de Prata como recompensa ao mérito, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro.

    2.08.19 - Joãozinho Trinta
    O carnavalesco Joãozinho Trinta é um artista que não se limita aos materiais convencionais ou a pequenos médios espaços; reinventa o próprio espaço onde pessoas, roupas, máscaras, latas, tudo conspira para a abordagem do tema que se propõe apresentar.

    Maranhense da capital, cedo, toma rumo do Rio de Janeiro, onde ingressa na Escola de Dança Clássica do Teatro Municipal. Lá compartilha, com grandes nomes da dança, das glórias que o povo lhe propicia. Suas realizações es espetáculos ocupam os teatros Copacabana, Glória, Maison de France, Ipanema, Ginático Opinião e Alasca.

    2.08.20 - Luís Carlos
    Autodidata, Luís Carlos faz, no decorrer de sua carreira, cursos rápidos de modelagem e escultura, dedicando-se, durante algum tempo, à pintura ( fantástica ) e à tapeçaria.

    Seu material preferido é a argila, o cimento, a resina e o pó de madeira, que ele trabalha em revestimentos de grossa camadas misturadas com cola.

    2.08.21- Maria Luisa
    Pintora, realizada em 1970 seus primeiros estudos no Centro de Pesquisas de Arte, orientada por Bruno Tausz. Aplicada ao trabalho e com forte senso de profissionalismo, compensou sua tardia entrada no mundo das artes, no que se caracteriou com um trabalho intenso e permanente que a colocou entre as melhores da arte contemporânea brasileira.

    2.08.22 - Marçal Athaíde
    Pintor, funda em 1982 o grupo Mirarte, juntamente com Fernando Mendonça. Em 1984 realiza sua primeira exposição individual na Galeria Eney Santana, em São Luís.

    Muda-se para o Rio de Janeiro a convite de Rubens Gerchman, onde é apresentado ao marchand Jean Boghici, que o promove.

    É um período de exposições de estudos. Participa do VIII Salão Nacional de Artes Plásticas, em 1985; do 1º Salão de Artes Plásticas da Indústria do Petróleo do Brasil, em 1986, obtendo a 1ª classificação ; do Salão Maranhense de Artes Plásticas, promovido pela Secretaria de Cultura do Maranhão , em 1987; da 1ª Exposição Coletiva do Desenho Maranhense, em 1988, na Galeria Eney Santana. Expõe, individualmente, em 1989, na Galeria Jean Boghici, no Rio de Janeiro; no Museu de Arte Moderna na Bahia, em 1990; na galeria do Conjunto Cultural da Caixa Econômica Federal de São Luís, em 1991 e na Associação Nacional de Antiquários, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro, em 1992.

    Os críticos Walmir Ayala e Ferreira Gullar o consideram um artista do cotidiano das grandes metrópoles em seu ritmo e em sua velocidade.

    As suas obras integram acervos particulares de expressão, como de Gilberto Chateaubriand, João Satamini, José Bonifácio de Oliveira, e públicos, como o Museu de arte Moderna do Rio de Janeiro e de Arte Moderna de Niterói.
    Vive atualmente no Rio de Janeiro.


    "A lâmpada acesa por Balla, e que entre os escombros de Guernica palpita na longa noite do totalitarismo, e que Antonioni reacende em Eclipse para afastar as sombras, brilha também nas noites de Athaíde; e ao projetar seus solitários personagens por entre seus clarões, que o pintor reduz a feixes de ectoplasmas coloridos , e que correm sem saber se por medo ou prazer, ele o faz talvez como seu colega milenar que projetou os seus nos muros das grande caverna, para exorcizar seus medos e seus fantasmas".(Jean Boghici, dezembro de 1987 - Catálogo da exposição de Marçal Athaíde na galeria Jean Borghici, agosto 1989, RJ).

    2.08.23 - Miguel Veiga
    Formado em Desenho e Plástica pela Universidade Federal do Maranhão, Miguel Veiga mostra sua arte ao público, pela primeira vez, em 1979, com a exposição Catrevagem, a que se seguem Lazeira, ainda em 1979, Arribação, São Luís em 1990.

    2.08.24 - Mondêgo
    Seu surgimento como pintor se dá ainda em plena adolescência, no ano de 1974, vigorosa fase dos temas folclóricos e regionalistas, quando se dedica também à dança clássica e ao teatro como ator e cenógrafo.

    Irrequieto, explora o nu em seu sensualismo erótico, expondo em individuais e coletivas.

    Em 1987 muda-se para Nápoles (Itália), passando a estudar com o maestro Luigi Eboli, na Escola Tavalozza Napolitana. Período em que realiza suas telas mais vibrantes executadas à maneira impressionista.

    Retorna a São Luís em 1989, onde reside, retratando a paisagem urbana em cores fortes e alegres, em pinceladas curtas e nervosas.

    É um dos pintores mais expressivos e maduros da nova geração . Seu trabalho retrata as manifestações folclóricas do Maranhão e a arquitetura das cidades de São Luís e Alcântara, dentro de uma visão moderna. É uma paisagem urbana contemporânea, cheia de movimentos e luzes, num contraste entre o antigo e o novo, impregnada de nostalgia.

    "Com Mondêgo a cor é livre, a luz brinca de um lado para o outro, as pinceladas soltas e reticentes têm empastamento grosso, mas suave". (Espiando a Paisagem - jornal O Estado do Maranhão, 18/10/1992 - Jesus Santos - São Luís, MA).

    2.08.25 - Nagy Lajos
    Cursou a Escola Superior de Estética e Filosofia da Hungria e a Escola Superior de Arte, de Budapeste. Sua pintura é analítica e crítica. Trabalha as áreas pintadas com esmero, introduzindo na composição com extraordinária consciência, elementos com que acentua relevos e texturas.
    Foi o grande aglutinador dos artistas, reunido-os em ateliês e associações.

    2.08.26 - Péricles Rocha
    Desde cedo, dedica-se à arte. Com bolsa de estudo concedido pelo governador do Maranhão, Dr. José Sarney, cursa a Escola Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro, de 1967 a 1971, onde faz o curso de Escultura.

    De volta a São Luís, instala, com outros artistas, o Centro de Artes Japiaçu que, sob a administração da professora Rosa Mochel, funcionou no anexo da Biblioteca Pública Benedito Leite. Expõe no Salão Cidade de São Luís, em 197l, Projeto Mirante, em 1974, Galeria Eney Santana, em 1978 e 1979, Caixa Econômica Federal, em 1980, Museu Histórico e Artístico do Maranhão em 1984, 1986, 1988 e 1990, Coletiva de Maio em 1991 e 1992, galeria Centro Cultural da Caixa Econômica Federal em 1992.

    Nacionalmente, participa de coletivas na Bienal Nacional de São Paulo em 1974 (com escultura), e em 1976; no III Encontro de Artistas do Distrito federal, em 1976; no Salão nacional de Artes Plásticas do rio de Janeiro, em 1979 e 1980; no Salão de Artes Plásticas de Goiânia, em 1976, e no 1º Salão de Desenho e Gravura do Centro Oeste, 1979.

    Individualmente, apresenta-se no Rio de Janeiro com exposições nas galerias Sérgio Milliet em 1977, Ana Maria Niemeyer em 1981, Matias Marcier, no Rio Designer Center, em 1992, e na casa de Cultura Laura Alvim em 1993; em São Paulo, na Galeria Portal, em 1980; em Brasília, nas galerias Eucatexpo em 1977, Galeria A em 1978, Parnaso galeria de Arte em 1979 e 1980, galeria da Fundação Cultural em 1985, (inaugura) galeria do Ministério da Cultura, em 1986, Galeria Cavalier em 1992 e galeria Espaço SEBRAE em 1993.

    Em 1978 ilustra o livro Marimbondos de Fogo e a capa do livro Norte das Águas, de José Sarney - 2ª edição, em 1980. Nesse mesmo ano, produz a capa e as ilustrações do livro Poeta do Absurdo, de Orlando Tejo.

    No exterior, expões em Munique, Stuttgart, Roma, Madri, Atenas e Florença, entre 1978 e 1982.

    Projeta e esculpe os altares e pinta com temas sacros as paredes laterais do santuário de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Benedito leite (MA), inspirado pelo lendário dos rios Balsas e Parnaíba que o marcaram no decorrer de sua infância e adolescência.

    Estuda no "Instituto Lorenzo de Médici", Florença (Itália), no ano de 1982.

    É o grande pintor da mitologia maranhense. Escultor por formação e desenhista por natureza, seus trabalhos falam da lenda, do fantástico do meio rural, do onírico que envolve a natureza, como se em cada trabalho recriasse as "estórias" e os "causos" ouvidos na infância.

    "O seu trabalho de pintor não foge a essa dialética de linha e figuras, embora, ao que me parece, a pintura o faça retornar, com renovada intensidade, à temática primitiva de tatus e tamanduás, tratada com outros recursos que são próprios dessa linguagem, como a matéria pictórica, a pincelada e certo modo especial de explorar a luz e as transparências. A sua linguagem tem a força e o mistério das vozes primitivas que nos chegam tanto do fundo da floresta, quanto do fundo da alma"- (Ferreira Gullar) - texto Catálogo exposição - Péricles Rocha, Pinturas Recentes - ECO/92 - Rio de Janeiro, RJ).

    2.08.27 - Rosa Waquim
    Estuda com a professora Amina de Paula Barros e, no Museu Nacional de Belas Artes, com o professor Oswaldo Teixeira. Seus trabalhos são executados em variadas técnicas, indo do desenho à pintura e ao vitral.

    2.08.28 - Telésforo Rêgo
    Telésforo inicia seus estudos de Pintura com o professor José de Paula Barros, de 1914 a 1916; em 1924 participa do 1º Salão dos Novos por ele organizado juntamente com Artur Marinho, Newton Pavão, Rubens Damasceno, Osmar Palhano de Jesus e outros. Envolve-se intensamente na vida cultural da sua cidade.

    Em 1941 participa do Salão de Dezembro; em 1944 do Salão Artur Marinho e, em 1945, da 1166 Feira de Amostra do Maranhão, onde conquista o 1167 lugar com o quadro Praia com Coqueiros (Prêmio Governo do Estado). Seu trabalho, Barreira de São Francisco ilustra a capa da Revista Esso em 1949, e é seu o Selo Estadual feito na administração do governador Martins de Almeida.

    Seus trabalhos podem ser vistos na Pinacoteca do Palácio dos Leões, na Prefeitura Municipal de São Luís, e na Academia Maranhense de Letras.

    Não se limitando à pintura de ateliê e ao ensino desta, no que se notabilizou, Telésforo pintou cenários, restaurou quadros e imagens, e produziu alegorias para o carnaval.

    Homem integrado à vida cultural e artística, a ela devotou-se de forma integral.

    Sua pintura retrata a paisagem urbana de São Luís, vista com elegância e simplicidade, destacando-se seu trabalho em aquarelas.

    "Sabendo arrancar de tintas verdadeiros poemas policrômicos, dá-nos a impressão, por vezes, de um poeta que trocasse a lira pelo pincel". Edgard Proença, escritor paraense no jornal O Estado do Pará, transcrito na Pacotilha - O Globo - 20/02/1952, p. 04 - São Luís, MA).

    ..."O aquarelista encantou-me, seu colorido é um realismo perfeito e sugestivo, já quando transpõe para a tela paisagens tropicais e recantos urbanos inteligentemente escolhidos , já quando arranca da imaginação concepções admiráveis , reveladoras de uma alma emotiva de um talento artístico bem formado e consolidado, tanto mais extraordinário e tudo isto, quanto é certo que Telésforo não teve mestre; autodidata, nasceu artista". (Edson Cunha presidente da Sociedade Parnaibana de Expressão Cultural em "Roteiro de um artista"- Pacotilha - O Globo, 28/03.1951 p. 02 - São Luís, MA).

    2.08.29 - Tercílio Borralho
    Inicia-se nos estudos das artes em 1963, no ateliê do pintor Espírito Santo.

    Em 1971 viaja para Olinda e, aí, freqüenta o curso de História da Arte, no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco.

    2.09 - Lendas:

    2.09.01 - O Milagre de Guaxenduba
    Há bons indícios de que a lenda piedosa da providencial intercessão de Nossa Senhora para expulsão dos franceses, em 1615, nasceu logo depois do fato histórico que lhe dá origem. Em sua História da Companhia de Jesus na extinta província do Maranhão e Pará (1759), o Padre José de Moraes demonstra a antigüidade desta lenda, escrevendo: "Foi fama constante (e ainda hoje se conserva por tradição) que a virgem Senhora foi vista entre os nossos batalhões, animando os soldados em todo tempo de combate".

    Conta-se que no principal e decisivo confronto entre portugueses e franceses, travado a 19 de novembro de 1614, diante do Forte de Santa Maria de Guaxenduba, já se tornava evidente a derrota dos lusitanos, por sua inferioridade numérica em homens, arma e munições.

    Apesar de lutarem, iam-se arrefecendo os ânimos dos soldados de Jerônimo de Albuquerque e eis que surde, entre eles, uma formosa mulher em auréola resplandecente. Ao contato de suas mãos milagrosas, transforma-se a areia em pólvora e os seixos em projéteis. Revigorados moralmente e providos das munições que lhes estavam faltando, os portugueses impõem severa derrota aos invasores, a cujos os sobreviventes só restou o recurso da rendição.

    Em memória deste feito, foi a Virgem aclamada padroeira da cidade de São Luís do Maranhão, sobre a invocação de Nossa Senhora da Vitória.

    Humberto de Campos celebrou está lenda no soneto intitulado:

    O Milagre de Guaxenduba

    Minha terra natal, em Guaxenduba;
    Na trincheira, em que o luso ainda trabalha,
    A artilharia, e os franceses derruba,
    Por três bocas letais pragueja e ralha.

    O leão de França, arregaçando a juba,
    Saltou. E o luso, com tigre, o atalha..
    Troveja a boca do arcabuz, e a tuba
    Do índio corta o clamor e o medo espalha.

    Foi então que se viu, sagrando a guerra,
    Nossa Senhora, com o menino ao colo,
    Surgir, lutando pela minha terra.

    Foi lhe vista na mão a espada em brilho...
    (Pátria e se a virgem quis assim teu solo,
    Que por ti não fará quem for teu filho?)

    2.09.02 - A Carruagem de Ana Jansen
    Esta lenda corresponde a severa pena que o inconsciente coletivo aplicou à memória de Dona Ana Jansen, poderosa e discutida matrona maranhense, de marcante presença na vida econômica, social e política da São Luís do século XIX.

    Senhora de grande fortuna pessoal, dizem que maltratava até a desumanidade seus numerosos escravos. A lenda do pervagar penado de Donana pelas ruas da Cidade, às noites de sextas-feiras (há uma variante que dá essa sinistra aparição como ocorrendo às quintas-feiras), teve larga difusão na primeira metade deste século, quando eram comuns as ruas mal iluminadas ou completamente às escuras, pelos constantes cortes de energia elétrica, e também por causa dos desmandos policialescos da ditadura estadonovista, que traziam medos e maus presságios às noites de São Luís.

    Reza a tradição que os notívagos da Cidade, ao pressentirem a aproximação do horrendo coche, fugiam aterrorizados, à procura de um lugar em que podessem abrigar-se com segurança. Se assim não fizessem, estariam sujeito a receber da alma penada de Dona Ana Jansen ou Donana, como popularmente chamada, uma vela acesa que amanheceria transformada em osso de defunto.

    A carruagem, puxadas por cavalos decapitados e tendo na função de cocheiro um escravo igualmente decapitado e com o corpo sangrando de monstruosa sevícias, produz, por onde passa, horripilantes sons, combinação do atrito de velhas e gastas ferragens com o coro de lamentações de escravos em estertor.

    A lenda da carruagem de Dona Ana Jansen, pavor, principalmente, dos meninos são-luisenses de outrora, deu às belas noites enluaradas da Cidade a contraface tétrica de negros em agonia e cavalos pavorosos que, ao toque de seus cascos no calçamento das ruas, arrancavam faíscas de fogo, nesse longo e aterrorizante suplício de Donana.

    2.09.03 - Lenda da Serpente de São Luís
    Ao redor da Ilha de São Luís haveria uma descomunal serpente a crescer, até que um dia sua cauda alcance a cabeça. Na ocasião em que tal acontecer, o monstro reunirá todas as suas forças para, num abraço estupendo, comprimir a porção de terra envolvida, provocando o completo desaparecimento de São Luís, que será tragada pelo oceano.

    Josué Montello, em seu romance Os degraus do paraíso, que pertence, ao lado de mais de uma dezena de outros, à saga maranhense, que tem São Luís e seus habitantes por cenário e personagens, apresenta outra versão desta lenda, como veremos a seguir:

    Mas, de repente, ao atravessar a rua que desce para o mar, alongou o olhar à direita, procurando a Fonte do Ribeirão. Lá estava ela, com seu muro circundante, à distância de uma quadra. Susteve o passo, com a curiosidade mais viva. Ali se escancaravam as bocas do subterrâneo onde morava a serpente de que morena que falara, não fazia muito tempo: "Uma serpente enorme, Téo: a cauda da bicha está na Igreja de São Pantaleão, a barriga na Igreja do Carmo e a cabeça na Fonte do Ribeirão. Uma dia, quando eu era pequena, o papai me levou até lá, vi a cabeça do mostro a espiar a gente por trás da grade de uma das bocas da fonte. Fiquei com um medo tão grande que até hoje me arrepio toda, só de lembrar aquela boca baeta, com uma língua muito comprida e vermelha saindo do meio dos dentes".

    Ainda sobre a submersão de São Luís, reza a lenda messiânica do encantamento do Rei D. Sebastião da Praia dos Lençóis, sobre a forma de touro negro: no dia em que lhe ferirem a testa estrelada, o Rei desencantará, emergindo, glorioso, das profundezas oceânicas. O maremoto provocado pela emersão da numerosa e reluzente corte real, seguida de seus grandes exércitos, fará desaparecer, na fúria das águas revoltas, a Cidade de São Luís do Maranhão.

    2.09.04 - Lenda do Palácio das Lágrimas
    Na Rua São João, de frente para a Igreja sob a invocação do mesmo santo e fazendo canto com a Rua da Paz, antes que fosse edificado o imóvel que serviu de sede à Escola Modelo Benedito Leite e, posteriormente, à antiga Faculdade de Farmácia e Odontologia de São de Luís, havia um vasto sobrado de três pavimentos e que, durante muitos anos, permaneceu em ruínas.

    Correm, ligadas a esse imóvel, diversas lendas, a principal das quais vamos reproduzir: dois irmãos portugueses resolveram "fazer a América" e vieram ter ao Maranhão. Um deles - Jerônimo de Pádua, comerciante e cujas atividades também compreendiam as de traficante de escravos - enriqueceu bastante, enquanto o outro jamais conseguiu sair da pobreza.
    Cheio de inveja do rico, o irmão pobre concebeu o plano macabro de assassiná-lo, com a finalidade de herdar-lhe a grande fortuna, pois o irmão rico não tinha herdeiros legítimos, vivendo amasiado com uma preta sua escrava, com quem teve diversos filhos.

    Praticado o nefando crime, e na posse dos imensos bens herdados de sua própria vítima, o fratricida passou a tratar os escravos com muita crueldade, notadamente a amásia e os filhos de seu irmão assassinado.

    Informado, certo dia, acerca de quem fora o verdadeiro assassino de seu progenitor, um dos filhos lançou-se, indignado, contra o tio e, de uma das janelas, arremessou-o violentamente à rua, provocando-lhe a morte súbita.

    Descoberto o criminoso, e por ser escravo, foi ele condenado à morte na forca levantada enfrente ao sobrado. Ao subir o cadafalso, o condenado proferiu, como últimas palavras, esta maldição:

    - Palácio que viste as lágrimas derramadas por minha mãe e meus irmãos! Daqui por diante serás conhecido como Palácio das Lágrimas.

    E assim o sobrado passou a ser chamado dos últimos anos do século passado. O poeta Sousândrade, empenhado na criação de sua cunhada e frustrada Universidade Atlântica (que depois rebatizou de Universidade Nova Atenas), pretendeu instalá-la no Palácio das Lágrimas, após trabalhos de restauração e adaptação que não conseguiu realizar.

    2.09.05 - Lenda da Praia do Olho d'Água
    Uma das mais aprazíveis praias de São Luís, distante cerca de quinze quilômetros do centro da cidade, é a do Olho d'água. Ainda hoje, apesar da existência de outras muitas igualmente belas e às vezes mais próximas do centro urbano, continua muito procurada pelos banhistas.

    Entre o mar e o sopé do conjunto de dunas alvas, no vasto estendal de areia esbanja beleza e alvura, sob a luz do sol ou do luar.

    Conta-se que primitivamente houve ali uma aldeia indígena, cujo chefe era Itaporama. Sua filha apaixonou-se ardidamente por um jovem da tribo. Mas este, por ser muito belo, igualmente provocou a mais acesa paixão da Mãe d'Água, que, por seus encantos e poderes sobrenaturais, conquistou-o definitivamente, levando-o para o seu palácio encantado, nas profundezas do mar.

    Perdendo para sempre o seu grande amor, a filha de Itaporama, caiu em grande desolação. Disposta a não mais alimentar-se, foi para a beira da praia, onde se entregou, resignada, ao seu martírio sentimental, chorando copiosa interminavelmente, até morrer.

    Surgiram, de suas lágrimas, duas nascentes que até hoje correm para o mar, formando o riacho perene em que os banhistas vão "tirar o sal do corpo", como popularmente se diz.

    E o eterno pranto da filha de Itaporama por seu amado que a Iara lhe conquistou.

    Stella Leonardos assim termina o poema Lenda da Praia do Olho d'água, de seu Cancioneiro de São Luís, um dos mais belos livros de poesia sobre a Cidade.

    (A Iara cauda de escama,
    voz de vaga, fluida flama.
    Ai filha de Itaporama!
    A voz de Iara é uma trama.
    Diz adeus a quem não te ama!)

    Depois, as dunas e as águas
    do estendal de areias alvas
    viram rolar muita lágrima
    da cunhã dos olhos-mágoa
    que se finou de chorar.

    Foi quando dois olhos d'água
    de uma doçura lendária
    se espraiaram pela praia.
    E ainda correm para o mar.

    2.10 - Literatura

    2.10.01 - A força de uma vocação
    Não será exagero afirmar que o Maranhão tem a literatura como o traço da vocação maior de seu povo. E isso, desde há muito. Grandes figuras das letras nacionais nasceram no Maranhão, a contar de Odorico Mendes, um dos humanistas mais importantes do Brasil, no século XIX.

    Odorico Mendes, além de atuar na política e no jornalismo, dedicou-se, de modo especial, às tradução, em versos, de dois conjuntos de obras emblemáticas da cultura clássica ocidental: os poemas homéricos e toda a poesia de Virgílio.

    Odorico Mendes é a mais antiga das figuras exponenciais do Grupo Maranhense, integrado por Gonçalves Dias, o primeiro grande poeta romântico brasileiro, por Sotero dos Reis, mestre da língua portuguesa, por Gomes de Sousa, cientista que alcançou renome internacional, por Sousândrade "diferente", cuja obra somente neste século foi devidamente reconhecida, por Trajano Galvão, precursor da poesia do negro, por Gentil Braga, poeta e prosador, por Joaquim Serra, tradutor, poeta e líder abolicionista, e por outros que seria fastigioso mencionar.

    As gerações seguintes continuaram dando grandes valores literários ao Brasil. Casos de Teófilo Dias, Raimundo Correia, Artur, Aluísio de Azevedo, Celso Magalhães, Coelho Neto, Humberto de Campos, Virato Correia e Maranhão Sobrinho, e uma plêiade de notáveis que vem ter até nossos dias, com prosadores da estirpe de Josué Montello, Rodrigues Marques, José Louzeiro, Conceição Neves Aboud; poetas, entre muitos outros, Manoel Caetano Bandeira de Mello, Lago Burnett, Odylo Costa Filho e Ferreira Gullar.

    José Sarney, poeta, é também um vigoroso prosador. Depois dos excelentes contos reunidos em Norte das águas, publicou o romance O dono do mar, louvado como obra de excepcionais qualidade entre as que, na ficção brasileira, exploram essa temática.

    Três grandes poetas que optaram por viver em São Luís: Bandeira Tribuzi, Nauro Machado e José Chagas. E, entre os prosadores que aqui residem, sejam lembrados Ubiratan Teixeira, Lucas Baldez e Waldemiro Viana, em Brasília residem o romancista Clovis Sena e o contista Ariel Vieira de Moraes. Lucy Teixeira, poeta e prosadora, reside em São Paulo, mas visita periodicamente a capital.

    Das gerações mais moças, os poetas Viriato Gaspar, Fernando Braga, Luís Augusto Cassas, José Maria Nascimento, Laura Amélia Damous, Roberto Kenard, Paulo Melo Sousa e Marconi Caldas.

    Dagmar Desterro transita, com desenvoltura, entre a prosa e a poesia. E o mesmo se diga de Ivan Sarney e de Ewerton Neto.

    Depois de um tempo no Recife, voltaram para São Luís Manuel Lopes, amoroso poeta da cidade, e Joaquim Itapary, poeta e prosador.

    O Maranhão continua fiel a seu destino maior, à sua vocação irrenunciável. É terra de importantes ensaístas, como Franklin de Oliveira, Oswaldino Marques. E do nunca Olivado Erasmo Dias.

    Mas a vocação maior da expressão literária maranhense é a poesia. Daí a ser correto dizer que São Luís é uma cidade de poetas. E, como poucas cidades, São Luís tem sido cantada por seus poetas.

    Disso se dará uma ligeira, porém expressiva mostra a seguir.

    2.10.01.01 - O Maranhão
    Disse, em 1624, Simão Estácio da Silveira, navegador português e primeiro presidente do Senado da Câmara de São Luís:

    "Eu me resolvo, que esta é a melhor terra do mundo, donde os naturais são muitos fortes, e vivem muitos anos, e consta-nos que, do que ocorreram os portugueses, o melhor é o Brasil, e o Maranhão é Brasil melhor."

    2.10.01.02 - A Ilha de São Luís
    "Trarei sempre verde,
    gaivotas e sal:
    a lembrança não perde
    a ilha inicial."

    Do poeta e jornalista maranhense Lago Burnett, em 1952.


    Cercada de águas e sonhos,
    de glória, de maresia,
    a ilha é sobretudo circundada de Poesia.

    Do poeta e jornalista maranhense Bandeira Tribuzi.

    2.10.01.02.01 - Para Toada de Chegar
    " Esta é a cidade
    com fonte do bispo
    e do ribeirão.
    Dentro dela, eu e meu coração."

    Manuel Lopes, poeta maranhense

    2.10.01.02.02-PARA NOSSO JEITO DE MORAR:
    " Das pedras e azulejos,
    mirantes e becos,
    sobrados e torres
    faz-se uma cidade:
    ainda mais de alma "
    Do poeta e jornalista maranhense Bandeira Tribuzi:

    2.10.01.02.03 - Fontes
    " São pedras são desnavios
    que choram na eternidade.
    Mil marinheiros chegaram
    beberam água da fonte
    e voltaram.
    As caravelas partiram,
    deixando o choro incessante,
    o gosto de claridades,
    de soluços, de milagres,
    no baloiço dos antares. "

    José Sarney, romancista e poeta maranhense


     


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  • Aroldo  "Muito bom este site sobre o maranhão, é bastante completo ..."

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