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    Informações Gerais:

    1.1 - O Maranhão

    Antes de tudo, algumas informações acerca do Maranhão, Capitania hereditária doada em 1535, por D. João III, ao cronista, historiador e gramático João de Barros, uma das grandes figuras do renascimento português, além de feitor da Casa da Índia, função que lhe permitiu escrever a célebre obra Décadas da Ásia.

    Por haverem sido agraciados com capitanias confrontantes com a de João de Barros, associou-se este a Fernão Álvares de Andrade, tesoureiro-mor do Reino, e a Aires da Cunha, um bravo capitão do mar e herói de batalhas em terra firme.

    Os três parceiros organizaram a maior empresa particular colonizadora que até então surgira em Portugal. Composta de 10 navios em que vinham 900 homens, entre marinheiros, soldados, colonos e 113 que eram "gente de cavalo", essa expedição, provida de muitos víveres e armamentos, partiu de Lisboa em novembro de 1535, sob o comando de Aires da Cunha.

    Tudo, porém, foi a pique, quando a esquadra já velejava águas maranhenses. E o mesmo ocorreu anos depois, com a expedição de Luís de Melo da Silva, que logrou salvar-se, no que foi mais feliz que Aires da Cunha.

    Tais fatos retardaram a colonização portuguesa do Maranhão, que por longo tempo foi apenas entreposto de navegadores aventureiros, principalmente franceses, por quem os índios muito se afeiçoam, trocando animais, peles, plumagens, alimentos e outros produtos da terra, com utilidades e quinquilharias trazidas pelos europeus.

    Essa aproximação com os nativos estimulou a expedição que sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, e François de Rasilly, Senhor de Rasilly e Aunelles, fundaram oficialmente a França Equinocial, a 8 de setembro de 1612.

    Tal fato apressou a definitiva conquista do Maranhão pelos portugueses, o que ocorreu em 1615.

    Para ocupar as novas terras de que se apossaram os lusitanos, diversas expedições colonizadoras foram seguidamente despachadas de Portugal, a exemplo da dirigida por Jorge de Lemos Bitencourt, de que era comandante o navegador Simão Estácio da Silveira, chegando a São Luís em 1619, trazendo mais de 300 colonos, com os quais fez duplicar a população do nascente burgo.

    Em virtude da localização estratégica, das vantagens oferecidas pela rota Lisboa-São Luís-Lisboa e da vasta extensão de um território que se estendia do Ceará até o extremo norte por conquistar, foi criado, em 1621, o Estado Colonial do Maranhão, com sede em São Luís, e distinto do Brasil.

    Mas por largos anos o Maranhão enfrentou grandes problemas econômicos. A par de breves ciclos de propriedade, anulados por constantes retrocessos, somente desenvolveu-se, de modo importante, a partir da criação da Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão (1755-1778), iniciativa do Marquês de Pombal, que fomentou o mercantilismo na região.

    De fins do século XVIII a princípios do século XIX, São Luís prosperou consideravelmente. E foi, durante bom período, a quarta mais importante cidade brasileira, superada apenas pelo Rio de Janeiro, por Salvador e Recife.

    O Estado do Maranhão, com superfície de 329.000 Km2, tem população de cerca de cinco milhões de habitantes, dos quais 40% residem em áreas urbanas, e 60 %, áreas rurais.

    Situado entre o Nordeste e o Norte do Brasil, o Maranhão é, a rigor, meio-norte, e possui expressiva parcela de seu território, dividido em 21 microregiões, com acentuadas características das duas regiões, a par de vales, campos da baixada, cerrados e extensas faixas litorâneas com baías, rios, golfões e reentrâncias de abundantes manguezais, praias, ilhas e portos.


    1.2 - Ilha de São Luís


    A Ilha de São Luís, no Norte maranhense, está a 02º 31'04" de latitude sul e a 44º 16'42" de longitude a oeste de Greenwich. Limita-se, ao norte, com o Oceano Atlântico; ao sul, com a Baía do Arraial e com o Estreito dos Mosquitos (sobre o qual duas pontes fazem a comunicação com o continente, através de veículos rodoviários e ferroviários); a leste, com a Baía de São José, e a Oeste, com a Baía de São Marcos.

    Constituída pela agressão sucessiva de sedimentos terciários, a Ilha tem uma topografia de patamares escalonados, cujo mais elevado ponto atinge 35m.

    Chamada Upaon-Açu (Ilha Grande) pelos indígenas que a habitavam quando da chegada dos franceses, tinha 27 aldeias. E no lugar de muitas delas existem, ainda hoje, povoações e vilarejos, alguns com os primitivos nomes.

    A Ilha de São Luís - chamada antigamente Ilha do Maranhão - tem 905 Km2 de superfície. Continua dotada de uma rede hidrográfica que lhe assegura a existência de bons mananciais e de numerosos rios perenes, embora nenhum de grande porte. Tem ainda igapós e alagados repletos de buritizeiros, juçareiras e outras espécies da flora nativa que crescem em terrenos profusamente regados e úmidos.

    Mas a agressiva devastação das florestas fez diminuir sensivelmente a quantidade e a intensidade das vertentes e rios de que deram entusiasmados testemunhos os primeiros cronistas, especialmente Claude d'Abbeville (1612) e Simão Estácio da Silveira (1619).

    O clima da Ilha é tropical e semi-úmido, com elevada precipitação pluviométrica que alcança 2.083, 7mm, sendo o período de março a junho o de mais intensas chuvas. A temperatura média anual é de 26º c, com variação ascendente nos meses de agosto a novembro, porém amenizada por uma permanente brisa e ventos fortes. É marcante o predomínio de suas estações: o verão, tempo de dias ensolarados e noites amenas, sobretudo na orla marítima, que vai de julho a dezembro, e o inverno, bastante chuvoso, de janeiro a junho.

    Além da capital maranhense, localizam-se, na Ilha, os municípios de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa (criado em 1994).

    São muito variadas as manifestações da cultura popular na Ilha de São Luís, onde, a qualquer tempo, e às vezes concomitantemente, há eventos festivos, sejam profanos, sejam religiosos. Incluem-se no rol dos últimos, dezenas de terreiros que, durante o ano todo, festejam seus deuses tutelares.
    Sob as formas de festas, exposições, feiras, festivais, ajuntamentos e funções, celebram-se em hora a produtos, seres e entidades do céu, da terra, do ar e das águas.

    Algumas dessas promoções já acontecem há bastante tempo, como é o caso da Festa da Juçara, que se vem repetindo em outubro, no lugar Maracanã, desde 1970, quando a instituiu o espírito realizador e preservacionista da inesquecível Rosa Mochel Martins, amiga de gente, bichos e plantas.

    Em Iguaíba realizaram o Festival do Coco D' Água; em Tibiri e Pau Deitado, fazem-se do camarão. É vastíssimo o calendário festivo da Ilha, não cabendo aqui, enumeração precisa, porque todos os dias são de alegria e de celebração à vida.

    O município de São Luís tem 518 Km2 de extensão e se acha na parte Nordeste da Ilha. A parte mais antiga da cidade dá a frente para a Baía de São Marcos, e é ladeada pelos braços de mar ou rios chamados Anil e Bacanga.

    Da população da Ilha, estimada em um milhão de habitantes, cerca de 800 mil residem em São Luís, cidade que se estende para além de seus limites administrativos, abrangendo parcelas territoriais dos municípios vizinhos, que indica a tendência para a constituição, em futuro próximo, a Grande São Luís, que compreenderá, praticamente toda a Ilha.

    Depois das Informações Gerais relativas ao Estado do Maranhão e à Ilha de São Luís, consideremos aspectos particulares que possibilitaram conhecer melhor a cidade de São Luís através de sua história, costumes, patrimônio arquitetônico, instituições culturais, culinária, folclore e tudo quanto constitui a cultura de um povo, orgulhoso de ser brasileiro, porém muito cioso de suas tradições.


    Pouco importa o meio de transporte utilizado para chegar a São Luís. Provavelmente, a cada maneira como se chega à Cidade do Senhor de La Ravardiere, haverá de corresponder o conjunto das primeiras e marcantes impressões sobre ela. Mas ninguém desejaria permanecer apenas nesses iniciais modos de ver e sentir uma cidade, qualquer que ela seja.

    No caso particular de São Luís, a necessidade de conhecê-la ainda se torna maior e mais imperativa, já que a capital maranhense não é uma cidade qualquer.

    Dona da beleza singular que lhe conferem seus sobradões de azulejos com soleiras de cantaria, beirais de fiança e sacadas de ferro, atestado de uma fase de prosperidade econômica e requintado bom-gosto, São Luís tem muito a mostrar e oferecer, embora possa a princípio, guardar-se em recato e pudor. Mera sisudez facilmente superável ao primeiro e sincero aperto de mão, seguido de abraço verdadeiramente amigo. Todas as honras ao visitante que é amigo, eis a lição de hospitalidade que deixaram os tupinambás, imemoriais senhores desta Ilha Grande, por eles chamada Upaon-Açu.

    Vale a pena sentir-lhe o calor humano, iniciar-se em seus mistérios, degustar-lhe as iguarias da cozinha típica, subir e descer ladeiras, através de ruas, becos e travessas também já trilhadas por muita gente que é impossível não conhecer e amar.

    Gente que pontificou na política, na literatura, na música, na religião, nas lutas cívicas, no magistério, no jornalismo e nas ciências, a exemplo de Jerônimo de Albuquerque, herói da expulsão dos franceses e primeiro capitão-mor do Maranhão, terra a que tanto se afeiçoou, que fez incorporar o topônimo que a designa a seu nome, passando a assinar-se Jerônimo de Albuquerque Maranhão, por orgulho e em memória de seu feito assinalado; do navegador Simão Estácio da Silveira, que em 1619 trouxe tantos colonos para São Luís, que com eles dobrou a população da nascente da cidade, de cuja Câmara Municipal foi o organizador e primeiro presidente; e que de volta ao Reino, como procurador destes povos, escreveu a Relação sumária das causas do Maranhão, encomiástica propaganda de nossa terra, dirigida aos pobres de Portugal; do Bem aventurado Gabriel Malagrida, de Padre Antônio Vieira, de Manoel Beckman (o Bequimão), de Gonçalves Dias, João Francisco Lisboa, Odorico Mendes, Sotero dos Reis, Gomes de Sousa, Antônio Rayol, Sousândrade, Joaquim Serra, Gentil Braga, Trajano Galvão, Artur e Aluísio Azevedo, Celso Magalhães, Urbano Santos, Coelho Neto, Humberto de Campos, Antônio Lobo, Antônio Lopes Nascimento Moraes e muitos, muitos outros que não daria para mencionar.

    Esses vultos são verdadeiras legendas emblemáticas da Cidade, porque a ela sempre se ligaram. Pertencem à história do Maranhão a à história do Brasil. Por maior ou menor tempo aqui residiram. Em travessas, becos e ruas cujos nomes líricos ou pitorescos, alguns de puro sabor português, ninguém esquece jamais: ruas Formosa, da Estrela, do Sol, da Viração, dos Afogados, das Crioulas, do Mocambo, das Flores, do Alecrim, da Inveja, das Barrocas, da Itamacacá, do Portinho, da Prensa, do Prego, do Rancho, da Lapa, do Canela.

    Alguns becos mudaram de nome e até de categoria. O do Quebra-Costas, que também já foi chamado Beco da Pacotilha, é hoje a Rua João Vital. Mas o primeiro nome que o povo lhe deu, foi o Beco do Quebra-Bunda, em alusão às muitas quedas que deveriam levar transeuntes desatentos a seu traçado íngreme, tortuoso e escorregadio; o Beco da Baronesa homenageia D. Mariana Francisca de Viveiros, Baronesa de São Bento, que residiu no solar da Rua Santo Antônio, No. 161 onde hoje sediada Escola de Música do Estado do Maranhão, em cujo canto começa a artéria. Homenageia a baronesa e procura esconder seu verdadeiro e ainda vivo nome popular: Beco da Bosta, por causa dos cabungos que escravos conduziam, através dele, para despejo no mar, ali bem perto, na Praia do Caju.

    Já o Beco de Catarina Mina, sem dúvida a mais bela escadaria a céu aberto que a Cidade tem, era a antiga Rua da Calçada, que o povo carinhosamente rebatizou com nome de sua bela moradora, e que o Governo pretendeu que se chamasse Rua Djalma Dutra, denominação que não pegou. Começa na Avenida Pedro II, à altura do portão de serviço do Palácio dos Leões, e termina na Travessa da Alfândega. No trecho compreendido entre as ruas de Nazaré e do Trapiche, está a escadaria de pedra lioz que acompanha o acentuado declive do terreno, e em cujo sopé morava e tinha casa comercial a encantadora preta mina Catarina Rosa Ferreira de Jesus, a célebre Catarina Mina. Escrava alforriada, fez fortuna e, casando, obteve patente de alferes da guarda Nacional para seu marido cafuz, segundo informa João Afonso do Nascimento, que a retratou com toda a ostentação de suas vestes rendadas e muitas jóias.

    Esteja-se onde estiver, hospedado em hotel ou acolhido pela hospitalidade de algum parente ou amigo, é conveniente partir de um ponto para conhecer a Cidade. Por mera convenção, admita-se que esse ponto de partida seja o marco da fundação de São Luís, pelos franceses, a 8 de setembro de 1612.

    Trata-se já de um terceiro monumento, inaugurado a 8 de setembro de 1962, por ocasião das festividades alusivas aos 350 anos da capital maranhense. Os dois primeiros, erigidos pela Municipalidade, desapareceram nas sucessivas reformas da Avenida Pedro II.

    O atual símbolo evocativo é trabalho do arquiteto maranhense Carlos Alberto Braga Diniz e, com certeza, a primeira frustração de sua carreira. Recém-formado e de volta à cidade, Braga Diniz terá visto no convite para projetar a obra, uma auspiciosa oportunidade de realização profissional.

    Dedicou-se inteiramente à tarefa e conheceu o que lhe parecia digno de São Luís. Mas tudo não passou da prancheta, pois o Governo do Estado reduziu drasticamente o orçamento, dispondo-se a gastar apenas um doze avos do montante previsto. Assim, a obra que teria a fundação festiva e soleníssima de São Luís, ficou amesquinhada às proporções de simples obeliscos antes pobre que modesto.

    Não se pode determinar o exato local em que os fidalgos Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, e François de Rasilly, Senhor de Rasilly e Aunelles, mandaram chantar a grande cruz de madeira para a missa com que solenizaram a posse da nova terra, em nome do rei de França, dando ao ousado e brilhante sonho da França Equinocial a sua contraface concreta, que tão pouco duraria (1612-15).
    Sabe-se, porém, que as cerimônias se deram em algum lugar da atual Avenida Pedro II, área que começa no balaústre sobre o viaduto em frente ao Palácio Arquiepiscopal.

    Também é sabido que tais cerimônias se revestiam de grande beleza, pompa e entusiasmo, os franceses paramentados com seus melhores vestidos, portando insígnias e condecorações, e os índios ostentando nos corpos robustos e belamente pintados, a festa de plumas e cores de seus colares, tangas, braceletes e pingentes.

    Das solenidades que oficializaram o domínio espiritual e a conquista administrativo-militar da França sobre a nascente colônia, o Franciscano Claude d´Abeville, chefe da missão religiosa da França Equinocial, fez minucioso e poético relato em seu livro História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas. E transcreve, também, o texto das Leis Fundamentais decretadas, em nome da rainha regente, a 1º de novembro de 1612.

    Do marco erguido para perpétua memória de sua fundação, São Luís se expande, generosa e hospitaleira, na rosa-dos-rumos de suas vielas, escadarias, ruas, ladeiras e fontes, configuração não apenas topográfica, porque essencialmente sentimental e lírica.

    De que falam os azulejos, as escadas das mansões senhoriais, os telhados, as pedras de cantaria? Ah, de tanta coisa, que são necessários tempo, investigação e paciência para saber: de lendas, mitos, histórias; de heroísmo, santidade, insurreição e ternura; de arroubos de paixão desagrada ou explosões de ódio cego e vingança inclemente, que para esses extremos de bem-querer e de mal querença tivemos sempre forte e grande coração.

    Aqui a cidade nasceu, mas sem tardança procurou outros sítios para onde, aos poucos, se foi expandindo. As vias de comunicação entre esses pontos nucleares passaram de simples veredas abertas, na mataria, a estradas, algumas a caminhos-reais quem indicaram, como instintivo plano urbanístico, as direituras e inflexões de um crescimento antigo de quase quatrocentos anos e operando ao ritmo da vida econômica do Maranhão, em que se contam ciclos prósperos e períodos de depressão, de decadência até.

    No pequeno espaço ocupado pela Avenida Pedro II, que antes se chamava Avenida Maranhense, acha-se o Palácio dos Leões, onde despachavam e residiam os governadores maranhenses. À esquerda, o Palácio La Ravardiere, sede da Prefeitura e antigo Senado da Câmara e Cadeia, que também sediou a Junta de Justiça e, posteriormente, o Tribunal da Relação, solenemente instalado a 4 de novembro de 1813. Em sua frente acha-se o busto de Daniel de La Touche, guarnecido por duas ordenanças.

    Do mesmo lado, no sentido de que se dirige à Catedral, há um conjunto de sobrados que, por suas dimensões e características arquitetônicas, não são dos mais notáveis da Cidade. Por outros motivos, porém, são notáveis, entre eles, o sobrado com mirante, hoje dividido sob os números 199 (sede da Junta Comercial do Estado do Maranhão) e 209 (agência do Banco do Estado do Rio de Janeiro), que foi um dos palacetes residenciais da famosa matrona D. Ana Jansen, e o número 241, onde, dos 2 aos 16 anos de idade (entre 1870 a 1884), viveu Graça Aranha, romancista de Canaã e discutido prócer da Semana da Arte Moderna de 1922. Nos baixos desse imóvel funcionaram a redação de oficinas de O País, prestigioso e importante jornal de que Temístocles da Silva Maciel Aranha, pai do escritor, foi proprietário e diretor, no período 1868 e 1884.

    Do lado oposto, a primeira edificação é a Capitania dos Portos, prédio de construção relativamente nova, assim como os do Banco do Brasil, do Banco da Amazônia e do Tribunal de Justiça, todos ocupando espaços onde anteriormente havia construções coloniais.

    Sobre o edifício João Goulart, construído para sede da superintendência regional do hoje extinto INAMPS, e mostrengo arquitetônico por muito tempo sem essa denominação, por força dos zelos cívicos pós 64, o evidente mau gosto dispensa qualquer comentário. Lamentável é que esteja no lugar em que antes se achava um belo sobrado de azulejos verdes e amarelos, sede, por longo tempo, da repartição dos Correios.

    Aqui e ali, uma ou outra edificação tem escapado à descaracterização do trecho. Compreende-se o fato. Sendo esta a parte mais antiga da cidade, os imóveis e equipamentos urbanos primitivamente nela construídos, não o foram em condições de atravessar os séculos. E alguns houve, que precisam ser totalmente erradicados, a exemplo do Cemitério Velho ou da Misericórdia, nos fundos da Igreja da mesma invocação, também destruída desde o século XVIII.

    Em princípios deste século, o logradouro foi completamente modificado e aformoseado, perdendo o aspecto de largo, em favor de avenida, graças à construção de passeios, alamedas e canteiros, obra do Intendente Afonso Henriques de Pinho, em 1904.

    Muitas são as intervenções que, ao longo dos anos, tem sofrido esta avenida. A principal e mais lamentável de todas foi, sem dúvida, a que derrubou criminosamente dezenas de árvores tão sabiamente plantadas neste e noutros pontos da Cidade.
    Tempos houve em que se reconhecia a utilidade da vegetação, notadamente em clima tropical. As ruas, praças e avenidas eram arborizadas, o mesmo cabendo dizer quanto aos quintais das residências, cheios de árvores copadas e frutíferas. Também retiraram do espaço fronteiro ao Palácio do Comércio a estrela de Sotero dos Reis, ali inaugurada em 1928, por iniciativa e a expensas do Almirante R. F. Cantanhêde. Media três metros de altura e tinha gravado, na parte superior, um medalhão de bronze com a efígie do homenageado, obra do escultor maranhense Newton Sá.

    Sobre o Palácio do Comércio: foi esse edifício construído em duas fases. A primeira, no local do antigo Hotel Central; a segunda, no espaço ocupado pelo imóvel conhecido como Palácio dos Holandeses, que para isso foi arrasado. A sede da Associação Comercial do Maranhão deveria abrigar um museu permanente de produtos do Estado, escritório de serviço da entidade e um hotel modelar, o qual foi o Hotel Central, em sua última fase, que durou da inauguração do Palácio do Comércio até 1994, quando encerrou suas atividades, pondo fim à crescente decadência em que mergulhara. Da primeira fase desse estabelecimento, registra-se que no período de 1871-2 pertenceu a Francisco José da Silva, e que em 1896 era propriedade de Alfred Champoudry & Cia.

    Coelho Neto nele se hospedou, em 1899, por ocasião de sua apoteótica visita ao Maranhão, cabendo ao poeta Sousândrade fazer-lhe o brinde de honra no banquete que a sociedade ofereceu ali ao escritor, então no auge de sua carreira literária.

    Fundada por franceses, que aqui só puderam manter-se por três anos (1612-15), e invadida pelos holandeses, a quem a bravura dos portugueses e o espirito nativista dos maranhenses impuseram igual tempo de denominação (1641-44), São Luís, hoje brasileira como poucas de nossas cidades poderão sê-lo, permaneceu, por mais de dois séculos, um burgo tipicamente lusitano. E tão lusitano que, à custa de lutas memoráveis e sangrentas, retardou em quase um ano a Independência proclamada por D. Pedro I, pois ela só aderiu em 28 de julho de 1823.

    Desse modo será esforço baldado investigar o que a Cidade guarda de obras materiais ou de outras quaisquer expressões de cultura relativas aos atribulados triênios em que aqui estiveram franceses e holandeses. Dos primeiros, nada, além do topônimo com que batizaram a sede da conquista.

    Quanto aos segundos, resta, mas não em sua versão original, a Fonte das Pedras, serventia deles, após estratégico desembarque pelo Desterro, cujo templo (então modesta ermida de frente para o Bacanga) teriam profanado.

    Intolerância de invasores e calvinistas liderados por Pieter Bas, comandante de armas, e pelo francês Pasquier, pastor de almas. Desse tempo de flamengos, São Luís também guardou por três séculos o prédio chamado Palácio dos Holandeses, por nele se haver instalado o comando invasor. Ficava na extremidade sul do atual Palácio do Comércio e, para a ampliação deste, no sentido da Rua de Nazaré, teve que ser demolido.

    Que outros lembrariam franceses e holandeses ? Dir-se-ia que o Forte de São Luís, depois chamado de São Felipe, sob os portugueses, e onde é o Palácio dos Leões, e a lenda piedosa da ação providencial de Nossa Senhora da Vitória, conhecida como o Milagre de Guaxenduba; e, na expulsão dos prepostos do Conde Maurício de Nassau, o Outeiro da Cruz, onde foram decisivamente batidos; o Convento do Carmo, local de resistência e ofensiva portuguesa, e a lenda do Milagre de São João Batista. Todas porém, relembranças não deles, mas dos maranhenses. Coisas de nossa bravura e de nossa fé.

    Quem é daqui, pertence à Cidade, que por sua vez lhe pertence na razão direta do carinho recíproco e do mútuo bem-querer.

    Ao que chega, desde que não venha em missão nefanda de exploração predatória ou de ocupação colonialista, dir-se-á, com simplicidade, mas de muito bom coração, como é comum ouvir-se da hospitalidade popular:

    - Entre, se abanque e esteja à vontade.
    os quintais por três anos (1612-15), e invadida pelos holandeses, a quem a bravura dos portugueses e o espirito nativista


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  • Jose de Ribamar "Eu tenho muita saudade desta ilha magnética ... "
  • Davi Ribeiro "Um dia ainda volto para ai ..."
  • Aroldo  "Muito bom este site sobre o maranhão, é bastante completo ..."

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